• Reportagem
De "operário"
a veículo histórico:
O Candango da Ponte Rio-Niterói
*André Grigorevski

A Ponte Presidente Costa e Silva, mais
conhecida como Ponte Rio-Niterói, é a maior construção
deste tipo no Brasil, com 13,29 quilômetros de extensão,
e que constitui uma importante ligação não
apenas entre a cidade do Rio de Janeiro e Niterói, mas
também entre a capital fluminense e o interior do estado,
sobretudo a Região dos Lagos. Além disso, faz parte
da BR-101, rodovia que liga o Rio Grande do Norte ao Rio Grande
do Sul. Seu fluxo médio é de cerca de 135 mil veículos/dia.
Enquanto quem passa pela Ponte está
normalmente preocupado em chegar em casa ou no trabalho, nosso
destino é outro. Vamos conhecer um carro muito comentado,
mas visto por poucos. Um automóvel que desperta a curiosidade
dos antigomobilistas, especialmente os “vemagueiros”:
um jipe DKW Candango, produzido pela Vemag em 1961.
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| A bordo do Candango, o então
Ministro dos Transportes, Mário Andreazza (de
amarelo) inspeciona as obras da Ponte Rio-Niterói |
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Mas este não é um Candango
normal. O jipe em questão foi o primeiro carro a atravessar
a Ponte Rio-Niterói, no dia 4 de março de 1974,
levando o então Ministro dos Transportes Mário Andreazza
e demais autoridades da época. Além do feito histórico,
o DKW Candango também era utilizado durante as obras pelo
ministro para inspecionar os trabalhos. Após a inauguração,
o jipe recebeu merecida aposentadoria e desde então é
cuidadosamente guardado no Museu da Ponte, próximo à
praça do pedágio.
Tivemos a oportunidade de conhecer o museu,
atualmente administrado pela concessionária Ponte S/A,
que tem visitas restritas a estudantes de nível escolar
ou graduandos em engenharia, além de engenheiros de toda
parte do mundo. Um salão de pequenas dimensões,
porém repleto de referências sobre a construção
e história deste marco da engenharia brasileira. Durante
a visita ao museu é possível conhecer diversas curiosidades
sobre sua construção — que durou 5 anos —,
manutenção, reportagens da época da inauguração,
fotos históricas ou mesmo outras mais recentes após
a privatização, sinalizadores que são usados
sobre as pistas e até uma maquete da época.
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| Além do carro, o Museu
mostra a história da maior ponte do Brasil |
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Ali no pequeno salão também
repousa o Candango, conservado exatamente como no dia em que entrou
para a história. O aspecto impecavelmente limpo e os pneus
cheios destacam o cuidado dos responsáveis pelo acervo
do museu. A carroceria de cor laranja, além dos adesivos
da ECEX (Empresa de Construção e Engenharia de Obras
Especiais) — estatal responsável pela conclusão
da obra — e DNER, possui diversas assinaturas feitas por
jornalistas que cobriram a inauguração da Ponte,
ou mesmo o nome dos veículos de comunicação
para os quais trabalhavam. Por ter sido um carro de trabalho com
13 anos de bons serviços prestados na época da inauguração,
possui algumas pequenas marcas do tempo ou de reparos, além
de modificações, como a ausência do pára-brisa.
Tais detalhes demonstram que o Candango não foi restaurado
desde que chegou ao museu, o que impressiona pelo seu excelente
estado de conservação geral e fazem este jipe ser
ainda mais interessante. Sobre o capô, uma antiga foto do
ministro Mário Andreazza inspecionando as obras com engenheiros,
a bordo do Candango de placas AA-8882 que liderava uma caravana
formada principalmente por algumas Veraneio e Rural.
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| A inauguração
da Ponte foi destaque nos principais jornais do país
e ganhou selo comemorativo |
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Até mesmo por se localizar em um
salão fechado e climatizado, o motor não é
colocado em funcionamento há anos. Uma curiosidade é
que as dimensões das portas do museu impedem que o Candango
seja retirado de lá, pelo menos não sem um planejamento
prévio e um certo esforço.
Saímos de lá com as nossas
expectativas superadas, conhecendo não só um pouco
mais da história de uma via tão importante, mas
também com a certeza de que ainda existe no Brasil mais
interesse em preservar nosso acervo de carros antigos e históricos
do que imaginamos.
O Programa de Visitação do
Museu da Ponte é aberto às escolas, universidades
e instituições técnicas que queiram conhecer
a história da Ponte Rio-Niterói. As visitas devem
ser previamente marcadas e os interessados devem ligar para (21)
2718-9120.
Agradecimentos: gostaríamos de agradecer
aos assessores de comunicação da concessionária
Ponte S/A, Raquel Alves e Marco Barbosa, pela excelente receptividade
e esclarecimentos prestados durante a nossa visita.
*André Grigorevski
- É presidente do Passat Clube do Rio de Janeiro
e responsável pelo site www.hpdopassat.com.br