Assista ao vídeo! Equipado com motor V12 central e desenhado por Bertone, o Miura foi apresentado em março de 1966
O Lamborghini Miura foi apresentado no Salão do Automóvel de Genebra no dia 10 de março de 1966 — portanto, há exatos 60 anos!
Considerado o primeiro supercarro do mundo, o Miura redefiniu o que um veículo de estrada de alto desempenho poderia ser. Apresentava um motor V12 de 3.929 cc montado transversalmente atrás do condutor, uma configuração inspirada no design do automobilismo. O Miura ostentava números de desempenho que, para a época, pareciam surreais. Seu design criado pela lendária Bertone, tornou-se imediatamente icônico e permanece atemporal até hoje.

Lançado apenas três anos após a fundação da Automobili Lamborghini, o Miura foi o terceiro modelo a ser apresentado. Seu motor entregava uma potência impressionante de até 380 cavalos, capaz de levá-lo a uma velocidade máxima de 290 km/h, tornando-se então o carro de produção mais rápido do mundo.
O nascimento do Lamborghini Miura
Menos de dois anos após a sua fundação, a Lamborghini ainda era uma fabricante de nicho, mas o 350 GT já havia demonstrado a ambição técnica da companhia. Ferruccio Lamborghini tinha orgulho de seu carro de estreia, mas sonhava com um veículo ainda mais potente. A jovem equipe de engenheiros, liderada por Gian Paolo Dallara e Paolo Stanzani, assumiu a tarefa de transformar esse sonho em realidade.
A partir de 1964, Dallara, Stanzani e o piloto de testes neozelandês Bob Wallace desenvolveram em conjunto a ideia de um novo supercarro inspirado no automobilismo. Em seguida, construíram um protótipo de chassi pronto para dirigir, calibrado rigorosamente para o desempenho. Ferruccio Lamborghini reconheceu imediatamente o potencial da ideia na apresentação e deu sinal verde para o desenvolvimento do chamado Projeto L105.

Em 3 de novembro de 1965, no Salão do Automóvel de Turim, a Lamborghini exibiu o chassi em preto acetinado, com o motor montado transversalmente atrás do motorista. Nunca antes um chassi nu havia atraído tanta atenção.
A caixa de aço, com apenas 0,8 milímetros de espessura e inúmeros furos, pesava apenas 120 quilos, e os quatro escapamentos imediatamente despertaram o interesse dos visitantes.
Diversos estúdios de design se candidataram para revestir aquele chassi de acordo com suas ideias. Segundo a lenda, Nuccio Bertone foi o último encarroçador a passar no estande da Lamborghini, já próximo do final do Salão. Ele examinou o chassi em exposição e disse com confiança a Ferruccio Lamborghini que seu estúdio projetaria “o sapato perfeito para este pé maravilhoso”. Se esse diálogo realmente aconteceu dessa forma, não é possível comprovar hoje.
A Carrozzeria Bertone — que tinha Marcello Gandini como Chefe de Design na época — revestiu o chassi de aço com uma carroceria empolgante. Em janeiro de 1966, poucas semanas após a primeira apresentação, o design da Bertone foi finalizado e o protótipo concluído em março.

O carro oferecia conforto e confiabilidade, além de números de desempenho impressionantes, graças ao potente motor combinado com uma carroceria leve e aerodinâmica.
Em março de 1966, no estande da Bertone no Salão do Automóvel de Genebra, a Lamborghini apresentou um carro laranja que desafiava as convenções da época. O conceito de motor central alterou profundamente a distribuição de peso e proporcionou uma experiência de condução inigualável até então. Tudo isso complementado pelo design inconfundível e elegante da Bertone.
O simbolismo do touro

A ligação entre a Lamborghini e o simbolismo do touro está profundamente enraizada na história da marca. Com o Miura, a Lamborghini usou pela primeira vez, o nome de uma famosa raça de touros espanhola.
Essa filosofia se reflete diretamente na nomenclatura dos modelos da Lamborghini. Nomes como Espada, Islero e Murciélago, são referências a touros lendários.
Design e estilo guiados pela velocidade
Pela primeira vez, a Lamborghini teve a colaboração da Carrozzeria Bertone no design. O renomado estúdio criou uma carroceria que estabeleceu novos padrões. Plano, largo, elegante e agressivo ao mesmo tempo, o Miura parecia um predador pronto para atacar. A silhueta era baixa: a altura total do carro era de apenas 110 centímetros. Os marcantes faróis escamoteáveis com “cílios” e as generosas entradas de ar caracterizam uma aparência que ainda hoje é considerada contemporânea.
A Bertone inspirou-se nos carros de corrida: faróis planos e giratórios, grades do radiador que direcionavam o ar para os freios e superfícies com aletas no capô dianteiro que permitiam a saída de ar do radiador quase horizontal, posição presente apenas no protótipo.
O motor V12 era alimentado por entradas de ar atrás e abaixo das portas. As aletas pretas serviam como coberturas para proporcionar ventilação adicional, estabelecendo também uma forte tendência de design. Até hoje o Miura tem uma excelente solução estilística para direcionar o ar da cabine.
Os detalhes em alumínio anodizado preto, usados em vez dos cromados que eram comuns até então, e o arranjo do motor e da transmissão, definiram uma tendência para os anos seguintes. O Miura não era apenas baixo, como também compacto em comprimento, com apenas 4,36 m, graças em parte à disposição do motor.
Paleta de cores

