A tarefa era difícil:
encontrar, resgatar e restaurar parte da história do
nosso automobilismo, através de seus bólidos.
Sempre que possível, fazendo-os rodar com a mesma desenvoltura
dos velhos tempos das pistas. Depois, reuni-los para que fossem
conhecidos e admirados pelas gerações futuras.
Esse gaúcho de 60 anos aceitou esse desafio há
cerca de 20, e com seu próprio tempo e recursos criou
em Passo Fundo-RS aquele que é considerado hoje pelos
aficionados pela velocidade como um genuíno templo: o
Museu do Automobilismo Brasileiro. Nosso convidado para esta
edição da Roda de Amigos é Paulo Afonso
Trevisan.
Bird
Clemente – Ex-piloto, palestrante
e escritor. São Paulo, SP
Os pilotos e o automobilismo
brasileiro se beneficiam muito do teu acervo que contém
a história. A hora que o Museu acoplado ao seu hotel
estiver funcionando ai em Passo Fundo, quais serão os
seus próximos planos? Você tem algum outro projeto
ou objetivo na gaveta?... Obrigado por tudo! Bird.
Trevisan, aos 16 anos, durante
corrida de kart em Passo Fundo, RS
PAULO TREVISAN
– Nessa trajetória de longos anos catando
carros de competição e seus pedaços, jamais
imaginei no anos 90 a dimensão que tudo isso iria assumir.
Não tinha projeto de longo prazo e muito menos pretensão
de criar Museu. A convivência nesse período com
milhares de pessoas e aficionados, a presença em centenas
de eventos me deixou e agrega aprendizado; sem contar na privilegiada
convivência com antigos pilotos e pessoas que fizeram
nosso automobilismo acontecer. Houve períodos de no mínimo
uma guinada semestral, redefinindo o tipo de carro e categoria
a ser colecionado, patamar de investimento, o que priorizar
nas restaurações, opção entre carro
com história nas costas e réplicas, de disponibilizar
ou não ao público, etc. Hoje acho que cheguei
num formato definitivo para o Museu, e consciente de que para
ele se manter interessante e conseguir trazer novamente um visitante
terá que ter novidades e trabalhar em cima de eventos
trimestrais por 10 dias; e nos demais apenas para convidados
especiais agendados. O desafio de montar as ambientações
internas até metade de 2012 é muito grande; porque
a coisa mais triste num museu (mesmo de carros que a gente gosta)
é a banalização, a chatice e a falta de
novidade... Aquelas malditas frases "já vi,
já fui, já conheço" incomodam.
Isso Bird, é o que está na minha mente e de algumas
pessoas e profissionais que me acompanham nessa grande tarefa;
que demandam muito trabalho e investimento mas que vamos tentar
viabilizar.
Flávio
Gomes – Jornalista, escritor e piloto.
São Paulo, SP
Paulo, a pergunta parece meio
mórbida, mas acho que é pertinente. Um dia todos
nós iremos acelerar com a turma que já se foi.
O que você vai fazer para garantir que esse acervo inacreditável
se perpetue, e não tenha o mesmo fim, por exemplo, que
acabou tendo o Museu da Ulbra?
PAULO TREVISAN
– A continuidade e preservação do
acervo que venho reunindo já me tomou incontáveis
horas; por isso tua pergunta é muito pertinente. Além
das turbulências externas e até a virulência
de desafetos, costumam existir as internas e domésticas
por assim dizer; mas que no meu caso estão muito bem
administradas. Sei que piloto e antigomobilista geralmente tem
seu maior inimigo dentro de casa (a patroa) em função
dos gastos. Por isso, Flávio, vou ter que fazer algumas
confidências. Consegui ao longo de 3 décadas de
casamento, e com uma filha, que elas compreendessem o valor
disso que estamos fazendo, que isso pode agregar dores de cabeça,
mas também prestigio, imagem e business se bem
conduzido. Em 2008 fiquei 45 dias na Europa mostrando os principais
museus da área e algumas coleções privadas
que tenho acesso para que entendam ainda mais onde estamos inseridos.
Sabem que isso não afeta nossas atividades empresariais,
e que é melhor ter que não ter. Sabem que existem
mais loucos do que eu que gostariam (já aconteceu) de
comprar tudo isso, mas nunca fui de vender carro. Essa lógica
funciona muito bem na cabeça das mulheres, parece. É
óbvio que tem as contrapartidas e pedágios, e
não tenho receio ou pudor em dizer isso nessa “Roda
de Amigos”. Ah! Elas adoram as carreteras.
A Associação Cultural
do Museu do Automobilismo Brasileiro, dona da grande maioria
dos carros, é preparada contra questões que afligiram
e ou afligem outros museus de carros no Brasil; ou pelo menos
se faz todo o esforço nisso; e aqui confesso que ninguém
está livre de acusações por maldade e isso
é proporcional a sua dimensão. O Estatuto Social
da entidade é absolutamente claro que na falta deste
titular, agrega uma série de entraves contra riscos de
desmantelamento. Por isso a implantação do novo
prédio do Museu, num projeto que só serve para
isso mesmo, e que vai propiciar ganhos e maior ocupação
ao futuro Prix Hotel é um handicap ainda maior dentro
dessa estratégia de mantê-lo intacto e crescente.
Da esquerda para
a direita: Monoposto Ford T, Biposto Ford e Boni Especial
Eurico
Estima – engenheiro, diretor do Classic
Car Club - RS, clube que incentiva os carros antigos a irem
para a estrada, através de rallies de regularidade. Porto
Alegre, RS
Prezado
Trevisan: Vou fugir um pouco do script e não te fazer
uma pergunta, mas um desafio. - Apesar de suas fragilidades,
a Lei de Incentivo à Cultura propiciou a divulgação
de muitos livros com fotos e histórias do automobilismo
brasileiro, entretanto a filmografia é praticamente inexistente.
Nosso acesso às antigas provas resume-se a pesquisas
em sites ou no Youtube. Minha sugestão seria a de, iniciando
pela história das Carreteras, compilares os filmes de
teu acervo, quando possível com o áudio de época
acrescido com uma narração atual. Imagens poderiam
ser congeladas em determinado carro e mostrar a imagem de como
hoje ele está em teu museu, contando detalhes de sua
restauração. A segunda parte do filme poderia
apresentar as técnicas de preparação da
época, onde o que faltava em tecnologia era suprido com
criatividade.
