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Vamos lá,
outra vez

No inicio de 2006 aqui mesmo no Maxicar, escrevi
uma coluna dizendo da minha preocupação
sobre as Placas Pretas, seus problemas e o mau uso da
lei que concede aos verdadeiros colecionadores a distinção
da referida placa.
Cheguei mesmo a cobrar uma posição mais
atuante e firme da nossa Federação Brasileira
de Veículos Antigos (FBVA), no sentido de interferir
e cobrar das autoridades uma solução para
o que eu achava na época que estava tomando um
rumo perigoso, ou seja, o desvirtuamento e a banalização
de um documento importante, conseguido depois de muito
trabalho e sacrifício com a aprovação
da lei 9503.
Os anos se passaram, muita coisa aconteceu e mudou...
para pior.
A bagunça se estabeleceu de verdade e infelizmente
vemos a toda hora verdadeiros absurdos automotivos ostentando
a tão cobiçada PP.
Mas recentemente por ocasião de um encontro de
antigos na cidade de Santos (SP), durante o discurso de
inauguração desse evento, tive a grata surpresa
de ouvir do Sr. Henrique Thielmann, presidente da FBVA,
que uma importante reunião entre a Federação
e o DENATRAN, estava marcada para tratar de vários
assuntos ligados ao nosso antigomobilismo, inclusive o
assunto Placas Pretas.
Alguns dias depois, lendo aqui no Maxicar a bela cobertura
sobre outro evento, desta vez o 17º Encontro do Automóvel
Antigo de Juiz de Fora (MG), me deparei com uma
ótima entrevista com o Sr Thielmann, onde ele informa
sobre a reunião realizada com o presidente do DENATRAN,
Alfredo Peres. Essa importante reunião, não
pode passar despercebida pelos antigomobilistas, pois
ela representa um grande (senão o maior) passo
no sentido de se fazer com que a Lei da Placa Preta seja
aplicada com rigor e seguindo fielmente os critérios
para qual foi criada.
Infelizmente por aqui costumamos dizer que existem leis
que pegam e as que não pegam.
Está mais do que na hora de darmos um basta à
história da “a lei, ora a lei”
frase proferida por famoso político das antigas.
O que precisamos é de leis que após a sua
aprovação sejam regulamentadas, o que não
costuma ocorrer na maioria das vezes.
São leis que saem do papel, direto para a execução,
deixando dúvidas, interpretações
dúbias, brechas e outras artimanhas exploradas
por quem quer se aproveitar de uma situação.
A falta de uma regulamentação e acho que
também a falta de uma ação conjunta
entre DENATRAN, Detrans e outros órgãos
que fiscalizam o transito dos Estados e Municípios,
proporcionaram que cada um interpretasse à sua
maneira (bem intencionado ou não, mas isto é
outra história) a execução das regras
que fazem parte da Lei da Placa Preta.
Confesso que meu otimismo voltou, (eu já estava
jogando a toalha) com a noticia dessa significativa reunião
e torço de verdade para que os assuntos debatidos
e as sugestões de tornar os critérios para
obtenção do Certificado de Originalidade
mais rigorosos, de se acabar com as PP emitidas por despachantes
e clubes inescrupulosos, de uma efetiva fiscalização
no sentido de rever as placas concedidas irregularmente,
sendo passivas de cancelamento e demais providencias no
sentido de moralizar novamente o assunto Placa Preta,
tenham sucesso e tragam de volta o entusiasmo de quem
pretende ter em seu carro um verdadeiro documento atestando
a sua originalidade.
Acho que esse é o inicio de um trabalho árduo,
difícil, complicado para reverter tudo o que se
fez de errado até agora e de difícil execução
também por envolver muitos interesses.
Mas alguém tinha que começar e acho que
a Federação está de parabéns
pela brilhante iniciativa. Demorou, mas agora tem que
arregaçar as mangas e tocar para frente.
Pois hoje em dia, os valores estão invertidos,
porque o colecionador que tem um carro original, que o
conservou, restaurou, investiu, passou por uma rigorosa
vistoria, obteve legalmente o seu Certificado de Originalidade,
instalou a sua PP, se sente constrangido ao estacionar
a sua obra de arte em um evento, ao lado de um carro desfigurado,
irregular ostentando também uma placa preta obtida
sabe-se lá Deus, como... (eu sei!).
Isso tem que mudar!
Abraços e até a próxima.
| Romeu Nardini
é comerciante, apaixonado por autómóveis,
grande entusiasta dos carros antigos e diretor do
Clube MP Lafer - Brasil." |
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