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O Rei tem
razão

No ultimo domingo, 21 de março, estive juntamente
com o Odair Ferraz, o lambe-lambe oficial do antigomobilismo,
a um evento muito bem organizado pelo Volksporsche Clube.
Trata-se do 2º Volksporsche – Descida de Estrada
Velha de Santos.
Uma idéia brilhante e muito bem executada por
um grupo de apaixonados por carro antigo, que se propõe
a fazer um passeio pela bela estrada que por muitos anos
serviu de ligação entre São Paulo
e a Baixada Santista.
A estrada construída em 1920, em meio à
Mata Atlântica, tem belezas naturais ainda intactas,
um visual maravilhoso, está muito bem conservada,
com suas cachoeiras, seus mirantes e seus monumentos.
E tem um traçado simplesmente maravilhoso.
Estão
lá ainda, trechos originais — como a Calçada
de Lorena pavimentada em pedras — construídos
pelos escravos por volta de 1792 e que segundo a história
foram percorridos por D. Pedro II, no lombo de um jumento,
pouco antes da proclamação da Independência,
em 1822.
Outras obras monumentais em estilo medieval e com muitos
azulejos artisticamente decorados, como a Casa da Marquesa
de Santos (quanta história!) e a Casa da Maioridade,
(alusão a emancipação de D. Pedro
II em 1844) e o Belvedere Circular, impressionam pela
imponência arquitetônica.
Estrada da Maioridade foi o primeiro nome da estrada,
que a partir de 1925 passou a se chamar Caminhos do Mar,
seu nome atual.
Com a construção da Via Anchieta em 1947,
esse maravilhoso trajeto foi se tornando obsoleto em termos
de transito, engenharia e segurança, sendo usado
apenas como alternativa para dias de grandes movimentos
na nova estrada, mas foi efetivamente desativado apenas
nos anos 80.
Por muito tempo ficou abandonado, esquecido e mal cuidado
e em 2004, foi reaberto em condições muito
melhores e a disposição do ecoturismo, organizando
caminhadas monitoradas e com orientações
sobre a história dos monumentos.
Hoje a entidade que cuida da preservação
da área tombada pelo Patrimônio Histórico
e Cultural, autoriza limitadíssimos e esporádicos
passeios para carros antigos.
E foi assim que 150 carros (numero limite) fizeram o
delicioso trajeto, em três blocos de 50, com intervalo
de 20 minutos entre um e outro.
Tudo muito organizado, respeitando-se todas as regras,
de segurança e recomendações sobre
a preservação do local.
Todos puderam curtir o agradável clima, a beleza
da paisagem o seu ar rigorosamente puro.
Além dos belos carros que se inscreveram previamente
para a descida, um bom número de carros antigos
compareceu ao evento, para uma exposição
no Portal de entrada da estrada, onde ficaram as barracas
de alimentação e da organização
do evento.
Um passeio realmente bem familiar, esclarecedor e instrutivo
para quem não conhece a história dessa magnífica
estrada e principalmente para os mais jovens exercitarem
o devido respeito à natureza.
Aos mais velhos com certeza a nostalgia ficou à
flor da pele, relembrando as velhas viagens para o litoral
santista.
Roberto Carlos estava certo: eu também prefiro
as “Curvas da Estrada de Santos”.
Abraços e até a próxima.
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| Romeu Nardini
é comerciante, apaixonado por autómóveis,
grande entusiasta dos carros antigos e diretor do
Clube MP Lafer - Brasil." |
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