O Impala que veio
para Manaus
com aquele jeitinho brasileiro...
Na minha estada em Manaus entre 16 e 18 de
julho de 2011 para participar de um evento do Clube do Fusca da
Amazônia (veja
a matéria aqui!) eu tive a oportunidade de conhecer
pessoas muito interessantes e suas histórias que poderiam
dar livros. O contato com o Sr. Edson Rezende que de motorista de
ônibus, função que ocupou só por dois
meses, chegou a dono de um grande conglomerado de empresas que inclui
a Concessionária Nova MAVEL foi interessantíssimo,
ele já esta preparando material para escrever um livro sobre
a sua trajetória. Estive também com seu filho Wigner
Rezende, que assistiu a uma das palestras que proferi. Também
conheci o Allan Kardec Bandeira de Melo que além de um bem
sucedido empresário, participa de competições
automobilísticas, modifica e coleciona carros. Ocorreram
vários outros contatos interessantes.
Uma história intrigante me foi contada
no sábado, dia 16 de julho, depois da palestra da tarde sobre
a História do Fusca no Brasil, na qual eu comentei sobre
as dificuldades de importação de carros nas décadas
de 40 e 50 em conseqüência do desequilíbrio do
balanço de divisas que pendia para a importação
e levou ao endurecimento nas importações e deu um
incentivo maior à implantação da indústria
automotiva no Brasil.
O Roberto Simão Bulbol e seu filho
Avelino tinham assistido à palestra e quando eu me aproximei
do lindo Impala deles que participou da exposição,
a conversa convergiu para uma outra época quando as importações
eram difíceis, na década de 60, e me foi contada a
incrível história da importação daquele
carro que pertenceu ao pai do Roberto, José Mansour Bulbol,
já falecido.
Chegada do Impala ao Brasil...
No início dos anos 60 a compra de
carros no Brasil era difícil. Foi quando um grupo de empresários
teve a idéia de importar carros dos EUA. Eles começaram
a trazer carros de lá para vender para pessoas com quem eles
já tinham feito contato e que tinham dado um sinal pela compra.
As vendas seriam concretizadas quando os carros chegassem ao Brasil.
Com isso a entrada “independente” de carros americanos
das marcas Mercury, Chevrolet, Ford e Chrysler teve crescimentono
Brasil, só que com a chegada da Ditadura Militar o ramo de
importação começou a ficar complicado devido
às barreiras aduaneiras criadas pelo governo, e é
bem ai que começa a história do Chevrolet Impala da
família Bullbol.
Por volta de 1963 este grupo de empresários
importadores decidiu comprar um novo lote de carros no exterior
para vendê-los no Brasil. Eles viajaram para os EUA e fizeram
as compras. Ai começava a grande jogada: na chegada ao Brasil
do navio com os carros, os próprios empresários importadores
denunciavam as suas compras “ilegais” à Polícia
Federal, comunicando que ia chegar um carregamento de carros do
exterior. A Polícia Federal ia de encontro ao navio ainda
no mar (próximo a Belém mais precisamente) para fazer
a abordagem da embarcação e a apreensão da
carga ilegal. Só que as autoridades não sabiam que
os tais empresários já tinham mandado um grupo de
mecânicos até o navio que trazia os carros, em outro
barco de proporções semelhantes, para que eles cuidadosamente
retirassem peças importantes dos carros como motores, portas,
câmbios, diferenciais, etc. Com isso, quando os carros eram
apreendidos e iam para leilão estavam devidamente “depenados”.
Como era de se esperar, nenhuma pessoa queria comprar carros nestas
condições. Sendo assim, os próprios empresários
importadores arrematavam os veículos por uma pechincha, montavam-nos
novamente e concretizavam a venda para as pessoas que já
tinham declarado interesse em comprá-los.
Algumas características
do Impala
O lindo Impala 64 na
exposição do evento do Clube do Fusca
da Amazônia
-
Cor: Dourado Real
- Modelo: 4 door Sedan
- Motor: GM Rocket 283 Small Block V-8, com 215-220
HP
- Carburador: Rochester Bi-jet
- Câmbio: Automático na coluna de direção
- Rádio Original de época, somente com
freqüência AM
- Suspensão independente nas rodas dianteiras
e eixo rígido nas traseiras com molas helicoidais,
amortecedores e vários tipos de estabilizadores
O Impala era chamado
de o grande Jet Smooth da Chevrolet, diziam que ele
era um valente lutador. Era conhecido juntamente com
Mustang, Corvette, Camaro, Dodge Charger, dentre outros,
como legítimo American Muscle Car.
