Coberturas

1000 Milhas Históricas Brasileiras 2022 mesclou esporte, entretenimento, história e cultura

COBERTURA 1000 Milhas Históricas Brasileiras 2022
Mercedes Benz 450SL 1974 dos campeões das 1000 Milhas 2022

O roteiro de passeios cronometrados de carros clássicos do MG Club do Brasil no interior paulista envolveu visitas a museus de automóveis e um passeio náutico no Tietê

Com um Mercedes-Benz 450SL 1974, Fernando Leibel e Adriano Braz sagraram-se campeões da oitava edição das 1000 Milhas Históricas Brasileiras, realizada pelo MG Club do Brasil na região de São Carlos, Dourado, Bariri, Orlândia e Barra Bonita, no interior paulista, de 18 a 21 de maio, após terminarem o quarto e último passeio cronometrado desse raid de regularidade em segundo lugar.

Alfa Romeo Spider 1972 dos vice-campeões das 1000 Milhas 2022


O título de vice-campeões ficou com os uruguaios Andres Buela e German Pagadizabal, que estrearam nas 1000 Milhas representando o Montevideo Classic Car Club, com um Alfa Romeo Spider de 1972 emprestado por um membro do clube brasileiro, após concluir a prova final na quarta colocação. E o terceiro lugar do pódio coube a José Luiz Gandini e Luiz Durval Brenelli de Paiva, que terminaram na terceira posição da última prova com seu Jaguar Mk II de 1967.

Jaguar Mk II 1967, 3º colocado


A vitória do passeio final, no sábado, 21, coube aos estreantes Sydney Marcos Savi e Mariele Cristine Haas Savi que, com um BMW 2002 tii Competition 1974, acabaram as 1000 Milhas em quarto lugar, após percurso de 288 quilômetros entre o Santa Clara Eco Resort, base do evento, em Dourado, e Ribeirão Preto. Passando por Araraquara, o roteiro foi feito pelas principais rodovias da região, com muitas retas e possibilidade de desenvolvimento de boas velocidades.

Homenagens

Na cerimônia de premiação dos vencedores na noite de sábado, 21, o MG Club do Brasil fez algumas homenagens. Em momento de muita emoção no auditório do Santa Clara, foi realizada a entrega do Troféu Nassin Kalili (nome que homenageia um membro do MG Club do Brasil falecido em 2021) a Gerolamo Ometto Nardin, proprietário do carro mais antigo da prova, um Jaguar MK IV 1948.

Affonso Kherlakian entrega Troféu Nassin Kalili a Gerolamo Ometto Nardin


Andres Buela e German Pagadizabal receberam um prato de prata comemorativo pela amizade formada entre o MG Club do Brasil e o Montevideo Classic Car Club, que começou com a participação de membro do clube brasileiro em uma prova no Uruguai. Eles também receberam o Troféu Francisco Corazza (nome em homenagem ao sócio-fundador falecido em 2020) por serem a dupla a vir de mais longe, de Montevidéu, para participar das 1000 Milhas Históricas Brasileiras de 2022. E entregaram placa de homenagem do clube uruguaio a Fernando Pimentel, presidente do clube brasileiro.

Andres Buela e German Pagadizabal recebem Troféu Francisco Corazza


Pelo espírito esportivo, um segundo Troféu Francisco Corazza foi concedido à dupla formada por Manoel Felix Cintra Neto e Manoel Alfredo Cintra, que sofreu com um problema de motor em seu MG MGB Roadster 1963 no primeiro dia de prova, após poucos quilômetros na estrada. Pai e filho, eles levaram seu carro para consertar em uma oficina em São Paulo e retornaram a Dourado para largar no segundo passeio e terminar as 1000 Milhas em oitavo lugar.

Roteiro histórico e cultural

Disputada pela primeira vez em 2011, as 1000 Milhas Históricas Brasileiras servem ao objetivo do MG Club do Brasil de incentivar o uso de carros antigos por meio da promoção de passeios cronometrados com roteiros que mesclam oportunidades de ampliar o conhecimento sobre automóveis clássicos, história e cultura dos lugares por onde passa. Nos quatro dias da oitava edição, que teve 27 duplas inscritas, os participantes rodaram cerca de 1.600 quilômetros, parte dos quais foram trechos cronometrados.

Eles visitaram o Museu Mário Fava, em Bariri, que conta a extraordinária viagem de um Ford T, do Rio de Janeiro a Nova York, de 1928 a 1938. Conheceram carruagens, máquinas agrícolas, caminhões e carros clássicos no Museu Agromen, em Orlândia. Ficaram encantados na visita a uma coleção particular de automóveis de todos os tempos. E fizeram um surpreendente passeio pelo rio Tietê, em Barra Bonita, a bordo do navio mercante Homero Kränenbühl, que o jornalista Carlos Nascimento transformou em um barco turístico, realizando um sonho de infância dele e do amigo Homero, falecido em 1991.

