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 Ultima atualização: 27/07/2011

O Impala que veio para Manaus
com aquele jeitinho brasileiro...

Na minha estada em Manaus entre 16 e 18 de julho de 2011 para participar de um evento do Clube do Fusca da Amazônia (veja a matéria aqui!) eu tive a oportunidade de conhecer pessoas muito interessantes e suas histórias que poderiam dar livros. O contato com o Sr. Edson Rezende que de motorista de ônibus, função que ocupou só por dois meses, chegou a dono de um grande conglomerado de empresas que inclui a Concessionária Nova MAVEL foi interessantíssimo, ele já esta preparando material para escrever um livro sobre a sua trajetória. Estive também com seu filho Wigner Rezende, que assistiu a uma das palestras que proferi. Também conheci o Allan Kardec Bandeira de Melo que além de um bem sucedido empresário, participa de competições automobilísticas, modifica e coleciona carros. Ocorreram vários outros contatos interessantes.

Uma história intrigante me foi contada no sábado, dia 16 de julho, depois da palestra da tarde sobre a História do Fusca no Brasil, na qual eu comentei sobre as dificuldades de importação de carros nas décadas de 40 e 50 em conseqüência do desequilíbrio do balanço de divisas que pendia para a importação e levou ao endurecimento nas importações e deu um incentivo maior à implantação da indústria automotiva no Brasil.

O Roberto Simão Bulbol e seu filho Avelino tinham assistido à palestra e quando eu me aproximei do lindo Impala deles que participou da exposição, a conversa convergiu para uma outra época quando as importações eram difíceis, na década de 60, e me foi contada a incrível história da importação daquele carro que pertenceu ao pai do Roberto, José Mansour Bulbol, já falecido.

Chegada do Impala ao Brasil...

No início dos anos 60 a compra de carros no Brasil era difícil. Foi quando um grupo de empresários teve a idéia de importar carros dos EUA. Eles começaram a trazer carros de lá para vender para pessoas com quem eles já tinham feito contato e que tinham dado um sinal pela compra. As vendas seriam concretizadas quando os carros chegassem ao Brasil. Com isso a entrada “independente” de carros americanos das marcas Mercury, Chevrolet, Ford e Chrysler teve crescimentono Brasil, só que com a chegada da Ditadura Militar o ramo de importação começou a ficar complicado devido às barreiras aduaneiras criadas pelo governo, e é bem ai que começa a história do Chevrolet Impala da família Bullbol.

Por volta de 1963 este grupo de empresários importadores decidiu comprar um novo lote de carros no exterior para vendê-los no Brasil. Eles viajaram para os EUA e fizeram as compras. Ai começava a grande jogada: na chegada ao Brasil do navio com os carros, os próprios empresários importadores denunciavam as suas compras “ilegais” à Polícia Federal, comunicando que ia chegar um carregamento de carros do exterior. A Polícia Federal ia de encontro ao navio ainda no mar (próximo a Belém mais precisamente) para fazer a abordagem da embarcação e a apreensão da carga ilegal. Só que as autoridades não sabiam que os tais empresários já tinham mandado um grupo de mecânicos até o navio que trazia os carros, em outro barco de proporções semelhantes, para que eles cuidadosamente retirassem peças importantes dos carros como motores, portas, câmbios, diferenciais, etc. Com isso, quando os carros eram apreendidos e iam para leilão estavam devidamente “depenados”. Como era de se esperar, nenhuma pessoa queria comprar carros nestas condições. Sendo assim, os próprios empresários importadores arrematavam os veículos por uma pechincha, montavam-nos novamente e concretizavam a venda para as pessoas que já tinham declarado interesse em comprá-los.

Algumas características do Impala
O lindo Impala 64 na exposição do evento do Clube do Fusca da Amazônia

- Cor: Dourado Real
- Modelo: 4 door Sedan
- Motor: GM Rocket 283 Small Block V-8, com 215-220 HP
- Carburador: Rochester Bi-jet
- Câmbio: Automático na coluna de direção
- Rádio Original de época, somente com freqüência AM
- Suspensão independente nas rodas dianteiras e eixo rígido nas traseiras com molas helicoidais, amortecedores e vários tipos de estabilizadores

O Impala era chamado de o grande Jet Smooth da Chevrolet, diziam que ele era um valente lutador. Era conhecido juntamente com Mustang, Corvette, Camaro, Dodge Charger, dentre outros, como legítimo American Muscle Car.

