10 Perguntas ao Presidente, com Fatima Barenco

ENTREVISTA: Aparecido Romano – Reumatismo Car Clube – SP

Aparecido Romano Reumatismo Car Club

“Carro Antigo não é apenas ‘pura nostalgia’ e sim um facilitador de amizades”

São muitas histórias contadas com entusiasmo e muito carinho por cada momento vivido. E ele começa pela sua família. “Minha esposa Angela sempre aprovou, incentivou e participou do assunto relacionado aos carros antigos. Não que ela seja fanática ou apaixonada por carros antigos, mas sempre dividiu comigo a responsabilidade de aquisição, restauração e o que é mais importante, passear com os nossos carrinhos.  Os filhos também encorajaram os assuntos relacionados com os carros antigos, e agora temos as netas que também gostam dos brinquedinhos do vovô. A menor já adotou como seu a Lada Laika branca, que ela diz ser a sua “favorita”. A filha sempre falava em adquirir um Jeep Willys, e no ano passado realizou seu sonho, e hoje desfruta dele, fazendo trilhas nos estacionamentos dos Shoppings.”

E a conversa continua… Amigos, membros do clube e claro o seu Gordini. Muitos, muitos passeios… Nessa primeira entrevista do ano tenho a honra de bater um papo com o presidente do Reumatismo Car Club, de São Bernardo do Campo-SP, Aparecido Romano.


Em primeiro lugar queremos conhecer a história do Reumatismo Car Club. Quando e como surgiu?

No início do século XXI o Sr. Paladino – mestre dos “Fordinhos” organizava um evento de carros antigos nas noites de quinta-feira no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, onde os proprietários exibiam suas máquinas e os “principiantes” como eu, aprendiam com os “experts”, ouviam suas histórias, além de recordar as façanhas que tiveram com seus veículos.

Foram nestas reuniões que começamos a planejar os passeios das manhãs de domingo com os nossos “bólidos”. No início eram passeios curtos (desfiles) pela cidade, o que despertava interesse da população em ver tantos antigos desfilando juntos no trânsito. Depois, começamos a nos organizar para comparecer aos eventos. Os mais experientes explicavam as “boas maneiras” dos eventos de carros antigos, e que deveríamos sair e chegar todos juntos, para marcar presença.

Como nasceu a ideia do nome “Reumatismo” para o clube?

Depois de alguns meses, em 13 de dezembro de 2003, no evento do segundo domingo do mês organizado pelo Sr. Russo nas dependências do Shopping Central Plaza, escolhemos o nome REUMATISMO CAR CLUB para diferenciar dos tantos nomes de clube de marca ou com o nome de cidade, o que se justifica, pois, a palavra “reumatismo” lembra “velharia”.

Desde aquela época eu discordei de “oficializar” o recém-nascido clube, pois sempre defendi a ideia se continuarmos sendo um “grupo de amigos” proprietários, que gostam de passear com a família em seus carros antigos.

Entendo que os carros antigos seriam apenas uma forma de lazer, e se organizasse, com diretoria, mensalidades, reuniões e obrigações, aquela unidade seria desfeita. Até hoje o Reumatismo Car Club de São Bernardo do Campo continua uma “confraria”, e não uma pessoa jurídica formalmente constituída.

Aparecido Romano Reumatismo Car Club

Um grupo de amigos muito unido


Apesar da informalidade, desde a formação do grupo há 18 anos, sempre mantivemos o propósito de passear com os carros antigos, devidamente uniformizados e unidos, mantendo o lema de sair e chegar juntos, o que dá segurança para os integrantes. Em cada evento é aclamado um integrante para representar o REUMATISMO CAR CLUB, pois sempre entregamos um pequeno “mimo” como forma de homenagear os organizadores que tanto batalham para acolher os participantes com seus carros antigos.

Que atividades o clube realiza?

O grupo REUMATISMO CAR CLUB realiza passeios para participar de eventos, e nos últimos anos temos feito uma viagem longa anual, como por exemplo: ao Sul-brasileiro, em Bento Gonçalves-RS, em Criciúma-SC; em Porto Alegre-RS; em Curitiba-PR, e o último foi em Jaraguá do Sul-SC. Sempre viajamos com a família e com os nossos carros rodando em fila pelas estradas.

Aparecido Romano Reumatismo Car Club

As viagens são sempre em grupo


Estas viagens nunca são pelo trajeto mais curto. Sempre aproveitamos o deslocamento para conhecer outros locais, como por exemplo: a Serra do Rio do Rastro, a região de Treze Tílias- SC; o hotel dentro de uma mina em Ametista do Sul-RS, a balsa para ver os golfinhos entre Itapoã-PR, São Francisco do Sul-SC, etc.

Como tem sido sua trajetória à frente do clube?

Em razão da minha profissão eu tinha disponibilidade para programar passeios e pesquisar preços de hospedagem, e por isso acabei permanecendo à frente, mas sempre todos colaboram para a tomada das decisões, principalmente as viagens.

Todas as nossas despesas para determinado evento são rateadas entre os participantes, e não temos sequer o caixa para dizer que temos “dinheiro em caixa”.

Nos encontros ouvimos muitas histórias do quanto significa determinada marca de carro para uma pessoa, das lembranças de infância e de muitas outras recordações. De onde vem sua paixão pelos carros Antigos? E qual o seu xodó sobre rodas?