Os empresários que faziam as importações
tinham agentes em vários estados. Também no Amazonas,
em Manaus, por exemplo. O agente de Manaus fez a proposta da compra
do veículo para José Mansour Bulbol, ele se interessou
e, mesmo sem ter visto o carro, deu uma entrada no valor total do
veículo, foi uma compra antecipada. Foi assim que o Chevrolet
Impala entrou na família Bulbol, isso por volta do ano de
1965/1966. Os filhos do José aprenderam a dirigir nesse carro.
Avelino Bulbol, neto do José, comenta
que é aficionado por carros antigos, principalmente os V8,
devido ao Impala. Sempre adorou escutar aquele ruído peculiar
que fazia uma sinfonia em seus ouvidos Seu avô faleceu em
1977, e ele não teve a oportunidade de conhecê-lo,
mas sempre ouviu as histórias do avô, o que resultou
em uma grande admiração por sua imagem. Desde seus
11 anos Avelino mexia no Impala para que ele pudesse dar uma volta
com seu pai. Ele comenta: “claro que eu não entendia
nada de mecânica, mais era só para ter o prazer de
dar uma volta naquele Muscle Car Americano”.
O tempo foi passando e Roberto, seu pai,
foi cansando de fazer isso. Mas logo Avelino completou 18 anos.
Foi ai que a paixão pelo Impala ficou para sempre. Antes
de tirar a carta de habilitação o Avelino comunicou
a todos os seus familiares e amigos que o primeiro carro que ele
iria dirigir era o “velho” Impala 1964. Dito e feito:
com carteira de motorista na mão chegou a hora da verdade.
Ele só não contava com uma surpresa: como seus primos
não eram muito ligados em carros antigos, a sua avó
fez uma grande surpresa e passou o veículo para o seu nome.
Ai sim ele teve a coragem de colocar o V8 para funcionar e foi dar
aquela maravilhosa volta. Ele comenta: “lembro-me como
se fosse hoje, naquele dia tenho certeza de que eu e o carro estávamos
livres de tudo, porque eu podia ir pra qualquer lugar e 'ele’,
o carro, precisava de alguém para poder ser livre novamente
como era na época do meu avô José, meu eterno
ídolo”.
O avô do Avelino era tão
apaixonado por esse carro que trouxe dos Estados Unidos um carro
destes todo desmontado, motor, câmbio, portas, rodas, tudo
que se possa imaginar. Algumas peças acabaram sendo perdidas
com o tempo, pois ficaram sem o devido cuidado; outras ele mesmo
chegou a vender, mas graças a ele ainda restou um grande
estoque de peças. Finalizando, Avelino comentou: “mas
como aprendi na sua palestra, esses carros de antigamente foram
criados para não dar problemas”.
Texto: Alexander
Gromow Colaboração e fotos: Roberto Simão
Bulbol e Avelino Bulbol
Data: 27/7/2011 Nome: jean gomes nogueira Email: jean_gn44@hotmail.com Mensagem: Olá caros amigos, Conheço o amigo Avelino Bulbol e seu pai Roberto Simão Bulbol a poucos meses , e conhecer essas duas figuras realmente foi uma surpresa para mim, lendo a matéria desse carro que muito sou fã , vem a minha cabeça uma pequena história que já comentei com o amigo Avelino e inclusive mostrei fotos do fato. Em 2008 quatro anos depois da minha chegada a Manaus, resolvi cursa umas aulas de violão numa escola que fica próximo a casa da avó do Avelino , eu sempre fazia outro percursos até a escola um certo dia , resolvi passar em frente a casa e distraidamente com o violão nas costa, eu olhei sentido a casa e avisto lá no fundo do quintal virado de frente para o portão o impala , na hora jurei não acreditar mas aquele momento era real , admirei ali o carro por alguns minutos e segui , mas aquelas próximas horas foram contadas no dedo , pois a vontade de guardar uma foto daquele carro era maior , fui em casa busquei a maquina fotográfica e voltei para registrar tal momento , foto que quase me custou um braço! Pois na hora que coloco o braço para dentro da grade do portão, alguns pequenos cachorros da raça (rotwaller) vieram em minha direção rapidamente puxei o braço para fora, e captei a imagem desse belo Impala 1964. Para minha alegria tive o Prazer de ver esse carro, no encontro do Clube do fusca do amazonas esse ano, olhei para uma lado olhei para outro, procurando um SR. De cabelos brancos e bengala , quando me deparo com o amigo Avelino (rsrs) , esse cara super. gente boa. Há fora essa pequena história ainda tem mais duas , uma de um certo Dodge e uma do primo dele do Aero willys , hehehe , Fica para uma próxima . Quero parabenizar o amigo Alexander Gromow por mais uma bela matéria, e aos amigos Avelino Bulbol e seu pai Roberto Simão Bulbol por cuidar e zelar esse belo Impala 1964.Meus parabéns. Abraços. Jean Gomes.
