O que é necessário para se conseguir o Certificado
de Originalidade? Preciso me filiar a um clube de veículos
antigos? Meu carro deve estar impecável? E se não
estiver 100% original? Muito se fala no meio antigomobilístico
sobre as famosas Placas Pretas, que caracterizam um veículo
antigo como sendo um Veículo de Coleção. Mas
as dúvidas são muitas. Por isso o Portal Maxicar
decidiu publicar na íntegra, em versão comentada,
o Manual do Avaliador da Federação Brasileira de
Veículos Antigos(FBVA).
A FBVA é o órgão máximo do antigomobilismo
brasileiro e a qual a maioria dos clubes de veículos antigos é filiada. É nos
critérios descritos neste Manual que os avaliadores se baseiam
na hora de vistoriar os veículos candidatos ao Certificado
de Originalidade (C.O.), documento que torna seu proprietário
apto a ingressar no Detran com o pedido de Placas Pretas.
Para tornar ainda mais esclarecedor
o documento, a equipe do Portal Maxicar decidiu acrescentar comentários (em
cor laranja),
sempre que julgou necessário.
No final do Manual do Avaliador você vai encontrar os critérios
de pontuação de cada quesito. Assim você poderá fazer
uma avaliação informal e ver se sua “raridade” poderia
ostentar as cobiçadas Placas Pretas.
Mas antes
de chegarmos ao Manual do Avaliador, vamos responder as principais
dúvidas dos
antigomobilistas sobre o assunto:
1) Quantos anos deve ter
meu carro para que possa ter direito à Placa
Preta (P.P)? Para ser considerado Veículo de Coleção, ele
deve ter sido fabricado há pelo menos 30 anos.
2) Posso circular normalmente
com um veículo do P.P ou
participar apenas de eventos? Veículo portador de P.P tem transito livre em todo o território
nacional, como qualquer outro, não havendo nenhum tipo de
restrição.
3) Devo ser filiado a um
clube de veículos antigos para
ter um veículo com P.P? Sim. Esta é a primeira providência. Mas confirme antes
se o clube ao qual pretende se filiar está autorizado pela
FBVA ou Denatram para a vistoria e emissão do Certificado
de Originalidade.
4) Quantos pontos meu carro
deverá obter? Para ser apto à P.P o veículo deverá ter no
mínimo 80 pontos de um total de 100 pontos possíveis,
incluindo ai critérios de originalidade e estado de conservação.
Veja a tabela no final desta matéria e faça uma simulação
informal.
5) Meu carro deve estar
impecável? Deve estar em ótimo estado, mas não necessariamente
impecável. Isso vai depender da rigorosidade do avaliador.
Veículos restaurados são mais exigidos que os originais
de fábrica. O Manual do Avaliador, abaixo, esclarece esta
questão.
6) Posso alterar
as características originais de meu veículo
depois de conseguir a P.P? De jeito nenhum! Periodicamente,
seu veículo será reavaliado. Caso haja modificações
não autorizadas a P.P. será cancelada.
7) Preciso ser um colecionador,
com vários carros antigos
na garagem? Não. A lei é democrática. Você pode
ter apenas um automóvel.
Manual do Avaliador
Os textos redigidos
na cor Laranja são comentários que a Equipe do Portal
Maxicar julgou necessário acrescentar a título de
esclarecimento extra, portanto não fazendo parte
da versão original do Manual.
Para a correta avaliação
de um automóvel antigo é necessário
que o avaliador se atenha a alguns fatores que podem levar,
ou não, a emissão de um Certificado
de Originalidade (C.O.) ao referido veículo.
- AVALIAÇÃO
-
1 – ITENS
EXCLUDENTES – Impeditivos
para a avaliação – Alguns itens descaracterizam
a aparência do veículo e impedem sua avaliação,
desclassificando-o para a obtenção da placa
preta, conforme abaixo:
Ao constatar
a existência “Itens
Excludentes”, o avaliador deverá recusar-se
a avaliar o veículo, automaticamente desclassificando-o.
Futuramente você poderá tentar uma nova avaliação,
mas desde que o item que o desclassificou seja corrigido.
• Qualquer modificação
ou alteração na carroceria – Serão
aceitas apenas modificações feitas por encarroçadoras,
sob encomenda do fabricante, como por exemplo: Karmann-Ghia,
Bertone e Brasinca.
