Noutro dia, trocando e mails com amigos, surgiu um assunto
que pode causar uma discussão infindável.
Quanto vale um carro antigo, ou um clássico?
O que, ou quem estabelece critérios para se avaliar
um antiguinho?
Onde está a “tabela” para os antigos?
Quem determina se vale ou não, aquele preço
sugerido?
E aquela oferta pela raridade, é justa ou indecorosa?
Nada ou ninguém pode ter respostas para essas perguntas.
O que determina o preço dessas peças é
simplesmente uma Lei. Aquela mesma, irrevogável e
“imexível” Lei da oferta e da procura.
O carro antigo ou clássico, vale exatamente aquilo
que o vendedor pede e aquilo que o comprador está
disposto a pagar.
Só isso.
As características
de determinado clássico ou antigo podem
agradar tanto a um comprador, que as qualidades
e vantagens do outro carro (embora visíveis),
perdem sua importância.
São vários os motivos que levam alguém
a procurar uma mercadoria dessas. Uma paixão, um
sonho de infância ou adolescência, saudosismo
por determinada época, adoração por
uma marca ou tipo, motivos afetivos (meu avô teve
um igual, meu tio me levava para passeios num desses, etc.)
e até por um incontido impulso após freqüentar
eventos e encontros de antigos.
Contaminado pelo vírus da ferrugem, sente que chegou
a hora de participar do mundo do antigomobilismo, enfrentando
as dificuldades, as restaurações, a problemática
mão de obra, $eu$ cu$to$ e $eu$ $u$to$, para ter
seus minutos de compensação, através
de um elogio, da admiração, do sorriso de
uma criança, dos parabéns vindos de outro
admirador de preciosidades.
Ah! E o gosto. Aquele famoso assunto que não devemos
discutir, pois cada um tem o seu.
Mas continuando o nosso bate-papo pela internet, veio
à tona um exemplo de anúncio de venda de carros.
Estavam sendo ofertados, um belíssimo e raro Jaguar
E-type e um não menos raro Karmann Ghia Conversível.
Entre eles, uma pequena diferença de preços.
Logicamente surgiram debates acalorados sobre as preferências,
uns considerando absurdo que os dois exemplares tivessem
preços semelhantes. Para quem está de fora
de uma negociação dessas, ou não conhece
bem esse mundo antigomobilista, tudo pode parecer estranho,
porém não é. As comparações
entre antigos e clássicos têm que ser abordadas
com cuidado e levando-se varias questões em consideração.
O perfil do possível comprador, o uso que vai fazer
do carro, o motivo principal que o levou a optar pela compra
e varias outras abordagens.
As características de determinado clássico
ou antigo podem agradar tanto a um comprador, que as qualidades
e vantagens do outro carro (embora visíveis), perdem
sua importância.
Ou seja, o nosso comprador em questão saiu de casa
disposto a comprar um determinado carro, levado principalmente
pelos motivos que exemplifiquei lá em cima, não
vai se contentar e levar nada diferente daquilo que procurava.
Simplificando, a coisa fica mais ou menos assim: o cidadão
vai a uma feira livre com o firme propósito de comprar
chuchu. O feirante lhe oferece alcachofras por apenas alguns
reais a mais.
E o comprador diz: tudo bem, suas alcachofras estão
lindas, o preço é convidativo, mas eu estou
mesmo é com vontade de comer chuchu...
É isso aí.
Abraços e até a próxima.
Romeu Nardini é comerciante,
apaixonado por autómóveis, grande entusiasta
dos carros antigos e diretor do Clube MP Lafer - Brasil."
Reprodução
autorizada, desde que citada a fonte: www.maxicar.com.br/old