| • Projeto |
Ultima
atualização: 06/09/2011 |
Talento,
entusiasmo e trabalho:
receita de uma réplica Kübelwagen
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| Franklin e seu recém-concluído
VW Kübelwagen |
Kübelwagen, ou em tradução
literal do alemão: “carro-balde”. Essa foi a
resposta do exército nazista ao Jeep 4X4, fabricado pelas
americanas Willys Overland e Ford, durante a Segunda Guerra Mundial.
Leve, pesando apenas 715 quilos; com econômico e resistente
motor traseiro refrigerado a ar de 1000 cc, resistindo tanto ao
frio extremo da Europa quanto ao calor escaldante dos desertos;
versátil e ágil em qualquer terreno, fosse na lama,
fosse no asfalto, apesar de não contar com tração
4X4.
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| No alto, com os nazistas.
Abaixo, à esquerda a linha de montagem. À direita
o veículo no deserto |
E foram justamente essas características
que levaram o engenheiro civil aposentado Franklin Lenneberg a projetar
e fabricar uma réplica do Kübelwagen na pequena oficina
em sua própria casa em Petrópolis, Região Serrana
do Rio de Janeiro. Apaixonado por veículos militares, Franklin
é membro do Imperial Jeep Clube e proprietário de
um Willys MB 1942.
— Costumo participar dos eventos com o pessoal do clube
com meu Jeep. Mas suas características não me permitem
fazer viagens mais longas. É um veículo que tem a
velocidade limitada nas estradas. Além disso, acho muito
sacrificado para um Jeep com 70 anos fazer percursos maiores. Muitas
das peças desse motor são difíceis de encontrar
hoje em dia. Queria um veículo militar que fosse mais versátil
e de fácil manutenção, que me permitisse viajar
sem preocupações. Então me ocorreu criar a
réplica do Kübelwagen, que nada mais é do que
um Fusca.
Até então, Franklin não
sabia muito sobre o veículo militar alemão. Já
o havia visto na antiga série de TV “Combate”
e também em filmes como o do “Indiana Jones”,
estrelado por Harrison Ford. Decidiu então pesquisar sobre
o assunto, principalmente na Internet. Além disso, ele conseguiu
com um fabricante de buggies alguma literatura em alemão
com desenhos de época. E apenas através dessas imagens
que desenvolveu todo o projeto do Kübelwagen petropolitano.
Todas as medidas e proporções foram calculadas somente
através de escalas fotográficas.
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| Um Fusca 1967 doou seu
chassi para projeto. Foi criada uma "gaiola" de tubos,
que em seguida foi revestida pelas peças de aço,
dando forma à réplica |
Não existe no Brasil nenhum Kübelwagen
original. E no restante do mundo também é bastante
raro, já que a maioria acabou destruída ainda durante
a Segunda Guerra Mundial. No entanto, outro engenheiro brasileiro,
Alexandre Penatti, de Itu-SP, iniciou a fabricação
de réplicas em 2010. No Canadá, a empresa Kübelcar
também produz réplicas em escala comercial.
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Curiosidade:
o Kübelwagen dos “Pracinhas”
No final de 1944
a Força Expedicionária Brasileira combatia
com os aliados na Italia. Um Kübelwagen foi capturado
pelo exército norte-americano na África
e o “troféu de guerra” levado para
a Itália. De tanto insistirem, os “Pracinhas”
ganharam o veículo de presente dos americanos.
O jipe nazista foi então pintado com as cores
da tropa e ganhou o apelido de “Caroço”.
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O projeto de fabricação de
Franklin durou exatos seis meses, tendo começado em fevereiro
de 2011. O primeiro passo foi encontrar um “doador”
de chassi e mecânica. O escolhido foi um Fusca 1967, que apesar
de bastante judiado, estava com a motor e suspensão em ordem.
Apesar das poucas ferramentas disponíveis, ele optou por
fazer o veículo inteiramente em metal, sem peças em
fibra de vidro. Tudo produzido alí mesmo, em sua casa. Até
o tanque de gasolina foi fabricado por ele.