Na década de 40 a famosa
encarroçadora alemã Hebmuller produzia Fuscas
conversíveis sob encomenda da Volkswagen. Os carros
saíam da linha de produção e eram
encaminhados para que fossem realizadas as transformações.
Hoje, além de considerada original, a versão
Hebmuller Conversível do Fusca é uma peça
de colecionador das mais valorizadas. As modificações a
que se refere este artigo são aquelas em que são
realizadas adaptações fora do padrão,
como faróis ou lanternas de outras marcas, para
choques diferentes, vidros maiores ou menores... Até mesmo
a substituição de peças pelas de veículos
da mesma marca, mas de anos diferentes são desclassificatórias.
• Pinturas extravagantes ou
fora dos padrões de fábrica do veículo.
Serão aceitas, neste caso, cores opcionais de catálogo
do fabricante, desde que da mesma época.
É considerada extravagante
a cor que não faça parte do catálogo
de cores da marca naquele ano de fabricação.
Se você decidir, por exemplo, pintar um Chevrolet
Opala 1970 com uma cor de catálogo da Chevrolet
de 1978, este veículo será excluído
da avaliação.
Faixas, pinturas em dois tons ou pinturas metálicas que não façam
parte do padrão de fábrica também desclassificam o veículo.
O tom tem que ser o exato. Não vale, por exemplo, pintar de Branco Neve
um automóvel que originalmente era Branco Lótus.
• Rebaixamento de suspensões.
O carro
deve estar com a altura correta do solo, senão é desclassificação
na certa.
• Motores e coletores de épocas
diferentes ou de outras marcas – O motor poderá ser
igual (se não for o original), porém com
características estéticas originais. A cor
do Motor também será excludente. Será aceito
apenas o motor na cor original com ressalvas a diferenças
de tonalidade do original.
Um bom exemplo
neste caso é o
Fusca. Até 1966 era equipado com motor 1200 cc.
A partir de 1967, passou a sair de fábrica com o
1300 cc. Portanto, é obrigatório que um Fusca
fabricado em 1966 que seja avaliado, tenha o motor original
de 1200 cc. Motores originais, mas pintados com cores extravagantes,
ou com filtros de ar esportivos, cabos de vela coloridos
de silicone ou coisas do gênero, também não
são aceitos.
• Bancos individuais ou esportivos
em carros de bancos inteiriços – Se o banco
não for o mesmo da linha de produção
do modelo, será considerado item excludente.
Os estofados
devem corresponder ao padrão de formato, forração e cores
de marca, modelo e ano de fabricação do veículo
a ser avaliado.
• Rodas inadequadas – (tolerar opcionais de fábrica) – A
mudança de aro e de tala será item excludente indiscutível.
Exemplares
exclusivos de um modelo especial serão aceitos apenas para o modelo especial
em questão, como o Fusca 1600 S, que possuía
rodas 14” e não 15” como dos outros
modelos de Fusca. Rodas esportivas de época, como “gaúchas”, “cruz
de malta” e etc... também excluem o automóvel
da avaliação. Caso como as rodas do Ford
Modelo A com a borda virada ou não, poderá ser
aceito, mas os pontos da roda serão dados como
zero.
• Carros muito originais porém
mal conservados, pois fogem ao princípio básico
de preservação e cuidado.
O veículo não precisa
estar impecável. Pode haver um certo desgaste natural
do tempo, sobretudo se o veículo nunca foi restaurado.
Mas isso não significa “em mal estado de conservação”.
• Carros ainda em recuperação.
Não tente conseguir Placa
Preta se seu automóvel ainda encontra-se em restauração.
Seja paciente e espere que ele esteja totalmente pronto,
mesmo porque, se não for desclassificado, com certeza
perderá pontos preciosos, não conseguindo
atingir os 80 pontos necessários.
• Ausência de equipamentos
obrigatórios, pois a segurança ao rodar,
preservando o seu patrimônio e a integridade de terceiros,
deve ser regra básica entre os colecionadores.
Automóveis sem extintor de
incêndio, triângulo de sinalização
e outros equipamentos exigidos pelo Denatran serão
desclassificados. Porém, existem alguns itens de
segurança de hoje que não são obrigatórios
em veículos antigos. É o caso do retrovisor
do lado direito e das luzes de marcha à ré.
