Os caminhoneiros
paquistaneses têm muito orgulho de seus caminhões
Cores! Uma profusão de cores! Assim
podem ser descritos, sem exageros, os caminhões do Paquistão,
um país sul-asiático com 160 milhões de habitantes,
que faz fronteira com a Índia, China, Irã e Afeganistão.
É quase impossível se ver por
lá um caminhão original de fábrica. Assim que
são comprados, são encaminhados imediatamente para
uma das inúmeras oficinas de decoração que
se espalham por esse país muçulmano. Lá eles
têm suas cabines e carrocerias ampliadas, são pintados
e enfeitados. Cada veículo tem um visual único, não
havendo dois iguais. São empregados os mais diversos materiais,
dependendo da região: metais, madeiras, plásticos,
tecidos, partes de animais como peles e chifres, luzes, pedras,
bijouterias e tudo o mais que a imaginação do decorador
mandar.
A maioria dos
caminhões do paquistão é da extinta marca
inglesa Bedford
Aliás, o mercado de decoração
de veículos emprega um número enorme de profissionais
das mais diversas áreas como pintores, escultores, eletricistas,
carpinteiros, soldadores e tapeceiros. Somente na cidade de Karachi,
um dos principais centros dessa arte no Paquistão, calcula-se
que mais de 50 mil pessoas dependam direta ou indiretamente do ofício.
Atualmente o Paquistão é
dominado pelas marcas japonesas, como a Nissan
Decorar um veículo não custa
barato, apesar da baixa remuneração dos trabalhadores.
Dependendo do grau de sofisticação, o caminhoneiro
pode desembolsar entre US$ 800.00 e US$ 5.000.00. Uma quantia altíssima,
se levarmos em consideração que o Paquistão
está entre os mais pobres países em todo o mundo,
com renda anual per capta de somente US$ 2.100,00. Além disso,
o caminhoneiro precisa ficar semanas sem trabalhar, aguardando a
conclusão do serviço, que pode levar até 2
meses.
Um fato curioso é que grande parte
dos caminhões paquistaneses pertence a empresas frotistas,
onde os caminhoneiros são apenas funcionários. Entretanto,
é a norma entre os proprietários de frotas autorizar
o motorista a levar o seu veículo de trabalho a uma loja
de carroçarias para tê-lo decorado de acordo com seu
gosto pessoal, com as despesas pagas pela empresa.
Os temas são os mais variados e vão
de cotidiano a mulheres, de políticos a símbolos patrióticos,
de artistas de cinema a imagens ocidentais, de talismãs a
símbolos religiosos como imagens de divindades e templos.
Geralmente, todos esses temas se mesclam num mesmo caminhão,
ficando os religiosos na parte dianteira e os profanos na traseira.
Mas a decoração não se limita somente à
parte externa. É enorme também o número de
ornamentos no interior da cabine: fotografias, franjas, bordados,
poesias manuscritas, tapetes e peles.
Ao
lado, um interior ricamente decorado. Abaixo, um dos milhares
de profissinais do ramo. A decoração de caminhões
movimenta bastante a economia do país
Não se sabe exatamente quando começou
essa tradição. De acordo com historiadores, foi em
meados de 1940. Nessa época os caminhões começaram
a se popularizar no país no transporte de mercadorias e houve
o surgimento das primeiras transportadoras. Como era grande o número
de analfabetos, cada empresa passou a dar destaque a seu logotipo,
para que a população pudesse reconhecer. Gradualmente
as pinturas foram tornando-se mais e mais fantasiosas.
Desde os anos 1950, os caminhões
da marca Bedford são os preferidos dos caminhoneiros paquistaneses.
Com cabines arredondadas — consideradas ideais para pinturas
e modificações — esses pesos pesados de origem
inglesa foram fabricados até meados dos anos 1980, quando
a Vauxhall, uma subsidiária da GM, detentora da marca, decidiu
encerrar sua produção. Desde então, foram adotados
os japoneses, principalmente os das marcas Hino, Nissan e Isuzu.
Mas até hoje os clássicos Bedford são os preferidos
para essa incrível arte popular.
Texto: Equipe do
Portal Maxicar
Fotos: Autoria desconhecida Agradecimento: a Odair Ferraz, pela dica de pauta