Repórter Maxicar

Dois Passats e suas incríveis histórias de resgate

Quando o acaso traz de volta aos seus antigos donos, dois carros da juventude que haviam ficado desaparecidos por décadas

Os entusiastas costumam dizer que são os carros antigos que procuram os seus donos e não o contrário. Mas qual a chance de você conseguir reencontrar num ferro velho um carro que foi seu há 25, 30 anos atrás?

Qual a possibilidade de uma reportagem encontrar em um mesmo evento, dois carros que têm esse mesmo enredo em suas histórias de resgate? E se lhe dissermos que os dois são também do mesmo modelo: o clássico Volkswagen Passat.

Parece incrível, mas conhecemos essas duas fascinantes histórias durante a cobertura do Encontro Anual do Clube de Automóveis Antigos de Campos dos Goytacazes – RJ, no mês passado. Uma envolve o advogado Leonardo Souza e seu Flash 1.8 vermelho 1987. A outra, o ex-piloto Gutenberg Baptista e o L bege alabastro 1975. Em ambos os casos, o reencontro foi por acaso. O Universo conspirou para que acontecesse, já que nem Leonardo, nem Gutenberg estavam em busca dos carros. E os finais dessas histórias não poderiam ser mais felizes.


O Flash dos 15 anos

Quando estava prestes a completar 16 anos, em 1988, Leonardo ganhou de presente de seu pai um praticamente novo Passat Flash 1.8 vermelho. Embora não tivesse carteira de habilitação, o garoto usava o carro assim mesmo. Naquela época o mundo era bem diferente e era comum os pais emprestarem seus carros aos filhos adolescentes nos finais de semana. Embora fosse pouco usual dar um carro presente a um filho nessa idade. Como Leonardo era menor de idade, o Passat ficou em nome de sua mãe.

Leonardo (e) e seu Passat Flash em 1988


O carro foi vendido em 1991 e deixou saudades. Vida que segue. Leonardo se formou em direito, se casou, teve filho… e lá se foram 25 anos!

Leonardo nunca mais teve notícias daquele velho Passat de sua juventude. Até que em 2016 alguém postou num desses grupos de Whatsapp a foto de um certo Passat vermelho que estava em um ferro velho lá mesmo em Campos, prestes a ‘entrar no machado’. Ele reconheceu que se tratava de seu Flash 1987 por causa da placa de licença. Embora cinza, mantinha os mesmos números 2457 da placa amarela daqueles longínquos anos 1980. Detalhe: depois de todo esse tempo, continuava em nome de sua mãe, que hoje tem 83 anos.

Em 2016 o carro foi encontrado nessas condições


Ele não teve nenhuma dúvida em resgatar o carro. Foi até o tal ferro e depois de alguma negociação o comprou de volta por R$ 800,00. Para a restauração escolheu o famoso Studio By Deni, de Indaiatuba-SP, oficina conhecida por trazer de volta ao estado de zero km os Volkswagens ‘quadrados’ dos anos 1980 e 90, mesmo os moribundos como o Flash de Leonardo. Serviço para quem não está preocupado com economia no orçamento.

Placa cinza com mesmos números da amarela identificou o carro


A restauração foi concluída em setembro do ano passado e como era de se esperar, o Passat ficou novinho, trazendo de volta todas características originais dessa versão rara com pegada esportiva fabricada somente em 1987 e que usava o mesmo motor AP 1.8 do GTS Pointer.


A sucata de Pedra de Guaratiba

1983. O jovem Gutenberg Baptista, então com 25 anos, adquire em uma agência de automóveis no bairro do Grajaú, Rio, um Passat L 1975/76 na cor bege alabastro. Era o início do namoro com a hoje esposa Márcia. A bordo dele, fizeram muitos passeios e viagens.

Márcia e Gutenberg: nos eventos, uma montagem emoldurada com antigas fotos da década 1980 ajuda a contar a história do carro


Fanzaço do modelo, Gutenberg foi inclusive piloto entre 1979 e 1993, sempre correndo de Passat.  E sagrou-se  Campeão Estadual do Rio de Janeiro em 1989, pela categoria Força Livre B, no finado Autódromo de Jacarepaguá.

Gutemberg nos tempos das pistas


Mas voltando ao nosso L 1975, Gutenberg ficou com ele até 1986. Já era hora de comprar um carro mais novo, afinal o Passat já havia completado 10 anos, uma boa jornada para um carro de uso cotidiano.

2013. E lá se vão 27 anos desde a venda. De férias, Gutenberg aceita o convite de um amigo para visitar um galpão de carros antigos abandonados, prestes a serem vendidos a peso como sucata, no distante bairro de Pedra de Guaratiba. Jogado num canto, estava o pouco do que sobrou de um carro que ele conseguiu reconhecer como sendo um Passat. Por incrível que pareça, apesar do estado deplorável, a placa amarela ainda estava lá: OU 6325.
— Corri em casa, revirei o baú de fotos antigas e confirmei os fatos. Não consegui me conter de tamanha felicidade. Aquele Passat simbolizava mais que o sonho de um jovem de ter seu próprio carro. Resgatei meu Passat!

A placa amarela identificou o Passat


A restauração foi feita no Rio mesmo. Foram inúmeras peças originais compradas — algumas difíceis de serem encontradas — já que quase tudo teve que ser substituído. Foram infindáveis as idas e vindas às oficinas, num projeto que durou quatro anos e foi concluído em 2017.

Gutenberg guarda como um troféu aquela velha placa amarela. Graças a ela, conseguiu salvar da prensa seu carro da juventude.

Texto e edição: Fernando Barenco
Fotos: Maxicar, arquivos pessoais e HP do Passat

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