O que eles disseram

Fernando Leibel, piloto campeão: “Essa edição das 1000 Milhas Históricas Brasileiras foi um evento muito bom, pela competição, por ter a base no Santa Clara Eco Resort, pois a gente ia e voltava para o mesmo lugar, pudemos conviver mais com as pessoas. As visitas aos museus e o passeio de barco foram muito interessantes. A competição foi muito acirrada, com duplas muito boas. Qualquer um poderia ganhar. Tínhamos uns seis competidores com nível muito bom. Ganhamos porque fomos muito homogêneos, vencemos no segundo dia e terminamos os outros três em segundo lugar. Mas, pela realização e pelo sucesso do evento, todos nós somos vencedores.”

Andres Buela, piloto vice-campeão: “Foi muito legal, nos sentimos muito bem, somos agradecidos pela forma como fomos recebidos, nos sentimos parte da turma. Conhecemos lugares que não teríamos conhecido de outra maneira, como as coleções de carros e o museu Mário Fava, que foi uma visita excelente, e fizemos o passeio de navio no rio Tietê. Foram experiências ótimas. A parte esportiva foi uma absoluta surpresa para nós. Não conhecíamos o carro, nunca tínhamos feito rally ou raid no Brasil. Estamos felizes por vencer, mas principalmente pelo convívio, pela amizade e pelo tratamento que recebemos do MG Club e de todos. O nível dos carros é muito bom. Isso é bem importante no conceito que nosso clube, o Montevideo Classic Car Club, tem de antigomobilismo. Saímos daqui com muitos amigos.”

O pódio das 1000 Milhas Históricas Brasileiras 2022


José Luiz Gandini, piloto terceiro colocado: “Nunca tinha participado das 1000 Milhas. Foram quatro dias dentro do carro, olhando os números, vendo a velocidade. Foi uma coisa completamente diferente na minha vida. Já tinha feito raids e rallyes, mas mais curtos. Além da competição e das amizades que fizemos, foi um rallye de visitas. Nunca achei que fosse fazer um passeio no rio Tietê. Nem imaginava que o Tietê, que é muito poluído em São Paulo, chegasse limpo no interior do estado. Fiquei apaixonado pelo que vi no Museu Agromen. Foi um evento que nos deu muitas coisas bacanas. A parte competitiva foi bem complicada. Meu carro teve alguns probleminhas, um dia eu fiquei conversando na parada em um restaurante, perdi a hora, meu navegador queria me matar, e em outro dia erramos na leitura da planilha, não entramos no lugar certo. Mas são coisas que todos os competidores podem enfrentar. Gostei demais e quero estar nos próximos raids do MG Club do Brasil.”

Fernando Pimentel, presidente do MG Club do Brasil: “A oitava edição das 1000 Milhas Históricas Brasileiras milhas nos deixou realizados. A nossa maior felicidade foi saber que o site do Museu Mário Fava, em Bariri, onde fomos no primeiro passeio, teve de um dia para o outro quatro mil acessos além do normal após nossa visita. O José Augusto Barboza Cava, um escritor e historiador que é diretor do museu, disse que nossa passagem por lá, e a divulgação disso, mudou a vida do museu. Em três dias ele já havia sido procurado por outros três clubes que querem ir lá. O museu está passando por um momento difícil, perdeu o apoio financeiro que tinha e o Cava está lutando para continuar. É uma honra que nossa parada por lá os ajude. No segundo dia, nosso passeio foi aquele espetáculo no Museu Agromen. No terceiro dia, o passeio de barco no Tietê foi maravilhoso. Foi especial aquela recepção em Barra Bonita. Perceber a alegria das pessoas nas ruas vendo os carros passar é muito gratificante. Tudo isso incentiva a gente a continuar. São Pedro colaborou. Não ter chovido foi um belo presente. E a cada dia ter vencedores diferentes nos passeios cronometrados diz muito sobre a competitividade. Terminamos muito satisfeitos.”

Americo Nesti, diretor de comunicação do MG Club do Brasil: “Foi uma jornada extraordinária. Cada dia um passeio, cada dia uma surpresa muito boa. Nós saíamos preocupados com a pilotagem, com a regularidade do raid, chegávamos em lugares muito bonitos para fazer belos passeios e relaxávamos.  Digo aos amigos que participar dos raids de regularidade do MG Club do Brasil é melhor do que qualquer terapia. Você sai com a cabeça liberada. A festa final foi muito legal, cada um que ganha um troféu ou uma homenagem fica muito feliz. É um momento muito alegre. A competitividade é grande. O pessoal está ficando muito bom na pilotagem e na navegação. Os que acabaram nas primeiras colocações foi por mérito, não foi por acaso. É um pessoal que se prepara muito, sabe fazer raids e rallyes e executa com perfeição. Reconheço os que ficaram nos primeiros lugares como os melhores.”

