Coberturas

XXVI Encontro do MP Lafer – Holambra, SP

MP Lafer

A “Capital Brasileira das Flores” ficou ainda mais colorida!

Evento reuniu quase 50 carros, de quatro estados. O membro do Clube MP Lafer Brasil e editor do site mplafer.net, Jean Tosetto, nos conta como foi

Holambra, SP. A linda e aconchegante cidade de colonização holandesa (daí o seu nome: Holanda+Brasil) conhecida como a “Capital Brasileira das Flores” se transformou durante dois dias na “Capital Brasileira do MP Lafer”.

É que aconteceu nos dias 6 e 7 de maio — sábado e domingo — o XXVI Encontro do MP Lafer, reunindo nada menos que 48 carros na praça que fica em frente à Prefeitura Municipal. Além de participantes dos quatro cantos do Estado de São Paulo, o evento teve participação de mineiros, paranaenses e sul-mato-grossenses.

Na primeira foto, ao centro, o vice-prefeito de Holambra, Miguel Esperança, e sua esposa. Na segunda, Clube MP Lafer Brasil e MP Lafer Auto Clube -PR


Jean Tosetto, o arquiteto de profissão e “laferista” por paixão nos brindou com esse delicioso texto que publicamos a seguir, com suas impressões sobre esse agradabilíssimo encontro. Ele conversou com os participantes, amigos de longa data. Esse bate-papo ele registrou no vídeo do final da reportagem. Confira:


“Caro Fernando Barenco,

Antes de tudo preciso me apresentar para o público que acompanha o Maxicar: meu nome é Jean Tosetto e sou editor do site mplafer.net desde 2001. Lá se vão 22 anos relatando os eventos do Clube MP Lafer Brasil. Nesse período, já experimentei diversos tipos de abordagem, desde a descrição jornalística dos eventos até o mergulho em questões mais emocionais e até filosóficas a respeito dessa paixão irracional chamada ‘carro antigo’.

Cheguei num ponto em que não sei mais o que escrever sobre o tema. Não quero ser repetitivo. Nos últimos anos, passei a dar mais atenção para as pessoas. Ao invés de apenas fotografar os carros, passei a gravar vídeos entrevistando os amigos que compartilham esse amor pelo MP Lafer. Descobri que o carro, sozinho, não faz nada. É quem está ao volante - ou de carona - que estabelece as conexões afetivas.

Então, em Holambra, conheci a Analucia (tudo junto, assim mesmo) Saraiva, que veio de Niterói só para ver os carros e quem sabe encontrar um para comprar. O motivo: o amigo playboy de seu pai tinha um MP Lafer nos áureos tempos. E depois seu padrasto também teve um. Logo, o MP Lafer simboliza a conexão com uma fase muito feliz de sua vida.

Neste ponto, quero falar do Alex, que mora no Japão e conseguiu a proeza de comprar não um, mais dois MP Lafer no outro lado do mundo! Quando ele comprou o primeiro MP, teve um momento de catarse ao revelar que seu pai também tinha um modelo, quando ele era criança. Todos nós temos uma criança dentro de nós que nos impele a gostar não apenas de um carro antigo, mas dos momentos em que éramos ingênuos e acreditávamos que o mundo poderia ser um lugar maravilhoso.

Como é maravilhoso o banco traseiro de uma Brasília, de um Fusca, de um Corcel. Então, o sujeito que ganhou a vida, constitui uma empresa capaz de gerar dezenas de empregos, comprou fazendas e o que mais você pode imaginar; decide que precisa ter um MP Lafer também, quando poderia ter uma coleção de Ferrari, Bugatti, Maserati. Mas não, na garagem dele só entram aqueles carros que certa vez um presidente chamou de carroças.

Cinco minutos depois, caminhando alguns passos, conversamos com o ambulante que vende sorvetes na praça. O carro dele é, literalmente, um carrinho. E a conversa com ele foi igualmente interessante. Ele faz seu 'geladão gourmet' em casa e os vende nos fins de semana e feriados. É assim que ele leva o pão para sua família.

Entre os extremos dessa roda da fortuna, volto a atenção para o meu próprio MP Lafer, provavelmente o mais 'velhinho' da turma, com sua pintura craquelada, suas rodas foscas, seu painel de madeira fissurada. É um carro que pede por uma restauração completa, mas tenho medo de realizá-la.

Passei tantos anos guiando meu MP no cotidiano, que o vi ganhar as marcas do tempo, como eu também ganhei. As considero como medalhas que o comitê olímpico nunca vai me entregar, mas fomos lá e as conquistamos, mesmo assim. Já pensou se eu apago todas essas memórias, passando gel de fibra de vidro por cima de tudo?

Então, caro Barenco, me desculpe se falhei com você ao não fazer uma reportagem convencional sobre um encontro de carros antigos. Posso dizer que todos eles podem ser especiais, se os vermos como um espelho que nos mostra a vida em perspectiva. Uns estão procurando por um átimo de felicidade num possante, ao passo que outros ainda buscam meramente por sobrevivência. Isso não vai mudar.

O que temos que fazer é aprender a levar a vida que nos cabe. Qual é missão que nos cabe? Posso dizer que a sua é dar voz e espaço para tanta gente apaixonada por carros antigos - e por memórias antigas. Você e sua esposa fazem isso tão bem, há tantos anos, que resta apenas agradecer e dar os parabéns. Ano que vem tem mais!

Abração!”

     Jean Tosetto


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