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Assista! Hofstetter: o sonho futurista de um garoto

Mário Hofstetter tinha apenas 16 anos quando deu início ao projeto. Protótipo ficou pronto em 1975. Foram produzidos somente 18 unidades desse fora-de-serie à frente de seu tempo

Em 1971, aquele adolescente, então morando na Europa, ficou fascinado ao conhecer o carro-conceito Maserati Boomerang, idealizado por Giorgetto Giugiaro e apresentado no Salão do Automóvel de Turim (Itália). Daí nasceu o sonho de criar seu próprio fora-de-série.

De volta ao Brasil, aos 16 anos Mário Hoffstetter aceitou o desafio do pai e começou a dar vida ao seu próprio esportivo.

Com linhas para lá de futuristas, o protótipo ficou pronto em 1975. Vermelho, tinha carroceria em fibra de vidro, portas envidraçadas ao estilo asa-de-gaivota, faróis escamoteáveis, motor central Ford Cosworth de 230cv, herdado de um carro de Fórmula 2.

A “criatura” ganhou o nome de seu criador: Hofstetter.

Foi desenhado por Mário e arduamente construído de forma artesanal, com a ajuda de um amigo. Tudo começou com madeiras compensadas, uma furadeira, uma serra tico-tico e um serrote. Segundo ele, trabalhava 16 horas por dia, sete dias por semana.

O Hofstetter estreia no Salão

Depois do desenvolvimento do primeiro, o projeto ficou em stand-by nos anos seguintes, sendo retomado de forma profissional quando a nova versão do Hofstteter foi apresentada no Salão do Automóvel de São Paulo de 1984, causando frison por seu design arrojado, diferente de tudo o que se via aqui. Era caríssimo e o objetivo comercial era o de vender 30 carros por ano.

Com chassi em forma de T, tinha suspensão dianteira e caixa de direção do Chevrolet Chevette. Na traseira, foi adaptada a suspensão do VW Passat, de forma invertida. O motor era o MD-270 1.6 também do Passat (depois 1.8 do VW Gol GT e nos últimos exemplares, o 2.0 do Santana), com turbocompressor. Os freios eram a disco nas quatro rodas, mas não contava com direção hidráulica.

Também não tinha nenhuma janela. A refrigeração era feita unicamente pelo ar-condicionado, que era automaticamente acionado ao ligar o motor. Mas se fosse preciso, por exemplo, pagar um pedágio ou pedir uma informação, era necessário sair do carro. Situações não muito práticas, depois resolvidas com a adoção de pequenas janelas corrediças.

O Hofstetter foi produzido até o início dos anos 1990. Foram vendidos somente 18 unidades. De acordo com esse grupo dedicado a ele no Facebook, não se sabe o paradeiro de alguns exemplares. Mário mantém em sua garagem três deles, incluindo aquele protótipo vermelho de 1975.

Nesse vídeo — produzido em 2017 pelo canal da “Infame Films” do Youtube em parceria com o Alfa Romeo Clube do Brasil — o hoje “Senhor” Mário Hofstetter, fala daquele seu sonho de juventude, das agruras e dos prazeres de mergulhar de cabeça na façanha de construir o próprio carro, aos 16 anos.

Texto e edição: Fernando Barenco
Video: Infame Films

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