Aos 16 anos de idade adquiri um Gordini por permuta de um gravador de fita K7 usado e mais um novo que adquiri nas Casas Bahia, através daquele carnezinho que me fez voltar à loja por 12 meses para pagar. Para trazer o Gordini do bairro Planalto, em São Bernardo do Campo até São Caetano do Sul, foi uma verdadeira maratona de mais de seis horas, e somente chegou rebocado. Retifiquei o motor e sofri muito para fazer funcionar. Foi mais de ano em reforma e quando o carro ficou pronto a documentação não estava correta e o carro foi parar em um desmanche. Um ano de muito trabalho sem andar com o carro.

Mais de 30 anos se passaram… O meu primeiro carro antigo foi um Aero Willys 1968 que conheci no antigo evento do Pacaembu, quando já estava em tratativas para adquirir um Fissore. Em uma sexta feira, eu e meu filho formos examinar pessoalmente os dois carros e optamos pelo Aero 68.

Fiquei com ele durante pouco mais de um ano. Era um carro maravilhoso, impecável, andava macio e aparentemente, não tinha nada para fazer, até a primeira viagem, com destino a cidade de Aparecida, quando os pneus começaram a perder a banda de rodagem na pista, e acabei comprando pneus ½ vida para conseguir retornar à São Bernardo do Campo. Com os pneus novos, fizemos várias viagens com ele.

Aparecido Romano Reumatismo Car Club

O Renault Gordini 1967 é o seu xodó


Então resolvi curar aquela frustração da juventude e vendi o Aero Willys 1968 para comprar o Gordini 1967 com placas da cidade de Maria da Fé – MG que tenho hoje. Foi amor à primeira vista e quase apanhei da esposa e filhos, em razão da aparência do carro que não era nada agradável. Após muita dedicação em busca de peças de reposição e trabalho nos finais de semana, hoje tenho o prazer que não tive de andar com o meu primeiro Gordini e recentemente tive a oportunidade de conhecer a cidade de onde ele saiu.

Um momento inesquecível a bordo de seu xodó…

Esse não tem como esquecer! A nossa primeira viagem foi no ano de 2004 para participar do evento do CAAS – Clube de Autos Antigos de Santos. Na volta, o desafio foi subir a Serra do Mar com o meu Gordini 1967 pela Rodovia Anchieta, no final da tarde de domingo, com um trânsito infernal, para superar os 700 metros de altitude sem que o motor aquecesse demais naquele para e anda. Lembro de gritar de felicidade com o braço para fora do carro comemorando ter alcançado o topo da serra do mar na primeira viagem com aquele carro.

A Placa Preta está de volta. Esse é um incentivo a mais para os antigomobilistas preservaram a originalidade de seus antigos?
E qual a sua visão do antigomobilismo no Brasil no momento atual?

Acredito que sim! No ano passado fiz a vistoria para placas de coleção no Lada Laika SW Branca e no Jeep da minha filha, e confesso ter ficado desapontado com aquelas placas. Estou muito feliz em saber do retorno da verdadeira “placa preta” graças ao trabalho da FBVA junto ao Detran PR, e estou ansioso para trocar as nossas.

Aparecido Romano Reumatismo Car Club

A Station Wagon russa Lada Laika


Acredito que a baixa nos rendimentos financeiros inflacionou o mercado de carros antigos e proporcionou a valorização das coleções. Carro Antigo dificilmente irá causar prejuízo ao proprietário, apesar de não ter liquidez. Costumo dizer que carro antigo não se vende, e sim aparece alguém querendo comprar. Neste momento é que acontecem os bons negócios.

Como já ficou claro, o pessoal do Reumatismo Car Club é muito unido. Nos fale também um pouco sobre os carros antigos dos companheiros.

No REUMATISMO CAR CLUB temos carros de todas as marcas. Desde o Fordinho 1929 do Sr. Getúlio, até a minha Lada Laika 1990. Cada um dos “reumáticos” acredita que o seu carro é o melhor do mundo e os demais não tem coragem de discordar disso. Temos alguns veículos “hors concours” como por exemplo o Packard 1937 Club Sedan do Zelão, que foi o veículo símbolo do 15º evento de São Roque; temos também a raríssima e conhecida Simca Jangada 1965 do Guedes; O Dodge ano 1977 do Sergio adquirido zero Km pelo seu pai na fábrica. Temos Fusca do Abrahão com o volante do lado direito; o Fusca “Cornowagen” 1965 do Cleber; O impecável Volkswagem Sedan 1965 do Dias, adquirido há algumas décadas para uso diário e que hoje desfruta o sucesso da perfeita conservação com a ajuda do neto. Além destes temos alguns exemplares da família Gordini, Dauphine, Interlagos e seu sucessor, o Corcel.


Mas o destaque especial do nosso grupo é que todos os nossos carros vão e voltam rodando aos eventos (pelo menos é isso é o que nós esperamos deles!).

Para quem quiser se filiar ao clube, como deve proceder?

Como eu já mencionei, o REUMATISMO CAR CLUB não é um clube formal e sim um grupo de amigos, e para participar conosco em nossos passeios, tem que se sentir bem em nossa companhia, sair e voltar juntos dos passeios que fazemos com as nossas famílias.

Nossa entrevista está chegando ao fim e deixo aqui com a palavra o presidente Aparecido Romano, a quem agradeço imensamente pela participação e por poder mostrar um pouco mais sobre os clubes brasileiros. O espaço é todo seu…

O Reumatismo Car Club fica honrado em participar desta matéria do Maxicar e aproveito para dizer que “Carro Antigo não é apenas pura nostalgia” e sim um facilitador de amizades.

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