Repórter Maxicar

E assim nasceu o Kit Continental

Kit Continental

Moda entre os carros americanos dos anos 1950, o estepe posicionado na traseira confere classe e elegância. Saiba quando o Kit Continental foi criado e porque ganhou esse nome

Na década de 1910 os fabricantes de automóveis começaram a ver a necessidade do uso dos pneus sobressalentes. Como aquelas quase carruagens motorizadas não possuíam um local específico para isso, o estepe ficava preso na lateral ou na traseira do veículo. Naquela época em geral os carros usavam rodas de madeira e o estepe era composto apenas do pneu. Alguns modelos carregavam dois, que ficavam presos juntos.

Propaganda da Packard de 1913, dá destaque aos estepes. À direita, propaganda do Buick 1917

Duas décadas depois, os automóveis já haviam evoluído bastante. As carrocerias eram bem mais fechadas e integradas e o pneu extra já havia ganhado um espaço só dele, dentro do porta-malas.

O pioneiro

No final de 1939 a sofisticada linha Continental da Lincoln trouxe a novidade: o estepe que ficava apoiado no parachoque traseiro, que era recuado para trás, ganhando alguns centímetros extras. A roda era recoberta por metal da cor do carro. Além de sobrar mais espaço na mala para as bagagens, o detalhe era esteticamente muito bonito e fez imediato sucesso.

Lincoln Continental 1939 foi o precursor do Kit Continental

Quem levou a ideia para os Estados Unidos foi o então Presidente do Grupo Ford, Edsel Ford, após uma viagem que fez à Europa, onde viu automóveis esportivos com algo semelhante.

A linha Continental manteve a novidade estilística nos anos seguintes. Mas que não foi batizada oficialmente de ‘Kit Continental’. Recebeu esse apelido depois, pelos próprios fãs de automóveis.

Década de 1950: o auge

Na década de 1950, a moda voltou com força. E a primeira marca americana a trazer de volta o Kit Continental foi a Nash, com seu pequeno Rambler 1953. Depois foi a vez da Linha Hudson de 1955. Em 1956 e 1957 a Ford também equipou o esportivo Thunderbird com estepe na parte traseira. Para vários modelos — caso, por exemplo, do Bel Air, da Chevrolet (foto principal) — era possível adquirir o Kit na compra de um carro zero km, como opcional.

Em sentido horário, a partir do alto: Linha Hudson 1955, Ford Thunderbird 1956 e Nash Rambler 1953

Mas paralelo aos Kits Continentais originais de fábrica, havia os fabricantes independentes, que os produziam para as mais diversas marcas: Chevrolet, Ford, Buick, Cadillac, Oldsmobile, Chrysler…

Em 1968 a Lincoln trouxe de volta o kit Continental, mas agora em versão modernizada. Na tampa do porta-malas do Mark III vinha estampado o desenho do estepe. Mas era algo apenas decorativo, já que o estepe na verdade não ficada acondicionado ali. O estilo se manteve até 1992, com o Mark VII.

Kit Continental
Continental Mark IV 1976

Até hoje o Kit Continental é muito popular. Clássicos com aquele inconfundível estilo dos 1950, ficam ainda mais vistosos (e maiores!) quanto equipados com o Kit Continental.

No Brasil

E o Brasil também teve seu modelo que vinha de fábrica equipado com o Kit Continental. Só que na década de 1960, quando o estilo dos carros americanos já havia mudado, tornando-se mais sóbrios e com menos detalhes. Por isso, o Kit continental tinha saído de moda por lá. Estamos falando do Presidence, o top de linha da Simca.

Kit Continental
Simca Presidence

Nos Estados Unidos o Kit Continental é fabricado até hoje. A Continental Interprises, por exemplo, produz o acessório para cerca de 200 modelos!

Texto e edição: Fernando Barenco

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