Reunindo ônibus e caminhões antigos, evento em Lagoa Santa homenageou a Caravana da Integração Nacional, que aconteceu em Brasília, em 1960
A nova Caravana da Integração Nacional, realizada em Brasília em 2022, reuniu ônibus e caminhões antigos de todos os cantos do país, relembrando um evento de mesmo título que o presidente Juscelino Kubitschek realizou em 1960 visando a integração do país em torno da nova capital federal à época de sua inauguração.

Bernardo de Barros Moreira, de Brasília DF e Alfeu Teixeira, da Empresa Teixeira, parceira do evento em MG
O idealizador da nova Caravana, o brasiliense Bernardo de Barros Moreira, desta vez se aliou à Empresa Teixeira, de Minas Gerais, para realizá-la fora de Brasília, na Grande BH, no último final de semana, dias 6 e 7 de setembro, no Mercadão Internacional de Lagoa Santa.
International KB7 foi o mais antigo veículo dessa Caravana da Integração Nacional
International KB7, Scania 111 e conjunto FNM 180 + Chevrolet 6.500 Brasil
O veículo mais antigo no evento foi o caminhão International KB7 1946 de Wagner Nascimento, de Barroso – MG. Milton Ventania, de Belo Horizonte, expôs quatro caminhões: dois Scania ‘Jacaré’ — sendo um cavalo mecânico 111 S 1981 e um caminhão tanque 111 1977, trucado de fábrica —, e ainda um caminhão FNM 180 1979 com outro em sua carroceria, o Chevrolet 6.500 Brasil 1963.
Ricardo Lino, de Pitangui-MG, levou o caminhão Mercedes-Benz L 312 ‘Torpedo’ 1957 e o FNM D 11000 1971.
Mercedes-Benz L312 ‘Torpedo’ e FNM D 11000
Uma grande variedade de ônibus raros
Entre os ônibus, mais raridades! João Henrique, de Jundiaí-SP, rodou 650 km para chegar ao evento com sua Jardineira Chevrolet C-50 1964. Ermelindo Faria da Rocha, de Contagem-MG, também participou do evento com sua Jardineira Chevrolet 1948.
Chevrolet C-50 e Chevrolet ‘boda-de-sapo’
Acervo da Rouxinol e os Flechas da Cometa
Júlio César Diniz expôs outra Jardineira, a Mercedes-Benz Torpedo L 312 Metropolitana 1959 e mais três belos modelos que serviram à empresa Rouxinol no passado: o Mercedes-Benz Monobloco O 355/6 1976, o Mercedes-Benz Ciferal Flecha de Prata 1966 e o Mercedes-Benz O 362 Ciferal Líder 1972.
Dejair Goretti se deslocou de Juiz de Fora-MG para o evento a bordo do ônibus Mercedes Benz LP 321 Ciferal Cisne 1961.
Mercedes-Benz L 312 Metropolitana, Mercedes-Benz Ciferal Flecha de Prata, CMA Cometa Scania e Mercedes-Benz O 355
Impactante foi encontrar neste evento 4 ônibus CMA-Scania, que ficou conhecido como ‘Rei das Estradas’ pela Viação Cometa, entre eles estava o Scania 113 com seus 360 cv de potência, Flecha Azul 6B Leito, de Marcos Maia de Congonhas-MG.
A Empresa Teixeira, co-realizadora do evento, também expôs dois exemplares, o Mercedes-Benz 352 A Ciferal 1974 com carroceria em alumínio e o Mercedes-Benz O 355 Monobloco 1978.
Nicola, a precursora da Marcopolo

A gaúcha Nicola deu origem à Marcopolo
Também presente ao encontro estava um ônibus com carroceria Nicola 1969, que foi a precursora da Marcopolo, a terceira maior fabricante de carrocerias de ônibus do mundo, com atuação em 140 países ao redor do Globo. Nicola Bellini era sócio majoritário e a empresa, fundada em 1949 teve seu nome até 1971 quando se transformou na gigante Marcopolo S. A., de Caxias do Sul-RS para o mundo.
Caravana da Integração Nacional teve truckmodelismo