PAULO
TREVISAN – Filmes de corridas no Brasil
garimpo há uns 20 anos, e com frequência nos surpreendemos
ainda com novidades. Mas tem um lado calhorda e de falta de
sensibilidade no uso desse material precioso, e por isso quem
tem material nobre acaba se retraindo, e alguns querendo fazer
média nas costas dos outros. Estou há meses com
filmes originais do nosso Chico Feoli (antiga Cambial), mas
cheio de medo de fazer a conversão digital por ser escaldado
por desvios de cópias no passado, inclusive de laboratórios
conceituados. Você sabe que tenho o maior arquivo desses
filmes no Brasil, basta dizer que 90% das imagens usadas nos
10 programas do Speed Channel são daqui. Nessa experiência
confirmei a trabalheira que isso dá, ainda mais numa
produção com tempo exíguo. Quando a Apple
lançou os primeiros computadores G5 eu fiz a 1ª
compra no Rio Grande do Sul para uma agência local que
automaticamente virou produtora. Trabalhamos 2 anos e sobrou
alguns filmezinhos básicos. Só que começaram
a fazer tantas produções comerciais que fiquei
a ver navios. Pelo menos digitalizei um imenso volume em VHS
e selecionei 11 mil frames para fotos. Tem muito material no
Youtube que se originou de cópias piratas daqui. E vai
fazer o que? Todo esse material está caindo em domínio
público e ficando desconectado em atratividade. Aí
entra a questão delicada se o Museu deve ou não
possuir material inédito. É uma visão egoísta
ou estratégica? O custo de telecinagem não é
barato e temos feito eventuais parcerias sérias, como
foi no da Corrida de São Gonçalo de 1907. Mas
no geral é complicado. O que existe é uma verdadeira
e esburacada colcha de retalhos. Já aprendi que dá
um trabalho gigantesco compilar e ordenar; só que um
dia, concordo, terá que ser feito. Considerando que o
impacto num visitante de museu de carros de competição
depende uns 50% de som e imagens, aí está mais
um desafio a ser enfrentado no futuro.
Luiz
Salomão - Designer de profissão
e jornalista multimídia por opção, apaixonado
por automobilísmo. Responsável pelo blog “Saloma
do Blog”. São Paulo, SP
Paulo, o seu conhecimento
por carreteras é imenso e comprovado na prática.
As recuperações de histórias que fizestes
são extraordinárias. Mas gostaríamos de
saber um pouco mais sobre a influência dos “hermanos”
em sua paixão pelas baratas que levantavam poeira no
nosso sul do país, pelos idos 50...60...e o seu relacionamento
com uma lenda, Juan Manuel Fangio!
Carretera
Chevrolet 1939, de Fangio
PAULO
TREVISAN – As carreteras foram muito marcantes
aqui no sul como todos sabem. Apesar de ter assistido minha
primeira corrida em 1963, e vindo morar em Passo Fundo, conheci
e convivi com vários filhos de pilotos. Você
acredita que nesse período a gente até escutava
corridas de carretera na Argentina pelo rádio? Assim
como se recebia muitos "arhentinos" no hotel
da familia; e por isso o ouvido sempre foi afinado com o falar
deles. Tenho verdadeira paixão e me aprofundei muito
naquele automobilismo, e lastimo não ter conhecido o
Fangio, piloto e pessoa extraordinária. Só faltaria
entrar ajoelhado no Museu em Balcarce; e se a gente conseguisse
absorver uns 10% da energia e clima interno daquele museu e
trazer para cá, meu Deus! A grande maioria dos museus
de carro europeus não propicia aquela relação
homem/máquina que lá se encontra. Automobilismo
heróico que ceifou centena de vidas. Saloma, precisava
ver a atenção que o Fangio dava em Buenos Aires
para nossos pilotos de carreteras, inclusive os de Passo Fundo
e acompanhantes! E quantas vezes prestigiou e veio correr no
Brasil. Mas e os irmãos Galvez, Emiliozzi e tantos outros?
E o nosso Orlando Menegaz que enfrentou duas vezes o Juan Galvez
e uma o Oscar Galvez no autódromo de Piriápolis
com sua carretera "empanada" de pista; e chegou a
andar na frente desses monstros do automobilismo. E o saudoso
Orlando no seu estilo achava a coisa mais normal do mundo quando
eu o questionava sobre isso. Você sabia que apesar dos
argentinos fazerem grandes raids e corridas longas com as carreteras,
eles levam em muita consideração a corrida G.P.
Getulio Vargas em junho/41 ganha no Brasil? Foi a única
prova de carretera do Fangio no Brasil e ele ganhou. Fizeram
previamente todo o circuito reconhecendo o terreno, o que os
brasileiro achavam uma besteira! Deu no que deu. Mas eles não
sabem ou não divulgam que os pilotos gaúchos não
foram nessa prova com suas carreteras porque a enchente em Porto
Alegre foi devastadora e ficaram aqui para uma corrida no Circuito
do Crystal para arrecadar fundos para os flagelados. Desculpe
a "gauchada"; mas foi uma lástima não
ter havido esse confronto.
Jan
Balder – Ex-piloto
Paulo Trevisan dispensa
comentários pelo que faz incansavelmente pelo resgate
da história do automobilismo e com certeza merece uma
estátua. Minha pergunta: Qual a previsão do novo
complexo - hotel + museu na sua Passo Fundo?
PAULO
TREVISAN – Dispenso gentilmente a estátua,
e só a tua amizade e reconhecimento já vale. Quando
iniciei a obra do Prix Hotel mentalizei conclusão para
dezembro/2011, pela larga experiência em ritmo de obra
e fluxo financeiro necessário. Mas eu nunca tinha implantado
redes complexas de sprinklers, redes de ar condicionado,
geradores, lavanderia industrial; enfim tudo o que cerca um
empreendimento complexo e inovador desses. Concluí a
última e 14ª laje agora, e esses sistemas e acabamentos
já estão vindo de baixo para cima. Mantenho aquele
prazo de conclusão, mas não para a operacionalidade
que só deverá acontecer lá por junho de
2012 porque a montagem final das unidades não pode coincidir
com a parte bruta. O Museu, que foi uma decisão e projeto
posterior, está com as fundações concluídas
e pretendo concluir junto. Terá uma área disponível
de 4000 m2 (o atual é de 1800) em 5 andares. É
um projeto do criativo arquiteto Isac Chedid e com uma volumetria
muito interessante; sendo obra bem fechada e de baixo custo.
Mora em Caxias do Sul, usa piercing e tatuagens e chegou de
uma prova ciclística de 1600km na Itália em agosto.
Neste fim de semana está me provocando para mais um monte
de idéias internas. Sei que entre suas concepções
e os engenheiros do escritório responsável pelo
cálculo estrutural tem divergências pelo grande
número de paredes inclinadas; mas eles que se entendam.
