“Quando
os clubes se mostrarem úteis socialmente, o movimento
se expandirá”
Antigomobilismo. Palavra
usada corriqueiramente por quem se dedica a preservar e curtir
os automóveis “daquele tempo”. Mas pouca
gente sabe: é dele a proposta de torna-la parte oficial
de nosso idioma, incluído-a em nossos dicionários.
Porém, isso é mero detalhe diante de tudo o que
já fez. O jornalista e advogado José Roberto
Nasser é o responsável por muito do que
temos em termos de legislação voltada para automóveis
antigos. Quer exemplos? Foi ele que propôs as portarias
da famosa Placa Preta, da importação de veículos
com mais de 30 anos e da isenção do pagamento
de IPVA para automóveis com mais de 20 anos. Fundador
e primeiro presidente da Federação Brasileira
de Veículos Antigos, cargo que ocupou por dois mandatos,
Nasser é o curador da Fundação Memória
dos Transportes (Museu do Automóvel de Brasília-DF),
além de prestigiado consultor e colunista especializado
em diversos órgãos de imprensa.
Nesta edição de Roda de Amigos,
este grande pioneiro do movimento antigomobilista brasileiro
conversa sobre museus, inspeção veicular, legislação,
clubes e traz de volta deliciosas lembranças.
Og
Pozzoli – Colecionador, ex-presidente
da Federação Brasileira de Veículos Antigos
– São Paulo, SP
- Você foi o primeiro presidente
da FBVA. Sempre defendeu e incentivou a preservação
dos veículos motorizados que reduziram as distancias
entre Norte, Sul, Leste e Oeste do Brasil. Tem alguma idéia
ou sugestão, para que o Museu Paulista de Antiguidades
Mecânicas, do saudoso Roberto Lee (Caçapava-SP),
não se perca totalmente e suas peças possam ser
recuperadas? Ele tem sido vítima de constantes furtos
e roubos em suas peças principais, além de faróis,
radiadores, rodas, acessórios, etc., já que não
possui esquema de vigia e segurança. Além do mais,
os armazéns têm sofrido inundações
de águas pluviais, já que o seu telhado está
totalmente comprometido, permitindo que os carros e seus componentes,
sofram forte corrosão, além de apodrecerem as
madeiras e tecidos dos automóveis. Não seria o
caso do museu, ou seus responsáveis, procurarem devolver
os carros aos seus doadores, para que os mesmos se encarregassem
de restaura-los? Temos conhecimento de que há muito interesse,
de várias pessoas neste sentido. De pessoas que entregaram
seus veículos de família à guarda de Roberto
Lee, na esperança de que fossem preservados e mantidos
com toda a segurança no museu que o Roberto Lee iria
montar em São Paulo. Qual a sua opinião?
O que restou do Museu Paulista
de Antiguidades mecânicas
ROBERTO
NASSER – Velho amigo, entendo a sua preocupação
como um dos pais do antigomobilismo brasileiro, e pela visita
em que me acompanhou ao Museu do Lee para a retirada dos veículos
da Ford. Foi um espetáculo triste, em especial porque
você foi uma das ferramentas para a montagem e incremento
do Museu. Vê-lo desabando, esvaziado e com veículos
saqueados doeu à nossa alma de preservadores.
Tenho a mesma
opinião que você. Para re-engatar o Museu Paulista
de Antiguidades Mecânicas, entendo faltar interesses e
providências. Creio, se a municipalidade desejasse, poderia
montar ou apoiar um projeto de conservação dos
poucos veículos remanescentes em bom estado, e a restauração
dos outros. Já sugeri à herdeira a devolução
dos veículos de terceiros, cedidos em comodato, e a cessão
de alguns veículos remanescentes a coleções
abertas ao público ou museus, por comodato, para que
houvesse a preservação e lhes garantisse a sobrevivência.
Mas, creio, não me fiz entender.
Marcelo
Vianna – Colecionador, restaurador
e mantenedor do site www.simca.com.br
– Belo Horizonte, MG
Nasser, quais sugestões
você daria aos atuais museus e colecionadores de veículos
antigos para que seus acervos não tenham o mesmo destino
da coleção do Roberto Lee?
ROBERTO
NASSER - Meu líder Simquista, poderia arriscar
uma interpretação sociológica para dizer
que o Brasil não forma tradição, e por
isto, empresas, empreendimentos, idéias, patrimônios,
raramente sobrevivem à segunda geração.
A realidade é parecida, mas não é esta.