O Lamborghini Miura estava disponível em uma grande variedade de cores marcantes:
- Azzurro Mexico Metallizzato (azul claro metálico)
- Bianco Miura (branco)
- Bleu Miura (azul)
- Luci del Bosco Metallizzato (marrom metálico)
- Blu Notte (azul escuro)
- Blu Tahiti Metallizzato (azul metálico)
- Rosso Corsa (vermelho)
- Nero Cangiante (preto)
- Giallo Fly (amarelo)
- Giallo Miura (amarelo)
- Argento Indianapolis Metallizzato (prata metálica)
- Rosso Granada Metallizzato (vermelho metálico)
- Azzurro Cielo (azul claro),
- Arancio Miura (laranja),
- Oro Metallizzato (ouro metálico),
- Verde Rio Metallizzato (verde metálico),
- Verde Scuro (verde),
- *Verde Scandal (verde)
- Rosso Miura (vermelho).
*A propósito, já contamos aqui no Maxicar como nasceu a icônica cor “Verde Scandal” (na foto acima). Confira nesse link!
O coração do touro

Dependendo do modelo, P400 ou P400 S, o motor entregava 350 ou 370 cv, tornando o Lamborghini Miura um dos carros de produção mais rápidos de sua época.
O Miura P400 S acelerava de 0 a 100 km/h em 6,7 segundos e era capaz de atingir velocidades de até 280 km/h. Na época, este superesportivo era o carro de produção mais rápido do mundo.
O motor do posterior P400 SV entregava ainda mais potência, com 385 cv a 7.850 rpm e torque de 388 Nm a 5.500 rpm, oferecendo uma dirigibilidade ainda melhor.

O motor, a transmissão e o diferencial compartilhavam uma mesma carcaça e sistema de lubrificação, o que era excepcional na época. Uma solução ousada, que economizava espaço e era tecnicamente desafiadora. Durante a produção, a Lamborghini desenvolveu um sistema de lubrificação separado para o motor e a transmissão, uma mudança tecnicamente significativa.
O engenheiro Paolo Stanzani desempenhou um papel fundamental nessa história de sucesso. Ele desenvolveu o motor V12, originalmente projetado por Giotto Bizzarrini, para uso em vias públicas, garantindo que estivesse pronto para a produção em série. Seu som é inconfundível.
Um esportivo “raiz”
Como convém a um superesportivo, o Lamborghini Miura era um carro intransigente para dirigir. Sem direção hidráulica, sem sistemas eletrônicos de assistência e com feedback mecânico direto, ele ainda exige total concentração dos motoristas hoje em dia. Ao mesmo tempo, recompensa o condutor com uma experiência de direção pura e emocionante.
Versões de produção e especiais
Entre 1966 e 1973, foram produzidos 763 exemplares do Lamborghini Miura, segundo registros oficiais. Antes do início da produção em série, apenas um protótipo oficial foi construído.
Pelo menos 10 exemplares do Miura são considerados peças únicas, projetos especiais ou carros de exibição. Entre os mais famosos está o Miura Roadster de 1968, uma versão conversível exclusiva concebida e criada pela Carrozzeria Bertone. Com pintura azul-celeste lameada, interior em couro branco e carpete vermelho, apresentava elementos distintivos como entradas de ar maiores nas portas, aproximadamente 120 reforços estruturais, um para-brisa mais inclinado e lanternas traseiras exclusivas, diferenciando-o claramente do Coupê.
Prêmios
Após 60 anos, o Lamborghini Miura permanece uma referência em design automotivo e relevância cultural. Ao longo dos anos, exemplares do Miura conquistaram prêmios prestigiosos em importantes concursos de elegância, incluindo Villa d’Este, Pebble Beach Concours d’Elegance, Salon Privé e Hampton Court Palace.
Muitos desses carros premiados foram restaurados ou certificados pelo Lamborghini Polo Storico, o departamento oficial responsável por preservar o patrimônio histórico da Lamborghini por meio de pesquisa em arquivos, certificação, restauração e participação em importantes eventos internacionais de preservação do patrimônio.
Versões do Lamborghini Miura
P400 (1966–1969)

- Motor: Transversal V12 de 3,9 litros, 350 cv a 7.000 rpm, 355 Nm a 5.000 rpm.
- Transmissão: manual de 5 velocidades.
- Velocidade máxima: aprox. 250 km/h.
- 0-100 km/h: aprox. 6,7 s.
- Peso: 985 kg.
P400 S (1968–1971)

- Motor: Transversal V12 de 3,9 litros, 370 cv a 7500 rpm, 390 Nm a 5500 rpm.
- Transmissão: manual de 5 velocidades.
- Velocidade máxima: aprox. 280 km/h.
- 0-100 km/h: 6,4 s.
- Peso: 1180 kg.
P400 SV (1971–1973)

- Motor: Transversal V12 de 3,9 litros, 385 cv a 7850 rpm, 388 Nm a 5500 rpm.
- Transmissão: manual de 5 velocidades.
- Velocidade máxima: acima de 290 km/h.
- 0-100 km/h: 5,5 s.
- Peso: 1.245 kg.
Baseado em conteúdo da Automobili Lamborghini
Redação final: Fernando Barenco
Fotos: Lamborghini Media
Video: Lamborghini Média com edição de Maxicar
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