Mosca Branca

Dodge D-100: o primeiro veículo Chrysler lançado no Brasil

Dodge D-100

Apresentada no Salão do Automóvel de 1968, junto com os caminhões D-400 e D-700, picape tinha motor V8 e design norte-americano

A poderosa fabricante de automóveis norte-americana Chrysler instalou sua filial brasileira em 1967, através da compra da francesa Simca, que desde 1959 fabricava o sedan Chambord e seus derivados.

Embora fosse detentora também das marcas Plymouth e Imperial naquela época, a Chrysler optou por fabricar no Brasil apenas modelos Dodge. Enquanto trabalhava no projeto de seu primeiro automóvel — o Dart Sedan — a Chrysler assumiu a produção do último Simca, o Esplanada (e sua versão básica, Regente), que ganhou retoques visuais, melhorias mecânicas e passou a ser vendido com a marca Chrysler. Inclusive foi lançada em 1968 uma versão sofisticada e esportiva, a GTX.

A pioneira

Dodge D-100

A linha comercial Dodge de 1969, na propaganda de lançamento

No entanto, o primeiro veículo brasileiro genuíno da marca não foi um automóvel e sim a picape Dodge D-100, apresentada no Salão do Automóvel de 1968 junto com seus “irmãos maiores”, os caminhões D-400 e D-700. O Dart Sedan somente seria apresentado em setembro do ano seguinte.

O V8 318 equipou toda a linha Dodge brasileira, exceto o 1800/Polara, que tinha motor de 4 cilindros

A Dodge D-100 brasileira tinha o mesmo design da segunda geração fabricada nos EUA  de 1965 a 1971, com grade dianteira de duas fileiras de quatro aberturas retangulares. Era equipada com o potente motor V8 318, de 5.2L, o mesmo que viria a equipar toda a linha Dodge de automóveis (exceto o 1800/Polara), até a extinção da marca no Brasil, em 1982.

A D-100 nasceu com a dura missão de concorrer com a Chevrolet C14 (depois rebatizada de C10), de 6 cilindros; e com a Ford F100, também equipada com motor V8.

Dodge D-100

Detalhes de acabamento pintados de branco na versão Standard

O problema era a suspensão

Embora tivesse um visual mais moderno que as rivais, mecânica confiável, robustez, bom nível de acabamento e capacidade de carga equivalente, dois detalhes logo a tornaram alvo de reclamações da clientela: os freios a lona nas quatro rodas, subdimensionados para o seu peso e potência; e o “calcanhar de Aquiles”: a suspensão dianteira de eixo rígido e feixe de molas, que a tornava sacolejante e pouco confortável.  Além disso, não era nada econômica para a lida.

O interior era mais moderno e bem acabado que as outras picapes nacionais. Mas a suspensão era problemática

A Dodge D-100 nacional estava disponível em duas versões. A Standard possuía acabamentos externos pintados de branco: para-choques, grade, aros dos faróis, retrovisor, rodas e calotas.

Na versão de Luxo todos esses itens eram cromados e havia um friso largo lateral. Além disso, vinha com o mesmo volante do Dart e opcionalmente com pneus de faixa branca.

Dodge D-100

A versão de Luxo esbanjava cromados

As informações sobre a produção da clássica picape Dodge brasileira são obscuras. Algumas fontes informam que ela foi fabricada até 1975, outras falam em 1976. Durante toda a sua curta história, as vendas nunca atingiram as expectativas, com a produção ficando em torno de apenas 2.200 unidades.  Hoje estima-se que restem apenas uma centena de remanescentes.


Especificações

  • Motor: V8 de 318 pol³ – 5,2 litros – 198 cv
  • Câmbio: manual de 3 marchas, na coluna de direção
  • Suspensão: por feixe de molas na dianteira e traseira
  • Tração: 4X2
  • Pneus: diagonais de medida 6,50 x 16
  • Medidas:
    – 4,90 m  de comprimento
    – 2,02 m de largura
    – 1,75 m  de altura
  • Peso: 1.650 kg
  • Capacidade de carga: 700 kg

A Dodge D-100 nos EUA

Dodge D-100

Dodge D-100 norte-americana da 2ª geração

Em seu país de origem essa linha de picapes tinha duas designações: D-100 para a versão 4X2 e W-100 para a versão 4X4. Foi produzida  em três gerações, de 1961 a 1981, quando foi substituída pela Dodge Ram D-150.

Estava disponível com diversas motorizações de 6 cilindros em linha e V8 — em versões de 318 a 440 pol³. Motores movidos a diesel também eram oferecidos. As versões de acabamento e as distâncias entre-eixos também podiam variar.

A Standard dessa reportagem

A “artista” de nossa matéria é uma Dodge D-100 Standard 1972, na bonita cor “Amarelo Carajá”. Ela pertence ao fantástico acervo do Museu do Dodge, que fica no interior do Estado de São Paulo. Nas redes sociais, o curador da entidade, Alexandre Badolato, contou um pouco da história desse exemplar: “Conheço essa picape desde 1988, quando a via trabalhando numa serralheria na Zona Oeste de São Paulo. Naquela época ver uma D-100 na rua já era um evento raro. Muitos anos depois tivemos a oportunidade de trazer ela para a coleção. Passou por um rigoroso processo de reconstrução”.

Redação: Fernando Barenco
Fotos: Museu do Dodge e publicidade da época


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