A evidência é que este tipo de hobby, de colecionar
automóveis, livros, porcelanas ... – a relação
é ampla – normalmente está atrelado a uma
pessoa. Usualmente a família concede em participar, e
poucas são as pessoas que conseguem transmitir este ânimo
aos descendentes.
Se formos pensar
em soluções jurídicas, existirão.
Mas somente se você fizesse uma fundação
– que não recomendo -, uma oscip, um instituto,
e, principal, garantisse as verbas perenes para manutenção,
e nomeasse um colegiado sério para geri-lo, aí
seria tentativa solução.
Minha visão
aos parâmetros e formação nacionais, é
que o colecionador, antes do ocaso pessoal, deve separar os
veículos por grupos, marcas, tipos, em suma blocos com
integrantes que costurem uma história, e os repasse a
outros colecionadores, ou museus, para convívio de algumas
décadas – até que o novo ciclo se encerre.
Vender todos a uma pessoa será correr o risco de encarcerá-los,
impedindo que cumpram a obrigação social de difundir
conhecimento.
Minha identificação
com esta dúvida remete ao um ótimo anúncio
dos relógios Patek Phillippe: “você não
é dono, apenas cuida para a próxima geração.”
Paul
William Gregson - Diretor do Clube do Ford
V8 do Brasil, mantenedor do site www.museumaverick.com.br.
Escritor. Colunista do Portal Maxicar – São Paulo,
SP
Caro Nasser, uma alegria poder
participar como "perguntador oficial" e assim conseguir
um pouco mais de conhecimento. Falemos de museu de autos antigos:
é fato que um museu com um acervo interessante mantém
a história viva (a quem interessar possa) e que no caso
dos automóveis, podemos usufruir e interagir com estas
obras eventualmente em passeios. Contudo, fora do âmbito
dos colecionadores e afins, não se observa interesse
em outros potenciais mercados, como órgãos de
educação (como escolas e faculdades), órgãos
de fomento ao turismo (nos 3 níveis) e há um pouco
de apoio oriundo da iniciativa privada, mas em momentos pontuais.
Como conseguir fazer com que um museu deixe de ser uma garagem
interessante de vez em quando para se tornar um atrativo permanente,
capaz de gerar fluxo constante e assim conseguir sua sustentabilidade?
Grande abraço com admiração pelo belo trabalho
realizado.
Parte do acervo do Museu do Automóvel
de Brasília. Em primeiro plano o FNM Onça
ROBERTO
NASSER – Caro “Mr V8”, feliz em sabe-lo
por aqui. Paul, minha experiência ao implantar o Museu
do Automóvel tem-me ensinado haver apenas um caminho:
trabalho, trabalho e trabalho. E, para descansar, trabalho.
É esforço diuturno, onde você se torna um
doador de atenções à sociedade. Não
sei se o problema está na estrutura política,
onde na esmagadora maioria das vezes os gestores são
nomeados pela carteirinha de partido político, e por
isto sem o menor conhecimento de seus temas, sem entender a
proposta de um museu que se oferece como tema para trabalhos,
para visitas, ou se os educadores estão sem entusiasmo
para educar. A vivência tem-me oferecido a certeza que,
qualquer museu de automóveis, pelo fato de ser particular,
não-público, é visto com pouco interesse
e por isto, para contar com as visitas de estudantes, deve,
mandatoriamente, ir ao mercado e se apresentar, oferece-lo para
visitas, trabalhos, palestras.
Minha visão
é que o colecionador deva ir à sociedade, mostrar
a importância da preservação da história,
deixar de ficar encastelado. Para fazer isto não é
necessária uma coleção portentosa. Qualquer
coleção de um veículo só pode gerar
esta iniciativa.
Para atingir o
ideal traçado por você creio, o primeiro passo
seja conseguir patrocínio cultural para estruturar-se,
montar exposições com temas variados, para apresentar-se,
ser lembrado e tornar-se hábito. Isto, sem esquecer,
para funcionar, precisará de muito trabalho. Muito.
Flávio
Gomes – Jornalista, escritor e piloto
– São Paulo, SP
A maior preocupação
dos antigomobilistas e colecionadores, agora, é a inspeção
veicular que vai se tornar obrigatória em todo o Brasil.
O que fazer com carros de coleção estáticas?
Deixar de documentá-los? Colocar placa preta em todos?
Mas como, se alguns não rodam? O que pode ser feito no
meio antigomobilista para "proteger" os grandes colecionadores
e também os pequenos, cujos carros, em uso, nem sempre
atendem às exigências de emissão de poluentes?
