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Em noite de gala, Bird homenageia antigos amigos de pista

 

 

• Lançamento

“Entre Ases e Reis de Interlagos”, de Bird Clemente

Antes de iniciar o relato desta festa única, que aconteceu no dia 17 de novembro de 2008 em São Paulo, eu gostaria de externar o que certamente é voz corrente entre os antigomobilistas e os amantes do automobilismo brasileiros, seja da minha idade, mais experientes ou mais jovens, tanto faz.Falo de uma figura que desde que surgiu no cenário despontou no que fez, tanto em suas atitudes profissionais como gestor bem sucedido de empresa na Alemanha e no Brasil, como muito mais do que um mecenas, um incentivador, uma pessoa que realmente vibra com as coisas do ramo. Talvez porque assim como eu ainda “guri”, ele também assistia às corridas de rua da Mui Leal e Valerosa Porto Alegre dos Casais...

Todos sabem que sou um Fuscamaníaco e, portanto, peço licença para reproduzir uma frase de outro grande capitão de indústria, Professor Heinrich Nordhoff, que fez de um monte de escombros a maior fábrica de automóveis da Europa (a VW) e de um carro em que ele no início não acreditava (o Fusca), um dos maiores sucessos de venda jamais vistos:

“Wertvoll an einem Unternehmen sind nur die Menschen, die dafür arbeiten, und der Geist, in dem sie es tun.” (“O valioso numa empresa são somente as pessoas que para ela trabalham e o espírito com o qual elas o fazem.”)

Obviamente falo de Claus Hoppen, da Mahle que ultrapassou a definição do também grande Nordhoff então da Volkswagen. Ele foi muito mais além: não basta a empresa ter tecnologia, um fantástico parque industrial, produzir qualidade, ter um nome se não tiver gente. E nós, antigomobilistas e amantes do automobilismo temos a sorte de a Mahle ter à sua frente alguém do quilate de Claus Hoppen que há tantos anos nos brinda com a possibilidade de resgatar e manter registrada estas histórias e estas trajetórias. Ele apenas poderia fixar-se em suas metas de venda em seus business plans e em seus planos de expansão fabril, que já estaria de bom tamanho para a sua fantástica carreira profissional, mas o seu coração vibra forte com esta atividade que reflete em fantástico benefício para todos nós. Ele também dedica o seu espírito ao preservacionismo e propicia condições para que as coisas realmente aconteçam.
Eu abro aqui um repto para encontrar um modo de agradecer a ele, pois minha imaginação, confesso, não foi o suficiente para encontrar um modo de fazê-lo de modo adequadamente completo...

Para quem está chegando agora ao “cenário dos acontecimentos” basta dizer que o livro “Entre Ases e Reis de Interlagos” em si foi editado com apoio da Mahle e a fantástica festa e o que nela foi distribuído igualmente foi um generoso presente desta empresa. E isto já ocorreu em outras ocasiões com outros livros. Talvez esta festa tenha sido algo muito especial e se destacado das demais, mas todas tiveram seu brilho e valor.

A festa que passo a relatar foi um momento de enlevo para quem, como eu, ainda conheceu Interlagos com o Box de madeira e um tipo de pontilhão ligando o Box às precárias arquibancadas.

Já na entrada da Estação São Paulo, no dia 17 de novembro de 2008 os participantes da festa eram brindados com uma breve amostra de carros que foram conduzidos por Bird Clemente, marcando época:

Vista do interior do salão do evento sem realce de exposição na foto, demonstrando a penumbra reinante.

O ambiente era muito sofisticado, talvez um pouco escuro demais, eu encontrei amigos na base do tropeção, ou seja, trombando com eles, devido à escuridão... Gente que eu não via há tempos, o Cláudio Carsughi, o Losacco, o Bob Sharp (sempre falamos por telefone, mas nos vemos pouco), o Fernando Calmon, o Og Pozzoli, o Ervin Moretti, Eduardo Pessoa de Mello e muitos outros. Gente boa... Certamente não vi vários outros devido à iluminação do ambiente. Havia uma interessante amostragem entre automobilistas e antigomobilistas, se bem que há vários “polivalentes” entre eles.

Toda a festa de lançamento deste livro teve uma conotação muito pessoal do Bird Clemente que não se limitou a escrever esta obra, dividindo suas histórias com o presente e preservando as para o sempre, mas com um supremo carinho, amizade e consideração acalentou aos presentes e aos ausentes, fechando um circulo de amizade que não se abrirá jamais, pois fechado foi com o sangue, suor e lágrimas das pistas ainda precárias, dos carros idem, mas das incríveis e audazes competências ao volante.

Ao lado de Claus Hoppen Bird Clemente explica que havia solicitado à Mahle a confeccção de troféus com a réplica de pistões de motores DKW que graças à alta tecnologia empregada pela Equipe da Fábrica VEMAG liderada por Jorge Lettry chagava no fim do retão de Interlagos a mais de 200 km grudados nos Corvette.