Data: 27/7/2011 Nome: Avelino Assmar Correia Bulbol Email: Mensagem: Parabéns a Equipe do Maxicar pela excelente matéria, em especial ao Amigo Alexander Gromow, por ter feito essa matéria sobre esse belo Impala 1964.
Data: 27/7/2011 Nome: Abrahão Email: Mensagem: O que voce sentiu saindo de um Fusca e "entrando" num Impala? Como vai Alexander? Posso responder? Creio que a diferença principal entre um Fusca e um Chevrolet Impala é a historia que ele traz, pois o mais importante é que ambos ocupam um lugar de destaque tanto na garagem como no coração de seus proprietários. Parabéns pela matéria. Como eu estudei muito está etapa da politica brasileira dos anos 60 e 70, o impedimento da importação foi mesmo em 68 e não saberia responder porque em 64 eles tiveram essa dificuldade????
Data: 28/7/2011 Nome: MARCELO MEIRELES BAHIA Email: marcelo_belem60@yahoo.com.br Mensagem: A jogada de importar os carros e os próprios importadores os depenarem antes da chegada da fiscalização, para posteriormente os arrematarem nos leilões foi "o pulo do gato" em matéria de empreendedorismo à época. Bem característico da criatividade do brasileiro para burlar as barreiras alfandegárias existentes naqueles tempos e que produziu fortunas consideráveis para tais empresários. Muito bem bolado! Parabéns Alexander, por mais essa matéria interessantíssima. Marcelo Meireles Bahia Fortaleza, Ceará.
Data: 28/7/2011 Nome: Email: Mensagem:
Data: 28/7/2011 Nome: Alexander M. Fleming Email: am.fleming@hotmail.com Mensagem: Caro Gromow,
Boa matéria. História muito interessante do esquema que se tinha que fazer para importar um carro estrangeiro na decada de 1960. Brasileiro é engenhoso demais..... Ver um carro estrangeiro na rua naquela época era uma verdadeira raridade. Tinha também aquela história de poder comprar carro importado pelas embaixadas. Andou dando algumas confusões.......
Abraços !
Alexander
Data: 28/7/2011 Nome: Rogério Caldas de oliveira Email: 911.rogerio@gmail.com Mensagem: GromoW! Adorei! É uma orgulho para esta família, ter um carro com este histórico! Mas uma história para nosso conhecimento!
Valeu!
Data: 1/8/2011 Nome: Rubens Bachert Email: r.bachert@terra.com.br Mensagem: Os automóveis naionais quebravam com muita frequencia, mas os importados como os Impala, praticamente, nem pneu furava. Eu tive 1961, lindíssimo. O perverso é que quando quebrou, meu Deus, foi um martírio, não havia peças de reposição e trazê-las, era outra história complicada. Semanas e semanas parado. Em vista disto é que a preferencia pelos nacionais ganhou espaço. Na verdade não existem carros inquebráveis, mas donos cuidadosos e caprichosos.
Data: 1/8/2011 Nome: Humberto Horta (bEtAuM) Email: betaum1303@yahoo.com.br Mensagem: Eh legal ver essa história contada no portal. Nosso amigo tem muita sorte de ter essa rarirdade e nós de termos pai e filho como amigos. Eles tem ns ajudado muito a tocar os encontros, agregando cada vez mais antigos às nossas exposições.
Tenho certeza que muitas outras histórias ainda serão descobertas e contadas por todos nós.
Um grande abraço a todos e meus agradecimentos às palavras do nosso querido Alexander.