ROBERTO
NASSER – FG, meu bloguista preferido. Quando
propus o desenho final da classificação de veículo
de coleção, incluí a isenção
da inspeção de segurança veicular. Foi
aprovado assim, vista como mais uma maluquice de advogado simpático,
criando uma vantagem sobre fato inexistente. Á época,
25 anos, poucos imaginavam que a ISV viria um dia. Mas veio.
Assim, uma parte está resolvida: veículos licenciados
como “De Coleção”, estão isentos
da submissão ao exame.
Se o veículo
é licenciado, enquadrável como “De Coleção”,
e apto a receber o sinal visual desta classificação,
a Placa Preta, não vejo razão para buscar outra
solução: o caminho é este.
Se a Federação Brasileira de Veículos Antigos
estivesse mais preocupada com o movimento antigomobilístico,
e menos com seu faturamento e o dos clubes, teria tomado alguma
providência. Mas, ao que se sabe, não o fez.
Jorge
Levi Mendes Coelho – Colecionador.
Presidente da Associação de Veículos Antigos
de Juiz de Fora – Juiz de Fora, MG
Tem causado preocupação
entre os antigomobilistas a questão das rigorosas inspeções
veiculares com teste de emissão de poluentes, realizadas
pelos Detrans de vários estados do Brasil. Você,
como responsável por muito do que existe hoje no país
em termos de legislação para automóveis
antigos (inclusive a portaria da placa preta), o que acha que
pode ser feito para resolver este problema, já que na
minha opinião, a entidade que existe para defender os
interesses dos antigomobilistas nada tem feito a respeito do
assunto?
ROBERTO
NASSER - Meu caríssimo Borboleta, a inspeção
veio e se implantará nacionalmente. Se o órgão
ao qual você se refere, a FBVA, tivesse agido com o interesse
que seu estatuto obriga, teria acompanhado a normalização,
defendendo os antigos. Como isto não ocorreu, há
controvérsias e imperfeições jurídicas
na legislação paulista – primeira a ser
baixada, tendente a ser copiada para outros estados.
Cabe a nós
antigomobilistas que gostam de automóveis antigos e deles
não se utilizam para fazer política, agir individualmente
ou como clubes e associações formadas legalmente,
mostrar às autoridades que há exceções.
Não apenas para os veículos classificados como
“De Coleção”, mas também para
os que não o são, e que devem ser respeitados
por suas limitações tecnológicas, quando
comparados com as exigências atuais.
Arnaldo
Keller - Jornalista automobilístico
e escritor – São Paulo, SP
Roberto Nasser participou
da famosa Mille Miglia, na Itália
Nasser, faça o favor de
nos contar sobre sua participação na Mille Miglia
a convite da Mercedes. Em que carro foram, como ele se portou,
como é o rali atualmente. E afinal, você bateu
ou não bateu o recorde do Moss?
ROBERTO
NASSER – Arnaldo,
curiosamente foi consequência de ter sido convidado pelos
organizadores para dirigir na London to Brighton, mais
antiga e tradicional das provas com antigos. Nunca um brasileiro
havia sido convidado e, ao saber disto o pessoal da área
de clássicos da Mercedes-Benz – eles levam o assunto
a sério e tem, até, um diretor de clássicos
– achou que a dupla brasileira preenchia o figurino institucional-midiático
que é a Mille Miglia. Aí, convidou-me
e ao Boris Feldman.
Não andamos
– aliás, andei, porque o Boris se lembrou ser engenheiro
e resolveu ganhar através dos cálculos dele ....
imagine, cálculos nanonuméricos num carro com
velocímetro cujo odômetro marcava por km. Andei,
pois das Mil Milhas deve ter conduzido 98%. Aprendi muito com
o Moss – respeitava horários, o carro – o
famoso 722. E posso dizer que, apesar de dirigir um lento 180D,
sedan diesel, vencedor na classe em 1954, ninguém nos
passou na descida de uma serra apertada. Lembrei-me da maneira
de dirigir do Bird Clemente e fazia o Mercedes soltar a traseira
para corrigir a derrapagem. Moral da história, faltava
espaço para as ultrapassagens ... Grande experiência.
Bird
Clemente – Piloto – São
Paulo, SP
Caro Nasser. Anos dourados...Que
saudades... Quando nós poderíamos imaginar
naqueles tempos em que nascia a indústria de automóvel
no Brasil, atualmente uma das maiores do mundo e que viabilizou
o desdobramento do automobilismo tupiniquim, que com aqueles
JK, Simca, DKW, Berlinetes e etc., revelariam de forma tão
amplificada para o mundo os pilotos brasileiros. Como você
se sente sendo um dos tutores desta memória?
