Repórter Maxicar

Citroën Traction Avant – 90 anos: rompendo conceitos

Traction Avant

O aniversário de nove décadas de um veículo que, nos anos 1930, já contava com tração dianteira e carroceria monobloco

Nos seus 105 anos de história, a Citroën se destacou pelas novas tecnologias, carros à frente de seu tempo, peças publicitárias marcantes e até pelo seu logotipo, que foi evoluindo e adquirindo contornos mais modernistas. Entre tantos modelos que sobressaíram em protagonismo, está o Traction Avant, apresentado em abril de 1934 e lançado no mês seguinte.

Traction avant

Inovações: tração dianteira e assoalho plano

“Traction Avant” significa literalmente “tração dianteira”, embora o nome oficial fosse numérico e se referisse à potência do carro: 7CV. Desenvolvido por André Lefèbvre e Maurice Sainturat em apenas 18 meses, o veículo era tão evoluído que ainda parecia contemporâneo mais de duas décadas depois, já que foi produzido até julho de 1957.

Traction Avant: moderno em todos os sentidos

Criador e criatura: Flaminio Bortoni e um modelo em argila

Talvez o carro mais inovador do mundo à época, o modelo não inventou as tecnologias que o tornaram famoso: suspensão independente, carroceria monobloco, tração dianteira e freios hidráulicos. Mas a combinação delas era única. Não foi à toa que o veículo, um dos mais ousados pensados por André Citroën, foi amado por políticos, artistas, poetas e empresários durante seus 23 anos de vida, tendo inclusive as famosas versões presidenciais desenvolvidas por Henri Chapron para o presidente da França, Charles de Gaulle.

A adoção precoce dessas tecnologias pela Citroën fez com que o Traction Avant não só fosse cerca de 25% mais leve do que a maioria dos rivais da época, mas também tivesse uma aparência radicalmente diferente. Sem cardã atravessando a carroceria longitudinalmente, era espaçoso por dentro e, sem um chassi ou carroceria separados, era baixo, leve e ágil.

VW Brasília 1974
R$ 22.000,00

Ford LTD 1978
R$ 86.000,00

Mercedes-Benz 280S 1971
R$ 150.000,00

Porsche 924 1977
R$ 150.000,00

VW Saveiro Summer 1996
R$ 70.000,00

VW Voyage LS 1.6 1986
R$ 50.000,00

FNM Jk 2150
R$ 135.000,00

Chevrolet Tigre 1946
R$ 170.000,00

Fiat Coupê 1995
R$ 60.000,00

R$ 45.000,00

Mercedes-Benz 300 SL 1992
R$ 195.000,00

VW Fusca 1964
R$ 39.000,00

Ford Escort XR3 1992
R$ 29.900,00

Uma solução tão ousada que logo se propagou por toda a indústria automotiva global. Não à toa, a esmagadora maioria dos carros de passeio produzidos atualmente adotam o mesmo conceito criado pela Citroën há 90 anos.

O Traction Avant também foi inédito em seu design. O escolhido para desenhá-lo artesanalmente foi o escultor italiano Flaminio Bertoni, que nunca havia trabalhado para o setor automotivo. Mesmo assim, o artista conseguiu aproveitar o seu talento, seus conhecimentos do trabalho com metal e as inovações tecnológicas para chegar a uma silhueta aerodinâmica, elegante e inconfundível. Seu projeto, apresentado a André Citroën em um molde de argila, foi aprovado de imediato.

Versões e diferenciais

Traction Avant

Citroën Traction Avant 7A

Uma das versões mais raras do Traction Avant é a 7A, que somou 7 mil unidades fabricadas até julho de 1934 e era equipada com um motor de quatro cilindros, 1.303 cm³ e 32 cv. Depois vieram os modelos 7B (1.628 cm³ e 38 cv) e 7 Sport (1.910 cm³ e 48 cv). Era possível escolher entre as carrocerias Berline (sedã), Faux Cabriolet (conversível) e Roadster (conversível de dois lugares).

Citroën Traction Avant 7B Roadster

Em 1938, uma versão mais potente, chamada 15-Six G, apareceu e complementou a linha, equipada com motor seis cilindros de 2.867 cm³ e 77 cv e suspensão hidropneumática. Essa versão do Traction Avant foi apelidada de “Queen of the Road” (Rainha da Estrada), pelo seu vanguardismo, imponência, mas também conforto e impavidez no rodar.

15-Six: o Queen of the Road e seu motor de 6 cilindros

Todas as versões usavam caixa de câmbio de três marchas, com a alavanca projetando-se verticalmente do painel. A suspensão independente com barra de torção e o moderno sistema de direção recompensavam o desafio com um guiar vívido e inspirador. A “gentileza” se completava com seu conjunto formado por motor, câmbio, radiador e suspensão dianteira acessível por um capô com fixação longitudinal, facilitando a vida dos mecânicos.

Além disso, a carroceria monobloco também conferia inúmeras vantagens: na parte aerodinâmica, o veículo, por ser mais baixo, possuía consequentemente a parte dianteira menor, reduzindo a resistência do ar. Além disso, a eficiência do conjunto permitiu uma notável redução de peso, o que representou uma melhoria no consumo.

A suspensão independente nas quatro rodas proporcionou ao Traction Avant um conforto de condução que surpreendia a todos, conferindo ao veículo uma estabilidade na estrada sem precedentes para a época. E por não possuir um túnel de transmissão, usado até então em carros de tecnologia mais antiga, o interior tinha um piso totalmente plano.

O Traction Avant foi um verdadeiro sucesso de vendas, com uma produção de 759.123 unidades fabricadas. E segue conquistando o coração de entusiastas e saudosistas mundo afora.

Texto e fotos: Stellantis Communications

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