O objetivo é desligar o visitante do mundo externo e
focar e direcionar a iluminação para aquilo que
efetivamente interessa dos carros e pilotos. Tenho pleno conhecimento
do que acontece e se privilegia no 1º mundo. Tens a percepção
do esforço que isso me exige e até o comprometimento
de outros investimentos que decidi suspender em função
disso! E como você sabe, Jan, não tenho uma montadora
ou patrocinador permanente atrás de mim. Sempre caminhei
e caminho com minhas próprias pernas, trabalhando no
atacado e não no varejinho. Voltando... No térreo
teremos um amplo café com mini shop e grande espaço
para os eventos trimestrais extras. Hotel é hotel e museu
é museu, e afastando aspectos temáticos que poderiam
tornar apelativo e brega. Já tenho suíte reservada
para você e conversaremos com a Turarte em cima de possibilidades
de roteiros turísticos que já estão sendo
trabalhadas e com parcerias e atividades em autódromos.
Aguarde.
Flávio
Pinheiro – Militar da reserva, consultor, profissional
da indústria offshore e administrador do site www.nobresdogrid.com.br
Hoje existe uma associação,
sem fins lucrativos (a Associação Cultural Museu
do Automobilismo Brasileiro). Contudo, restaurações,
pesquisas, viagens, aquisições demandam não
apenas dinheiro, mas tempo e dedicação, além
do fato de, no início, não haver a associação.
Como e quem custeou antes da associação e hoje,
com ela, como é custeado o trabalho que vem sendo executado?
No acervo,
automóveis das mais diversas épocas. Ao fundo,
o Fúria BMW
PAULO
TREVISAN – Na minha exitosa trajetória
profissional, da qual muito me orgulho, sempre tive uma verdadeira
obsessão por organização.Há um ano
examinando software para gestão hoteleira por exemplo,
das 8 opções analisadas nenhuma chegou ao patamar
das minhas exigências, mesmo os mais utilizados no mercado.
Imposto de Renda declaro há 41 anos e tudo encadernado
na sequência de funções crescentes: Unibanco,
INSS-Fiscalização, Assessoria Econômica
na Assembléia Legislativa-RS, CEDIC, Fecotrigo. Diretor
de grandes empresas e dono de consultoria por 12 anos especializada
em diagnóstico e viabilização financeira.
Com esse passado e perfil como eu iria atender às solicitações
de uma coleção de carros crescente ao final dos
anos 80? Declarando todas as aquisições e custos
de restauro na pessoa física. Na criação
planejada da Associação Cultural Museu do Automobilismo
Brasileiro no inicio de 2002, entidade civil sem fins lucrativos
e com mínimo de 9 pessoas como determina a lei, houve
a doação da maior parte do acervo e um aporte
de recursos da pessoa física para atender os custos operacionais
do ano. Em todos os exercícios seguintes se repetiu essa
correta operacionalidade. A cada ano são incorporadas
à entidade as aquisições e todos os custos
relativos bancados pela minha pessoa (que dispõe de origem
e declara rigorosamente todos esses recursos) e tudo consubstanciado
e contabilizado; e até descrito em atas que possibilitam
um histórico do avanço das atividades. Não
vou negar que essa tesão e vulto de investimento surgiu
a partir de uma reavaliação de vida perto dos
50 anos, e reconhecendo que abri mão excessivamente no
meu passado de muitos luxos e até de ter participado
de mais competições. Foram décadas priorizando
o lado business e só eu sei disso. Voltando... A entidade
não possui conta bancária, salvo vinculada para
atender um aporte de captação eventual, e caixa
muito restrito. Não tem funcionários a ela vinculados
e nem bens imóveis; só os carros. Tenho uma gratidão
muito grande com a empresa MAHLE pelas doações
de carros e componentes mecânicos. Em anos mais recentes
alguns pilotos doaram carros e ou entregaram a preços
simbólicos também. O meu tempo, dedicação
e trabalho nos carros (sim já trabalhei milhares de horas
e dedico 2 a 3 horas todos os dias) não contam e só
me alegram. É por essas e outras que costumo dizer que
a Associação Cultural é uma entidade que
busca sempre a blindagem contra encrencas; e isso é importante
numa fase onde tantas pessoas estão deixando seus carros
em comodato, ou doando equipamentos e troféus que fizeram
parte das suas vidas e geralmente da sua fase mais bonita. Mesmo
sendo sujeitos à trovoadas e ou eventualmente ter que
dar explicações sobre a origem e porte do acervo,
temos a obrigação de ser confiáveis,e de
saber dizer para onde estamos caminhando.
Romeu
Nardini – Comerciante, apaixonado
por automóveis, grande entusiasta dos carros antigos
e diretor do Clube MP Lafer - Brasil. Colunista
do Portal Maxicar. São Paulo, SP
Trevisan, acompanho seus
projetos desde que nos conhecemos por ocasião do evento
“Clássicos de Competição” em
2007, em Interlagos. De lá pra cá, vi chegarem
novas atrações para o Museu, verdadeiras jóias
do automobilismo brasileiro, alem de saber da ampliação
e crescimento do seu projeto, se tornando um complexo templo
para o automobilismo de competição.
Então, gostaria que você falasse um pouco sobre
esse projeto e se você pode nos adiantar alguma nova atração
ou novo ” brinquedinho” que poderá ser visto
futuramente no Museu do Automobilismo Brasileiro.
PAULO
TREVISAN – Que pena o evento Clássicos
de Competição não ter tido continuidade,
porque oferecia um formato multi evento e contatos ótimos.
Fui aprendendo ao longo dos anos que um só carro por
mais maravilhoso que seja não sustenta sozinho o nível
de interesse do visitante. Tem peças como o Maverick
Berta Hollywood que já fez muitos barbados derramarem
lágrimas e outras situações inusitadas,
e claro uma Maserati 4CLT 48 que ganhou a inauguração
de Silverstone que mexe com os corações; ainda
mais imaginando o quanto valeria um carro desses. Mas fui chegando
a conclusão que o conjunto é o mais importante,
e o foco e coerência do acervo. Outro aspecto fundamental
é a sequência e forma de expor, a iluminação
e as ambientações e que no meu pavilhão
improvisado e atulhado já não temos condições
de oferecer. O castigo para nós que temos a pretensão
de oferecer um museu e afirmando ser "brasileiro"
e não do Paulo ou de Passo Fundo, é ter que investir
tanto ou até mais que o valor do acervo em instalações
próprias para não ficar refém. Precisa
peito e abrir mão até de sonhos de consumo como
disse recentemente dentro do Museu num evento para 150 pessoas
ao criarmos um núcleo de Rallye e assinar termo de criação
de um Museu do Radialismo e Jornalismo Esportivo regional. A
nível externo a coisa mais importante e que nos dá
respeito é que os carros são restaurados para
andar na pista, de onde tiro um dos maiores prazeres pessoais.
Sei que passei de 100 carros de competição, e
a chegada de mais um monoposto de Maserati 4CM 1938 (já
encarroçada pelo Toni Bianco) que localizei em Fortaleza-CE,
me possibilita uma dupla de puro sangue extraordinária,
e respeitável em qualquer lugar desse mundo histórico.