• Réplicas – Não
serão aceitas reproduções de outros
modelos de épocas diferentes. Serão ponderadas
réplicas fabricadas sob licença das fabricantes
primárias.
Um bom exemplo
deste artigo são
as réplicas de Porsche dos anos 50 e 60, muito difundidas
no Brasil. Mas existem exceções. É o
caso do MP Lafer. Apesar de ser uma réplica do MG,
este carro não é assim considerado por apresentar
características e detalhes que o diferem do inglês
que o inspirou. Por isso é apto a pleitear o título
de Veículo de Coleção.
• Adaptações
a gás – Veículos adaptados ao sistema
de GNV não serão aceitos, porém em
casos como o gasogênio, este será considerado
como acessório de época.
O gasogênio foi muito utilizado
no Brasil durante a II Guerra Mundial, devido ao racionamento
de gasolina. Consistia na instalação no veículo
de um sistema que produzia gás a partir da queima
de lenha ou carvão.
2 – AVALIAÇÃO -
Procurar avaliar os automóveis
que conheça bem – Como é difícil
saber-se com detalhes os acabamentos de todas as marcas,
em todos os anos de fabricação, é conveniente
que cada clube possua avaliadores especializados em determinadas
marcas ou décadas. Também é interessante
conhecer antecipadamente o veículo que será avaliado,
pois isto permitirá uma consulta prévia aos
manuais.
Os avaliadores às vezes encontram
dificuldades em avaliar algumas marcas, principalmente
as de modelo mais raro. Esta razão faz com que faltem
fontes de referência que comprovem ou não
a originalidade do veículo.
3 – MARCAR DIA E LOCAL COMBINADOS – Concentrar
os trabalhos em um único dia e solicitar o funcionamento
do veículo, bem como analisar funcionamento de freios,
etc. A FBVA sugere que o tempo entre o pedido do C.O. e
a entrega à FBVA não ultrapasse 15 dias.
O automóvel a ser vistoria
não deve apenas “parecer” estar em pleno
funcionamento. Ele deve efetivamente “estar” em
perfeito funcionamento.
• Quanto aos
avaliadores, o mínimo de três avaliadores
será exigido
para a avaliação, porém, a assinatura será feita
por apenas duas pessoas, o Presidente do Clube e o especialista escolhido para
a avaliação do mesmo.
A FBVA recomenda
que uma junta faça
a avaliação, mas na prática nem sempre
isso acontece. Como diz o dito popular, duas cabeças
pensam melhor que uma. A troca de idéias traz como
resultado uma avaliação mais isenta e criteriosa.
4 – GRADUAÇÃO NA PONTUAÇÃO – A
pontuação
máxima deverá ser dada ao item que seja original
(ou de reposição semelhante ao original)
em perfeito estado. Não se pontuará aquele
item alterado grosseiramente. Situações intermediárias
levarão a pontuação entre os valores
máximo e mínimo.
• No item cores, serão
excluídas
as cores diferentes e analisar-se-á apenas a diferença
de tonalidade destas em comparação com a
cor básica original.
Digamos que
originalmente o estofado de seu carro antigo seja forrado
com um tipo especial de
tecido, fabricado na época especialmente para aquela
marca. No momento da restauração foi impossível
encontrar um novo tecido que seguisse exatamente a padronagem
original. A solução é refazer o estofado
com um material o mais similar possível. Os avaliadores
levam isso em consideração, pois sabem que
o material original não existe mais. O que não
se pode é restaurar totalmente fora do padrão.
5 – CAPOTAS– Aqui
serão
analisados os conversíveis e os veículos
com teto de vinil. Para os conversíveis, analisar
a cor, o tipo de tecido, as costuras, o desenho das costuras,
a posição da armação das ferragens
e seu funcionamento,. Os demais modelos que não
se enquadrarem nessas categorias deverão receber
a totalidade de pontos deste quesito.
Um
excelente exemplo de veículo
com teto de vinil é o Ford Landau. Ele possui
duas costuras paralelas por toda a extensão
do teto. A ausência desta costura
no vinil restaurado, por exemplo, tira pontos, por
mais
perfeito que seja
o trabalho.
