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Highway Hi-fi: e o toca-discos foi parar no carro!

Disponível com exclusividade na linha Chrysler 1956/59, equipamento não fez muito sucesso. Defeitos e pouca variedade de discos estão entre os motivos do fracasso

Anos 1950. Mesmo num país desenvolvido como os Estados Unidos, as opções de rádios eram bem limitadas — quase sempre em AM — e a fita K7 sequer tinha sido ainda inventada. Então, como curtir no carro a sua trilha sonora preferida? Era o que se perguntava Peter Goldmark, um inventor da indústria fonográfica contratado da Gravadora Columbia, que já havia desenvolvido o LP de 33 rotações.

Propaganda de lançamento

Ele então criou um aparelho — batizado de Highway Hi-fi Phonograph — que adaptável ao painel do automóvel, tocava discos compactos especiais que armazenavam até 45 minutos de músicas de cada lado. Essa ‘mágica’ era possível graças às 16 ⅔ rpm (a metade de um LP normal), combinadas com sulcos extremamente apertados, para que coubesse mais conteúdo. E para que não empenassem com o sol devido ao uso no carro, os discos tinham o dobro da espessura dos convencionais.

E como evitar os saltos da agulha com o carro em movimento? Para isso foi desenvolvido um braço bem mais pesado para o toca-discos, com agulha especial de safira, que exercia o dobro da pressão de um equipamento convencional.

O Highway Hi-fi só funcionava ligado ao rádio MOPAR

A invenção foi oferecida pela Columbia à Chrysler, que a adotou como um opcional para toda sua linha 1956: Plymouth, Dodge, De Soto, Chrysler e Imperial. Foi feita uma grande campanha de marketing para essa exclusividade. Por mais US$ 200 o cliente levava o toca-discos Highway Hi-fi, além de 6 discos variados. O equipamento só funcionava conectado a um modelo específico de rádio: o MOPAR Electro Touch-Tuner, da própria Chrysler. Então, caso resolvesse vender o carro, o cliente Chrysler não tinha outra saída a não ser entrega-lo com o toca-discos e os discos ao comprador, já que o aparelho não se adaptava a outros modelos de rádio e os disquinhos não funcionavam em um toca-discos doméstico.

O disco de 16 ⅔ rpm só funcionava no Highway Hi-fi

Além disso, o Highway Hi-fi não era vendido como um opcional, apenas instalado em veículos novos. E mais: o número de discos a venda era bem limitado. Foram lançados apenas 36 e só de artistas da Gravadora Columbia. Muita música clássica e artistas menos populares, musicais da Broadway e até historinhas infantis. Nada de Rock’n Roll, Blues ou Jazz, os ritmos da moda.

Somando-se a tudo isso, outros dois problemáticos detalhes:  o equipamento não era 100% a prova de vibrações, ao contrário do que anunciava a propaganda. Era também bastante sujeito a defeitos, devido a muitas peças móveis e delicadas. Assim, rapidamente o Highway Hi-Fi ganhou má fama e virou um fracasso comercial. No final de 1957 já estava fora de linha.

O pugilista Muhammad Ali testa o aparelho da Philips

Em 1960 a RCA e a Philips lançaram novos modelos de toca-discos automotivos. Dessa vez disponíveis para qualquer marca e modelo de automóvel e também vendidos como acessório. Usavam discos compactos comuns, o que ampliava enormemente o leque de opções musicais. Agora você podia comprar o disco de seu artista preferido e escuta-lo no carro ou em casa. O toca-discos permitia empilhar vários discos, que iam tocando um a um automaticamente. Isso compensava a menor capacidade de armazenamento de músicas.  Custava módicos US$ 39,00.

Mas novamente o sucesso não durou muito. Além do mesmo problema de vibrações, a necessidade de alta pressão da agulha acabava danificando os discos. Também não tiveram vida longa.

Para a alegria dos motoristas, em meados dos anos 1960, a invenção do toca-fitas K7 inaugurou uma nova era para o som automotivo.

Texto e edição: Fernando Barenco

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