Este ano estamos trabalhando em paralelo nos fórmulas
e concluímos os F2 Muffatão e Heve, FChevrolet
da Equipe Texaco e da RS Competições que estão
zerados e, concluindo em 10 dias outro Kaimann FFiat. Às
vezes o ritmo da restauração manda na gente e
não o contrário. Eu gostaria de te surpreender
nesse conjunto quando nos visitares.
Nelson
Cintra – Ex-piloto. Restaurador e
preparador de automóveis. Petrópolis, RJ
Caro amigo Paulo, gostaria
de saber como você, uma pessoa cheia de compromissos,
tem tempo para se dedicar ao seu Museu. Eu já estive
por lá e sei que uma coisa do primeiro mundo, e sei também
que você não recebe recursos do poder público.
Museu no Brasil é um caso sério! Veja o caso do
nosso amigo Nasser, em Brasília...
PAULO
TREVISAN – A administração
do meu tempo e disponibilidade para os carros é uma ginástica
constante. Isso implica na gente passar ano após ano
juntando pedaços e restaurando sem parar e chegar no
atual estágio, aí já vão 20 anos.
Gosto disso e pretendo fazer isso o resto da minha vida. Como
você sabe, fazer carrinho bonitinho é fácil
mas deixá-lo em condições de pista é
o difícil e mais caro. E cada vez que se desloca os carros
para um evento, carrega e descarrega, ou anda em autódromos
acontecem danos e ficam heranças. Na parte mecânica
algumas quebras até são positivas porque mostram
os pontos fracos e nos ajudam a melhorar o veículo. Ao
longo dos anos fomos aprendendo muito, desenvolvendo macetes
e montando uma teia de serviços terceirizados por aqui;
mas para isso se precisa e conta muito a cultura sobre esses
carros e as competições de época. Que coisa
horrível uma restauração ou réplica
que não respeita características originais, com
babados que inexistiam. Implantar museu de carros no Brasil
e com vida longa é um caso sério como você
diz, gera reações negativas em algumas pessoas,
e exige uma pertinácia e dedicação sem
limites. Existe ciumeira e a grande maioria olha os carros para
achar defeitos e não para elogiar como sabemos, mas essa
é a realidade. Não dá para depender da
boa vontade de terceiros e se precisa abrir mão de muitas
coisas pessoais e até de uma vida mais amena.
As famosas carreteras,
tão populares no passado, principalmente no sul do
país
Renato
Bellote – Colunista e fotógrafo
especializado em automóveis. Mantenedor do site “Garagem
do Bellote”. São Paulo, SP
Antes de tudo quero parabenizá-lo
pela iniciativa de criação do museu, começando
pela garimpagem e paciência de sobra para encontrar os
ícones automotivos do passado. Qual foi o item da coleção
mais difícil de achar e/ou restaurar?
PAULO
TREVISAN – De vez em quando estou dentro
do Museu, e desligando as luzes após receber um grupo
de visitantes por exemplo, me deparo com todos esses carros
e tanta história junta que nem acredito como consegui
chegar até aqui. Tem carros que eu poderia falar horas
sobre sua história; e outros o mesmo tempo para falar
da aquisição e restauro. Quanta informação
ou dica errada, mas quantas surpresas de peças sobreviventes.
O Casari A1 que fotografei com uma Rio400 em Curitiba em 1970
e no Tarumã em 1971 e cujas fotos guardei e mostrei ao
Norman numa visita a meu convite aqui em Passo Fundo, foi um
situação dessas. Recomendou que o detentor dos
restos do carro me destinasse as sobras (chassis sem suspensões
e só a frente), mas se temos as fixações
dianteira e a famosa medida 230 do entre eixos não nos
ajuda? E a frente não nos estabelece escalas e as linhas
restantes? Claro que sim e ainda mais adquirindo o cambio ZF
original com a ajuda do Paulo Lomba. Com referenciais e bom
material de consulta dá para chegar lá. Na carretera
Ford nº 4 do Vitório Andreatta demorei uns 8 anos
para adquirir a sucata, e apenas 8 meses para deixá-la
100%. A carretera nº 9 era ferrugem pura que até
ferro velho renegara. Na montagem da Maserati 4CLT foram mais
de 5 anos, buscando conhecimento, gabarito e acessórios
na Europa, trabalhando e soldando alumínio; sem o genial
Toni Bianco ao lado e parceiro há mais de 6 anos. O Fúria
BMW estava completamente descaracterizado, assim como o protótipo
Polar. Eram restos e ambos exigiram fabricação
e remontagem completa de suspensões e os acertos devem
continuar. São muitas situações que nos
obrigaram a perder o medo, e ter que agarrar o touro pelas guampas
e derrubar. Tem situações desanimadoras, mas na
soma isso nos gratifica.
Vicente
Von Der Schulenburg (Muca) - Empresário.
Pesquisador e apaixonado por temas ligados a automóveis
e automobilismo. Rio de Janeiro – RJ
Trevisan, tive o prazer
de conhecê-lo em Araxá este ano (2010) e fiquei
muito feliz com seu efusivo cumprimento. Realmente fui eu que
salvei o, hoje seu, Karmann-Ghia Dacon.
Só conheço o seu acervo por fotos. Vi que cobre
épocas distintas do automobilismo brasileiro. Existe
um objetivo final? Tipo uma data de corte para aquisição
de novas peças? Como se dá sua relação
com equipes brasileiras atuais, das mais diversas categorias,
que em poucos anos farão parte da nossa história?
Estas equipes alguma vez manifestaram interesse em colaborar
com o seu acervo, para que no futuro possamos ver estes carros
expostos?
Em primeiro
plano, o Karmann Ghia-Porsche
PAULO
TREVISAN – Nosso encontro foi efusivo
e linkado no importantíssimo Karmann Ghia Porsche Dacon,
porque sabemos do significado dos nossos atos de salvar e preservá-lo.
Com o passar dos anos e a coleção ganhando corpo,
fui estabelecendo alguns critérios primordiais.O primeiro
é de que todos os carros andassem se possível,
e que a abordagem fosse centrada no automobilismo brasileiro
interno. Depois concluí que tinha que ter representantes
de todas as principais categorias e suas décadas; e que
tão importante como os carros eram os arquivos de fotos/filmes
e documentos de época. E assim vamos evoluindo, sem ter
um objetivo e ponto final previsto.Você tocou num aspecto
muito importante da nossas relação com as equipes
atuais. Já estive com carros meus novos disputando Endurance
e de maneira geral acompanho os bastidores. Mas parece que o
descaso continua o mesmo de sempre em relação
a preservação dos carros. Dá a impressão
que muitos nem sabem que estão fazendo história.