6 – ORIGINAIS E RESTAURADOS -
Na identificação
do veículo, marcar se é original ou restaurado – Os
carros originais, sem restauração e em excelente
estado de conservação, poderão ser
avaliados com menos rigor em itens que se deterioram com
o tempo.
Dois carros
iguais. Mesma marca, mesmo ano. Um nunca foi restaurado.
Apresenta a pintura
um pouco gasta e fosca e alguns pontos de ferrugem nos
para choques, que são ainda os de fábrica.
O outro acaba de ser restaurado. Recebeu nova pintura e
cromados. No item “estado de conservação” a
avaliação do segundo será muito mais
rigorosa. A pintura deverá estar bem feita, sem
manchas, brilhante, com perfeito polimento. Os cromados
deverão estar realmente novos, sem embaçados,
descascados ou sinais de ferrugem. Mas atenção:
uma coisa é “desgaste pelo tempo” a
outra é “mal estado de conservação”.
7 – Dúvidas – Deverão
ser esclarecidas com o Diretor Regional da FBVA, que consultará especialistas
na área em questão. Caberá aos Clubes
filiados orientar os associados a respeito dos itens avaliados,
quais itens são excludentes, etc.
Antes de
fazer uma avaliação “pra
valer” é interessante conversar com o pessoal
do clube para saber que impressão que eles têm
sobre seu carro. Você pode receber valiosas dicas
de detalhes importantes a serem corrigidos.
8 – VEÍCULO NOTA
100 – Os critérios da FBVA dificultam a obtenção
dos 100 pontos, devendo a nota máxima ser reservada
a excelentes restaurações, que sigam rigorosamente
os padrões de originalidade (cuidado com as restaurações
acima dos padrões de originalidade). Todavia os
novos critérios não impedem a obtenção
do C.O., que é conseguido com pelo menos 80 pontos.
São consideradas “restaurações
acima dos padrões de originalidade” aquelas
em que são empregados materiais superiores aos originais.
Por exemplo: seu carro antigo saiu de fábrica com
estofados forrados com courvim e na hora da restauração
você segue o padrão original, mas utiliza
couro.
9 – VALOR DA AVALIAÇÃO – A
FBVA sugere que um processo de placa preta tenha o valor
máximo de R$ 120,00 dos quais R$ 40,00 será destinado à Federação
para custos operacionais e o restante ao Clube. O valor é apenas
uma sugestão, podendo o clube cobrar o que achar
melhor, desde que reserve a parcela destinada à FBVA.
Existem
clubes não filiados à Federação
Brasileira de Veículos Antigos que são credenciados
pelo Denatran a emitir Certificado de Originalidade. Os
valores acima não se aplicam a esses clubes, mas
apenas aos chamados “Federados”.
10 – ACESSÓRIOS E OPCIONAIS – Serão
permitidos apenas acessórios originais de época
ou opcionais de fábrica, desde que apropriados para
o modelo em questão e que estes não façam
parte do rol de itens excludentes.
Os acessórios não
necessitam obrigatoriamente ter sido fabricados no passado.
Podem ser novos, mas seguir exatamente o padrão
da época. É o caso, por exemplo, das faixas
brancas para pneus, que se mantêm inalteradas, sendo
ainda hoje fabricadas.
-
DOCUMENTAÇÃO -
1 – O Documento do veículo
(CRV) que será avaliado, deverá estar já registrado
em nome do sócio do Clube. Serão aceitos
casos onde o titular seja o cônjuge ou parentes em
grau de ascendência com o sócio e, para veículos
registrados em nome de pessoa jurídica, o sócio
do Clube deverá ser pelo menos o sócio-gerente
da empresa também. Serão tolerados casos
de nova aquisição, onde o nome do associado
deverá constar inscrito no recibo de venda do veículo.
2 – O C.O. emitido pela FBVA
em conjunto com os clubes membros, pertence ao carro e
não ao proprietário do carro. Assim, é um
documento que acompanhará o CRV (documentos) nos
casos de venda do veículo, ou vendas. Neste caso,
conforme o termo de responsabilidade assinado pelo proprietário
no processo de placa preta, a FBVA e o Clube responsável
pelo certificado do mesmo, deverão ser informados
sobre a mudança de proprietário. O novo dono
deverá também ser associado a um clube membro
da FBVA, pois, se não o for, o C.O. deverá ser
cancelado pelo Clube vistoriador, por ofício ao
Ciretran/Detran com cópia à FBVA que por
sua vez oficiará ao Denatran confirmando o seu cancelamento.