Os empresários que faziam as importações tinham agentes em vários estados. Também no Amazonas, em Manaus, por exemplo. O agente de Manaus fez a proposta da compra do veículo para José Mansour Bulbol, ele se interessou e, mesmo sem ter visto o carro, deu uma entrada no valor total do veículo, foi uma compra antecipada. Foi assim que o Chevrolet Impala entrou na família Bulbol, isso por volta do ano de 1965/1966. Os filhos do José aprenderam a dirigir nesse carro.

Avelino Bulbol, neto do José, comenta que é aficionado por carros antigos, principalmente os V8, devido ao Impala. Sempre adorou escutar aquele ruído peculiar que fazia uma sinfonia em seus ouvidos Seu avô faleceu em 1977, e ele não teve a oportunidade de conhecê-lo, mas sempre ouviu as histórias do avô, o que resultou em uma grande admiração por sua imagem. Desde seus 11 anos Avelino mexia no Impala para que ele pudesse dar uma volta com seu pai. Ele comenta: “claro que eu não entendia nada de mecânica, mais era só para ter o prazer de dar uma volta naquele Muscle Car Americano”.

O tempo foi passando e Roberto, seu pai, foi cansando de fazer isso. Mas logo Avelino completou 18 anos. Foi ai que a paixão pelo Impala ficou para sempre. Antes de tirar a carta de habilitação o Avelino comunicou a todos os seus familiares e amigos que o primeiro carro que ele iria dirigir era o “velho” Impala 1964. Dito e feito: com carteira de motorista na mão chegou a hora da verdade. Ele só não contava com uma surpresa: como seus primos não eram muito ligados em carros antigos, a sua avó fez uma grande surpresa e passou o veículo para o seu nome. Ai sim ele teve a coragem de colocar o V8 para funcionar e foi dar aquela maravilhosa volta. Ele comenta: “lembro-me como se fosse hoje, naquele dia tenho certeza de que eu e o carro estávamos livres de tudo, porque eu podia ir pra qualquer lugar e 'ele’, o carro, precisava de alguém para poder ser livre novamente como era na época do meu avô José, meu eterno ídolo”.

O avô do Avelino era tão apaixonado por esse carro que trouxe dos Estados Unidos um carro destes todo desmontado, motor, câmbio, portas, rodas, tudo que se possa imaginar. Algumas peças acabaram sendo perdidas com o tempo, pois ficaram sem o devido cuidado; outras ele mesmo chegou a vender, mas graças a ele ainda restou um grande estoque de peças. Finalizando, Avelino comentou: “mas como aprendi na sua palestra, esses carros de antigamente foram criados para não dar problemas”.

Texto: Alexander Gromow
Colaboração e fotos: Roberto Simão Bulbol e Avelino Bulbol

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COMENTÁRIOS PARA ESTA MATÉRIA


Data: 27/7/2011
Nome: jean gomes nogueira
Email: jean_gn44@hotmail.com
Mensagem: Olá caros amigos,
Conheço o amigo Avelino Bulbol e seu pai Roberto Simão Bulbol a poucos meses , e conhecer essas duas figuras realmente foi uma surpresa para mim, lendo a matéria desse carro que muito sou fã , vem a minha cabeça uma pequena história que já comentei com o amigo Avelino e inclusive mostrei fotos do fato. Em 2008 quatro anos depois da minha chegada a Manaus, resolvi cursa umas aulas de violão numa escola que fica próximo a casa da avó do Avelino , eu sempre fazia outro percursos até a escola um certo dia , resolvi passar em frente a casa e distraidamente com o violão nas costa, eu olhei sentido a casa e avisto lá no fundo do quintal virado de frente para o portão o impala , na hora jurei não acreditar mas aquele momento era real , admirei ali o carro por alguns minutos e segui , mas aquelas próximas horas foram contadas no dedo , pois a vontade de guardar uma foto daquele carro era maior , fui em casa busquei a maquina fotográfica e voltei para registrar tal momento , foto que quase me custou um braço! Pois na hora que coloco o braço para dentro da grade do portão, alguns pequenos cachorros da raça (rotwaller) vieram em minha direção rapidamente puxei o braço para fora, e captei a imagem desse belo Impala 1964. Para minha alegria tive o Prazer de ver esse carro, no encontro do Clube do fusca do amazonas esse ano, olhei para uma lado olhei para outro, procurando um SR. De cabelos brancos e bengala , quando me deparo com o amigo Avelino (rsrs) , esse cara super. gente boa. Há fora essa pequena história ainda tem mais duas , uma de um certo Dodge e uma do primo dele do Aero willys , hehehe , Fica para uma próxima . Quero parabenizar o amigo Alexander Gromow por mais uma bela matéria, e aos amigos Avelino Bulbol e seu pai Roberto Simão Bulbol por cuidar e zelar esse belo Impala 1964.Meus parabéns.
Abraços.
Jean Gomes.


