Repórter Maxicar

Qual é o lubrificante de motor ideal para o seu automóvel?

Especialista explica e dá ótimas dicas sobre o momento certo da troca e informações dos rótulos

Para o bom funcionamento de um veículo nada melhor do que uma manutenção adequada. Os motores de automóveis são como qualquer outra máquina e requerem cuidados com suas peças, filtros e especialmente os óleos lubrificantes. São estes os responsáveis por garantir o bom funcionamento do motor, reduzindo o atrito entre os componentes, diminuindo o calor produzido durante o funcionamento e aumentando assim sua vida útil. Mas como saber qual o lubrificante de motor ideal para cada veículo e fazer a escolha certa quando é necessário realizar a sua troca?

Um lubrificante com a sigla SAE 10W-40, por exemplo, o número 10W mostra a viscosidade do óleo em baixas temperaturas, quando o motor está parado, e o número 40 indica a viscosidade em altas temperaturas, com o motor já em movimento

Os tipos de lubrificantes automotivos

O primeiro passo é conhecer os tipos de lubrificantes disponíveis no mercado atualmente. São três principais:

  1. Óleos Minerais: são o resultado do refino do petróleo bruto e seus aditivos. Ele é muito utilizado atendendo a frota de veículos e motores mais antigos. É considerado o lubrificante de motor mais comum do mercado, porém o que tem menor durabilidade;
  2. Óleos Semissintéticos: são aqueles que contêm em sua elaboração além de aditivos, uma combinação proporcional de óleos minerais e sintéticos, juntando assim as melhores qualidades de cada um deles e barateando o custo. São lubrificantes indicados para a maioria dos motores que existem no mercado e têm uma durabilidade média;
  3. Óleos Sintéticos: são produzidos por meio de uma combinação de óleos básicos sintéticos e aditivos, e por terem um processo de fabricação mais tecnológico suas características são mais robustas do que os óleos minerais e os semissintéticos. São lubrificantes com maior durabilidade e ideais para veículos com motores mais modernos e exigentes.

Decifrando as informações do rótulo

Após entender as diferenças entre os tipos de óleos lubrificantes, é preciso verificar o manual do proprietário do veículo, onde encontram-se todas as informações sobre o produto correto para cada automóvel. Além disso, os lubrificantes exigem normas e padrões que devem ser seguidos conforme as características de seus motores, portanto cada montadora exige requerimentos específicos para homologar os lubrificantes que atenderão às necessidades de seus motores. Todas essas normas, além dos tipos de óleo indicados a cada determinado veículo, estão descritas no manual.

Outros dois pontos aos quais devem ser dados a devida atenção é a viscosidade e o desempenho do lubrificante, ambos identificados no rótulo do produto e especificados no manual. Todo óleo é viscoso e essa viscosidade altera de acordo com a temperatura do motor. Sendo assim, a sigla SAE (traduzida do inglês, Sociedade de Engenheiros Automotivos) que vem indicada na embalagem aponta a viscosidade do lubrificante. A classificação é feita em duas escalas: uma de baixa temperatura (de 0W a 25W, sendo a letra “W” referente à palavra “inverno” em inglês, “winter”) e outra de alta temperatura (de 8 a 60). Ou seja, em um lubrificante com a sigla SAE 10W-40, por exemplo, o número 10W mostra a viscosidade do óleo em baixas temperaturas, quando o motor está parado, e o número 40 indica a viscosidade em altas temperaturas, com o motor já em movimento.

No caso do desempenho do lubrificante de motor , as especificações são feitas geralmente pelas normas americanas da API e descritas na embalagem em duas letras logo após os números da viscosidade: a letra “S” indica service station (estação de serviço, em português) e as letras seguintes apontam para o desempenho de fato, sendo que quanto mais avançada for a letra considerando a ordem do alfabeto, melhor será a qualidade do lubrificante, com maior capacidade de proteger o motor e impedir a formação de resíduos. Por exemplo, um óleo lubrificante com a classificação SM é considerado melhor do que o SL, mas não tão bom quanto um SN. A recomendação da classificação API ideal para cada tipo de veículo também está especificada no manual do proprietário. E é importante lembrar que alguns lubrificantes seguem também as normas europeias da ACEA, que avalia precisamente as condições técnicas da composição.