Membros da Minas Truck RC
O Mercadão Internacional de Lagoa Santa se mostrou ideal para um evento dessa grandeza. Ótima infraestrutura, muito espaço para acolher os gigantes sobre rodas e somando-se a isso, bares e restaurantes, barracas com artesanatos, comidas típicas e ainda estandes exclusivos para o evento com miniaturas e livros sobre ônibus, além de uma minicidade criada pelo grupo de truckmodelistas ‘Minas Truck RC’ que deu um show de habilidade com seus modelos de caminhões e ônibus radiocontrolados.
Pelo sucesso que foi essa edição em Minas Gerais e pela parceria harmônica entre Bernardo de Barros, de Brasília, com os irmãos Teixeira, de Belo Horizonte, tudo indica que teremos anualmente esse evento nas Minas Gerais, terra do presidente JK.
Busólogos são, na maioria jovens, apaixonados por ônibus e por tudo que envolve esse meio de transporte – história, mecânica, modelos, etc, assim como os camionistas, que são os apaixonados por caminhões. Esse encontro, a Caravana da Integração Nacional, recheado de cultura e história da evolução do transporte rodoviário no Brasil, é uma grande escola para formar novos busólogos e camionistas para que essa história continue a ser contada lá na frente.

A Caravana da Integração Nacional original de 1960

Na Caravana da Integração Nacional original, o presidente Juscelino Kubitschek queria criar a imagem de um país integrado por construção de estradas à época da inauguração de Brasília.
Promoveu então, pegando a ideia de seu ajudante de ordens, José Edson Perpétuo, uma viagem com voluntários saindo dos quatro cantos do país com destino à Brasília, com uma exigência: que os participantes utilizassem apenas veículos fabricados no Brasil.
Fabricantes nacionais cederam veículos, motoristas e mecânicos. Aventureiros, jornalistas, engenheiros, operários e políticos também participaram. Os voluntários formaram quatro colunas, cada uma saindo de um ponto cardeal do Brasil com destino à nova capital.
A coluna Sul saiu de Porto Alegre-RS percorrendo 2.200 km. A coluna Oeste saiu de Cuiabá-MT e rodou 1.110 km. A caravana que enfrentou as maiores dificuldades foi a da coluna Norte que percorreu 2.200 km na Belém-Brasília ainda em construção. Foram 10 dias de chuvas e atoleiros gigantes. Estes foram recebidos como heróis. A coluna Leste saiu do Rio de Janeiro, do Palácio do Catete, para percorrer 1.200 km em três dias de asfalto.

Havia de tudo nessa Caravana: Jeep e Rural Willys, DKW, Kombi, Fusca, Simca Chambord, Toyota Bandeirante, caminhões Mercedes-Benz, Chevrolet e International e um ônibus Caio com chassi FNM.
Mas foi a turma de São Paulo que levou os veículos mais pitorescos: nada menos que 25 Romi-Isetta. Os valentes carrinhos fizeram enorme sucesso e foi num Romi-Isetta, primeiro veículo fabricado no Brasil, que em 2 de fevereiro de 1960, data combinada para o encontro das quatro colunas, que JK desfilou com o corpo para fora da capota aberta, mesmo com chuva, até a Catedral de Brasília para uma missa e em seguida um churrasco no Palácio do Planalto.
Já se passaram 65 anos dessa aventura e essa turma, 287 expedicionários em 137 carros, caminhões e ônibus, à época, não devem ter percebido a dimensão da importância dessa empreitada. O feito histórico rendeu um monumento em homenagem a eles instalado na Esplanada dos Ministérios, no canteiro central, entre as Vias N1 e S1, na capital federal.
Redação e fotos: Jorge Filho
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