— Achei que seria uma incoerência fazer a réplica
de um veículo da década de 1940 com partes de fibra
de vidro, já que o material não era utilizado naquela
época. — nos contou.
Inicialmente foi montada uma estrutura tubular,
que em seguida foi coberta com chapas de aço, seguindo os
moldes do modelo original. Na impossibilidade de recriar os relevos
das laterais e tampa traseira, já que seria necessária
uma prensa industrial para estampar o aço, o engenheiro criou
uma “ilusão de ótica” aplicando reguas
de metal que foram rebitadas e depois acabadas com massa. O resultado
ficou surpreendente. Lanternas, suportes, ganchos, e todos os demais
detalhes, foram produzidos em sua pequena oficina. Apenas os paralamas,
a pintura e a capotaria não foram executadas por Franklin.
— Faço questão de ressaltar a colaboração
de José Tadeu Burger, meu caseiro há vários
anos. Suas idéias e trabalho foram muito importantes para
a construção do carro.
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| Burger (e) ajudou Franklin na execução
do projeto |
Segundo ele, a maior dificuldade foi justamente
conseguir reproduzir o veículo original com a maior fidelidade
possível, sem ter a acesso a um pronto. Um grande desafio
foi a fabricação da lanterna traseira, que possui
um sistema que permite dois usos: o normal e o “black-out”,
usado para não chamar a atenção do inimigo
no campo de batalha.
— Você olha a fotografia e por ali você não
tem as medidas. Para fazer algo que funcione, é necessário
fazer protótipos, num processo de tentativa e erro.
— confidenciou.
O Kübelwagen de Franklin tem todos os
detalhes do veículo projetado por Ferdinand Porsche para
Hitler, entre eles parabrisa basculante, pneus militares, capota
de lona com cortinas laterais utilizadas originalmente pelos nazistas
para proteção contra o frio, estrados de madeira no
assoalho, porta-malas com acesso pelo banco de traz, que é
rebativel, farol auxiliar com sistema de “black-out”,
assim como a lanterna traseira citada acima, sistema de freios de
mão independentes para cada roda traseira, pá e botijão.
Não faltaram nem mesmo as inscrições ao longo
da carroceria. Na traseira se lê, em Alemão: “Achtung
Lufteinlass freihalten” (mantenha a entrada de ar livre)
e “Astand 100m” (distância de 100 metros).
Nos paralamas a calibragem dos pneus e na porta esquerda informações
relativas ao peso. Na porta direita, há um singelo coqueiro.
— No desenho original havia uma suástica dentro
do coqueiro. Achei que não seria legal reproduzir. —
se diverte Franklin.
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| A réplica pronta,
que possui riqueza de detalhes. Na foto abaixo à esquerda,
os dois estágios da lanterna |
O Kübelwagen
de Franklin Lenneberg foi concluido no final de agosto. Com poucos
recursos, muito talento, grande entusiasmo e trabalho de sobra,
o resultado você confere nos álbuns de imagens. Sorte
de quem tiver a oportunidade vê-lo de perto nos encontros
de automóveis antigos por esse Brasil afora!
Texto: Equipe do
Portal Maxicar
|
O
VW Type 82 Kübelwagen
Desde
a apresentação dos primeiros protótipos
do Fusca em 1934, Adolf Hitler já cogitava na possibilidade
de seu uso em versões militares. Mas somente em 1938
o Terceiro Reich encomendou oficialmente a Ferdinand Porsche
um veículo militar que fosse extremamente leve e
com baixo custo de produção, baseado na plataforma
do Volkswagen. O jipe deveria ser rápido em estradas
pavimentadas e ao mesmo tempo ágil em terrenos acidentados,
apesar de não possuir tração nas quatro
rodas. Deveria pesar no máximo 950 quilos, já
incluindo o peso de dois soldados com todo o equipamento.
O projeto nazista não poderia ter sido mais bem sucedido,
sendo inclusive motivo de espionagem dos americanos. Foram
produzidos cerca de 50 mil unidades, entre os anos de 1939
e 1945.
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