Manoel Cintra, diretor técnico e esportivo MG Club do Brasil: “Essa foi a primeira 1000 Milhas, e o segundo raid, que organizei com esse time da diretoria. Todo mundo gostou. Os lugares escolhidos foram excelentes. Mas o principal foi a competitividade, que levou a decisão do título para o último dia. Isso foi o mais emocionante. Foram meses trabalhando, levantando o roteiro, escolhendo os pontos de parada, as estradas, e o resultado do nosso empenho foi muito positivo. Deu para mostrar o que é o MG Club do Brasil. O mais importante foi a satisfação das pessoas e o clima familiar, de alegria. Os carros que participaram foram fantásticos. Tivemos exemplares de marcas como Porsche, Ferrari, Mercedes, Alfa Romeo, Bentley, BMW, MG, Jaguar, e carros amados como Mustang, SP2 e Interlagos Berlinetta. Foi bem eclético, com automóveis clássicos mesmo. Ver as pessoas usando os carros que gostam foi bacana. A paixão dos donos por eles aflorou mais. A visita aos museus e o passeio de barco trouxeram cultura, agregaram valor ao evento. O sucesso dos carros por onde passamos também foi uma coisa muito gostosa. Você tem a hora da competição, mas a cada dia as pessoas vão ficando mais amigas. Conhecimento, entretenimento e esporte formaram uma mistura perfeita.”


Ferrari 308 GTS 1978, 6º colocado, BMW 2002 tii Competition 1974, 4º colocado e MG MGB Roadster 1974, 5º colocado


TOP 10 DAS 1000 MILHAS HISTÓRICAS BRASILEIRAS 2022

1º #16, Fernando Leibel e Adriano Braz, Mercedes Benz 450SL 1974, 85 pontos*
2º #12, Andres Buela e German Pagadizabal, Alfa Romeo Spider 1972, 74
3º #7, José Luiz Gandini e Luiz Durval Brenelli de Paiva, Jaguar Mk II 1967, 73
4º #17, Sydney Marcos Savi e Mariele Cristine Haas Savi, BMW 2002 tii Competition 1974, 58
5º #18, Jorge da Rocha Cirne Filho e Wagner Classer de Brito, MG MGB Roadster 1974, 46
6º #19, Leandro Mazzoccato e Lizandra Mazzoccato, Ferrari 308 GTS 1978, 39
7º #21, Auro A. Moura Andrade e Camila Moura Andrade, Mercedes Benz 500 SEL 1980, 31
8º #3, Manoel Felix Cintra Neto e Manoel Alfredo Cintra, MG MGB Roadster 1963, 27
9º #10, Luis Esteves Caldas Neto e Vera Ligia Adoglio Caldas, Volkswagen SP2 1972, 25
10º #26, Gilmar Zanini e Joicer Rosso Zanini, Mercedes Benz 190e 1990, 22 pontos

*Ao vencedor de cada dia são atribuídos 25  pontos, e em escala decrescente são atribuídos pontos até o 15º colocado de cada passeio, que marca um ponto.

TOP 10 DO 4º DIA DAS 1000 MILHAS HISTÓRICAS BRASILEIRAS 2022

1º #17, Sydney Marcos Savi e Mariele Cristine Haas Savi, BMW 2002 tii Competition 1974, 10 pontos perdidos
2º #16, Fernando Leibel e Adriano Braz, Mercedes Benz 450SL 1974, 12
3º #7, José Luiz Gandini e Luiz Durval Brenelli de Paiva, Jaguar Mk II 1967, 35, 16
4º #12, Andres Buela e German Pagadizabal, Alfa Romeo Spider 1972, 20
5º #18, Jorge da Rocha Cirne Filho e Wagner Classer de Brito, MG MGB Roadster 1974, 25
6º #10, Luis Esteves Caldas Neto e Vera Ligia Adoglio Caldas, Volkswagen SP2 1972, 40
7º #19, Leandro Mazzoccato e Lizandra Mazzoccato, Ferrari 308 GTS 1978, 47
8º #3, Manoel Felix Cintra Neto e Manoel Alfredo Cintra, MG MGB Roadster 1963, 64
9º #26, Gilmar Zanini e Joicer Rosso Zanini, Mercedes Benz 190e 1990, 65
10º #4 Wanderley Natali e Regina Natali, Alfa Romeo Duetto 1968, 70 pontos perdidos


Texto: Assessoria de Imprensa – LetraNova Comunicação
Fotos: Breno Guazzi

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