A FBVA e clubes associados tornam-se
responsáveis por um C.O. ao emiti-lo,
e assim, deverão manter estreita vigilância e observação
sobre o veículo portador. Face a isso, a mesma responsabilidade que
assumirão ao emitir o C.O. lhes autorizará cancelá-lo
perante as autoridades, sempre que alguma norma for desrespeitada ou o automóvel
beneficiário desapareça de seus quadros. Isso valerá aos
autos vendidos ou aos sócios que deixarem de pertencer aos clubes.
Veículos com Placas Pretas
deverão ser mantidos no mesmo estado de conservação
e não poderão de forma alguma ter suas características
modificadas após receberem as novas placas. Alguns
proprietários, valendo-se do famoso “jeitinho
brasileiro” modificam automóveis com Placas
Pretas. Uma prática abominável, que além
de ilegal é imoral!
3 – No processo de avaliação
não mais será obrigatório constar
o item R.G. nos espaços referentes aos dados do
proprietário.
Seu Carro está apto a receber o título
de "Veículo de Coleção"?
A Planilha de Pontuação abaixo é a oficial
da Federação Brasileira de Veículos Antigos. De posse dela, faça
uma avaliação informal de seu automóvel e veja se ele passaria
na vistoria. Lembramos que são necessários 80 pontos para que
o veículo seja aprovado. Mas lembre-se: seja imparcial, senão
não tem graça!
PLANILHA
DE PONTUAÇÃO
EQUIPAMENTOS OBRIGATÓRIOS:
Como o próprio nome indica,
a falta de qualquer desses itens impedirá a avaliação.
Deverão ser verificados os itens pertinentes a cada
modelo ou época do veículo. Serão
exigidos os que equipavam o auto em análise, quando
de sua fabricação, em perfeito funcionamento.
1 – Mecânica
(31 pontos)
Bloco do Motor / Coletores
(10 pontos): Atribuir unicamente ao automóvel que estiver com
motor original, em prefeito estado, inclusive de apresentação,
cor correta, limpeza, etc. Ou o motor é original ou
não. As exceções que cada avaliador
poderá aceitar ou não serão decididas
em função da qualidade do próprio
veículo ou sua raridade e julgada em separado pela
Comissão FBVA.
O motor não original poderá gerar
duas situações distintas:
- a) desclassificar
o automóvel,
impedindo sua avaliação, se for inadequado,
como de épocas e cilindradas diferentes, de outras
marcas, etc.
Ex: Ford modelo “T” com motor do modelo “A”; Chevrolet
Impala com motor de Corvette; Morris Oxford com motor de Chevette, etc...
-
b) Permitir a avaliação,
perdendo o total de pontos correspondentes, recebendo 0
(zero).
Ex: Chevrolet Bel Air 1955 6 cil. Com motor V8 que saiu
também no Bel
Air 55. Fusca 1200cc utilizando o 1300cc será permitido, mas os pontos
serão “zero”.
Motor do Fusca 1200cc alterado para 1500cc, será item desclassificatório.
Carburador/Filtro de ar
(3 pontos): Cada peça tem valor de 1,5 pontos. Carburador correto
e filtro de ar não, ou vice-versa, pontuar com a
metade (1,5).
Distribuidor/Cabos de velas:
(3 pontos): Não serão aceitos cabos de velas
coloridos se não originais, de alta voltagem, tampas
de distribuidor transparentes, etc.
NÃO HÁ PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA: OU TRÊS
PONTOS OU ZERO
Caixa de Câmbio/Diferencial
(2 pontos): Só para conjuntos originais. Carros
automáticos ou flid-drive transformados em mecânicos
(ou o contrário), caixas over-drive suplementares
quando não acessórios de época, perderão
os dois pontos.
SEM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA: OU 2
OU ZERO
Amortecedores/Elementos
Essenciais (2 pontos): Deverão ser os corretos do carro. Autos
com amortecedores de “bracinho” substituídos
por “garrafa”; a ausência de amortecedores;
amortecedores a gás ou ar comprimido quando não
existiam, etc, zerar pontos. SEM PONTUAÇÃO
INTERMEDIÁRIA: OU 2 OU ZERO
Rodas (5 pontos): Só originais.
