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• Aventura

De Dodge, rumo à Serra Gaúcha!

Tudo começou com uma brincadeira numa lista de emails. Daniel Pavam convidou o pessoal do Rio Grande do Sul para conhecer um encontro de carros aqui em São Paulo. E pensou que os gaúchos não viriam. Lançou o desafio: —Se vocês vierem para o nosso encontro aqui em São Paulo, iremos a Garibaldi e ainda por cima rodando com um Dodge (só para intimidar os gauchos)!

O tempo passou e o encontro de São Paulo estava chegando. Faltando um mês, os gaúchos mandaram um email para o Daniel: — Pode fazer uma revisão no carro, pois estamos indo para São Paulo. Alugamos um ônibus.

Então Daniel pensou: — Agora não tem jeito, tenho que cumprir a promessa. Preciso chamar 2 pessoas para irem comigo para o sul. Foi aí que tudo começou!

Um belo dia, Daniel chegou em minha casa e me fez o convite. A princípio relutei, pois seriam mais de 2 mil quilômetros de viagem. Mas por fim, acabei aceitando. Chamamos outro amigo, o Erick, que topou também. 5 meses antes começamos a preparar o carro: revisão geral, freios, e outras coisas que levamos de reserva, como alternador, bobina, estepe... Acabamos não usando nada na ida, já que o Dodge Dart SE 1973 está desde zero na familia do Daniel, e sempre foi muito bem conservado. Um carro com 35 anos!

Marcamos a viagem e saimos de férias dos serviços. Eu trabalho numa concessionária da GM, o Erick na GM, e o Daniel na Ford. Juntamos dinheiro, fizemos planilha de gastos e esperamos o dia chegar.

Confesso que quando a data chegou, a ficha não caia de jeito nenhum. Nas últimas semanas antes da viagem nossa caixas de e-mail ficavam lotadas de mensagens da turma do sul. Responde, envia, lê, explica, ensina caminho... a euforia era muito grande.

O dia chega! Meu, esse foi o dia mais longo da história, sairíamos as 3 da manhã de quarta- feira, dia 16 de outubro de 2008. Dormi um pouco de dia. Mas precisávamos dormir um pouco à noite também. Mas quem conseguiu dormir? Ninguém! Acabamos nos reunindo mais cedo. 1 hora da manhã saímos!

Acho que só quando colocamos as malas no carro, nossa ficha caiu, e ficamos preocupados. Lembro que alguém disse: — O que estamos fazendo? Vocês já pensaram? Mas fomos embora para a estrada.

Levamos 17 horas para chegar a Garibaldi, nas Serras Gaúchas, com o antigo Dodge Dart. E ele nao reclamou não! Demonstrou ter muito folego no seu velho e nunca mexido motor 318. Havímos calculado um consumo de 6 km/l, pois não se faz milagre com motor V8, mas quer saber? Ele fez o milagre sim! Na estrada o Dodge fez 8.2 km/l. Ficamos de boca aberta com isso.

Fizemos uma linda viagem. Passamos por lugares lindos, paisagens, estradas, serras...

A turma de Garibaldi

Quando chegamos a Caxias do Sul para nos encontramos com um dos amigos "virtuais", estava chovendo muito. Quando ele nos viu, não acreditou. Foi logo dizendo bem alto: — Bah gurizada, vocês são demais mesmo! Isso é tri-legal!

Nesse momento começou a nossa recepção lá no sul. Ele nos levou até Garibaldi, onde o pessoal todo do grupo estava nos esperando com um típico churrasco gaúcho de boas vindas. Como foi bom aquilo! Depois de 17 horas comendo porcarias pela estrada, um belo churrasco no fim do dia!

O pessoal do Clube HP V8 nos recepcionou muito, mas muito bem mesmo. Parecíamos amigos de longa data. Puxavam assunto, faziam piadas... Confesso que nos sentimos em casa. Eles foram demais mesmo, dizendo que viemos de muito longe para prestigiar o evento deles.

Na sexta, dia 17, um dos diretores do clube, o Callef, tirou o dia para levar-nos para conhecer a cidade, rica em cultivo de uva, tendo como especialidades vinhos e espumantes. Conhecemos algumas vinícolas da região, fomos nos vales onde estão as parreiras, uma visão muito linda e diferente de nossa São Paulo, cheia de prédios e viadutos, carros e ônibus. Caleff se mostrou muito prestativo. Ficou o dia inteiro com a gente, pra cima e para baixo.

Lugar de honra

Dia 18, sábado, dia do evento. Perguntamos a outro diretor do clube onde podiamos lavar o carro, pois estava imundo. Ele disse: — Nada disso! Vocês não vão lavar nada não. Ele vai ficar todo sujo mesmo e bem na porta do evento, debaixo do banner do clube! Ficamos surpresos, mas fazia sentido, depois de termos rodado tantos quilômetros para chegar até lá.

O encontro foi muito bom! Carros de alto nível de qualidade estavam lá. E e uma coisa era certa: todos, mas todos mesmo eram V8. Podia chegar uma Bel Air 57 lá. Se tivesse o motor 6 cilindros, não entrava. O clube foi muito rigido nisso, mostrando organização e cumprindo as metas do evento.

Ao fim do primeiro dia do evento, tivemos uma surpresa: alguém do clube perguntou: — Vocês não querem por o carro de vocês lá em cima do palco não? Ficamos pasmos. O Dodge? Todo sujo? Porquê? Eles responderam. — Bah, vocês vieram de longe com este auto e o pessoal tem que ver isso, que ele veio rodando e vai rodando para São Paulo. Isso foi demais da parte deles. Ficamos muito contentes e o carro foi para o palco naquele dia.

