• Debate
Idéias
para a emissão controlada de placas pretas
*Alexander
Gromow
De
uma conversa por Skype com o amigo Fernando Barenco, com base
no comentário que deixei na excelente matéria do
Paulo Afonso Trevisan (A busca da autenticidade), ficou combinado
que eu colocaria no papel as bases da minha visão sobre
o procedimento moderno e globalizado de consultoria técnica
para emissão de placas pretas. Ainda sem o compromisso
de um plano completo, mas com idéias para iniciar, talvez,
as conjecturas sobre a modernização em torno de
um assunto importante que a cada dia que passa desponta no meio
antigomobilista, infelizmente, pelos exemplos errados que estão
surgindo em todos os cantos.
Além da ação de saneamento
necessária em caráter de urgência para que
não venha a se perder o instituto da placa preta, é
necessário lançar as bases de um trabalho que possibilite
um nivelamento adequado, se possível por cima, das análises
dos carros colecionáveis e um método que possibilite
evitar ao máximo possível as aberrações
que vem sendo registradas. Muitas delas originadas por puro e
simples desconhecimento de causa dos vistoriadores envolvidos.
Premissa:
hoje e dia com todos os recursos que se tem a nível
organizacional, de comunicação (Internet, Skype,
e-mail) e foto digital, não é aceitável que
carros continuem a ser avaliados de maneira errada por falta de
conhecimento e recebendo placas pretas de maneira errônea.
Várias entidades que detém
a homologação para emissão de placas pretas
não possuem corpos técnicos especializados em carros
antigos de uma maneira geral e ampla (e às vezes nem da
própria marca), mas isto não tem impedido que seja
emitidos laudos de avaliação por pessoas que não
conhecem aquele tipo de veículo, o que pode resultar em
placas pretas emitidas sem o devido embasamento, passíveis
de serem cassadas numa revisão apurada. Como a que se pretende
fazer agora para o necessário saneamento do que virou uma
“terra de ninguém” em muitos dos casos.
Proposta
de solução: a questão passa
primeiramente pelo reconhecimento das verdadeiras áreas
de competência para as diversas marcas, e dentro das marcas
para determinados tipos de carros, caso necessário. Isto
porque não basta ser um clube de uma determinada marca
para automaticamente passar a ser “especialista por decreto”,
há de se demonstrar o conhecimento necessário. Temos
vários exemplos que, infelizmente, demonstram o mau uso
da chancela de clubes na emissão de placas pretas indevidas.
Áreas de competência no Brasil
podem ser clubes homologados como tal, oficinas especializadas
e homologadas (com mecânicos reconhecidamente experientes),
colecionadores estudiosos de dados modelos de veículos,
e museus reconhecidos (pena que a maioria dos fabricantes não
se interessa pelo assunto por aqui). Para este trabalho de homologação
será necessário fazer uma auditoria em caráter
rotineiro, depois da homologação inicial (caberá
à entidade central o trabalho de coordenar e auditar o
trabalho de homologação dos centros de competência).
Disso resultará o mapeamento do arcabouço de experts
por marca e por veículo no Brasil.
Temos um plantel de carros incrível
e talvez haja carros para os quais não tenhamos suficiente
expertise para a análise necessária. Neste caso
sempre é possível usar a comunidade internacional
e fazer acordos operacionais com clubes estrangeiros de reconhecido
renome na marca e no tipo de carro em questão. Como efeito
colateral benéfico teremos o fomento da troca de idéias
e experiência entre estas entidades e nossos antigomobilistas.
No caso de clubes brasileiros que recebam
uma solicitação de peritagem para fins de placa
preta de um carro para o qual não estejam homologados,
não haveria problema. Através de um elenco de documentos
levantados sob a responsabilidade do clube local (dados de documentação
conforme roteiro específico e fotos segundo especificação
única – determinando quantidade, ângulos e
distâncias da câmara ao objeto, etc.) a entidade central
encaminharia o pedido de homologação para a área
homologadora certificada, brasileira ou estrangeira. Na volta
do laudo é decidida a concessão da pontuação
e verificação da possibilidade de emissão
da placa preta correspondente. Em casos de dúvida é
possível fazer a transmissão de imagens dos carros
em tempo real através de esquemas tipo Skype com web cams
detalhando aspectos do veículo em questão.
O ideal é que toda esta tramitação
de documentos ocorra através de uma ferramenta de colaboração
via Internet, de maneira que tudo fique registrado no ambiente
da ferramenta e que todos os envolvidos tenham acesso aos processos
em tramitação conforme as respectivas autorizações
de acesso.
Conclusão:
estas são somente as idéias básicas,
o detalhamento do esquema é um passo seguinte. O importante
é que nos dias de hoje se lance mão das ferramentas
que são disponíveis para de uma maneira racional,
organizada e sob um controle amplo, sanear a emissão das
placas pretas, apoiar os clubes na missão de avaliar carros
para os quais não tenham a respectiva homologação
(neste caso servindo como agentes vistores remotos – recebendo
a ajuda técnica dos respectivos centros de competência
homologados). Todos os antigomobilistas reais sairão valorizados
com a implantação de um esquema como este, pois
o número de placas pretas indevidas tenderá a ser
anulado.
Reitero que estas ações
são para as placas pretas novas. Já a ação
de saneamento é um assunto para outra reflexão.

*Alexander
Gromow - Ex-Presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor
do livro EU AMO FUSCA e compilador do livro EU AMO FUSCA II. Autor
de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e
na imprensa nacional e internacional. Participou do lançamento
do Dia Nacional do Fusca e apresentou o projeto que motivou a
aprovação do Dia Municipal do Fusca em São
Paulo.
Lançou o Dia Mundial do Fusca em Bad Camberg, na Alemanha.
Historiador amador reconhecido
a nível mundial e ativista de movimentos que visam à
preservação do Fusca e
de carros antigos em geral. Participou de vários programas
de TV e rádio sobre o assunto.
É colunista do Portal Maxicar.