A maioria não dando a mínima ou quem sabe nos
achando exóticos por tocar essa frente. Geralmente quando
os pilotos amadurecem, e mais recentemente se dando conta desse
movimento incrível (sites e blogs especializados) de
resgate do automobilismo, participam e contribuem com suas histórias.
Já tive muita decepção neste quesito, mas
acho que já foi pior, e o fato de termos uma vitrina
tem provocado um movimento espontâneo em anos recentes,
com doações e cedências em comodato. Imagine
o que está sendo sucateado neste momento de Stock Car
do modelo anterior. Ninguém se lembra ou oferece, com
exceção do Zeca Giaffone que nos entregou um chassis
zero em 2007. Para ter mais resultados eu teria que ir para
cima, ser convincente com as equipes e seus pilotos, mas nem
sempre a gente está com disposição e tempo
para isso.
Ricardo
Oppi – Restaurador de automóveis.
São Paulo, SP
Trevisan, sempre que concluo
a restauração de um automóvel fico com
uma ótima sensação, misto de dever cumprido
com a certeza de que estou contribuindo com a preservação
de um patrimônio, que carrega consigo histórias
pessoais.
Fico imaginando, qual é a sua sensação
em poder resgatar e manter veículos de competição,
muitos deles pilotados por gente famosa, campeões nas
pistas e que fazem parte da história de vida não
só das pessoas diretamente envolvidas com eles, mas também
daquelas que fizeram parte de sua torcida.
Maverick Berta
PAULO
TREVISAN – Essa feliz sensação
na restauração de um carro é tanto maior
quanto maior for sua importância ou significado. Também
proporcional ao desafio enfrentado e à qualidade do resultado
final. Me dei conta disso muitos anos atrás, e concluí
que a primeira alegria é quando a gente localiza e adquire.
Depois as intermediárias quando se acham componentes,
etapas são vencidas e o veículo começa
a se mostrar. E claro a finalização, e andar com
o mesmo. Me lembro quando conseguimos acertar o Maverick Berta
Hollywood no autódromo de Guaporé, e aquele bichão
acelerando e aceitando desaforos acima da minha coragem; que
sensação espetacular! Que chão tem esse
carro. E nesses momentos sempre penso muito naqueles pilotaços
que ocuparam aquele lugar. Do Luizinho acelerando tudo em direção
à curva do laço no Tarumã! E o caso da
Maserati 4CLT 48 com que Villoresi ganhou 4 provas européias
em 1948 e inclusive a inauguração do autódromo
de Silverstone! Nesse monoposto Nuvolari andou 20 voltas! A
gente, como se diz, tem que se beliscar para ver se é
verdade. Você tocou, Oppi, num ponto muito impactante
para mim e aqueles que tem a oportunidade de andar nesses carros.
Essas reflexões devem ser feitas. Imagina quantos detonaram
seu patrimônio correndo com eles, e principalmente botando
a vida em risco. Quanto mais se pesquisa sobre a trajetória
de cada carro e se descobre situações passadas,
mais se curte o mesmo. E que no futuro as novas gerações
tenham esse mesmo sentimento.
Maxicar.com.br - O seu portal de veículos antigos
COMENTÁRIOS PARA ESTA
MATÉRIA
Data: 5/10/2010 Nome: paulo mota(fusca+carreta) Email: paulomota1214@hotmail.com Mensagem: Olá é com muito prazer que me deparo com uma matéria tao rica em perguntas feitas por jornalistas e pessoas envolvidas com o antigomobilismo,mas quero agradecer ao Paulo Afonso Trevisan por fazer com que nós possamos aprender e reviver antigos carros de corridas, exemplares estes que eu nao conhecia e mais uma fez agradecer ao MAXICAR por esta matéria.
Data: 5/10/2010 Nome: Luiz Salomão Email: lcdsalomao@gmail.com Mensagem: Meu caro Fernando, conterrâneo dos bons. Só tenho que agradecer por fazer parte da confraria convocada nas suas entrevistas. Bird, Gomes, Eurico, Jan, Flávio, Romeu, Cintra, Bellote, Muca, Oppi estão de parabéns pelas perguntas, e Paulo, seu "visionário danado"...vida longa e muitos encontros nas pistas! Valeu cada linha lida...abs a todos!
Data: 5/10/2010 Nome: LARRI Email: Mensagem: Acompanho quase que diariamente o trabalho que o Paulo Trevisan, faz a frente do Museu e suas dificuldades, mas gostaria de deixar aqui o meu testemunho da felicidade com que o Paulo recebe as visitas no museu; não apenas daqueles ex-pilotos ou gente do meio antigomobilista mas também para com grupos de pessoas que não tem nenhum conhecimento do antigomobilismo, contando as histórias de cada um dos carros ali expostos. Parabéns Paulo.
Data: 5/10/2010 Nome: Regi Nat Rock Email: algasal1@hotmail.com Mensagem: Meus caros, e voces achavam que eu não ia comentar? Depois do muito que esse maluco maravilhoso nos proporcionou em Passo Fundo e Guaporé no início deste ano? Simplesmente qualquer adjetivo que utilizar será limitado para enaltecer o que o Paulo está fazendo. E felizes os que puderem comparecer no Museu e poderem apreciar a coleção fabulosa que conseguiu reunir, a maioria em condições de uso. Só estando lá para saber. Merece todos os elogios possíveis bem como homenagens. Eu faço questão de estar na primeira fila para aplaudi-lo. Como sempre digo quando trocamos mensagens, "longa vida meu amigo querido".
Data: 5/10/2010 Nome: Flavio Pinheiro Email: walker.capt@gmail.com Mensagem: Mais uma vez o site dos Nobres do Grid foi convidado a participar deste momento tão especial que foi poder entrevistar um dos mais dedicados brasileiros imbuídos - voluntariamente - na preservação da nossa história nas estradas e autódromos na companhia de tão ilustres colegas. É uma honra poder fazer parte deste seleto grupo de convidados e representar a todos voluntários que fazem este site. Em nome de todos, agradeço ao Portal Maxicar por esta oportunidade e ao senhor Paulo Trevisan pelo magnífico trabalho que vem fazendo.
Data: 5/10/2010 Nome: Romeu Nardini Email: meco98@uol.com.br Mensagem: Agradeço mais uma vez ao Portal Maxicar a oportunidade de poder conversar com um dos mais importantes automobilistas do Brasil. Foi um prazer estar ao lado de "perguntadores" de peso que puderam extrair do grande Trevisan, os esclarecimentos, as duvidas e ainda conhecer um pouco mais das idéias desse "maluco" por automobilismo de competição que já contagiou a todos nós. E mais uma vez Trevisan, muito obrigado por salvar e recuperar grande parte desses históricos carros de corridas que estavam renegados ao esquecimento.