Uma geração, que como o próprio Bird tão bem definiu, foi o ninho de onde nasceram águias que alçaram vôos rumo à Europa e de onde, com orgulho, tivemos o nosso primeiro Campeão Mundial de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi. Ele não seguiu este caminho por opção própria, preferindo ficar por aqui mesmo.

No início do evento foi apresentado um vídeo com uma “visão em diagonal” da trajetória do Bird Clemente. Um material elaborado com muito carinho por um grupo de amigos e antigos contendores que despertou, mais uma vez, respeito, admiração e saudade dos tempos em que havia alguém materializando um extraordinário “teorema da quadratura da curva perpendicular reta”, deu para entender? Não se preocupe, até hoje tem gente que viu como era feito e ainda não consegue entender... Abaixo duas fotos do lindo vídeo:


Como mostra o “insert” eu estava lá no meio do público me deliciando com este fantástico acontecimento. Incrível o equipamento fotográfico do Alexandre Tokitaka (fotógrafo da Mahle) para ter conseguido este flagrante.

Pois é, o comparecimento de público foi notável, o enorme salão focou pequeno para abrigar a multidão de convidados que vieram presenciar um evento único, a coroação da fase áurea do automobilismo com Bird Clemente que fez questão de convocar o pessoal de seu tempo.

O lindo e significativo troféu que fez os automobilistas amigos do Bird e seus homenageados subirem “ao podium” do evento que era o palco

Alguém poderia pensar que a festa era para o Bird e para o lançamento de seu livro mas ele não achava isto não. Ele pensou em seus amigos, pediu que todos que são citados em seu livro e que estivessem disponíveis e em condições fossem convidados, e isto foi feito com uma resposta excelente. Para eles foi elaborado, segundo plano do próprio Bird, um troféu com a réplica do pistão do motor do DKW.

Inicialmente o Bird citou duas pessoas, o “Barão” Fittipaldi e depois o Mauro Salles, mentor da Equipe de Competição de Fábrica da Ford. Na seqüência a entrega do troféu ao neto de Walter Salles que depois passa mesmo a seu avô na foto seguinte:

Reginaldo Leme, que escreveu o prefácio passa o troféu ao neto de Mauro Salles. Reginaldo acabou falando de improviso colocando para fora o tanto de emoção que o evento havia trazido.
Mauro Salles recebe o troféu das mãos de seu neto, um momento de emoção para todos. Instantes antes o menino havia lido uma mensagem escrita pelo avô para o Bird Clemente

Segue-se a entrega de vários troféus e dois depoimentos, de importantes figuras que não puderam comparecer, foram projetadas para o público, falaram deste modo Emerson Fitipaldi e Alex Dias Ribeiro. Lembranças e emoções, muito bom mesmo.

Aqui o Bob Sharp falando sobre a série especial em homenagem aos automobilistas já desaparecidos. Bob, que escreveu uma das abas do livro e trabalhou na a confecção deste compêndio, atuou nos preparativos da festa, o que certamente colaborou para seu brilhantismo.

O tempo passa e muitos dos players desta fantástica história de coragem e lutas já não estão mais entre nós e mesmo assim o Bird não se esqueceu deles! Com um carinho fantástico ele mandou confeccionar uma série especial de livros, com as fotos destes heróis. Fez uma dedicatória especial dirigida às famílias deles e delegou ao Bob Sharp a tarefa de entregar o primeiro dos livros à viúva do José Carlos Pacce (Moco). Aliás, num dos grandes prêmios de Mônaco na década de 70 eu tive a honra de falar com o Moco no treino do sábado, o caminhão dele estava antes do “túnel” e ele estava encostado numa palmeira esperando que o carro fosse aprontado, gente fina, nos atendeu com fidalga alegria...

A idéia aqui não é escrever um livro sobre o livro, mas certamente é uma “missão impossível” traduzir o montante de emoção e alegria que todos os participantes sentiram ao participar deste evento único, marco na história do automobilismo brasileiro, não só pelo lançamento de uma importante obra, mas pelo modo pelo qual ela foi lançada.

A mim cabe o agradecimento a Dona Hilda Melo, Assessora do Sr. Claus Hoppen, que me convidou (e facilitou o acesso às excelentes fotos do Alexandre Tokitaka), aproveito para parabenizá-la pelo sucesso da festa que deve ter dado um trabalhão em sua complexa logística. Agradecimento e parabéns ao Sr. Hoppen por mais este tento marcado. Parabéns ao Bird Clemente pelo livro e pela sensibilidade na condução de todos os detalhes da festa. Parabéns aos players que compareceram e foram distinguidos com seu troféu. Finalmente parabéns ao público em geral que além de levar o seu livro, levou uma recordação para sempre...

Texto: Alexander Gromow
Fotos: Alexander Gromow e Alexandre Tokitaka