Parabéns pelo seu trabalho! Do amigo de sempre, Bird
Clemente.
A valorização
dos nacionais como veículos de coleção
ROBERTO
NASSER – Meu ídolo de four-wheel-drift
– para quem não associou nome à ação,
é aquela maluquice de atravessar o automóvel numa
curva, descrevendo-a derrapando, com as rodas viradas em direção
oposta para administrar a derrapagem, manobra do Bird com as
Berlinettes Interlagos, que o tornou referencia mundial.
Quanto à
sua pergunta, velho Amigo, obrigado pelo elogio, mas passo longe
de ser um dos tutores desta memória. Ocorreu que, tão
envolvido com o tema, automóveis preparados, mecânicos
dos próprios, escrevendo sobre o tema, advogado no setor,
antevi a sombra do retrato: fazíamos coisas importantes;
produzíramos carros superados; fizemo-los melhores que
na origem; criamos modelos próprios. E a nossa mentalidade
tendia a festejar somente o importado, abandonando os nacionais.
Tive a sorte de propor, como primeiro presidente da FBVA, o
reconhecimento dos nacionais e a capacidade de concorrer em
concursos. Creio, esta ação pequena, ajudou a
dar consciência da importância, e a procura pelos
nacionais permitiu salvar boas unidades. Tenho certeza, não
houvesse o reconhecimento – criticado à época
– restariam poucos sobreviventes daqueles, como você
chama com carinho e clareza, Anos Dourados.
Calculava, a providência
auxiliaria salvar o acervo nacional, em fazer reconhecida sua
história. Acho, acertei no caso. Mas errei numa projeção:
imaginara houvesse o surgimento de pequenas indústrias
de reprodução de itens de decoração,
peças de manutenção, literatura. Mas isto
está em velocidade baixa. Os comerciantes estão
mais preocupados em comprar estoques antigos pagando por tonelada
e vendendo em gramas, com lucros despropositais, sem incentivar
a pequena industrialização, a indústria
na garagem. Espero que isto ocorra.
Carlos
Zarur – Jornalista e Membro do Veteran
Car Club de Brasília – Brasília, DF
Caro Zé Roberto,
Além de termos sido vizinhos, nós vivemos muitas
coisas boas - corremos de carro juntos e, sob sua influência,
tornei-me um aficionado por automóveis antigos.
Fizemos a famosa viagem de São Paulo a Brasília
pilotando nossos fordinhos e muito mais. Velho amigo, gostaria
de saber qual seria um passo importante, no campo legal, a exemplo
da placa preta, para incentivar ainda mais os colecionadores?
ROBERTO
NASSER – Zarur, briminha querido, tempo
passa, camarada. Eu penso, será a mudança de mentalidade
clubística, deixando de ser reuniões de enclave,
dentro das cercas e muros, para sair e demonstrar utilidade
nas ruas, para a sociedade. Hoje o Brasil exibe um triste recorde:
o movimento antigomobilista é duas vezes e meia maior
fora dos clubes e agremiações, que dentro delas.
Quando os clubes se mostrarem úteis socialmente, sem
grupelhos, competições internas, parar de correr
atrás do próprio rabo, o movimento se expandirá.
Verifiquei isto com a AVA-JF, associação surgida
por divergência conceitual num clube em Juiz de Fora.
Criaram-na, foram à sociedade, são úteis,
fazem encontros, geram recursos, distribuem a entidades necessitadas.
Moral da história, ficaram maiores que o clube de origem,
e são vistos como socialmente úteis.
Creio seja o caminho.
A primeira viagem de Fordinhos,
de São Paulo a Brasília. 1984
Anísio
Campos – Designer automotivo – Rio
de Janeiro, RJ
Nasser, o que você considera
principal, nos desenhos mais bonitos dos automóveis,
a seu gosto?
Como nosso mestre, profissional, interprete livremente seu ponto
de vista. O "porque"; se é a escultura, o desenho,
a interferência cultural dos países, o atual crescimento
dos meios eletrônicos, as escolas do "Industrial
Design", enfim, tudo aquilo que todos nós conscientemente
percebemos como avanço, como poder!
ROBERTO
NASSER - Querido Anísio,
permita-me a digressão para poupá-lo de uma resposta
primária ante o mestre.
Após tanto tempo acompanhando a indústria e sua
história; de sermos o quinto produtor do mundo; de conseguirmos
fazer os automóveis mais resistentes do planeta; o que
lamento é não termos um projeto nacional, adaptado
aos nossos buracos, aos 90% de vias sem pavimentação.
