Curiosidades

#worldtourin80cars — uma galeria de carros pouco conhecidos da FIVA

Em junho a FIVA começou a publicar sua “Volta ao Mundo em 80 carros”. Muitos deles famosos em seus países de origem, mas completamente desconhecidos no resto do planeta. Conheça alguns

A indústria automobilística mundial sempre foi dominada pelas grandes marcas americanas e europeias de países como Alemanha, Itália, França e Inglaterra.

No entanto, vários outros países desenvolveram sua própria indústria automobilística, com modelos cujo mercado e fama se restringiram apenas a seus próprios mercados (muitas vezes com grande sucesso), mas que permanecerem ilustres desconhecidos no resto do mundo.

Outros carros foram criados em países tradicionais dessa indústria, mas tiveram pouca fama mesmo no mercado interno, principalmente à sua baixa produção.

A Fédération Internationale des Véhicules Anciens (FIVA) resolveu homenagear esses carros que ela chamou de “incomuns” com uma série batizada de “Volta ao Mundo em 80 carros” (em tradução livre), publicada nas redes sociais da entidade com a hashtag #worldtourin80cars.

As publicações começaram em grande estilo para nós, brasileiros: o primeiro carro foi o Chevrolet Opala e o segundo o Puma em seus diversos modelos. Astros por aqui, mas ilustres desconhecidos em grande parte do resto do Mundo.

Até o momento a série já conta com cerca de 25 postagens e a expectativa é que chegue a 80, como sugere o nome. Escolhemos 10 entre os carros que achamos mais curiosos — cada um de um determinado país — para apresentar aqui. À medida que as postagens foram avançando, ao longo do ano que vem, prometemos voltar falando sobre outros modelos desconhecidos, produzidos em outros países. Boa viagem!

1 – FSO Warszawa 200 – Polônia

#worldtourin80cars

O FSO Warszawa começou a ser fabricado em 1951. No início era apenas a versão polonesa do soviético GAZ Pobieda. A primeira mudança veio com o motor e aos poucos ele passou a ser 100% produzido na Polônia. Ganhou em 1957 o ‘200’ no nome. Na década de 1960 custava o equivalente a sete anos de salário de um trabalhador médio daquele então país comunista. Mesmo assim vendeu bastante, tendo sua produção encerrada em 1973. A essa altura, a versão fabricada era a 223.

2 – Enasa Pegaso Z-102 – Espanha

#worldtourin80cars

O Pegaso Z-102 foi o mais famoso modelo da italiana Enasa. Lançado em 1951, não por acaso este belo esportivo tem linhas que lembram bastante os Alfa Romeos da época, como o 6C. É que o seu criador foi Wifredo Ricart, um ex-designer da empresa italiana. Com motor V8 de 2.5 litros alimentados por quatro carburadores Weber e câmbio de 5 marchas, o Pegaso fazia jus ao nome do cavalo alado, podendo atingir 200 km/h.

3 – Canan Menara – Marrocos

#worldtourin80cars

A proposta do marroquino Menara era a mesma de nosso Concorde e foi produzido na mesma época do fora-de-série brasileiro. Foi criado para reviver os clássicos roadsters dos anos 1930, mas com a melhor da tecnologia automotiva do início dos anos 1990.  O projeto foi uma encomenda do já falecido Rei Hassan II, um conhecido  entusiasta e colecionador de carros. O design foi do italiano Gilberto Guzzo. A carroceria era de fibra de vidro. O motor Chevrolet de 4 cilindros rendia 120cv. O acabamento era de luxo, incluindo painel de Thuya, uma madeira nobre exclusiva do Marrocos, onde era afixada uma placa com o nome do proprietário. Eram fabricados de 15 a 20 unidades por ano, nenhuma delas exatamente igual às outras (assim como o Concorde). Foi lançado em 1993 e não temos informações do ano em que deixou e ser produzido.