Alegria e confraternização

No sábado a noite, jantamos na casa de um dos diretores do clube, o Jamis, onde comemos uma deliciosa massa caseira, que a mãe dele fez para a gente, acompanhada de um bom vinho. Mais tarde houve uma festa num bar da cidade, o Bar Joe, um lugar onde todos do clube e da cidade se reúnem. Esse bar é muito conhecido. Todos que estavam no evento passaram por lá. E entre uma e outra cerveja, conversávamos com pessoas que não conheciamos e ele diziam: — Nossa, é muito legal vocês virem de longe para prestigiar nosso evento aqui na cidade! E outras pessoas vinham falar com a gente, e outras, outras...falando: — vocês são os "paulixtas"! Que cidade acolhedora aquela, sentimos saudades.....

Domingo, dia 19, último dia do evento, saiu um sol de queimar. Aí o evento bombou mesmo. Ao todo foram 190 carros com motor V8. A estrutura do local era muito boa, todos do clube estavam trabalhando e suas respectivas esposas, namoradas, noivas também. No bar do evento, no caixa, na inscrição...

A essa altura do evento todos já conheciam os “paulixtas” do Dodge amarelo e como foi legal isso. Até a polícia nos conhecia! No fim do dia foi a vez da premiação do evento. Teve prêmio para carro mais original, carro com maior motor, carro há mais tempo na família... E de repente Callef, um dos diretores fala: — esse último prêmio aqui, não vai para um carro, mas para 3 pessoas que tiveram coragem de vir rodando com um carro de 35 anos por mais de 2.000 quilômetros. Esse vai para o pessoal de São Paulo que veio rodando com um Dodge Dart SE para o nosso evento! Chamou nossos nomes. Nós 3 nos olhamos, dizendo em silêncio “nossa, que viagem!”. O pessoal lá em baixo do palco aplaudiu a gente naquela hora e como todo bom “paulixta”, fizemos uma zoeira no palco: levantamos o Callef para cima, gritando e despenteando o cabelo dele, rsssss!

Já no domingo a noite, estávamos meio estranhos, ja pensando em vir embora. A turma disse que faria um churrasco de despedida. Em plena segunda feira!

Na segunda de manhã fomos a Novo Hamburgo, conhecer o Velopark, o maior complexo automobilístico da América latina. A noite houve o churrasco de despedida. Chegamos lá tristes, confesso. Afinal era uma despedida, nao tinha como ser diferente.

Comemos muito bem outro churrasco, em plena segunda feira, e como foi bom! Mas havia um clima de despedida muito chato no ar.

Depois de comermos, os tradicionais agradecimentos, desculpas pela bagunça e tudo... e fomos embora para o hotel. Quando chegamos lá, disse o Daneil: — É, acabou! Isso nós engolimos a seco. Talvez alguma lágrimas escondidas, de tão boa que foi essa viagem.

Carregamos o carro aquela noite mesmo, para sair na terça de madrugada, de volta para casa.

Hora de trocar o pneu

Saimos às 3 da manhã e fomos enbora deixando para trás, com a poeira do velho Dodge, uma experiência de vida enorme e muita saudade daquele pessoal. Durante alguns momento na nossa volta, nós lembravamos de passagens que aconteceram nos dias em que estivemos lá. Depois de cada lembrança vinha um silêncio enorme. Acredito que na mente de cada um de nós passava um breve filme do que tinha acontecido. E estrada a dentro iamos deixando aquela cidade e estado, com o velho Dodge, sem dar nenhum sinal de cansaço.

No Paraná tivemos nosso primeiro susto: o pneu dianteiro deformou e furou. Estavamos devagar. Trocamos e fomos embora. Tinhamos mais ou menos umas 10 horas de viagem. Já em Curitiba tivemos um susto grande: o outro pneu dianteiro estourou a uns 110 km/h, e esse nos deu um grande susto. Sorte que tínhamos estepe a mais no carro. O resto da viagem foi tranquila. Chegamos em casa às 11 horas da noite de terça-feira, dia 21. Foram 16 horas de viagem, sem parar em nenhum lugar. Viemos direto, como fomos também na ida.

Três amigos, um Dodge e um destino, o que deu isso? Uma bagagem enorme de experiência de vida. Coisa para contar para filhos, netos e amigos. Uma aventura com um carro de 35 anos que não deu um probleminha mecânico sequer, durante toda a viagem.

Somos Alexandre Ângelo, Daniel Pavam e Erick Erbert.

Texto: Alexandre Ângelo

Só para comentar:

- O clube da matéria é o HP-V8 de Garibaldi-RS - www.hpv8clube.com.br

- Todo o pessoal como: Guto, Mauri, Panetonne, as meninas todas, Verme, Pulita, Piva, Vacaro, Tasca... e todos que estavam lá com a gente, estão guardados em nossas memória para sempre.

- O pessoal do sul, todos eles eles foram sensacionais com a gente em tudo. Tinha uma verdadeira família esperando a gente lá: umas 30 pessoas do clube. Foi demais mesmo!

- O próximo evento deles é em 2010, já que acontece somente de 2 em 2 anos.

- Dicas para quem quiser ir para o sul de carro: fomos pela BR 116. A estrada boa, em perfeitas condições. Só na serra que trava um pouco por causa dos caminhões. Dê preferência para viajar de dia. É é mais seguro Acho que em 2009 ela já estará privatizada, pois ja estão construindo varios pedágios e as obras estão bem adiantadas. E levem 2 estepes também!