Data: 6/10/2010 Nome: Antonio Seabra Email: ase@somardragagem.com.br Mensagem: Foi um enorme prazer ler esta entrevista com o Paulo, onde perguntas bem elaboradas foram magistralmente respondidas. Já admirava o trabalho e a dedicação do Paulo, a distancia, antes de conhecer o acervo do Museu e antes de conhece-lo pessoalmente. Depois de ter ido a Passo Fundo, de ter tido a honra de acompanhar uma visita guiada ao Museu, de ter participado de um evento sensacional organizado pelo Paulo, como convidado, passei a admirá-lo mais ainda. A pouca convivencia naqueles breves mas intensos dias lá nos Pampas foram o suficiente pra me fazer compreender o quão determinado, obstinado, perfecionista. dedicado e apaixonado por seus automoveis é esse grande cidadão brasileiro e esta "persona", agora eterna, do nosso automobilismo de competição. Apesar de todo o reconhecimento que o Paulo já granjeou, ainda vão se passar alguns anos até que a verdadeira dimensão do fanstastico trabalho que ele vem realizado seja compreendida e reconhecida em sua plenitude. Enquanto isto, so me resta, como brasileiro e como amante do automobilismo, e abusivamente, em nome de todos aqueles que construiram e pilotaram essas fantasticas maquinas preservadas no Museu, dizer um enorme "Muito Obrigado pelo teu trabalho, sacrificio e investimento, Amigo Paulo".
Grande Abraço
Antonio Seabra
Data: 6/10/2010 Nome: Francis Henrique Trennepohl Email: fht2competicoes@gmail.com Mensagem: Sensacional a entrevista. Só não é mais espetacular que estar em Passo Fundo, na "Trevilândia" e compartilhar da amizade desse 'gaudério guapo'. 1 milhão de vezes PARABÉNS ao Paulo Afonso Trevisan, que também tem muita POEIRA NA VEIA!!!
Data: 6/10/2010 Nome: Jorge Ferrari Email: ferrari.jorge@gmail.com Mensagem: Só conheço através de blogs a existência desse museu. É certo que irei visitá-lo após ter sido concluído. Parabéns e muito obrigado pelo seu trabalho, Paulo.
Data: 6/10/2010 Nome: Carlos Sardi - Londrina PR Email: sardi@sercomtel.com.br Mensagem: Parabéns pela entrevista. Pessoas como o Paulo Trevisan nos dão a certeza de que essa paixão pelo automobilismo, que passei para meus filhos, poderá ser estendida para meus netos. Obrigado Trevisan!
Data: 6/10/2010 Nome: Paulo Torino Email: torino@velopark.com.br Mensagem: Além de parabenizar pela entrevista, solicito autorização para reproduzi-la (exatamente como está diagramada ) em nossa Revista institucional do VELOPARK edição nº10 que será publicada em Novembro. O TREVISAN merece todo esse reconhecimento. Consideramos importante que nossos leitores saibam sua história e a importancia q
att, Editor Velonews Ass Imprensa Velopark
Data: 6/10/2010 Nome: João Cesar Santos Email: Mensagem: Fantástica Reportagem... Parabéns ao Paulo Trevisan. Exaltar e elogiar o trabalho feito por ele é chover no molhado. O Museu é inacreditável, o acervo é incrivel. Já disse para o Paulo, eu poderia morar dentro do museu e trabalho de graça na oficina. Cada vez que vou lá, não tenho voltade de ir embora. Abraço
Data: 6/10/2010 Nome: PAULO TREVISAN Email: trevinc@tpo.com.br Mensagem: Obrigado pelos gentis comentários dessa turma da pesada. Me senti envaidecido quando o Barenco me provocou para essa entrevista;ainda mais sabendo da repercussão que ocasiona.Vários grupos e confrarias já estão linkando a mesma;e o nº de acessos vais ser muito grande.Só imagino que o blog turbinado do FG está captando também.Acho que o Portal Maxicar deve autorizar a reprodução na excelente Revista Velonews do Velopark. Você Paulo Torino é outro abnegado,piloto e jornalista experiente,e tem aberto continuamente no Velopark oportunidade para os carros, automobilismo e pilotos de época;e adoro ver que toda a direção está te apoiando nisso. A revista Velonews está cada vez melhor e sei da seriedade e comprometimento com que você conduz essa frente. Grande abraço.
Data: 6/10/2010 Nome: Paulo Fonseca Email: pd.fonseca@hotmail.com Mensagem: A melhor reportagem do ano sobre carros antigos,como todo brasileiro é apaxonado por carros e corridas,desejo muita prosperidade no empreendimento, gostaria ainda em vida fazer uma visita ao Museu
Data: 7/10/2010 Nome: Vitão Email: VICTORLAG@HOTMAIL.COM Mensagem: gostaria que o futuro do autmobilismo brasileiro estivesse sendo cuidado com a mesma atenção e profissionalismo que a sua história. Bom, não custa sonhar . Impossível dizer da dimensão do valor do trabalho do Trevisan.
Data: 7/10/2010 Nome: Guilherme da Costa Gomes Email: guilhermedicin@hotmail.com Mensagem: Muito interessante e proveitosa a entrevista. Fico entusiasmado com a notícia da ampliação do museu.
Parabéns a todos os envolvidos.
Data: 7/10/2010 Nome: Email: Mensagem:
Data: 7/10/2010 Nome: Claudio Ceregatti Email: c.ceregatti@ig.com.br Mensagem: Repito o escrito lá no Blog do Mestre Joca, em janeiro de 2010. Para os que leram, os que não leram e para o Paulo;
sabíamos todos da concisão do Paulo, de sua lucidez direta e reta e um corolário enorme de outras qualidades. Até aí, para quem teve o privilégio e prazer de conviver com ele, nenhuma novidade. Acostumamo-nos todos a sua proverbial lucidez e velocidade estonteantes.
Só que esse “texto final” traz mais uma surpresa: O mesmo homem que nos chama de amigos, faz muito e escreve pouco, "abriu a guaiaca" e despejou tudo que pensa, o que tem e o que planeja. Porém (e novamente) com um tal poder de concisão que, mesmo num texto habitualmente mais longo, trouxe à luz cada pergunta ainda não enunciada, cada resposta a atitudes diferenciadas, cada pedacinho desse coração que - embora não queira e até se constranja - é ainda maior do que já sabemos.
Não quero aqui evidenciar os superlativos já nítidos a todos, nem insistir numa cantilena de agradecimento e felicidade por esses dias. Todos nós já o fizemos. Pode parecer que seria isso o que desejo, mas o gancho é outro: É fato o que tivemos todos pouco tempo a conversar, fruto da agenda ampla e veloz. É a visão de todo que o Sr. Paulo Afonso Trevisan tem, e não omite ou esconde. Com uma elegância ímpar, diz tudo o que nem teríamos como saber e ilustra o que sequer imaginamos.
