Conteúdo Repórter Maxicar

Um galpão escondido na ‘cidade dos loucos por carros antigos’

O misterioso galpão fica em Barbacena, MG

Coleções

Um galpão escondido na ‘cidade dos loucos’… por carros antigos

Colecionador que prefere não se identificar mostra seu acervo ao Portal Maxicar

Quem passa pelo barulhento e movimentado centro de Barbacena-MG não faz ideia de que uma garagem silenciosa ali localizada esconde raridades impressionantes. Todas em perfeitas condições de uso e documentação rigorosamente em dia, mesmo que alguns ainda mantenham suas placas originais, amarelas. O simpático proprietário, que prefere manter o anonimato, não leva esses carros a eventos, não os expõem, apenas tem o prazer de guardá-los em sua coleção. Não vende, não troca e prefere mantê-los “escondidos”, mas, numa raríssima exceção e enorme gentileza, abriu as portas de sua garagem ao Maxicar.

A partir do alto, em sentido horário:
A partir do alto, em sentido horário: Olympia 1951, Kapitan 1957, Caravan 1973, Kadett L 1967 + Rekord 1967: é a paixão do colecionador pela marca alemã Opel

Muitos dos carros ali encontrados estão em excepcional estado, mas a poeira e resíduos do teto de madeira, causados por carunchos, poderiam confundir o leitor desta matéria. Fã confesso da marca Opel, não mede esforços para adquirir algum de seu interesse. Ali podem ser vistos um Opel Kapitan 1960, que pertenceu à Embaixada do Brasil em Roma. Quando acabou o mandato do embaixador José Augusto Macedo Soares, ele conseguiu trazer esse carro para o Brasil, que acabou parando nessa coleção. O Opel Furgão Olympia 1951, foi adquirido em 1955, de uma padaria em Conselheiro Lafaiete e foi carro de apoio, durante muitos anos, à oficina de propriedade do pai do colecionador, por isso, tem um valor inestimável. O Opel Caravan 1973 foi adquirido de um brigadeiro da Aeronáutica, que serviu em Barbacena na década de 1970. O Opel Rekord 1967, foi comprado no Rio de Janeiro, em meados dos anos 1980. O Opel Kapitan 1957, pertenceu a um único dono, um português radicado em São Paulo, que exigiu pagamento em dinheiro vivo para concretizar o negócio. Ele ainda ostentava placas amarelas com três pares de números. O Opel Kadett L 1967, completa os carros dessa marca.

Charger R/T e Gran Sedan: dois representantes da americana Chrysler, mas fabricados no Brasil
Charger R/T e Gran Sedan: dois representantes da americana Chrysler, mas fabricados no Brasil

Quatro representantes da Chrysler cada um, mais perfeito que o outro, também estão ali. O Dodge Charger RT 1977, marrom Iguaçu, com 55 mil km rodados, adquirido em uma concessionária da cidade, com pagamentos de promissórias no valor de cento e seis cruzeiros. O Dodge Grand Sedan, também 1977, automático, pertenceu à diretoria da Mendes Júnior em Juiz de Fora-MG. Completam essa linha, o Dodge Polara 1977, com 71 mil km originais e outro, 1980 , ambos impecáveis. Numa coleção não podem faltar Opalas e ali estão um Grand Luxo 4.100 1973 e um 1972, motor 2.500, ambos adquiridos em meados da década de 1990.

Este Fusca 1500 ainda preserva os pneus Esso originais (no detalhe)
Este Fusca 1500 ainda preserva os pneus Esso originais (no detalhe)

Representando a Volkswagem vem o Fusca 1500 1971, verde Guarujá, imaculado, com 35 mil km rodados e pneus originais Esso. Outro Fusca, 1972, verde Indaiá, tem 67 mil km rodados. Foi o primeiro carro nacional adquirido pelo colecionador. Também verde Guarujá, ali está uma impecável Variant 1972.

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O Impala 1959 da foto maior é o xodó do galpão. Ao lado, Chevrolet 1951 com placas amarelas e Del Rey com menos de 8 mil km rodados

Da marca Ford, um Corcel   1973 e um Del Rey Ghia 1988, com incríveis 7.975 km rodados. Pertenceu a uma tradicional família de Barbacena, proprietária de um hospital psiquiátrico. Ao vê-lo, parece que estamos diante de um carro zero km. Na garagem, um carro é tratado com carinho especial. O Chevrolet Impala 1959, cor preto Cadillac, motor V8 283, automático, 4 portas com coluna, ícone no ápice dos “Rabos de Peixe”. Pertenceu ao pai do colecionador e foi utilizado pelo mesmo até a véspera de seu falecimento, em 1990. Por isso, é uma espécie de carro intocável, até para manutenção.

Totalmente original, está o Chevrolet Style Line, 1951, automático. Nem suas placas antigas foram trocadas. Ao lado, um Plymouth Cranbrook, também 1951. Completam o acervo da garagem inúmeras peças, acessórios, volantes, bancos, carburadores sem uso, tudo para muitos modelos de carros antigos.

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Em sua casa, o colecionador mantém outros carros e muitos objetos antigos

Como se não bastasse a abertura de sua garagem, o proprietário abriu também as portas de sua casa para o Maxicar. Ele reside em um grande sítio, em outro endereço, dentro da cidade, onde estavam mais de uma dezena de carros, que estão sendo restaurados e mais uma quantidade enorme de peças, calotas para carros antigos e outras coleções, como a de bicicletas e a de relógios. O Maxicar agradece imensamente a esse colecionador, pela generosidade para com este portal.

Barbacena tem o apelido carinhoso de “Cidade dos Loucos” porque abriga um dos maiores hospitais psiquiátricos públicos do Brasil e outras nove clínicas e hospitais particulares do mesmo gênero. Pelo jeito, ela pode ser chamada também de “Cidade dos Loucos por Carros Antigos”.

 

   ÀLBUM DE IMAGENS

Reportagem e fotos: João Baptista Jorge Pinto Filho
e Cláudio Márcio Abreu Campos

Edição: Fernando Barenco

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1 Comentário

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  • Qualquer um em sã consciência gostaria de ter uma coleção destas, mas não entendo em não andar, em não curtir os carros, não assimilo!!!! Isto sim me deixaria LOUCO!!! Parabéns pela matéria.

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