Somos o país ideal para o pequeno carro de tração
traseira, do utilitário barato com tração
total. Mas, no entanto, deixamos escapar a oportunidade de aproveitar
aquele talento da adequação de carros estrangeiros,
e nos tornamos os melhores adaptadores de projetos estrangeiros.
Não existe um metro de estrada de terra nos países
que nos enviam seus projetos. Mas aqui, os há, aos milhões.
Perdemos a capacidade de influir, de fazer, e nos tornamos bons
adequadores.
Lembro-me de uma frase do Lúcio Costa, o culto e humanista
traçador da urbis brasiliense: “o Brasil não
tem vocação para a mediocridade”. Frase
boa, forte, e uma cobrança a todos nós para influirmos
nas multi que nos trazem seus projetos e nos empurram goela
abaixo – com algum tempero nacional, é verdade.
E porque os estrangeiros copiam os seus projetos, tão
avançados, e aqui eles não se viabilizam?
Dib
Franciss – Músico. Presidente
do Clube do Fordeco de Brasília – Brasília,
DF
Querido Nasser, você é
para o nosso meio um dos maiores orgulhos. Além de ser
um profundo conhecedor de carros antigos, você foi o visionário
que fincou as bases do antigomobilismo no nosso país.
Tenho o privilégio de tê-lo como amigo de longas
e sempre animadas prosas. A você devo inclusive o fato
de estar nesse hobby tão apaixonante. Bem, depois desse
"salamaleque" quero colocar a minha questão,
que penso ser das mais atuais e importantes.
Nós sabemos que os DETRANs
do Brasil inteiro vêm dificultando mais e mais a vida
de nós colecionadores. Tornou-se em verdadeira proeza
fazer uma simples transferência de um veículo comprado
em outro estado para o estado onde moramos. Os DETRANs se baseiam
em exigências surreais, e por conta do despreparo (e em
alguns casos da má-fé) de alguns funcionários,
comprar o carro dos sonhos e transferi-lo para seu estado tem
sido um verdadeiro pesadelo para todos nós. Minha pergunta
é se você tem conseguido dialogar com o DENATRAN
a fim de mediar algum tipo de solução para essas
situações? Há alguma resolução
em andamento visando nos proteger dessa "alcatéia
do mal"?
ROBERTO
NASSER - Este fórum
está mais para reunião da aliança Líbano-Brasil.
Tem Zarur, Dib, Nasser... Brimo, é o país da dificuldade para enaltecer
falsas autoridades, prestigiar pequenos feudos, incensar enclaves.
E, em alguns casos, simplesmente cobrar mais do contribuinte.
Creio, problemas existem porque nós, contribuintes/consumidores,
preferimos pagar a multa não cometida, a correção
do certo, a taxa não devida, até para nos livrar
rapidamente do desgaste. E, claro, a incompetência de
alguns Detrans, tão abrasiva, forçam o contribuinte
a perder tempo, paciência e capital para resolver casos
que não deveriam ter existido.
Tomando por base
um caso ocorrido com você, destratado no Detran/DF porque
lhe exigiam número de chassi para um Ford A, de 1929,
fiz uma pesquisa e apresentei proposta ao Denatran para que
comunicasse ser ilegal a exigência de número de
chassis em veículos produzidos anteriormente a setembro
de 1969.
Como no Brasil
autoridade não erra, e como se adora um grupo de trabalho
e estudos, o pedido está num departamento destes. Mas
não há dúvidas, sairá.
É sem base
legal a exigência do número de chassis nos veículos
anteriores ‘a data citada anteriormente. Funcionário
do Detran que se atrever, pode ser paciente de um mandado de
segurança para o não-cumprimento, e a pedido de
punição funcional.
Volto ao conceito anterior: só teremos direitos reconhecidos
quando soubermos brigar por eles.
Felipe Nicoliello –
Presidente do Puma Clube de São Paulo – São
Paulo, SP
Nasser, hoje você é
referência para história do automóvel no
Brasil. Como nasceu a paixão? Quantos anos você
levou para desvendar toda história do FNM Onça
e o que lhe dirigiu a esse caminho? Também gostaria de
saber sua emoção ao retirar e receber o Willys
Capeta do Museu de Caçapava.
No alto, o Willys
Capeta ao ser resgatado. Abaixo, o Democrata
ROBERTO
NASSER – Felipe, saudações felinas.
