Colunista Convidado

Como eternizar a sua relíquia

*Antonio Ariel

Sou artista autodidata e na ativa desde 1989, sempre pintando paisagens, animais e temas figurativos. Um certo dia resolvi enfrentar um novo desafio. Apaixonado desde criança por automóveis clássicos e motocicletas, me arrisquei a pintar um Chrysler Roadster 1926 de um amigo colecionador, e não deu outra… apaixonei-me ainda mais pelas maravilhas que são estes clássicos, pois comecei a conhecer mais os detalhes de suas grades exuberantes, suas rodas raiadas, seus cromados maravilhosos, seus interiores detalhados. E isso influenciou ainda mais a minha vontade de retrata-los.

Iniciei a corrida atrás destas maravilhas e vim a conhecer os encontros de colecionadores apaixonados pelo antigomobilismo. Participando hoje de grande parte dos eventos, juntei o útil ao agradável: estar ao lado de maravilhosas máquinas tendo o prazer de conhece-las mais de perto e também poder eterniza-las em minhas telas.

Montando meu stand nos eventos, iniciei levando alguns trabalhos elaborados para chamar a atenção dos visitantes e colecionadores para poder então angariar alguns clientes expositores para a continuidade de meus trabalhos. As perguntas eram frequentes sobre os custos do poster, ou se eu executava meus trabalhos em cima das fotografias. Então, procurando melhorar ainda mais o marketing de meu trabalho, comecei a levar telas riscadas para pinta-los durante o evento. Comecei a partir desta iniciativa a mostrar o meu oficio ao vivo, a singularidade e a dificuldade de cada veiculo retratado. Esta iniciativa também tornou-se gratificante, pois enquanto executo um trabalho durante o evento as pessoas param, não acreditam, elogiam, se espantam, dão valor ao trabalho. E tudo isso eleva o ego do artista levando-o a aperfeiçoar ainda mais os seus traços e suas pinceladas.

Antes de retratar uma destas relíquias, procuro eu mesmo fotografa-la, (em media 40 fotos), procurando observar o melhor angulo, a melhor luz e também não perder nenhum detalhe daquela maravilha e poder assim coloca-la vivo em uma de minhas telas. Após a obra executada é fornecido ao cliente e colecionador um vídeo do passo a passo do trabalho realizado para que ele possa apreciar e sentir o andamento do trabalho. Agora me sinto realizado, pois vejo o que amo e faço o que gosto, e também, o que é muito importante: cada cliente acaba se tornando um grande amigo.

Tudo começou em 2005, com aquele Chrysler 26. Hoje posso dizer que sou um conhecedor de carros antigos. E afirmar com muita satisfação que tenho mais de 200 obras enfeitando as paredes de meus amigos antigomobilistas.

 

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