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Clássicos Brasil 2016 – São Paulo, SP

O Las Vegas foi uma proposta da GM em 1972. Foto: William Plazza

CLÁSSICOS BRASIL 2016 – SÃO PAULO, SP

A hora e a vez da indústria nacional

Carros originais e raros marcaram a 2ª edição do evento que aconteceu no aniversário da cidade

Terminou ontem, 25 de janeiro – em pleno feriado do aniversário de 462 anos da cidade de São Paulo – a 2ª edição do Clássicos Brasil, que teve início sábado(23) e aconteceu no Clube Hípico de Santo Amaro.

O evento dedicado exclusivamente à participação de veículos de fabricação nacional, a exemplo do ano passado, apresentou em 2016 modelos originais e de alto nível de conservação, a maioria deles com placas pretas. Não faltaram também aqueles carros da época de ouro da criatividade brasileira, incluindo  protótipos, bólidos de competição, esportivos e foras-de-série.

No alto, as Romi-Isettas. Abaixo, Willys Interlagos e DKW Caiçara
No alto, as Romi-Isettas. Abaixo, Willys Interlagos e DKW Caiçara

Entre os mais de 100 veículos em exposição, a grande maioria foi de modelos ‘de rua’, comuns nas décadas de 1960, 70 e 80, mas que hoje são difíceis de serem apreciados na maioria dos encontros de carros antigos Brasil afora. Caso do Romi-Isetta, o micro-carro fabricado aqui sob licença da marca original italiana, cuja produção teve início em 1957 – antes mesmo do DKW Universal, considerado oficialmente o primeiro automóvel brasileiro. Outro exemplo de raridade atualmente é o Interlagos, um modelo originalmente francês chamado Alpine A108, fabricado aqui a partir de 1962, fruto da inusitada parceria entre a Willys Overland (de origem americana) e a Renault, que cedeu os direitos de produção aqui. Outro modelo raro em seu estado original é o Caiçara, da DKW, uma versão para lá de básica da Vemaguet, que podia ser adquirida na época através de um financiamento oficial bem camarada. Foi fabricada até 1964, dando lugar ao Pracinha, outra versão ‘pé-de-boi.

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Duas versões do Furia: o carro das pistas (que deu origem ao Bianco)…

O visitante pôde conhecer de perto um pouco da saga “Fúria”, com dois carros que contam essa história. No início dos anos 1970 o mundialmente famoso projetista italiano radicado no Brasil Toni Bianco apresentava um bólido para as pistas: o Fúria. O primeiro protótipo tinha mecânica FNM. O carro com carroceria leve e aerodinâmica em fibra de vidro, possuia portas modelo ‘asa de gaivota’  e teve nos dois anos seguintes mais 5 protótipos, com mecânicas variadas: Ferrari, Chevrolet, BMW, Dodge e Lamborghini.

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… e o GT feito para as ruas, que nunca entrou em produção.

Em 1973, Bianco projetou, a pedido da própria FNM, uma versão coupê de rua bem diferente da de corrida, batizada de Fúria GT. O objetivo era produzir cerca de 20 carros por mês, com carroceria em fibra de vidro. Mas o projeto não passou desse protótipo na cor prata e com carroceria de aço. A FNM não teve autorização da italiana Alfa Romeo para dar início à fabricação (apesar das encomendas), já que o carro usaria mecânica e chassi do FNM 2150, já prestes a sair de linha.

Mas a saga não termina aí. Em 1976, Toni Bianco apresentaria no X Salão do Automóvel um esportivo de rua bem conhecido dos antigomobilistas Brasileiros: o Bianco S, a versão de passeio daquele  Fúria das pistas, mas com chassi e mecânica do Volkswagen 1600 refrigerada a ar, uma receita muito usual na época. O modelo fez muito sucesso e foi fabricado até 1979.

O Opala campeão da Stock Car em 1979 e a réplica do Willys Mark I
O Opala campeão da Stock Car em 1979 e a réplica do Willys Mark I

Ainda sobre os bólidos de corrida, em exposição também o Opala campeão da Stock Car de 1979 — pilotado por Paulo Gomes, que aliás foi quatro vezes campeão da categoria — e uma réplica do Mark I 1966, que era um Renault Alpine A110 com carroceria alongada e modificada pela Equipe Willys, cujos dois exemplares (nºs 21 e 22) ficaram famosos nas mãos dos pilotos Bird Clemente e Luiz Pereira Bueno.

