Repórter Maxicar

Uma revolução chamada Citroën Traction Avant

Citroen Traction Avant

Lançado em 1934, trouxe inovações como a tração dianteira e a carroceria monobloco

Carro mais significante e revolucionário de seu tempo, o Traction Avant foi um marco na história – tanto a da Citroën, quanto a do mundo. Concebido num tempo em que os conceitos automobilísticos se estabeleciam, o modelo mais ambicioso e fruto da imaginação de André Citroën veio e subverteu a realidade automotiva. Tanto por isso, foi amado por políticos, artistas, poetas e empresários durante seus 23 anos de vida.

Citroen traction avant
7A 1934

Apresentado em abril e lançado em maio de 1934, antecipou o padrão motriz dos carros do futuro, ao unir tração dianteira e carroceria monobloco e levar a combinação à larga escala. Desenvolvido por André Lefèbvre e Maurice Sainturat em apenas 18 meses, resumiu as aspirações de uma elite intelectual como nenhum automóvel de sua era. Sofisticado, audacioso, elegante, transgressor e prolífico, também era um fiel e impecável tradutor do etos da Citroën, oxigenada desde o nascimento pelo desafio ao impossível.

Equipada com um motor de 1.303 cm3 e 32 cv, a versão 7A é uma das mais raras, pois soma 7.000 unidades fabricadas até julho de 1934. Depois vieram os modelos 7B (1.628 cm3 e 38 cv) e 7 Sport (1.910 cm3 e 48 cv). Os números se referiam ao sistema europeu de taxação de impostos, baseado na dimensão dos cilindros. Era possível escolher entre as carrocerias Berline (sedã), Faux Cabriolet (conversível) e Roadster (conversível de dois lugares).

Citroën Traction Avant
7C Cabriolet

Em 1938 chegava a versão 15-Six G, dotada de motor seis-cilindros de 2.867 cm³ e 77 cv e suspensão hidropneumática, que misturava gás e fluído. Não surpreende o apelido “Queen of the Road” (rainha da estrada), cuja missão era entregar não apenas vanguardismo e imponência aos olhos, mas também conforto e impavidez no rodar. A troca das três marchas do câmbio manual eram um balé, tal a vivacidade do movimento da mão direita.

O popular 11

O mais popular sem dúvida fora o 11. Das 759.123 unidades produzidas do Traction Avant, mais de 620 mil foram deste modelo, destacado pelas configurações Familiale, de nove lugares, e Coupé, de cinco postos.

Largo, o Traction Avant exigia perícia nas estreitas ruas europeias pré-guerra. A suspensão independente com barra de torção e o moderno sistema de direção recompensavam o desafio com um guiar vívido e inspirador. Mas, também sabia ser gentil: para facilitar a vida dos mecânicos, motor, câmbio, radiador, e suspensão dianteira eram acessíveis por um capô na longitudinal.

Compressor automotivo de Ar Vonder

Desenhado por um escultor que jamais desenhara um carro, talvez por isso mesmo Flaminio Bertoni tenha sido a escolha perfeita para materializar a criatura vislumbrada por Citroën. Havia também a obsessão por forma e função, materializada nas maçanetas Art Deco, belas e práticas.

André Citroën e o Traction Avant, contudo, conviveram por pouco tempo, pois o fundador da marca faleceu em 1935, mas o DNA da Citroën, contudo, já estava definido. Em julho de 1957, após 23 anos, o Traction Avant se aposentava.

Texto: Stellantis Press
Fotos: Divulgação
Edição: Fernando Barenco

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