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E lá se vão mais de 40 anos

Em 1968, mais precisamente no dia 28 de abril, foi fundado o Veteran Car Club do Brasil – RJ. Naquele dia, dava-se o início daquilo que hoje chamamos de antigomobilismo. Do grupo de fundadores, faziam parte Og Pozzoli e o falecido Roberto Lee.

Muita coisa aconteceu nesses anos todos. Assistimos a uma verdadeira revolução no meio dos colecionadores de carros antigos.

No inicio, devido ao pequeno número de simpatizantes, a impressão que se tinha era de que colecionar automóveis era coisa para gente esnobe, muito rica, sofisticada. Com o passar do tempo, essa imagem desapareceu e a febre começou a tomar conta de um número significativo de pessoas apaixonadas e preocupadas em preservar automóveis, motos, caminhões, ônibus e até tratores.

Em uma determinada época, o que se via era uma preocupação em se renovar e atualizar os meios de transporte, o que fez com que sobrasse material colecionável, o que nem sempre era percebido pelos poucos que se interessavam em guardar essas relíquias.

Com certeza muita coisa se perdeu, muitos carros viraram sucatas, outros foram cortados a machado, em ferros-velhos e vendidos por peso.

Um bom exemplo disso foi numa das primeiras crises de petróleo por que passamos, quando uma grande parte dos carrões beberrões (a maioria americanos de 6 e 8 cilindros) eram abandonados nas ruas. Boa parte deles eram recolhidas aos pátios de Detrans, Prefeituras etc., e sucumbiram destruídos pela ferrugem, apodrecendo e se decompondo ao longo de décadas e décadas sob as intempéries.

O final da década de 50 marcou o inicio da nossa indústria automobilística, o que jogou no lixo das ruas mais uma leva de carros, americanos e europeus, vítimas de um frota envelhecida. Sítios, fazendas, e chácaras também se tornaram cemitérios de automóveis abandonados, ou guardados depois de aposentados por seus donos.

Alem do colecionador que tinha um carro de família, guardado e conservado anos a fio, surgiu o colecionador que, apaixonado por uma determinada marca ou estilo de carro, viu ali a oportunidade de satisfazer um desejo, de ver de novo uma relíquia de volta as ruas, restaurada e tinindo de nova.

Mais recentemente tivemos a descoberta de que também os carros nacionais do inicio da nossa industria automobilística, ou aqueles que por vários motivos tiveram uma produção pequena, podiam ser colecionáveis e respeitados como qualquer outro carro importado.

Mais recentemente ainda, tivemos a satisfação de ver aprovada uma lei que autoriza a importação de carros antigos, clássicos e de interesse cultural.

Tudo isso faz com tenhamos hoje um interesse muito grande, em antigomobilismo, movimentando um bom numero de pessoas envolvidas com o meio, como restauradores, importadores, vendedores de peças e promotores de eventos ligados ao carro antigo.

A mão de obra, embora ainda pequena, melhorou muito a qualidade dos serviços, bem como os materiais e ferramental utilizados hoje em restauração.

O resultado disso tudo, faz com que as preciosidades atraiam cada vez mais publico, aos incontáveis eventos realizados hoje em nosso país, havendo até um certo exagero em números de finais de semana, em que são organizados dois ou três eventos simultâneos.

Na minha opinião podemos dizer que o balanço do nosso antigomobilismo é altamente positivo e com forte tendência ao crescimento e ao aumento do número de admiradores, simpatizantes e porque não, de colecionadores. Isso garante a nós, os antigomobilistas e fanáticos por automóveis, mais um longo tempo para apreciarmos, discutirmos, convivermos e aplaudirmos a iniciativa de colecionadores, que enfrentam toda a sorte de obstáculos para colocarem seus carros nos principais eventos. E ainda de quebra, continuarmos a fazer amigos.

Aproveito a oportunidade para desejar a todos um felicíssimo Natal e um excelente ano de 2010, com muita paz, $uce$$o, harmonia, bastante saúde e... aquela ferruginha básica nas veias.

Abraços e até a próxima.

 

Romeu Nardini é comerciante, apaixonado por autómóveis, grande entusiasta dos carros antigos e diretor do Clube MP Lafer - Brasil."

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