Carros Estranhos

Citroën Ami 6, fora do convencional por qualquer ângulo

Citroën Ami 6

Compacto, mas espaçoso, sua principal característica era o vidro traseiro de ângulo invertido. Esquisitice? Não! Praticidade e espaço

As fabricantes francesas sempre foram pródigas na criação de automóveis “fora da caixa” em termos de design e soluções tecnológicas, que muitas vezes causam espanto. Então, não poderia ficar de fora de nossa seção “Carros Estranhos” esse modelo compacto, que a despeito de sua silhueta, se tornou um grande sucesso comercial. Estamos falando do Citroën Ami 6, que nasceu em 1961 para preencher uma lacuna entre o popular 2CV e o sofisticado DS.

Não há nada parecido! Ao final dessa leitura, apostamos que você passará a ter muito mais simpatia por ele!

Obra-prima de Flaminio Bertoni

A linha de produção

O projetista Flaminio Bertoni teve uma longa carreira na Citroën, tendo sido responsável pela criação de seus modelos mais icônicos da primeira metade do Século 20: o revolucionário Traction Avant, nos anos 1930; o ícone popular 2CV, na década de 1940; o espantoso DS, na década de 1950; e o furgão com carroceria de aspecto “sanfonado” Type H Van.

No entanto, conforme confidenciou a amigos na época, Bertoni considerava o Ami 6 sua obra-prima. É que pela primeira vez em sua carreira na Citroën o designer  teve carta branca para desenvolver o projeto livremente, sem nenhuma interferência.  

O famoso vidro traseiro “invertido”

A posição pouco convencional da vigia traseira proporcionava mais espaço no porta-malas

E ele cometeu a audácia de dotar o Citroën Ami 6 de um vidro traseiro invertido, que proporcionava um porta-malas espaçoso com abertura convencional, sem comprometer o espaço dos ocupantes do banco traseiro. De quebra, havia ainda uma vantagem extra: em dias de chuva, a vigia traseira se mantinha seca e limpa.

Tendo por base a plataforma do 2CV, no lançamento o Ami 6 estava disponível apenas na versão Berlina (sedan) de quatro portas. Era equipado com o mesmo motor bicilíndrico, que no entanto era mais potente: 602 cm3, contra os 425 do 2CV.

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Estranho também de frente e de lado

As linhas da dianteira — onde se destacavam os amplos faróis retangulares encaixados em uma moldura oval — o capô arriado no centro, o teto estilo pagode e laterais marcadas por vincos estampados, conferiam ao Citroën Ami 6 um conjunto de forte personalidade visual, que não era uma unanimidade.  

Interior simples e espaçoso

Embora simples, o interior era inspirado no do sofisticado DS. O característico volante de raio único, as maçanetas das portas, os comandos do painel, até os bancos… tudo remetia ao top de linha da Citroën.

Na estrada se destacavam a estabilidade e a aderência ao solo, já que o Ami 6 dividia também o sistema de suspensão do 2 CV, conhecido pela simplicidade e eficiência.

Versão especial

Os fãs incondicionais do modelo têm simpatia especial pela versão Club, com quatro faróis, comercializada a partir de setembro de 1967.

Versão Club, com quatro faróis

Citroën Ami 6 Break: o sucesso da pequena station wagon

A consagração do Ami 6 aconteceria em 1964, com a chegada da Break, uma pequena station wagon com 320 kg de carga útil, desenhada por Henri Dargent e Robert Opron — o sucessor de Flaminio Bertoni, que havia morrido naquele ano.

Detalhes de um exemplar da versão Break (station wagon)

As vendas da Break logo superaram as da versão original Berlina, um fato bem raro na história automotiva. Isso provavelmente se deveu ao seu design mais convencional, mais espaço e capacidade de carga e a comodidade de uma quinta porta. A perua era a versão preferida não apenas pelas famílias, mas também uma ótima opção de veículo comercial.

O Citroën Ami 6 saiu de linha em março de 1969, dando lugar ao Ami 8, que tinha desenho mais convencional, e dotado de vidro traseiro na posição tradicional.

Citroën Ami 8, sem o charme do Ami 6

Curiosidades

  • O nome Ami 6 é uma associação fonética derivada do nome do projeto (veículo AM), da palavra miss (“senhorita”, em inglês) e da palavra amici (“amigos”, em italiano), provavelmente inspirado por seu projetista, o italiano Flaminio Bertoni;
  • Yvonne de Gaulle, a esposa do General de Gaulle, tinha um Ami 6. O general inaugurou a fábrica da Citroën de Rennes-La-Janais quando ela ainda estava em construção em 10 de setembro de 1960, pouco mais de um ano antes do início da produção;
  • Uma expedição batizada de Le Tour de Gaule d’Amisix foi organizada pela Citroën, partindo de Rennes-La-Janais em 19 de janeiro de 1966, com dois Ami 6 Break de série, para demonstrar a resistência e as qualidades do modelo na estrada. Na chegada, 23 horas e 11 minutos depois, a equipe havia percorrido 2.077 km a uma velocidade média de 89,6 km/h;
  • Em junho de 1963, o Ami 6 foi apresentado nos Estados Unidos. O modelo de exportação tinha quatro faróis redondos e para-choque reforçado;
  • 1.039.384 exemplares do Citroën Ami 6 foram produzidos no total: 483.986 na versão Berlina; 551.880 na versão Break; e  3.518 na versão Entreprise (perua utilitária, com vidro ou chaparia);

Ficha técnica

Ami 6 Berlina

  • Motor:  Tipo M4
  • Cilindrada: 602 cm3
  • Potência: 22 cv a 4 500 rpm
  • Carburador: Solex corpo simples 30 PBI até novembro de 1961, em seguida 30 PICS.
  • Tanque de combustível: 25 litros.
  • Comprimento: 3,87 mm
  • Largura: 1,524 mm
  • Distância entre-eixos: 2,4 m
  • Peso: 640 kg

Ami 6 Break

  • Motor: Tipo M4
  • Cilindrada: 602 cm3
  • Potência: 25,5 cv a 4 750 rpm.
  • Carburador: Solex corpo simples 40 PICS e 40 PCIS.
  • Tanque de combustível: 25 litros.
  • Comprimento: 3,958 mm
  • Largura: 1,524 mm
  • Distância entre-eixos: 2,4 m;
  • Peso: 690 kg

Redação: Fernando Barenco (com informações da Stellantis)
Fotos: Divulgação


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