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O nosso maltratado Antigomobilismo

Três tristes imagens do Museu Paulista de Antiguidades de Cacapava: no alto à esquerda o Tucker Torpedo, a direita o Willys Capeta e abaixo um Lincoln Capri sendo retirado da fazenda em Bebedouro e devolvido à Familia Lee em estado precário

Quem tem acompanhado as minhas colunas aqui no Maxicar, deve ter notado a minha admiração pelo antigomobilismo em geral, os eventos, os novos e os velhos colecionadores, os empreendedores, os comerciantes de peças, os revendedores, os apaixonados, os fãs e os aficionados pelos antigos.

Procuro sempre enaltecer os restauradores, os profissionais de diversos setores que formam a cadeia necessária para um bom serviço de restauro e que na maioria das vezes operam verdadeiros milagres para trazer de volta às ruas, aquela preciosidade antes abandonada ou esquecida no fundo de alguma propriedade ou mesmo oficina mecânica.

Vejo sempre com muita simpatia e otimismo os “novos” antigos que se apresentam ou estreiam nos eventos e procuro acompanhar de perto as novidades do setor, ficando atento às movimentações que sempre cercam essas fantásticas ocasiões.

Mas ultimamente tenho me decepcionado muito com os últimos acontecimentos no nosso tão amado meio.

Carros clássicos, valiosos e históricos sendo vendidos para o exterior. Sei que o assunto é delicado, afinal quem tem o bem, pode dispor dele da maneira que achar mais conveniente.

Já sei, vão dizer alguns, também estamos importando antigos beneficiados pela lei que autoriza a importação de carros de coleção.

Porém o que se observa, é que nem tanto pelo valor monetário, mas infelizmente os carros que saem do Brasil, têm um valor histórico varias vezes superior aos que são trazidos para cá. O nosso patrimônio histórico antigomobilista está sendo dilapidado.

Outra situação muito triste é vermos uma das mais importantes coleções, sendo disputada em longas e intermináveis batalhas judiciais, como a que ocorre com o Museu Paulista de Antiguidades de Caçapava- SP de propriedade dos herdeiros do pioneiro Roberto Lee.

Batalha essa, que envolve familiares que se desentenderam, que não chegam a um acordo, enquanto as peças antigas, algumas preciosas e únicas, seguem semiabandonadas, sendo saqueadas, depenadas, destruídas pelo tempo, sem condições de conservação em galpões deteriorados, insalubres e desprovidos de segurança ou, ainda pior, alguns carros expostos ao tempo, em fundos de sítios ou fazendas.

Museu da Tecnologia da Ulbra: todo o acervo penhorado

Parte das preciosidades em Caçapava, parte em Bebedouro e todos na mesma situação de abandono total.

Mais recentemente, os antigomobilistas foram surpreendidos com a notícia de uma intervenção judicial na ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) que entre outras coisas administrava o mais importante museu brasileiro de carros antigos.

Um verdadeiro soco no estomago do apaixonado por carros antigos, que via naquele empreendimento um Museu digno dos carros antigos existentes no Brasil, a altura dos Museus de outras partes do mundo e que era referencia para todos os que apreciam carros clássicos e antigos de diversas épocas e modelos.

Pois bem, a justiça penhorou todo o acervo do Museu, carros prontos expostos e carros a serem ainda restaurados. Os carros continuam em exposição, a visitação está liberada, mas os carros não poderão sair do museu para eventos ou desfiles.

É preocupante a situação dos exemplares que aguardam restauração. E a coisa pode virar um imbróglio daqueles, mais uma vez.

Algumas peças não pertencem à Ulbra, caso dos carros da GM, por exemplo, que havia feito um contrato com a Universidade, e também os carros do piloto Emerson Fittipaldi, que tinha um espaço em sua homenagem nas dependências do Museu.

Cerca de 70 carros da GM, já foram retirados do local. Os Fittipaldis farão o mesmo.

Brincadeiras à parte, a desmoralização da Placa Preta é preocupante

O outro assunto angustiante e que já foi motivo de uma observação minha em 2006, é a preocupante e crescente desmoralização das Placas Pretas.

Infelizmente o que se vê é uma bagunça total, onde poucos se preocupam em moralizar o regulamento que norteia essa grande conquista do movimento antigomobilista e muitos continuam na contra mão da história, burlando, falsificando, deturpando e desvirtuando o verdadeiro objetivo das PP, que é preservar e diferenciar o carro antigo de coleção, dos carros “velhos” vendidos como raridades ou preciosidades.

Pois é, não gostaria de ficar falando sobre assuntos desagradáveis, mas no momento é só o que temos a nossa volta.

Ainda bem que o mês de abril vem aí, e com ele um dos nossos mais importantes eventos de carros antigos.

O XIV Encontro Paulista de Autos Antigos de Águas de Lindóia, que se não nos faz esquecer, pelo menos desvia um pouco a atenção das mazelas do nosso maltratado Antigomobilismo.

Vejo vocês por lá.

Até a próxima.



Romeu Nardini é comerciante, apaixonado por autómóveis, grande entusiasta dos carros antigos e diretor do Clube MP Lafer - Brasil."

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