Data: 27/7/2011
Nome: Avelino Assmar Correia Bulbol
Email:
Mensagem: Parabéns a Equipe do Maxicar pela excelente matéria, em especial ao Amigo Alexander Gromow, por ter feito essa matéria sobre esse belo Impala 1964.


Data: 27/7/2011
Nome: Abrahão
Email:
Mensagem: O que voce sentiu saindo de um Fusca e "entrando" num Impala?
Como vai Alexander? Posso responder?
Creio que a diferença principal entre um Fusca e um Chevrolet Impala é a historia que ele traz, pois o mais importante é que ambos ocupam um lugar de destaque tanto na garagem como no coração de seus proprietários.
Parabéns pela matéria. Como eu estudei muito está etapa da politica brasileira dos anos 60 e 70, o impedimento da importação foi mesmo em 68 e não saberia responder porque em 64 eles tiveram essa dificuldade????


Data: 28/7/2011
Nome: MARCELO MEIRELES BAHIA
Email: marcelo_belem60@yahoo.com.br
Mensagem: A jogada de importar os carros e os próprios importadores os depenarem antes da chegada da fiscalização, para posteriormente os arrematarem nos leilões foi "o pulo do gato" em matéria de empreendedorismo à época. Bem característico da criatividade do brasileiro para burlar as barreiras alfandegárias existentes naqueles tempos e que produziu fortunas consideráveis para tais empresários. Muito bem bolado! Parabéns Alexander, por mais essa matéria interessantíssima.
Marcelo Meireles Bahia
Fortaleza, Ceará.


Data: 28/7/2011
Nome:
Email:
Mensagem:


Data: 28/7/2011
Nome: Alexander M. Fleming
Email: am.fleming@hotmail.com
Mensagem: Caro Gromow,

Boa matéria. História muito interessante do esquema que se tinha que fazer para importar um carro estrangeiro na decada de 1960.
Brasileiro é engenhoso demais..... Ver um carro estrangeiro na rua naquela época era uma verdadeira raridade. Tinha também aquela história de poder comprar carro importado pelas embaixadas. Andou dando algumas confusões.......

Abraços !

Alexander


Data: 28/7/2011
Nome: Rogério Caldas de oliveira
Email: 911.rogerio@gmail.com
Mensagem: GromoW! Adorei! É uma orgulho para esta família, ter um carro com este histórico! Mas uma história para nosso conhecimento!

Valeu!


Data: 1/8/2011
Nome: Rubens Bachert
Email: r.bachert@terra.com.br
Mensagem: Os automóveis naionais quebravam com muita frequencia, mas os importados como os Impala, praticamente, nem pneu furava.
Eu tive 1961, lindíssimo.
O perverso é que quando quebrou, meu Deus, foi um martírio, não havia peças de reposição e trazê-las, era outra história complicada.
Semanas e semanas parado.
Em vista disto é que a preferencia pelos nacionais ganhou espaço.
Na verdade não existem carros inquebráveis, mas donos cuidadosos e caprichosos.


Data: 1/8/2011
Nome: Humberto Horta (bEtAuM)
Email: betaum1303@yahoo.com.br
Mensagem: Eh legal ver essa história contada no portal. Nosso amigo tem muita sorte de ter essa rarirdade e nós de termos pai e filho como amigos. Eles tem ns ajudado muito a tocar os encontros, agregando cada vez mais antigos às nossas exposições.

Tenho certeza que muitas outras histórias ainda serão descobertas e contadas por todos nós.

Um grande abraço a todos e meus agradecimentos às palavras do nosso querido Alexander.



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