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Torino: o verdadeiro touro
dos irmãos argentinos

O Torino é um verdadeiro ícone automotivo na Argentina

O Torino, o nome deste emblemático carro, nasceu do nome da cidade italiana onde se encontra localizada a maior empresa de designers de automóveis do mundo e onde foram e são criados os mais famosos carros das grandes marcas, ícones da indústria automobilista mundial: a PININFARINA. Lá nasceu o único carro argentino desenvolvido especialmente para esse mercado, para marcar um antes e um depois na sua indústria automobilística.

O Rambler foi a base do Torino

A empresa argentina IKA (Indústrias Kaiser Argentina), uma subsidiaria de Indústrias Kaiser American com sede nos Estados Unidos, encomendou em 1966 ao Estúdio Pininfarina o desenvolvimento deste carro tipicamente esportivo. O resultado foi um automóvel com visual europeu e a fortaleza dos carrões americanos.

Touro, o emblema do Torino

A base do Torino foi um carro norte americano, o Rambler American, também fabricado pela montadora IKA.

O emblema da marca, igual o símbolo da cidade de Torino, é um Toro, que assim como o famoso cavallino (cavalinho) do escudo da Ferrari, transmite a imagem de potencia e força.

Publicidade da evolução

Propaganda dando destaque ao novo painel

Publicidade sobre o novo design do painel altamente sofisticado e completo para a época, que se chamou painel de avião a partir do ano 1970. Os primeiros Torinos também traziam um painel com madeira e detalhes com influência tipicamente Pininfarina como os modelos dos Alfa Romeos desenhados no mesmo período, como volante, tipo de tecla no volante para as buzinas, tipo de instrumental, as grades e as disposição dos faróis dianteiros do Alfa Julia.

Motorização

Seu primeiro motor, o Tornado Interceptor, era um 6 cilindros fabricado sob licença da IKA, já utilizado em utilitários da época, como o Jeep Gladiator. Redesenhado, ganhou a denominação Torino, atingindo os 215 HP, equipando os modelos GS 73-76, e que ia de 0 a 100 km por hora em menos de 10 segundos na versão TSX.

Fabricado em Córdoba, a preparação esportiva do motor ficou nas mãos de Oreste Berta, preparador de competição, que o transformou em uns dos motores mais potentes, com 3.770 cm3. Potência comparável unicamente a carros de alto desempenho, capaz de chegar aos 200 km/h nas versões de fábrica. Equipados com caixas de 4 marchas alemãs ZF, (ainda utilizadas na atualidade em competições) e diferencial Dana 44. Um carro apenas para a elite, um luxo para poucos em aqueles anos.

Ao lado, os motores Tornado Interceptor OHC 230 (1966-1973) e Torino (1973-1981)
Acima, o modelo ZX, última versão fabricada (1980-81)


Em seus 25 anos de produção, foram fabricados quase 100 mil unidades do Torino. A partir de 1975 a IKA passou a ser controlada pela Francesa Renault.

Passagem pelas pistas

Sucesso nas pistas

O Torino iniciou sua passagem pelas pistas em diversas competições Argentinas como turismo, carreteira e competições de rally, ganhando na época de grandes marcas como a Ford, Chevrolet e Dodge-Chrysler que lideraram competições sucessivamente. Foi tanta a diferença com as outras equipes e o número de pódios conseguido, que teve que ser alterado o regulamento das competições onde o Torino participava, para evitar que ele ganhasse sempre, já que as restantes equipes eram prejudicadas por não conseguirem ter o mesmo desempenho. Dessa forma, os impecilhos foram tantos, que o grupo Renault francês, atual proprietário do grupo IKA, teve que retirar o Torino das competições nacionais.

Naqueles tempos e ainda hoje, a rivalidade existente entre a Ford e a Chevrolet pode ser comparada à rivalidade existente entre o Boca Júnior e o River Plate, porém, o Torino era comparado com a Seleção Nacional.

