Exemplar único foi “descoberto” por acaso na sede da Bugre, em Rio Bonito – RJ
O Bugre M-150 foi apresentado em 1972, durante o Fittipaldi Motor Show, nas configurações de rua e de competição. Com linhas inspiradas nos carros esporte europeus como o Lotus Europa, a carroceria de fibra de vidro do modelo de rua pesava apenas 100 kg e poderia ser montada em qualquer chassi Volkswagen (exceto o da Variant).
Já a versão de competição foi preparada pela Volks-pol que já vinha competindo no campeonato carioca com um Bugre SS.
Bugre M-150 de competição tinha características próprias

A apresentação do protótipo durante o Fittipaldi Motor Show, em 1972
Em relação à versão de rua, o M-150 de pista tinha uma carroceria especial, um pouco mais baixa, com para-brisas mais inclinado e pesando apenas 60 kg, além de receber o santantônio e entradas de ar na traseira, sobre a tampa do motor e nas laterais. Contava também com uma capota rígida.
O nome M-150, era uma homenagem ao Sesquicentenário da Independência, comemorado em 1972, tema patriótico que se repetia nas listras verdes que percorriam a carenagem do protótipo.

Como todo fora-de-série brasileiro, o M-150 usava uma miscelânea de componentes emprestados de outros carros: o para-brisa era o vidro traseiro do Simca Esplanada (1), as maçanetas vinham da porta-lateral da Kombi (2), os faróis do Karmann-Ghia (3), as lanternas Randon, retrovisores, refletores dianteiros e traseiros e dobradiças das tampas traseiras e dianteiras do Puma GT (4).
Versão de rua entrou em produção dois anos depois

A versão de rua em fotos de época da própria fábrica da Bugre
O Bugre M-150 de rua entrou em produção somente em 1974, com diferenças significativas em relação ao protótipo de competição de 1972: o teto rígido foi substituído por uma capota de lona, e as portas deram lugar a rebaixos na lateral da carroceria. Além disso, o para-brisa foi trocado pelo da linha VW TL/Variant. O M-150 permaneceu em produção por 10 anos, com 970 unidades produzidas.
Um campeão

Bugre M-150 pilotado por William Jorge no Autódromo de Adrianópolis. Foto: Jornal do Brasil
Esse exemplar único de competição estreou no Campeonato Carioca de Automobilismo em 1972, sagrando-se campeão das temporadas de 1972 e 1973 com o piloto Paulo Lesser. Nesse período também conquistou a vitória em uma prova de exibição de 6 voltas disputada no Autódromo de Adrianópolis, em Nova Iguaçu – RJ.
Carroceria ficou guardada por décadas

Carroceria original estava armazenada sobre uma lage, na própria fábrica
Depois disso, o Bugre M-150 protótipo foi canibalizado, o chassi e motor utilizados para construir um Bugre II que foi vendido para um jogador do Flamengo, enquanto a carenagem ficou armazenada na sede da Bugre, em Rio Bonito – RJ, até ser percebida no alto de uma laje pelo engenheiro Luiz Mendes em um vídeo gravado na fábrica da Bugre. Em agosto do ano passado, Luiz — que já havia restaurado um Bugre SS — fez uma proposta pela carenagem, que agora está em processo de restauração.
A restauração já começou

O aspecto do carro quando foi encontrado
Luiz nos informou que já adquiriu outro M-150 de rua para aproveitar o chassi documentado e a motorização 1600. Paulo (filho de Francisco Cavalcanti, o fundador da Bugre) refez as portas e o fundo do carro em fibra de vidro e a carenagem permanece na sede da Bugre para onde o chassis restaurado será levado para alinhamento e montagem final com os gabaritos de fábrica.

Um chassi original VW /M-150 foi adquirido
Praticamente todas as peças necessárias para completar a restauração já foram compradas, restando finalizar a recuperação do chassi, a montagem e o alinhamento da carroceria e a pintura e montagem final do carro.
Acompanhe o passo-a-passo da restauração do Bugre M-150 nesse perfil do Instagram!
Francisco Cavalcanti, o fundador da Indústria de Carrocerias Bugre Ltda
Francisco Cavalcanti iniciou sua carreira nos anos 1950, tendo cursado Sistemas Hidramáticos em curso fornecido pela General Motors do Brasil, tornando-se responsável técnico pela montagem dos kits CKD das picapes e caminhões Chevrolet e dos sedans Plymouth.

O Bugre I de 1970 (foto: fábrica Bugre)
Após essa experiência fundou a Servi-Volks, primeira oficina especializada em Volkswagen no Rio de Janeiro. Com a experiência nos carros alemães, construiu seu primeiro protótipo, um jipinho com mecânica Volkswagen e carroceria de aço em 1965, e entre 1967 e 1968 passou a preparar um monoposto da Formula Vê.
Em 1969, criou um veículo para a categoria Força Livre, o “Casquinha”, utilizando uma carroceria original do Fusca de 1953 rebaixada em 20 cm, com rodas aro 15” e motor Volkswagen 1600 a ar, que deteve o recorde extra-oficial da categoria no antigo Circuito de Jacarepaguá.
Em 1970, fundou a Bugre para fabricar buggies, que faziam muito sucesso no Brasil nessa época. O primeiro modelo lançado foi o Bugre I, ao qual se seguiram o Bugre SS em 1971, o Bugre II e M-150 — tema dessa matéria — ambos em 1972.
Conheça a história completa da Indústria de Carrocerias Bugre no site Lexicar
Redação: Daniel Vieceli
Matéria originalmente publicada no site Nivelando a Engenharia
Agradecimentos
Agradecemos ao engenheiro Luiz Mendes por compartilhar conosco a história de como o M-150 Protótipo foi encontrado e imagens de seu acervo que ajudaram a ilustrar essa publicação.
Fontes
- História da Bugre. Disponível em: bugre.ind.br/index.php/historia-empresa.
- Equipe Bugre. Disponível em: bugre.ind.br/index.php/equipe-bugre-2
- Bugre. Disponível em: lexicarbrasil.com.br/bugre/.
- O Bugre M-150 é um carioca leve e ágil. Revista Quatro Rodas, Número 168 de Julho de 1974.
- Bugre vence prova em Adrianópolis. Jornal do Brasil, 5 de Fevereiro de 1973.
- Bugre M-150 venceu prova no Autódromo de Adrianópolis. O Fluminense, 6 de Fevereiro de 1973.
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