• Lugares
Tinha
um museu no meio do caminho
No meio do caminho tinha um museu
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| O museu fica em plena zona rural |
O marco à beira da estrada de terra
batida nos indica que estamos no caminho certo, embora pareça
estranho. Esta é sem dúvida a histórica Estrada
Real, um trecho do “Caminho Velho”, utilizado desde
os tempos imperiais, ligando Vila Rica - hoje Ouro Preto-MG -
à Paraty-RJ, passando por ínumeros municípios,
sobretudo de Minas Gerais. Estamos bem próximos à
cidade turística de Tiradentes, talvez há uns 4
quilômetros de seu Centro Histórico. Ao final daquele
caminho fica Bichinho, distrito de Prados.
A paisagem é tipicamente rural.
Ao longo da estrada, montanhas, pastos, cercas de arame farpado...
Olhamos em volta. Nenhuma construção. A decida torna-se
mais íngrime. A tarde estava linda, estávamos entrando
na Primavera. Ficamos imaginando como seria transitar por alí
em dias de chuva.
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| As vacas nos deram as boas vindas |
Mais à frente já há
calçamento, feito de pedras típicas da região.
Embora cruzássemos com pouquíssimos carros, passamos
por um restaurante bastante movimentado construido no fundo de
um vale, cujo cartaz informa ser recomendado pelo Guia 4 Rodas.
Parece mesmo bem chique!
Seguimos em frente. Mais um quilômetro
e finalmente estamos chegando ao Sítio Pau D’Angu.
A cena e meio surreal. Na placa os dizeres: “MUSEU DO
AUTOMÓVEL DA ESTRADA REAL. Estacionamento a 100 metros”.
Ao fundo, algumas vacas pastam tranquilamente e param o que estão
fazendo para nos observar tirando fotos.
Na beira da estrada um grande galpão
onde fica a porta de entrada do museu. Ao fundo, algumas construções,
inclusive a residencia de seus proprietários. Somos recebidos
por Thales Teixeira Moura, administrador da entidade e filho de
seu idealizador, o engenheiro Rodrigo Cerqueira Moura.
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| Thales e o acervo europeu da entidade |
Thales nos conta que seu pai já
coleciona carros antigos desde 1976, época em que adquiriu
um Jeep Willys 1951, que hoje faz parte do acervo. Desde então,
foi contaminado pelo virus da ferrugem e sua coleção
de clássicos só fez crescer, culminando com a inauguração
do Museu do Automóvel da Estrada Real, em março
de 2006.
Atualmente o espaço conta com 44
automóveis fabricados entre os anos de 1920 a 1970, em
três recintos distintos, mas interligados, divididos entre
americanos, europeus e nacionais. Estes últimos em menor
quantidade, para nosso espanto. – “É muito
mais difícil restaurar carros de fabricação
nacional, devido à falta de peças de reposição.
Para carros importados encontramos praticamente tudo de que necessitamos”,
nos conta Thales.
Por falar em restauração,
tudo é feito ali mesmo: funilaria, pintura, elétrica,
tapeçaria e mecânica. Aliás, o serviço
de mecânica é tarefa dos finais de semana do próprio
Rodrigo, que faz questão de pôr a mão na graxa.
Atualmente cerca de 15 carros encontram-se nas mais diversas fases
de restauração e outros 15 aguardam a sua vez de
voltarem a ter todo o esplendor dos tempos em que saíram
das linhas de montagem.
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| O americano Aero-Ace, primo 2 portas
do Aero Willys |
Das terras
do Tio Sam
Começamos a visita pelo “setor
americano”, onde o mais antigo morador é o Buick
Phaeton 1928, um automóvel com certa sofisticação,
ao gosto da classe média alta da época. È
possivel aprecisar também um Studebacker Champion 1948,
cuja traseira futurista lembra uma nave espacial; um Packard 300
e sua enorme frente cromada; um Ford 1937, que apesar das marcas
do tempo, nunca foi restaurado devido a seu ótimo estado
geral de conservação; além de outros Fords
e Chevrolets de diversos anos (inclusive um Bel Air 1956), Dodge,
Plymouth e Pontiac.
Mas o mais raro americano do acervo é
o Willys Aero-Ace 1952. Trata-se de um sedan de 2 portas, cuja
versão 4 portas, chamada Aero-Bermuda nos Estados Unidos,
foi fabricada no Brasil com o nome de Aero-Willys até 1962.
Ou seja: é o nosso velho conhecido Aero Willys “bolinha”,
só que na versão duas portas.
Velho Mundo
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| O raríssimo Renault Fregate |
Na seção Europeia, veículos
que por suas particularidades marcaram a indústria automobilistica
mundial. Logo na entrada do pavilhão o sueco Volvo PV 544
1959 dá as boas vindas ao visitante. A seu lado, um Fiat
502 1932. Um veiculo desenvolvido a pedido de Benito Mussolini,
que queria um automóvel popular italiano. Em seguida, quantro
carros revolucionários, fabricados pela até hoje
surpreendente Citroén. O primeiro um Traction Avant 11
Legére 1954. Depois seu sucessor, o DS-21 Super, com suas
linhas aerodinâmicas e suspensão pneumática,
que garatiam a ele uma incrível estabilidade. Logo a diante
um 2CV fabricado em 1972, um carro super popular, fabricado por
nada menos que 42 anos (1948-1990). O último automóvel
adquirido pelo museu vem a seguir: outro 2CV, desta vez na versão
Furgão, vindo da Argentina.