Quando mui honradamente cita meu nome, falou do milagre mas não contou o santo. Para contextualizar e jogar uma cor nova no que se fez e vivemos juntos:
É o Guardião ou Síndico do Museu e seu precioso conteúdo - visível e não visível - e que passará e a Obra ficará. Verdade absoluta, naturalmente. Mas eu, o Lucca, o Milton, o Guilherme, o Figueiroa, o Daniel Winik, o Burlamaque, o Meirelles e o pessoal da produção do Speed Channel lá presente vimos bem as lágrimas nos olhos dele, por várias vezes. Transparente como cristal e sinceramente orgulhoso de sua trajetória, é um self-made-man. Como tal, usa a palavra investimento, com a tranquilidade dos puros e com a sinceridade que aprendemos a admirar. Sem dúvida, é. Mas a verdadeira palavra é paixão. Investir, poderia investir em qualquer coisa. Mas investiu em sua paixão, e encara sem medo ou ressalva um custo absurdo na forma de um trabalho insano, dores de cabeça causadas por terceiros, batalhas de egos inflados e doses enormes de desgastes a nós invisíveis. Tão bem guardados e administrados que pensamos inexistir. Essa paixão, intitulada investimento, tem um preço inimaginável. Não tenham ilusões: Embora tire de letra cada absurdo que lhe cai no colo, embora administre com galhardia e de peito aberto problemas que não são seus, embora absorva de maneira surpreendente decepções desproporcionais à essa sua luta solitária, esse Homem é movido a paixão e juventude. Jamais esmorecerá, nem envelhecerá. Pois tem uma Missão, assumida na plenitude e exercida com galhardia.
Os amigos que conosco estavam e citei lá em cima lembrar-se-ão daquele momento mágico que vivemos juntos, quando da gravação com o Burlamaque e o Daniel Winik. Testemunhamos todos e participamos daquele momento único em nossas vidas, quando do depoimento histórico sobre as corridas, as pessoas, os pilotos e o mundo da época das carreteras e das Mil Milhas do final dos anos 50.
Lágrimas verteram de todos, sem exceção. A intensidade daquele momento foi de tal monta e valor que ninguém resistiu – ninguém é forte o suficiente, muito menos humanamente insensível ao que vimos, ouvimos e participamos. A voz do Meirelles re-narrando aos boquiabertos presentes o que dizia no rádio, há 54 anos atrás foi de uma profundidade e densidade que a todos tocou fundo. Os olhos de Daniel Winik, a energia daquilo que há sob aquele teto penetrou a todos. Aquele grupo pequeno, que tivemos o privilégio, honra e sorte de fazer parte sabe que testemunhamos a essência do que acreditamos, ali. E não se trata de carros, de corridas, de pilotos e de histórias. Isso é parte pequena. Trata-se de gente, de seres humanos irmanados pela paixão comum.
Sob o teto do Museu do Automobilismo Brasileiro percebemos o vigor e imenso poder dessas máquinas inanimadas, movidas por Homens de Coragem, no centro do Automobilismo gaúcho e brasileiro. Daniel Winik somos todos nós. O Museu abriga e acolhe cada um de nós. E guarda o resultado do trabalho de vidas iguais às nossas, de milhares de homens essenciais como cada um de nós. Esse local é um monumento ao Trabalho. À criatividade calcada em princípios e temperada na luta. Uma mistura estranhamente compatível de competitividade e camaradagem, inerentes a todos nós. É um retrato eterno do Rio Grande do Sul, de sua gente, de suas Obras. Só poderia estar na pátria de Érico Veríssimo, aquela terra sem fronteiras, onde Homens da Verdade e de Verdade labutam à gerações, com sua competência movida a mãos calejadas, onde o trabalho de fato dignifica e engrandece. E apenas por ele, produz riquezas, cria valor.
E o Criador, Mentor e Gestor é esse a quem chamamos de Amigo.
Essa Obra perene, que sobreviverá a todos nós é plena em si própria. Total em sua essência. Completa em sua missão.
Quando me for, por não ser também eterno, sei por onde estarei. A Pousada de Homens Eternos, Pilotos, estará lá para sempre.
Obrigado a voce, meu amigo. Obrigado por construir a Casa dos Homens, a nossa casa. Por lá estaremos juntos agora e sempre, pois como se disse, não há ex-pilotos. E o Trabalho é Eterno.
Data: 7/10/2010 Nome: Luis Eduardo deA Email: Mensagem:
Data: 7/10/2010 Nome: Luis Eduardo de Andradee Email: dududeandrade@ibest.com.br Mensagem: Não existe um adjetivo que defina o maravilhoso trabalho do Paulo Trevisan em prol da história automobilística desse país.Sou um felizardo que esteve em seu museu este ano, onde apreciei dezenas de carros com seus contextos fantásticos.Confesso que chorei (escondido da turma da qual fazia parte é claro) tamanha foi a emoção, que um aficcionado por carros de competição, sente ao entrar num verdadeiro templo automobilístico.Sem palavras. Registro meu eterno agradecimento a esse ser elevado, chamado Paulo Afonso Trevisan, por sua dedicação, amor e paixão por esse esporte que tanto exaltamos.Obrigado Paulo por tudo o que vc faz por nós, meros espectadores.
Data: 10/10/2010 Nome: DANIEL WINIK Email: danielwk@via-rs.net Mensagem: Paulo Trevisan , é hoje e o será para sempre um homem do mundo, do universo automobilístico. Não deixou acumular maravilhas que nem o tempo conseguiu superar ou tirar do cenário que a todos encanta. Sua coleção de carros vai muito além da imaginação dos mais abalisados profissionais da matéria. Teve o cuidado e todo o esforço voltados para nós os amantes e praticantes do aumotibilismo que ainda com ele convivemos. Sua obra já não lhe pertece, é do mundo automobilistico do Brasil. Os que deram suas vidas e já nos deixaram, Orlando Menegaz, Aido Finardi, Alcides Schoreder, Ítalo Bertão, Sinval Bernardon, ficaram imortalizados nas unidades que prepararam e pilotaram pelos pistas brasileiras e sul-americanas. Não consaguiremos encontrar os termos mais adequados para agradecer Paulo Trevisan. Deixemos que o próprio tempo se encarregue de, ao passar dos dias, torne sempre mais valorizada sua obra, desejo como os outros entrevistados, disseram, "VIDA LONGA À PAULO AFONSO TREVISAN".
Data: 12/10/2010 Nome: Paulo Schütz Email: Mensagem: Falar da importância de Paulo Trevisan para a história do automobilismo brasileira e algo como "chover no molhado". Excelente entrevista e, ao Paulo, como todos, desejo imenso sucesso nos novos passos do museu, e que continue essa obra maravilhosa por muitos anos.