Wilsinho Fittipaldi e seu Coppersucar Foto: Thiago Capodanno
Wilsinho Fittipaldi e seu Coppersucar                                                Foto: Thiago Capodanno

O convidado especial desta edição do Clássicos Brasil foi o piloto Wilsinho Fittipaldi, que distribuiu autógrafos aos visitantes ao lado de seu Copersucar nº 30. A Escuderia Copersucar Fitipaldi está completando 40 anos. Foi a primeira equipe sul-americana de Formula 1, tendo participado dos campeonatos de 1975 a 1982. Seu melhor resultado foi um segundo lugar de Emerson Fittipaldi no Grande Prêmio do Brasil de 1978.

A caixa misteriosa e o Opala Las Vegas no Salão do Automóvel de 1972
A caixa misteriosa e o Opala Las Vegas no Salão do Automóvel      Foto: Thiago Capodanno

Durante os dois primeiro dias de evento criou-se um grande expectativa em torno de um automóvel misterioso que permaneceu muito bem encaixotado no centro do gramado. As frestas da madeira mostravam muito pouco. No último dia o enigmático invólucro foi aberto e revelou um Opala verde menta metálico com detalhes e acabamentos bem diferentes dos convencionais. O Opala ‘Las Vegas’ foi um protótipo apresentado pelo Departamento de Marketing da própria Chevrolet no Salão do Automóvel de São Paulo em 1972. Tratava-se originalmente de um Gran Luxo com grade e calotas exclusivas, retrovisor esportivo em posição diferente da convencional, meio teto de vinil branco e interior também branco com painel verde. O carro super exclusivo foi resgatado e restaurado pelo colecionador  Jefferson Pereira, de Itajaí – SC. O projeto deixou como legado o meio teto de vinil ‘Las Vegas’, que viria a ser adotado na linha Opala a partir de 1975, na versão Comodoro.

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Não faltou no Clássicos Brasil nem mesmo o Democrata, o automóvel brasileiro que nunca chegou a ser produzido de fato e que esteve presente apenas através de duas carrocerias em fibra de vidro. Sonho de Nelson Fernandes, fundador em 1963 da Industria Brasileira de Automóveis Presidente,  o Democrata seria um carro de luxo, com motor italiano, que na fase inicial do projeto poderia ser adquirido através da compra de ações da empresa. A proposta foi muito criticada na época e segundo consta, houve um forte lobby das grandes montadoras contra o projeto, que acabou fracassando. Foram fabricados apenas 5 carros completos e varias carrocerias. Hoje restam apenas dois remanescentes, um no Rio Grande do Sul e outro em Brasília, este pertencente ao jornalista Roberto Nasser. Quem sabe não poderemos ver uma dessas duas carrocerias montadas em futuras edições do evento?!

 

VEÍCULOS PREMIADOS
Categoria JK (veículos fabricados até 1960)
Romi Isetta 1959 – João Carlos Bajesteiro

Categoria Tropicalismo (veículos entre 1961 e 1966)
Aero Willys 1962 – Claudio Adolfo
Willys Interlagos 1965 – Jorge Lakatos
DKW Fissore 1966 – Ricardo Prado
DKW Malzoni 1966 – Renato Malcotti
Willys Mark I – Recriação 1966 – Ana Maria Alencar

Categoria Milagre Brasileiro (veículos entre 1967 e 1973)
Chrysler Esplanada 1969 – Paulo Galluzzi
Opala Luxo Sedan 1970 – Ricardo Ghigonetto
Dodge Charger R/T 1971- Lincoln de Oliveira Gomes
Furia GT 1972 – Automóveis do Brasil
Galaxie 500 1972 – Antonio Tavares
Variant 1972 – Ricardo Jacob e
Puma 1972 – Fernando Hormain

Categoria Geração Disco (veículos entre 1974 e 1982)
Kombi Luxo 6 portas 1974 – Marcelo Henrique Gama das Chagas
Maverick SuperLuxo Coupe 1974 – Garage Vaz
Opala SS-4 1974 – Sylvio Luis Pinto e Silva
Puma GTB 1975 – Odil Porto Junior
Dodge Charger R/T 1977 – Pedro Horn

Premiações especiais
Maverick Perua 1976 – Garagem Vaz
Caravan Comodoro 250 S 1980 – Marcio Valente
Gurgel E400 – Itaipu 1982 – Museu Jorm

Homenageados
LTD Landau 1971 – Roberto Costa
Fotógrafo Claudio Larangeira
Jornalista Gabriel Marazzi

Homenagem especial
Fittipaldi FD 01 – Wilson Fittipaldi Jr.

Troféu Fábio Steinbruch
Romi Isetta 1959 – Claudio Romi
Fúria Alfa Romeo 1970 – Antônio Villas Boas
Opala Las Vegas 1972 – Jefferson Pereira

 

Texto e edição: Fernando Barenco
Fotos: Odair Ferraz (exceto as indicadas)

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