Não sei se você se lembra da frase de uma petroleira
– creio, tenha sido a Atlantic – há umas
décadas: “quem não é o maior,
tem que ser o melhor”. Acredito tenha sido a paixão
por salvar nacionais e a irritante insistência em não
acreditar em negativas, que me instou a perseverar cansativamente
atrás do Onça. Demorei 12 anos de pesquisa e,
no período, consegui entrevistar o Hamilcar Barone, engenheiro
chefe da Fábrica Nacional de Motores, o Anísio
Campos, partícipe das linhas, o Francisco Vaida, mago
moldador de chapas, construtor da carroceria; um engenheiro
da FNM; e muitos mais. Tinha uma história sólida,
documentada, mas faltava o principal, a referência física
e fática, o Onça.
Subitamente o
Mingo Junior, cavalheirescamente passou-me a indicação
do automóvel, e em pouco tempo consegui negociá-lo
– comprei em parcelas como todo bom negócio com
antigos – e procedi a consertos e correções.
Claro, tive o cuidado de pedir ao especialista em fibra de vidro
que deixasse todas as imperfeições originais.
Foi uma das boas conquistas. Outra, foi exumar a história
do Democrata, localizar o empreendedor, montar um livro –
e ao final, ganhar um exemplar. Fato muito curioso, o Corvair
Club dos EUA e o Karl Ludwigsen, acreditado o maior historiador
automobilístico, me pediram textos sobre o Democrata
e sua formulação básica, inspirada no Chevrolet
Corvair.
O Capeta –
e os outros Willys descuidados no Museu de Caçapava –
provocou uma emoção especial. Depois de 11 anos
de vai-e-vem, com o apoio da Ford, dona dos automóveis,
com seus advogados, e do Batalhão Militar de Caçapava,
pronto para resolver o caso em caso de constrangimento. Nada
disto foi necessário, pois a herdeira houve-se com sua
boa educação de berço.
Mas o ato de conseguir
tirá-los de lá, onde o meio ambiente úmido,
e os constantes furtos em pouco tempo os dizimariam em sucata,
como ocorreu com um Ford Maverick, foi um resgate, uma ressurreição.
O Og Pozolli foi comigo, avalizar o recebimento. Ficamos emocionados.
Afinal, convivêramos com o Roberto Lee – o Og é
o último remanescente dos três ou quatro mosqueteiros
que abriram o caminho da preservação dos automóveis
antigos. O sentimento era comum: aquele esforço não
se resumia a salvar quatro unidades, uma das quais exclusiva.
Era mais. Era uma reverencia póstuma ao Lee, impedir
que, pelo menos, um pedacinho do seu sonho tivesse continuidade.
Bem expressa no bilhete deixado, antes de ser assassinado: “o
Museu deve sobreviver a mim”“. Lamentavelmente isto
não ocorreu.
Antigomobilismo é uma emoção.
Maxicar.com.br - O seu portal de veículos antigos
COMENTÁRIOS PARA ESTA
MATÉRIA
Data: 27/5/2010 Nome: Juliano Dalla Rosa Email: clubedofuscapocos@yahoo.com.br Mensagem: Nasser,
Parabens.. excelente materia..
Abs
Juliano D. Rosa Clube do Fusca de Pocos de Caldas - MG
Data: 28/5/2010 Nome: Henrique Moraes Email: lhsmoraes@ibest.com.br Mensagem: É com muito entusiasmo que parabenizo a todos deste fórum, principalmente ao Sr. Roberto Nasser. Sr. Roberto, não o conhecia antes desta aula. Confesso que como novato neste meio, sinto-me muito "ignorante", porém, observador, crítico e efetivamente apreciador dos estudos e da amizade. Fiz de suas palavras um incentivo para o que penso e tenho visto nas andanças por aí. Vejo pessoas maravilhosas ficando à margem dos eventos, onde na maioria das vezes são colocadas em primeiro plano a vaidade. Muito bem citado o exemplo do AVA-JF, pois vejo pessoas maravihosas, fazendo eventos maravilhosos, com muita simplicidade, dedicação, paixão, seriedade, nenhuma vaidade e uma dose elevada de responsabilidade social. Muitos clubes deveriam ser transformados em clubes do destilado, das vaidades, dos tapinhas nas costas, do meu é melhor, enfim... Enquanto se briga por vaidades o que realmente interessa fica para segundo plano. Torço para que pessoas como o Sr. sejam sempre ouvidas e, encarecidamente peço que nunca perca o entusiasmo, pois assim, os de boa vontade não ficarão desamparados. PARABÉNS! MARAVILHA! SDS. Teresópolis - RJ.