Os cuidados necessários na hora troca do óleo

Uma coisa é certa, de nada adianta saber qual é o lubrificante de motor ideal para o seu veículo se ao trocá-lo, fizer de forma ou na hora errada. Não existe um momento exato para a substituição do óleo do motor, mas as fabricantes dos automóveis indicam que seja seguida a quilometragem percorrida ou um determinado tempo de acordo com o manual, o que acontecer primeiro.

Em um automóvel novo, essa troca geralmente ocorre em suas revisões periódicas quando o óleo e o filtro são substituídos conforme a recomendação do fabricante. Já em um veículo de modelo mais antigo, é recomendado que a troca seja feita a cada cinco a sete mil quilômetros rodados ou a cada seis meses de uso. E em um automóvel que não é utilizado tão frequentemente, apenas algumas vezes por semana, a troca pode ser feita a cada dez ou 16 mil quilômetros ou uma vez por ano. Mas é claro que apesar das orientações, é sempre bom verificar o nível do óleo e ficar atento aos sinais de trocas.

É importante ressaltar que além do lubrificante, é necessário sempre checar o filtro do óleo e realizar sua troca periodicamente. O filtro é responsável por eliminar alguns resíduos presentes no óleo, como partículas derivadas do atrito entre as peças. Portanto, ao realizar a troca do lubrificante é também indicado trocar o filtro para não colocar um óleo novo em contato com um filtro “sujo”, o que dificultaria uma lubrificação eficaz do motor.

“Os primeiros impactos do uso de um óleo de motor não indicado em um determinado automóvel são a lubrificação pouco eficaz, o aumento no consumo de combustível e uma redução no nível do óleo, que abaixa constantemente por conta do aumento do trabalho do motor em uma temperatura mais elevada. Em casos extremos o motor pode travar”

Uma situação muito comum ao parar em um posto de gasolina para abastecer o veículo é ouvir a seguinte pergunta: “quer completar o óleo de motor?”. Essa prática não é recomendada pelos fabricantes de automóveis, visto que quando é misturado um lubrificante novo com o antigo, há a grande possibilidade de ocorrer uma contaminação, implicando na eficiência do processo de lubrificação. Além disso, outra prática comum, mas não recomendada é a adição de aditivos externos ao óleo. Isso não é necessário, pois grande parte dos lubrificantes já contêm aditivos próprios e suficientes para o seu bom funcionamento.

O perigo de usar um lubrificante de motor não adequado

Já está claro que realizar a troca do óleo de forma incorreta causa danos ao motor, bem como utilizar um lubrificante não adequado para aquele veículo. Os primeiros impactos do uso de um óleo de motor não indicado em um determinado automóvel são a lubrificação pouco eficaz, o aumento no consumo de combustível e uma redução no nível do óleo, que abaixa constantemente por conta do aumento do trabalho do motor em uma temperatura mais elevada. Em casos extremos o motor pode travar, já que um lubrificante não adequado irá ser consumido mais rapidamente, baixando o nível e deixando de lubrificar. Neste caso, há um aumento de calor das peças ocasionando esse travamento, ou como é mais conhecido: motor fundido.

Portanto, o ideal é sempre seguir as orientações do manual do proprietário para entender qual é o óleo mais adequado para o seu veículo e utilizar os lubrificantes que tenham homologação. Os fabricantes investem em tecnologia e aditivos para garantir a exigência das montadoras. Todas essas informações e exigências são encontradas nos rótulos das embalagens. Fazendo sempre a manutenção preventiva do seu veículo, a troca de óleo de acordo com a recomendação do manual e utilizando produtos homologados, seu veículo estará protegido por muito mais tempo e terá uma vida útil muito mais longa.

Marcelo Martini
Gestor da divisão automotiva da FUCHS

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