Curiosamente, ele foi lançado somente um ano depois do próprio Corcel; modelo foi sucesso em várias partes do mundo
Os fãs do Ford Corcel conhecem bem essa história: nosso querido clássico brasileiro foi uma criação da Willys e baseado num automóvel francês chamado Renault 12.
De fato, quando em 1967 a Ford assumiu o controle acionário da Willys Overland, o “Projeto M” já estava em avançado desenvolvimento. Ele resultaria no lançamento no ano seguinte do novo compacto da Willys, que iria substituir o Gordini, outro modelo fabricado em nosso país sob licença da Renault.

As primeiras unidades do Corcel sendo produzidas. Repare a logo no uniforme do operário
Assim, além dos modelos Willys que já estavam em produção há vários anos — Aero, Itamaraty, Rural, F-75 e Jeep — a Ford herdou também o novo carro, prestes a entrar em produção e que agora teria o emblema verde em formato de W substituído pelo oval azul.
Renault 12 foi lançado depois do Corcel
Curiosamente, o Renault 12 não era um modelo já em produção na França. Somente foi lançado em 1969, portanto, um ano depois do Ford Corcel.
A Renault deu início aos estudos do Renault 12, batizado de “Projeto 117”, em 1964. Foi comandado por Gaston Juchet, que já havia projetado o Renault 16.

O Projeto 117 na França
O Departamento de Estilo, deveria seguir algumas diretrizes básicas para o novo carro, como ser compacto, mas espaçoso; ter um grande porta-malas, ter um motor econômico, mas sem ser anacrônico; ter mecânica confiável e de manutenção simples; ser fácil e barato de ser produzido, já que a intenção era torná-lo um automóvel mundial.
A contribuição da Willys no projeto

Frente à frente o Renault 12 pós-facelift 1978 e um Ford Corcel Coupê 1970
Boa parte do “Projeto 117” foi desenvolvida nas instalações da Willys, com a permanência da equipe francesa de projetistas aqui no Brasil por longos períodos. Era importante fazer testes em estradas piores que as europeias, já que o objetivo era comercializar o Renault 12 também em países africanos, asiáticos e sul-americanos.
Isso explica o porquê do Corcel ter sido lançado um ano antes do modelo no qual foi baseado. E embora dividisse com ele a plataforma e a mecânica, desde o início da parceria entre Renault e Willys ficou determinado que o carro brasileiro teria um design próprio, embora semelhante.

Traseiras bem diferentes
O nome “Corcel” — o cavalo selvagem — foi dado pela Ford, que quis associá-lo à liberdade, agilidade e desempenho. Foi também uma referência ao famoso esportivo norte-americano Mustang.
Qual seria o seu nome se tivesse sido lançado pela Willys, como inicialmente planejado?
Chega ao mercado o Renault 12
O lançamento do novo Renault aconteceu durante o Salão do Automóvel de Paris de 1969, sendo apresentado à imprensa por seu presidente, Pierre Dreyfus.

Foto de perfil evidencia a semelhanças, sobretudo na dianteira. Repara nas rodas de três furos…
O formato de sua carroceria era incomum, chamando a atenção a acentuada inclinação da traseira. Seguindo a tendência de outras marcas europeias e da própria Renault, o motor e a tração eram dianteiros. O motor de 1.289 cc de 60 cv era o mesmo Cléon de 1.108 cc, que foi retrabalhado. O câmbio era manual de 4 marchas.
Para simplificar e baratear a produção, a suspensão usava eixo traseiro rígido, diferente de outros modelos da marca, o que gerou críticas na época.
Somente com 4 portas

Versões Berlina e Break da primeira fase
Nas versões de passeio, esteve disponível apenas com quatro portas, tanto para o Berlina (sedan), quanto para a Break (station wagon), equivalente à nossa Ford Belina. Houve ainda um furgão de entregas batizado de Service, com duas portas laterais + a traseira.
Inicialmente, os padrões básicos de acabamento eram o L, mais simples; e o TL, mais sofisticado. Em 1972 chegou ao mercado o TS, que além de sofisticado, era um pouco mais potente, embora mantivesse o mesmo motor, que nesse caso era equipado com carburador Weber de corpo duplo.
Uma versão com câmbio automático e padrão de acabamento intermediário, batizada de TR, foi lançada em 1973.

Versão com câmbio automático
Versão esportiva Gordini
A mais potente versão do Renault 12 foi a esportiva Gordini. Seu motor em alumínio de 1.565 cc era equipado com dupla carburação. Rendia 125 cv. O câmbio era de 5 marchas e os freios eram a disco nas quatro rodas.
Sua pintura padrão era o azul sólido com listras brancas, em homenagem ao famoso Renault 8 Gordini. Foram produzidas cerca de 5 mil unidades dessa versão entre 1971 e 1974.

Versão esportiva Gordini
No entanto, a fabricação do Renault 12 continuou na matriz francesa até 1980, passando por um facelift cinco anos antes. A produção foi de pouco mais de 2 milhões de unidades.
Mas o modelo foi fabricado em vários outros países, como vamos ver…
O Renault 12 pelo mundo

O romeno Dácia 1300 era muito silimar ao original francês
- Romênia – Batizado de Dacia 1300, foi lançado em 1969, sendo produzido até 1984. No entanto, a partir desse ano foram lançadas diversas variantes, o que estendeu a fabricação até 2004.
- Turquia – A versão turca, chamada Renault Toros foi fabricada de 1971 a 2000 e exportada para diversos países africanos: Argélia, Congo, Gabão, Costa do Marfim, Mauritânia, Marrocos, Senegal, entre outros.
- Austrália – Nesse país da Oceania, o Renault 12 foi montado no regime de CKD, com carros que seguiam o padrão inglês e chegavam totalmente desmontados. A produção durou de 1970 a 1980.
- Canadá – Assim como na Austrália, foi montado no regime de CKD, mas a fabricação durou apenas de 1970 a 1973. Com a mudança nas regras de segurança e de emissão de poluentes na América do Norte, uma versão adaptada à nova legislação passou a ser fabricada na França para o mercado canadense.
- América do Sul – Diferente do Brasil, que produziu o Ford Corcel, a versão original do Renault 12 foi fabricada na Argentina entre 1971 e 1994, totalizando 450 mil carros produzidos entre sedans e station wagons. Parte da produção era encaminhada à Colômbia, onde era montado no regime de CKD.
Ficha Técnica

- Motor: 4 cilindros, 1.289 cm3
- Potência: 60 cv
- Velocidade máxima (L e TL): 145 km/h
- Consumo: média de 10,2 km/l (cidade/estrada)
- Câmbio: manual de 4 marchas
- Freios: disco – dianteira / lona – traseira
- Distância entre-eixos: 2.441 mm
- Comprimento: 4.348 mm
- Peso: 935 kg
Redação: Fernando Barenco
Fotos: Acervo Renault e Divulgação









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