Há também um Opel Olympia
1957, um Zephir 1965 fabricado pela Ford Inglesa, dois Mercedes
Benz e um Mini Astin 1968. Lá no fundo, o esportivo MG
Midget 1961 não denuncia aos desavisados qual a sua mecânica
por de baixo de suas belas linhas: do exemplar em questão
havia apenas a carroceria. Por isso optou-se por salva-lo utilizando
chassi e mecânica Volkswagen 1600. A adaptação
ficou de primeira!
Também fazem parte do setor europeu
duas raridades: o inglês Humber Halk 1948 e o francês
Renault Fregate, um carro fabricado apenas entre 1950 e 1960,
periodo em que foram comerializados cerca de 180 mil unidades.
O do museu é um dos únicos exemplares do qual se
tem notícias no Brasil.
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| FNM JK 1960: 2º lugar nas
Mil Milhas |
Tupiniquins
Como dito acima, quem gosta de carros nacionais,
talvez se decepcione um pouco, já que não há
muitos exemplares. Mas a razão para a escassez foi dada
também acima: a falta de componentes para a restauração.
Há um Galaxie 1967, um Renault Dolphine 1962, um Fusca
1966, dois DKWs sendo um Belcar 1965 e um Vemaguet 1966, um Opala
1969, um Itamaraty 1966, um Simca Chambord 1965 e um Dodge Polara
1980. O mais curioso entre os brasileiros é o FNM JK 1960
de competição, que foi pilotado por Chico Land nas
Mil Milhas Brasileiras de 1961, tendo ficado em 2° lugar na
prova.
O espaço destinado aos automóveis,
é amplo e ventilado. Cada um possui sua respectiva plaqueta
de identificação. Notamos que ao contrário
do que acontece na maioria dos museus, nenhum automóvel
do acervo encontra-se sobre cavaletes. Thales nos explicou que
todos os carros, sem exceção, estão em pleno
funcionamento e condições de uso, sendo inclusive
alugados regularmente para casamentos e emissoras de TV para a
produção de novelas e outras atrações
do gênero. Inocentemente perguntamos a ele se o museu dispunha
de um caminhão-prancha para fazer o transporte dos automóveis.
– “Não. Automóvel tem que circular.
Todos saem daqui rodando por esses caminhos de terra e de pedra.
Afinal, foram projetados numa época em que as estradas
eram bem piores que hoje”.
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| Os "carrões" americanos |
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| De cima para baixo: Tempo Matador,
DKW Fissore e Plymouth Belvedere |
Saindo do recinto do museu, fomos para
os fundos da propriedade, conhecer os veiculos em fase de restauração.
Já no primeiro galpão encontramos um Plymouth Belvedere
1957, modelo semelhante ao Fury do filme “Christine, o carro
assasino”. A seu lado uma Jeep Station Wagon 1952, a antecessora
de nossa velha conhecida, a Rural. A seguir um pouco conhecido
Tempo Matador, um veíiculo de fabricação
alemã, cuja mecânica é a mesma dos Volkswagens.
Seguindo em frente, encontramos um caminhão
inglês Thornycroft 1952, com mecânica ainda original
e novamente em pleno funcionamento, dependendo agora de pintura
e montagem. Tivemos o prazer de conhecer também a “Charmosa”,
uma jardineira Chevrolet de 1935 que faz passeios noturnos pelas
ruas de Tiradentes, levando turistas. Que delícia de programa,
hein!?!
Mais à frente, um novo galpão.
Agora com carros em fase de montagem e manutenção
mecânica. De cara um DKW Fissore quase pronto, aguardando
apenas vidros e outros detalhes de acabamento. No mesmo espaço
um Dodge Kingsway, uma Kombi, um Jeep, um antigo trator, um Peugeot
504 e um Mercedes Benz dos anos 1950. Todos em pleno andamento
de seus respectivos restauros. Em breve estarão dividindo
com as outras máquinas maravilhosas o espaço do
museu, que certamente terá que ter seu espaço ampliado,
como alías já aconteceu recentemente: o recinto
dedicado aos europeus acaba de ser inaugurado. Ainda bem que terreno
é o que não falta no sítio!
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| Um galpão de raridades esperando
a vez |
O próximo galpão que visitamos
é uma atração à parte para quem realmente
gosta dos grandes clássicos. Empoeirados, lá repousam
automóveis de vários países e de várias
épocas. Aguardam pacientemente a sua vez para dar início
à restauração: Chrysler Windsor 1948, Buick
Roadmaster Sedanet 1947, Ford Crestliner 52, Nash Enbassador 1951,
Pick-up International 1956, Volvo 144 1967, Plymouth De Luxe 1946,
Mercury Town Sedan 1946, Austin A40 e Pickup Austin A50 , Ford
Consul 52, Morris Minor 1950 e Citroén 2CV. Só carros
de grande signicado histórico.
O Museu do Automóvel
da Estrada Real é o resultado do bem sucedido sonho de
Rodrigo Cerqueira Moura, um verdadeiro apaixonado por essas belas
e representativas máquinas. Quando se pensa em museu do
automóvel, vem imediatamente à nossa mente um cenário
bastante urbano. Uma grande cidade, com ruas asfaltadas, trânsito,
pessoas... porque o automóvel é um meio de transporte
tipicamente urbano. Então, ficamos imaginando, como deve
ter havido gente torcendo o nariz para seu projeto no início.
Sendo posto em prática alí, em plena zona rural.
Um empreendimento e tanto, não apenas por sua estrutura,
mas também por sua filosofia.
MUSEU
DO AUTOMÓVEL DA ESTRADA REAL
Estrada Real Tiradentes - Sítio Pau D'Angu
Distrito de Bichinho - Prados, MG
(acesso através da cidade de Tiradentes)
Tel.: (32) 3799-8033
Ingressos: R$ 5,00
Antes de visitar, confirme dias e horários de funcionamento