Ambrela
Repórter Maxicar

Carioca: Tucker brasileiro pode finalmente sair do papel

Após sua falência nos EUA, polêmico empresário Preston Tucker escolheu o Brasil para um novo projeto automobilístico

Você certamente já ouviu falar em Prestou Tucker, o criador do revolucionário Tucker Torpedo, no final dos anos 1940 e que teve sua vida inclusive retratada em ótimo filme de 1988 de Francis Ford Coppola, com Jeff Bridges no papel principal (recomendamos!).

Mas poucos sabem que depois da falência nos Estados Unidos, seu sonho de construir carros continuou e o visionário empresário escolheu o Brasil — mais precisamente o Rio de Janeiro — para o desenvolvimento de seu novo projeto, o ‘Carioca’. Isso aconteceu 7 anos após o fim de seu sonho americano, com a produção de apenas 51 Torpedos.

À esquerda, Preston Tucker e sua primeira criação, o Torpedo. À direita, Jeff Bridges no filme “Tucker: um homem e seu sonho”


Nessa época, Preston Tucker já havia sido diagnosticado com câncer no pulmão e veio para cá em busca de tratamento com o polêmico Dr. William Koch, que havia se mudado para o Brasil após ser acusado pelo FDA de charlatanismo pela venda da glioxilida, uma substância que supostamente curaria a doença.

A indústria automobilística brasileira sequer já existia de fato em 1955. É bom lembrar que o primeiro automóvel nacional foi lançado somente em 1956. O que se tinha antes disso era apenas a montagem de modelos importados que chegavam ao Brasil encaixotados.

Traseira em forma de barco

Tucker viu aí uma oportunidade de lançar um modelo popular brasileiro, cujo projeto batizou de ‘Carioca’. Com linha futuristas, ele foi projetado por Alexis De Sakhnoffski, um designer americano que já havia trabalhado antes com Tucker. Entre suas principais características estavam os faróis que acompanhariam o movimento das rodas (+ um farol central), os paralamas  destacados e removíveis — para facilitar a limpeza — e a traseira ‘boat tail’. A exemplo do Torpedo, o motor seria traseiro e refrigerado a ar, mas dessa vez de 4 cilindros. A ideia era aproveitar no projeto peças que haviam sobrado da linha de montagem do Torpedo.

A revista americana Car Life noticiou o Carioca em dezembro  1955

Dizem que o Presidente Juscelino Kubitschek e o então ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros ficaram entusiasmados com o ‘Carioca’, que seria vendido como kit pelo equivalente há cerca de US$ 1,000. O ambicioso Tucker planejava também uma rede de concessionárias para a venda, montagem e manutenção do carro.

No entanto, no Natal de 1956 Preston Tucker acabou perdendo a batalha contra o câncer — estava então com 53 anos — e seu automóvel brasileiro jamais saiu da prancheta.

Agora, o famoso site americano Hemmings, acaba de noticiar que o designer e customizador Rob Ida irá finalmente fabricar o ‘Carioca’. Por enquanto o projeto é ainda embrionário e conta com a colaboração do engenheiro automotivo Sean Tucker, que vem a ser bisneto do próprio Preston.

Independente do fato de acabar nascendo mais de 60 anos depois e nos Estados Unidos, o ‘Carioca’ também dará uma pontinha de orgulho a nós, brasileiros.

Texto e edição: Fernando Barenco

 

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