4 – Zündapp Janus 750 – Alemanha

#worldtourin80cars

No fim da Segunda Guerra Mundial, devido à economia europeia estar em frangalhos e a escassez de matérias primas, surgiram muitos modelos de microcarros. Entre eles o Zündapp Janus 750, o carrinho de quatro lugares que teve vida curta e consequentemente uma pequena produção. Foi lançado em 1957 e no ano seguinte já teve sua fabricação encerrada, depois de apenas cerca de 6 mil unidades. Seu nome Janus vem do Deus Romano de duas cabeças. É que esse microcarro tinha como principal característica as duas portas. Mas não nas laterais. Eram duas portas idênticas, uma na dianteira e a outra na traseira, tornando impossível saber se ele estava indo ou vindo…

5 – Bricklin SV-1 – Canadá

#worldtourin80cars

Olhando de perfil, o esportivo canadense Bricklin SV-1 lembra muito o americano DeLorean DMC-12, o famoso carro/máquina do tempo de aço escovado e portas asa-de-gaivota da trilogia “De volta para o futuro”.  Seu criador, o americano Malcolm Bricklin, entrou no negócio de carros com a importação do pequeno Subaru 360. A marca japonesa era até então completamente desconhecida nos EUA. Mas as autoridades americanas consideraram o Subaru extremamente inseguro, pondo fim aos negócios do empresário. Malcolm mudou-se então para o Canadá, onde deu início a produção do SV-1 em 1974. Era um esportivo sofisticado e potente, com motor V8 inicialmente fornecido pela AMC e depois pela Ford. A princípio o carro agradou e no primeiro ano vendeu cerca de 3.000. Mas o SV-1 tinha muitas falhas de projeto e construção e as vendas caíram rapidamente, levando a Bricklin à falência já no ano seguinte.

6 – ASA 1000 GT – Itália

A ASA – Autocostruzioni Societa per Azioni foi fundada em 1962 pela Família De Nora. Mas a origem do 1000 GT vem do projeto de um Ferrari desenhado por Giorgetto Giugiaro apresentado um ano antes, mas que acabou sendo descartado por Enzo Ferrari e vendido aos De Nora. O motor de apenas 1 litro não decepcionou, já que o esportivo era bastante leve. Mas as vendas sim. O preço do 1000 GT era o equivalente ao do Jaguar E-type. Mesmo assim, foi lançada uma versão conversível em 1966. Essa segunda versão viu as vendas fracassarem ainda mais e no ano seguinte a ASA encerrou suas atividades.

7 – Otosan Anadol – Turquia

Esse carro com nome de remédio é o representante turco de nossa lista. A Otosan era uma fabricante 100% nacional e lançou o Anadol A1 em 1966 na expectativa de fabricá-lo com o maior número possível de peças turcas. Era um sedan de duas portas com motor de 4 cilindros da Ford Europa, o mesmo que equipava o Anglia. Em 1974 foram lançadas as versões Coupê e SW. O Anadol em suas três versões sempre teve vendas apenas razoáveis, com média anual de 5 mil carros comercializados. Foi produzido até 1986.

8 – Iran National Paykan – Irã

A Iran National a princípio montava no regime de CKD modelos da alemã Mercedes Benz. Em 1967 passou a montar também o Hunter, da inglesa Hillman, que no Irã foi rebatizado de Paykan. E ele acabou se tornando o mais popular automóvel daquele país em todos os tempos. Preferido dos cidadãos das mais diversas camadas da sociedade iraniana. Foi fabricado até 2005.

9 – Autocars Sabra Sport GT – Israel

A Autocars foi a primeira fabricante de automóveis genuinamente israelense, embora tenha começado suas atividades em 1957 montando em regime de CKD modelos da japonesa Hino e da inglesa Triumph. Em seguida lançou seus próprios modelos, os econômicos Sussita, Carmel e Gilboa. Em 1960 a autocars apresentava o coupê esportivo Sabra Sport GT. Desenvolvido em parceria com a inglesa Reliant, o carro foi apresentado em grande estilo no Salão do Automóvel de Nova York daquele ano. A carroceria era de fibra de vidro e a mecânica Ford 1.7. O Sabra — cujo nome significa “nascido em Israel” — teve também uma versão conversível e foi fabricado até 1968.

10 – DAF 33, 44 e 55 – Holanda

A holandesa DAF começou no negócio de carros em 1958, sendo seus modelos de destaque o trio de pequenos populares batizados com os números 33, 44 e 55. Lançado em 1961 o DAF 33 foi projetado pelo italiano Giovanni Michelotti e tinha motor Renault de 850 cc, que lhe rendia 43cv. Em seguida veio o DAF 44, sem grandes mudanças. A evolução continuou com o lançamento do modelo 55 em 1968. O motor permanecia Renault, mas agora com mais potência. Os DAF estavam disponíveis nas versões sedan, coupê e SW. Usavam um sistema de transmissão criado pela própria empresa e batizado de Variomatic, cujas patentes depois foram vendidas da alemã Bosch. E em 1975 a DAF foi vendida para a sueca Volvo.

Texto e edição: Fernando Barenco
Fotos: Web


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