Data: 28/5/2010 Nome: André Portilho Email: andreportilho@click21.com.br Mensagem: Sr. Nasser,
Excelente reportagem!!!! Através do "SITE MEXICAR" é que conheci a existência da sua pessoa. Fico feliz por conhecer pessoas como você. O Brasil é um paíz de pouca memória e acho que pessoas como você, é que não deixa que esta memória se apague. Sou um singelo colecionador, mas tento repassr a idéia do saudosismo para frente... e tento também, resgatar a história através das restaurações que faço. Com certeza! Espero mais reportagens a seu respeito . Enfim, parabenizo novamente desejando-lhe muita paz e sucesso sempre...
André Portilho - Uberlândia - Minas Gerais
Data: 28/5/2010 Nome: Marcelo Viana Email: simca@simca.com.br Mensagem: Quero registrar os meus efusivos parabéns ao pessoal do Portal Maxicar, principalmente ao Fernando Barenco que me concedeu a honra de fazer uma pergunta para aquele que se tornou uma das maiores referências do verdadeiro antigomobilismo nacional, Roberto Nasser.
Excelente idéia, ótima iniciativa. Que gere muitos frutos. Genial convidar pessoas diferentes, de "mundos diversos", para se unirem em torno de uma referência. Isso aproxima, rompe barreiras, cria intercâmbio de informações.
Muito bom.
Sucesso, vocês merecem!
Data: 28/5/2010 Nome: Nicollas Albuquerque Email: nickalbuquerque@ig.com.br Mensagem: Parabéns aos envolvidos pela brilhante entrevista, recheada de assuntos interessantes para quem gosta de carros antigos e carros de um modo geral. Genial Nasser e turma de debatedores
Data: 29/5/2010 Nome: Irapuã S. Pereira Email: irapua.pereira@uol.com.br Mensagem: Grande Roberto Nasser! Minha admiração e respeito à biografia que se confunde com a definição e significado da palavra "antigomobilista". Tive a oportunidade de visitar recentemente o Museu do Automóvel de Brasília -do qual Nasser é o Curador- e conhecer o acervo, contido no número de unidades mas gigantesco na qualidade e exclusividade. Encontrar reunidos no mesmo local Puma DKW, Uirapuru, Limousine Itamaraty Presidencial, o raríssimo Onça e o exclusivo Willys Capeta em fase final de restauração, além de outros modelos de referência da indústria automobilística nacional e internacional (entre os quais meus favoritos= Simca Rallye em plena restauração, o maravilhoso Esplanada GTX e um Simca Tufão indecentemente original) foi sem dúvida uma experiência única. Demonstra conhecimento e dedicado trabalho pioneiro na preservação da memória automobilística de nosso país. A verdadeira casa do "Carro do Brasil". Parabéns pela coerência, responsabilidade, postura e dedicação ao movimento antigomobilista. Saudações.
Data: 30/5/2010 Nome: Luiz Carlos Fortes Braga Email: lcfbraga@gmail.com Mensagem: Curador Nasser,obrigado pelas palavras ;quando todos nós participantes de diretorias entendermos que os clubes e associações devem sobreviver a nós,teremos então a maior confratenização antigomobilista do País.Seus trabalhos,de Roberto Lee de Og Pozzoli e outros mosqueteiros como disse,tem seguidores admiradores por todo País. felicidades Luiz Carlos
Data: 30/5/2010 Nome: jovino Benevenuto Email: jobenevenuto@hotmail.com Mensagem: Nasser, Quando criamos o Puma Clube de Brasilia, uma das coisas que você me disse é que nos teríamos que buscar um ambiente familiar para que o nosso clube desse certo. E foi justamente o que procuramos ao longo destes 8 meses tirando aquele estigma de clube do bolinha e hoje reunimos mais de 20 pumas a cada reunião e a presença das mulheres está cada vez maior. Parabens pelo seu trabalho, amizade e você está nos devendo uma participação na nossa reunião á no Alpinus a bordo do GT Malzoni. Abs. Jovino
Data: 30/5/2010 Nome: Romeu Nardini Email: meco98@uol.com.br Mensagem: Mais uma vez o Fernando acertou em cheio ao convidar o Mestre Nasser, para ser sabatinado pelo site Maxicar. Entrevistado e entrevistadores de primeira. Nasser, grande defensor dos antigomobilistas, esclareceu dúvidas, indicou csminhos, deu sugestões de como devem funcionar os grupos, confrarias e clubes, em defesa dos nossos ideais, ou seja, a preservação do autos antigos. É uma pena que a nossa Federação de autos antigos, anda tão complacente e passiva com a atual situação envolvendo Detrans, Prefeituras, etc.