Data: 12/10/2010 Nome: Ibraim Gonçaçalves Email: ibraim.angela@hotmail.com Mensagem: Para quem gosta de Automobilismo, falar de Paulo Trevizan é um prazer e orgulho, vejam as respostas que ele deu a todos, nenhuma redundancia, o homem é incrivel, não bastasse dudo isto ele esta montando a historia do Kart na decada de 60, é incrivel, só um Paulo Trevuzan. Ibraim Gonçalves
Data: 16/10/2010 Nome: PAULO TREVISAN Email: Mensagem: Uma frase do Ceregatti que gravei é que "maluco tem ímã-se atraem".Nosso ímã é o automóvel,as corridas,a história fiel.Vejo o calibre e generosidades dos que agregam comentários.Apenas me fixando nos últimos, Andrade(quem desconhece a vivência excepcional desse sujeito?),Shutz(uma das maiores memórias do autom.gaucho)Winik(um dos últimos pilotos de carreteras gauchos,vívido, polido, discreto e memória prodigiosa da época;bebi muita água com ele),Ibraim Gonçalves conhecedor profundo e dirigente por décadas do autom.RS;que afirma eu estar fazendo pesquisa de kart anos 60.NÓS ESTAMOS FAZENDO!O Ibraim embalou na minha provoção uns meses atrás e começou a trazer revelações valiosíssimas?O antológico Claudio Daniel Rodrigues teria organizado uma corrida pioneira de karts em PAlegre,trazendo os Rois de sua fabricação para vender aqui.Teve corrida de kart,pasmem,na rodovia entre Canela e Gramado.Está cutucando os antigos e relacionando quem corria e em quais circuitos.Ibraim e a todos,um grande abraço,e continue nessas buscas porque INFORMAÇÃO é a essência de tudo.Isso possibilita uma série de outras conclusões.
Data: 28/10/2010 Nome: LISANDRO CALIR BIACCHI ADAMES Email: liscalir@terra.com.br Mensagem: Sou Passofundense e resido em Porto Alegre. Sempre ouvi falar do Sr. Paulo Trevizan. Meu Pai deve conhecê-lo pois foi comerciante em Passo Fundo, residindo atualmente em Campo Grande. Lendo esta matéria fico orgulhoso do automobilismo nacional e do Passofundense por opção, Sr. Paulo Trevizan. Parabéns. Gostaria de poder conhecer este belo Museu e seu criador que enaltece a Nação Brasileira e traz identidade histórica ao automobilismo brasileiro.
Data: 28/10/2010 Nome: MARCO BRIZZI Email: marco.brizzi@uol.com.br Mensagem: Prezado Paulo Trevisan e amigos da revista Maxicar. Como filho de um dos grandes nomes do automobilismo de competição que foi meu falecido pai Nelson Brizzi, nasci com gasolina no lugar de sangue e desde pequeno frequentei os autodromos pelo Brasil, especialmente o de Interlagos. Fico admirado com a dedicação e determinação do sr. Paulo Trevisan pelo acervo que ele esta agregando ao seu museu e acima de tudo por focar em grande parte aos automoveis de competição que são construidos como peças unicas e exclusivas por aqueles que são seus criadores. Ficaria muito feliz se dentro do seu acervo voce colocasse os "canarinhos" da equipe Willys, onde grandes pilotos como Bird Clemente, Luiz Pereira Bueno, Wilson Fittipaldi, Emerson Fittipaldi, Jose Carlos Pace, Carol Figueiredo, Christian Heinz ,entre outros passaram grande parte das suas carreiras vitoriosas levando a alegria contagiante desses bólidos que marcaram época no automobilismo brasileiro no inicio dos anos 60 até inicio dos anos 70. Parabens pelo seu trabalho e espero em breve visitá-lo para conhece-lo pessoalmente e cumprimenta-lo pelo que voce representa hoje para todos os apaixonados por essa cachaça que é a velocidade. Forte abraço Marco Brizzi
Data: 30/10/2010 Nome: Paulo "McCoy" Lava Email: paulomccoybr@yahoo.com.br Mensagem: De pronto, minha manifestação impõe registrar três cumprimentos. O primeiro, claro, endereçado ao (s) responsável (eis) pelo 'website' e pela escolha do entrevistado O segundo, vai para os autores das perguntas; muitos, caso de Jan Balder e Flávio Gomes, já tive oportunidade de conhecer pessoalmente (ocasiões inesquecíveis, registre-se). O terceiro, claro, vai para um grande Amigo que conheci graças ao automobilismo; refiro-me, naturalmente, ao Paulo Trevisan. E, confesso, estou há um bom tempo em frente ao meu notebook. Motivo? Estou tentando unir letras, formar palavras e, desta forma, iniciar frase na qual eu consiga tecer uma justa homenagem ao Paulo Trevisan. Mas (última 'confissão'), está complicado tal 'montagem'. Até porque, alentada leitura dos tópicos acima, me deram a certeza de que tudo o que podia ser dito em relação ao Paulo Trevisan (como pessoa e como profissional) já foi dito. Logo, o que eu teria de 'novo' para acrescentar. Talvez -- e aqui é apenas algo pessoal --, eu possa acrescentar que meus pais partiram cedo. Sem dúvida, eles não apenas aprovariam este 'Amigo' do filho mas, principalmente, sentir-se-ião orgulhosos em receber, em nossa casa, uma pessoa para lá de importante, digna de todo a reverência e admiração. Verdadeira honra integrar eventos por ele promovidos e, porque não dizer, verdadeira honra cada momento de conversa em torno do passado, história e glória de um esporte que ambos gostamos. Cordiais saudações,
Paulo 'McCoy' Lava Jornalista & pesquisador de automobilismo
Data: 9/1/2011 Nome: Paulo Fonseca Email: pd.fonseca@hotmail.com Mensagem: POr favor, gostaria de informação, como eu fço para agendar uma visita no Museu do automóvel. grato , Paulo Foneca
Eu e meu marido estaremos de ferias em fevereiro e adoraríamos visitar o museu do automobilismo. Como fazemos para agendar uma visita, já que o Site está fora do ar e não localizamos contato algum (email, nº de telefone, endereço...).
Grata desde já, Dayane
Data: 25/1/2011 Nome: PAULO ROBERTO MENEGAZ Email: paulo.menegaz@yahoo.com.br Mensagem: PAULO TREVISAN, voce realmente consegue fazer com que revivemos todos os momentos maravilhosos do AUTOMOBILISMO BRASILEIRO, principalmente a epoca das carreteras, ja que sou sobrinho de ORLANDO MENEGAZ e tenho maior orgulho dele, resido em Uberlandia-MG, ha 24 anos, toda vez que possso entro no site para ver as novidades do Museu e cada vez que vou a PASSO FUNDO nao deixo de ligar para o PAULO e visitar o mais legal do mundo do automobilismo brasileiro, PARABENS, voce deu vida a imaginacao.