Nurburgring, Alemanha

O sucesso em Nurburgring

Em Agosto de 1969, é formada uma equipe liderada pelo pentacampeão mundial de Fórmula 1 Juan Manoel Fangio, para competir nas 84 horas de Nürburgring na Alemanha, corrida de resistência, diurna e noturna, onde os pilotos revezavam-se para os carros completarem a prova sem parar.

Era um sonho de um grupo de pilotos argentinos apaixonados pelo carro, competir de igual para igual com as grandes e famosas marcas da época como BMW, Alfa Romeo, Ford, Porsche, Lancia, Maserati e Mercedes Benz. Um carro desconhecido até esse momento. Na classificação geral ficou em 4º lugar, já que foi rebaixado das primeiras colocações por uma falta de informação entre os diretores de prova, considerando que não existiam as atuais tecnologias de comunicação entre pilotos e equipe. Continuaram rodando e assim foi o carro que mais voltas completou sempre na ponta, e por tal motivo foi considerado como o vencedor, por todos os fanáticos argentinos.

A partir daí nasceu o mito desta emblemática máquina, com seguidores féis até hoje, que formam parte de apaixonados e clubes que adoram esta marca. E basta sentir a música que emite o som do motor — essa força que mexe com todo o carro — para fazer arrepiar a qualquer fanático.

O Apelido que se utiliza ainda hoje para identificar estes carros pelos seus proprietários é o de "MEU TORO". Dessa forma, qualquer argentino — seja idoso, jovem ou criança — sabe que se está falando deste carro e não de um animal.

A minha paixão: “El Toro”!

Caro leitor: como bom apaixonado, também sou proprietário de um exemplar modelo 1974 Coupê TS, completamente original, que conservo em Buenos Aires e a cada vez que viajo desfruto de maneira total junto com meu filho que tem 23 anos e curte este vicio de criança, já que, quando ele nasceu eu já tinha esta máquina, nos anos 80.

Sou o segundo dono. Sou argentino e residente no Brasil há 18 anos e como todos sabem, o alto custo de importação,  me impede de desfrutar esse carro com mais freqüência, mas se as leis mudarem, seguramente estará ao meu lado. É um carro quase desconhecido para a maioria dos Brasileiros, mas como há bastante bibliografia e aproveitando que em agosto de 2009 se festeja os 40 anos de Nurburgring, esta é a minha humilde homenagem a este mito que marcou um antes o depois da indústria automobilística da Argentina. Acredito que é similar a o que acontece aqui com os “opaleiros”. Mas a diferencia que eu sinto que havia deste para os demais carros da época, é que este é um carro envenenado e com muito músculo de fábrica, o único esportivo que concorria com a Ford, a Chevrolet e a Dodge. Aparência de Europeu, muito similar aos desenhos dos Alfas Romeo da época, um poço maiores, mais com a robustez e adaptados ao nosso território. Ainda hoje continua sendo um sonho para os jovens ter um “Toro, e existem clubes em todo o país. Eu pertenço ao Clube de Buenos Aires e continuamente por atenção de seu presidente, o senhor Navarro, recibo bibliografia a seu respeito.

Para maiores detalhes sobre a fantástica trajetória deste mito, consulte os endereços a seguir.

Autoentusiastas - Brasil
autoentusiastas.blogspot.com/2009/03/el-toro-de-los-pampas.html

Fime de época
www.youtube.com/watch?v=M7EL6pP8zNg&feature=related

Corrida de Nurburgring - Alemanha
www.youtube.com/watch?v=rH_6Y12P3Vs

História do Torino
Parte 1 - www.youtube.com/watch?v=0XbXesbLeeg&feature=related
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=qoQBfwttK4k&feature=related

Estimados leitores de todo Brasil, muito obrigado por poder compartir com vocês esta paixão por carros clássico antigos que marcaram época em nossos paises. Para comentários ou intercambiar idéias contatar petrus28@terra.com.br

Texto: Pietro Lauriola
Compaginação: Michel Lauriola
Fonte: Old Cars of Argentina