Deverá ser verificado o estado das mesmas; só aceitar
rodas esportivas que forem opcionais de fábrica,
na época. Exigir rodas perfeitas e bem pintadas.
COM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA: considerando a aparência
e estado de conservação
Pneumáticos (2 pontos): As
medidas deverão ser corretas; o tipo (radial, Wide-Oval,
ou diagonal, etc) idem. O estado de segurança deverá ser
observado.
Ex: em um Chevrolet 1947 os pneus deverão ser 600x16 ou 650x16; no Impala
1961, 700x14 – 750x14 ou 800x14, sempre diagonais. Não aceitar
pneus radiais onde o equipamento original era de pneus diagonais. Poderão
ser aceitos ajustes em alguns poucos carros europeus cujas medidas intermediárias
já não são mais fabricadas, como alguns modelos Citroén,
Alfa-Romeo, etc.
Faixas brancas não serão exigidas, pois eram opcionais.
COM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA: vai de “0” a “2” pontos
Freios (4 pontos): só para
os sistemas originais. Freios a disco ou hidrovácuo
quando não os havia; substituição
de travão por sistema hidráulico, etc. zerar
pontos.
SEM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA: OU 4
PONTOS OU ZERO
2 – Parte Elétrica
(10 pontos)
Voltagem (03 pontos): unicamente
para voltagem original. Se modificada, zerar ponto.
SEM INTERMEDIÁRIA: OU 3 OU ZERO
Dínamo/Alternador
(03 pontos): só para
o sistema original. Se substituído
o dínamo por alternador ou alternador por outro
que não o do carro, independentemente da voltagem,
zerar a pontuação.
Assim, por exemplo, o automóvel que passou de 6 para 12 volts e houve
a substituição do dínamo por alternador, perderá 6
pontos (3 da voltagem + 3 do alternador), não perdendo mais nenhum ponto
por lâmpadas, motor de arranque, bobina, etc...
Em casos de troca de voltagem mas com permanência do dínamo (substituição
do dínamo de 6 volts por um outro dínamo de 12 volts da mesma
marca) será considerada a pontuação intermediária.
COM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA: DE 3 PONTOS ATÉ ZERO
(considerar a mudança de voltagem mas a não troca de dínamo
por alternador)
Instalação Elétrica
(02 pontos): Deverão ser verificados a qualidade
e o estado da fiação, sem emendas desnecessárias
com fita isolante, etc, sua correta posição
na parede de fogo, terminais adequados, etc..
COM INTERMEDIÁRIA: DE 0 ATÉ 2 PONTOS
Bobina/Magneto (02 pontos): Deverão
ser idênticas às originais, não sendo
aceitas bobinas especiais de alta performance, coloridas,
etc..
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA: DE 0 ATÉ 2 PONTOS
3 – Parte Externa do Veículo
(38 pontos)
Pintura (08 pontos): as cores e
o esquema de pintura deverão ser os originais da época.
Não serão aceitas cores que definitivamente
não se aplicavam ao modelo em exame, carros maquiados
com faixas ou semelhanças características
de determinado modelo só serão aceitos no
modelo original. A pintura deverá estar em bom estado,
sem manchas de retoques ou outras. A cor correta do motor
deverá ser também avaliada. Quanto mais original
e antiga (sem restauração) mais será tolerado
o desgaste.
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 8 PONTOS, PORÉM
CUIDADOSAMENTE AVALIADA.
Carroceria (05 pontos): Perfeição
na funilaria, alinhamento de lataria e partes móveis,
etc. Não deverão ser aceitos autos grosseiramente
lanternados, com partes deformadas, etc.
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 5 PONTOS.
Cromados, Frisos e Adornos
(05 pontos): Deverão ser observados a qualidade e estado das
partes cromadas: não deverão ser aceitas
partes muito enferrujadas, cromados descascando ou mesmo
disfarçados com tinta metálica. Ao avaliar-se
este item, deverão ser verificados também
se eram adequados ao carro em análise os adornos,
frisos, espelhos exteriores, etc.
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 5 PONTOS.
