Ele era diferente de tudo que havia na época e recheado de inovações. Um carro de fato estranho, mas muito fascinante
O nome não poderia ser mais apropriado: Stout Scarab. E seu emblema não deixa dúvidas sobre isso. É que Scarab, em Português significa “escaravelho”, ou “besouro”.
O monovolume rechonchudo nos parece bem estranho hoje em dia. Imagine em 1936, uma época de transição de design, em que a grande maioria dos automóveis ainda mantinha o estilo dos “calhambeques” da década anterior, com capôs altos, paralamas destacados com faróis “espetados” e estribos laterais. Então, acreditamos que o Stout Scarab tenha causado muito espanto quando surgiu.
Publicamos sua história em nossa galeria de “Carros Estranhos”, mas se tivéssemos de uma seção chamada “Carros Revolucionários”, talvez ficássemos na dúvida de onde publicar.

A dianteira estilo art-déc com o emblema do escaravelho
Baseado em aviões
Ele é uma criação do engenheiro aeronáutico William Bushnell Stout, que montou uma fábrica na então capital norte-americana (e mundial) do automóvel, Detroit, denominada Stout Motor Car Company.
O design é arredondado, primando pela aerodinâmica — um recurso quase ignorado pela indústria automotiva naqueles tempos. Uma proposta similar era a do Chrysler Airflow, produzido de 1934 a 1937. Mas o Scarab ia além, pois tinha os mesmos conceitos básicos das minivans (MPV) de cinco décadas depois.

A título de comparação, um Chevrolet 1936
Estrutura monobloco
Outra grande inovação foi a adoção de uma estrutura monobloco, diferente dos demais automóveis que eram construídos com chassi e carroceria separados. Somado a isso estava o motor instalado na traseira, eliminando a necessidade de um eixo cardã. Essas duas características permitiam que o Stout Scarab tivesse um assoalho plano e mais baixo.
Além disso, o “escaravelho sobre rodas” pesava apenas 1.400 quilos, graças a carroceria em alumínio.
Inovação também no interior

Interior amplo com piso plano
Com cabine avançada, o Stout Scarab tinha capacidade para sete ocupantes, com espaço de sobra. Todos os assentos eram giratórios e havia até uma mesa, que podia ser movida ou até retirada. O acabamento era de primeira, incluindo materiais nobres como couro e madeira. A palhinha no teto é um verdadeiro charme.
Modernas portas sem maçanetas

Apenas duas portas: uma lateral para os passageiros e a outra dianteira para o motorista
O acesso dos passageiros era feito por uma única porta lateral, do lado direito. Do lado esquerdo ficava apenas a porta do motorista. Ambas sem maçanetas, abertas ao toque de um botão, não havendo uma porta dianteira direita.
Contando com boa área envidraçada, a visibilidade era excelente para todos os lados, exceto para a traseira. Todos os vidros eram embutidos.
Era também confortável e silencioso, graças à suspensão com molas helicoidais, num sistema baseado no trem de pouso de aeronaves, uma especialidade de seu criador.
V8 “Flathead” traseiro e invertido

Motor V8 da Ford, lançado em 1932. O famoso “cabeça chata”
Como falamos, diferente de tudo o que havia na época, o motor era traseiro. O Ford V8 “Flathead” era instalado de modo invertido, diretamente sobre o eixo, com embreagem e caixa de à frente. A tração era realizada através de um dispositivo exclusivo, que combinava transmissão de três velocidades, eixo e diferencial.
O Stout Scarab teve baixa produção
Nunca foi o objetivo de seu criador uma grande produção do Stout Scarab. Sua proposta era a fabricação por encomenda, com detalhes personalizados para cada comprador, já que ele era feito à mão.
No entanto, tanta modernidade custava caro. Seu valor era de US$ 5 mil, o dobro de modelos de luxo como um Lincoln ou um Cadillac.
Estima-se que tenham sido vendidos apenas nove unidades desse automóvel estranho, mas fascinante e muito à frente de seu tempo.
Redação: Fernando Barenco
Fotos: Divulgação
Video: Canal do The Wall Street Journal no Youtube









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