Data: 30/5/2010 Nome: Guilherme da Costa Gomes Email: guilhermedicin@hotmail.com Mensagem: Grande Nasser, muita satisfação em poder usufluir ainda mais um pouco de sua experiência e conhecimento, do qual tenho o privilégio já há alguns anos no forum do Marcelo, aqui também presente.
Gostei muito de todos os temas abordados, desde a ferida MPAM até assuntos políticos, passando por conceitos a respeito dos clubes, representatividades, sobre grandes coleções e sua sobrevivência como um conjunto cultural.
Meus parabéns a todos envolvidos. Guilherme, antigosverdeamarelo.blogspot.com
Data: 30/5/2010 Nome: Dib Franciss Email: dibfranciss@hotmail.com Mensagem: Saúdo a todos os colegas e mui especialmente o nosso entrevistado Nasser pelas respostas sempre inteligentes e diretas. Adorei participar dessa Roda de Amigos. Parabenizo mais uma vez o Fernando e a Fátima pelo carinho com que conduzem esse portal, que é como coração de mãetem sempre lugar para mais um! Abraços a todos !
Data: 31/5/2010 Nome: Tácio Molina Email: taciomolina@hotmail.com Mensagem: Meu Amigo Nasser Parabenizo pelos trabalhos desenvolvidos no Antigomobilismo(portarias da Placa Preta , isenção IPVA veículos com mais de 20 anos ) e pelo carinho e dedicação que tem pelos Autos Antigos que fizeram parte da nossa história e em especial aos nacionais que ,muito colaboraram com o progresso do nosso país. Além do Nasser , grande abraço tb. aos meus amigos Paul William , Jorge Levi , Fernando e Fátima Barenco que não medem esforços para trazer vastos conhecimentos relacionados aos Autos Antigos publicados nesse interessante Portal.. Tácio Molina Teófilo Otoni , M.G. "Perdidos no Tempo" (Peças para Autos Antigos)
Data: 1/6/2010 Nome: Julio Cesar Gaudioso Email: jgaudioso@mecanica.ufrgs.br Mensagem: A todos do portal, meus parabéns pelo trabalho, particularmente esta excelente matéria. Como diretor do Museu do Motor da Escola de Engenharia da Universidade Federal do RS, deixo ao Sr. Nasser meus votos de que não esmoreça, usando sempre a união de sua perspicácia jurídica com o gosto antigomobilista para desenvolver ainda mais esta atividade tão apaixonante.
A todos, novamente, meus sinceros parabéns.
Julio Cesar Gaudioso
Data: 1/6/2010 Nome: Alexander Gromow Email: a.gromow@hotmail.com Mensagem: Envio ao admirado amigo Roberto Nasser meus efusivos cumprimentos pela brilhante participação na Roda de Amigos, uma coluna que está se firmando no ciber-espaço como um dos pontos altos do Portal Maxicar. Suas respostas, tanto conteúdo como na forma, são lições de cidadania antigomobilistica e exemplos de cultura. É muito bom poder participar, pela leitura, destes momentos... Parabéns aos seletos entrevistadores que formaram o pano de fundo para o grande espetáculo no qual o astro foi o Roberto Nasser. Saudações refrigeradas a ar Alexander Gromow
Data: 3/6/2010 Nome: Edivar S Gomes Email: esgbr@oi.com.br Mensagem: Parabéns ao Maxicar, é um privilégio poder aprender um pouco mais sobre nosso hobby com o Sr. Nasser. O Clube Rio Minas tem procurado trabalhar pelo caminho indicado, sempre fazendo eventos beneficentes, em sintonia com as entidades necessitadas, acreditamos que desta forma, além da responsabilidade social, talvez possamos melhorar a atenção do poder público e da sociedade para o Antigomobilismo. sds
Data: 6/6/2010 Nome: Laurence Alves Email: laurence.alves@hotmail.com Mensagem: Minhas saudações ao Maxicar e congratulações ao amigo Roberto Nasser, que representa a história viva do automobilismo em nosso país e defende permanentemente sua preservação. Também envio parabéns e abraços a todos os participantes e debatedores pelas oportunas colocações neste fórum, que cultua a paixão pelo antigomobilismo. Brasília - DF. Laurence Alves.
Data: 2/8/2010 Nome: Email: Mensagem:
Data: 2/8/2010 Nome: Ricardo Luis Email: Mensagem: É muito bom poder compartilhar do brilhantismo de Roberto Nasser e seus amigos.