Pára-Choques (05 pontos): Dever-se-á verificar se são os corretos do
carro, bem como suas garras e protetores. O aspecto cromeação
já foi analisado no item anterior.
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 5 PONTOS.
Calotas (03 pontos): Só serão
aceitas as originais do carro. Deverá ser avaliado
seu estado de conservação. Se não
forem as calotas corretas, a pontuação deverá ser
zerada.
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 3 PONTOS.
Faróis/Lanternas (05 pontos): Deverá ser verificado se são os originais
e em que estado se encontram. Ex. Não deverão
ser aceitos faróis selados em Ford 29; faróis
de lâmpadas onde o original deveria ser Sealed-Bean,
etc. Faróis auxiliares, considerados acessórios
de época, serão avaliados no item adornos.
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 5 PONTOS.
Vidros (02 pontos): Deverão
estar em bom estado de apresentação e segurança.
Não poderão estar quebrados, rachados ou
muito riscados, principalmente sulcados por limpadores
de pára-brisa.
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 2 PONTOS.
Capotas (05 pontos): Neste item
serão avaliados duas situações distintas,
para carros conversíveis e veículos com teto
de vinil:
a- Conversíveis: Deverá ser verificada correção
do desenho, armação, cajados, fixação, tipo de
tecido ou plástico usado, costura correta, funcionamento do mecanismo
e estado de conservação. b- Teto de Vinil: Deverá ser
analisado se o vinil do teto é original ou do mesmo
tecido e estampa, analisados a cor, estado de conservação
e a posição correta das costuras.
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 5 PONTOS (Carros
não conversíveis e que não possuem o teto de vinil,
somar os 5 pontos).
Caçambas (05 pontos): Item
exclusivo para pick-ups (veículos que não
possuem caçamba adicionar os 5 pontos), Deverão
ser analisadas as condições do assoalho,
originalidade dos mesmos, a correta posição
das dobras da lata, o material dos pára-lama, a
posição correta da placa traseira, etc..
COM PONTUAÇAO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 5 PONTOS.
4 – Parte Interna do Veículo
(21 pontos)
Painel (06 pontos): Parte muito
importante. Deverá conter, e somente conter, todos
os relógios e instrumentos de origem, em bom estado
e com boa grafia, o rádio (quando houver) nos lugares
corretos (serão tolerados relógios adicionais
de temperatura “termostato” desde que escondidos
da visibilidade do painel). Painéis em cores extravagantes
que destoem do conjunto harmonioso do painel, serão
considerados item excludente. Rádios modernos serão
aceitos desde que escondidos, afinal, o proprietário
também tem o direito de visar o prazer ao dirigir
o seu antigo.
COM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA DE 0 A 6 PONTOS, PORÉM
CUIDADOSAMENTE AVALIADA
Estofamento (06 pontos): somente
para os originais, refeitos ou substituídos no desenho
e com materiais idênticos aos originais. Poderão
ser tolerados sinais de desgaste quando o estofamento for
o original do carro.
COM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 6 PONTOS,
Volante e Aro da Buzina
(3 pontos): somente para os originais e em bom estado.
Não sendo o original, a pontuação
deverá ser zerada.
COM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA DE 0 ATÉ 3 PONTOS
Forração do Assoalho,
Tapetes e Carpetes (02 pontos): somente para os originais,
refeitos ou substituídos no desenho, na cor e com
materiais idênticos aos originais.
SEM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA
Maçanetas (06 pontos): somente
para os originais ou idênticos aos originais.
SEM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA
Porta Malas (02 pontos): somente
para os originais ou idênticos aos originais.
SEM PONTUAÇÃO INTERMEDIÁRIA
Elaboraram
o Manual do Avaliador: José Candido S. Muricy Neto
(mediador e líder do grupo);
Altair Manoel; Eugenio de Camargo Leite;
Geronço Jorge Bragança;
Gustavo Linhares Beuttenmuller Neto;
José Maria Vasques Galende;
Otávio Pinto de Carvalho;
Paulo Mostardeiro Werberich;
Ronay de Andrade Pereira;
Rubens Ronald Hay Junior;
Tiago Simões Ferreira
Fonte do Manual do Avaliador: Fórum Nacional de Veículos
Antigos, o Fórum oficial da FBVA na internet.