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O Galaxie – de lá*

Não é novidade que o Galaxie foi um carro que entrou em um mercado para inovar, afinal no pós-Guerra as indústrias automobilísticas que se mantiveram, possuíam produtos do período pré-Guerra, portanto, pode-se dizer que eram projetos antiquados para um momento de riqueza que prometia ser para os Estados Unidos da América, com a vitória (se é que em um guerra existem vencedores) dos aliados.

A Ford possuía o Fairlane, o Thunderbird e o Falcon, tudo projeto antigo. Eis que surge a idéia de lançar um novo Fairlane, nova carroceria, novos motores, padronagem interna requintada, seria maior, mais espaçoso; resumindo, um novo carro. O nome escolhido foi Fairlane 700. Tudo certo para o lançamento, carro pronto e eis que alguém fala o óbvio: não é um carro novo? Por que tem o nome de um carro velho? Será que o consumidor não vai achar que é o mesmo carro apenas “remoçado”?

Resolvido o dilema, o lançamento ocorre em outubro de 1958 e o Galaxie permanece em produção até 1974, portanto, 15 anos de produção ininterrupta. Algumas das principais características do Galaxie estavam no fato de sempre possuir uma gama variada de motores, do básico 6 cilindros aos mais potentes V8 (até 400hp), do acabamento espartano ao mais luxuoso e uma gama interminável de acessórios além de ter condições de transportes até 9 passageiros (nas versões perua), ou ainda permitir que o motorista pudesse dirigir sem ter que tirar o chapéu!

Não podemos deixar de citar o modelo conversível, cuja capota cabia inteira dentro do porta-malas, sendo tudo acionado por meio de um botão. Coisas impensáveis nos dias atuais. Exagero (sob o conceito atual), pode ser uma palavra que ilustre muitas das características do modelo, pois existiram grades com mais de 400 partes, lanternas enormes que ocupavam inclusive o pára-choque traseiro, espaço no bagageiro suficiente para colocar uma mesa de jogos, opção da abertura do porta-malas em 3 diferentes posições e tantas outras inusitadas soluções.

Mas, nem tudo era extravagância, pois em 1961 o modelo ganhou o Prêmio Internacional de Design (Itália) por sua “expressão de beleza funcional”. Nada mal para um carro ser premiado na Itália, meca dos designers!

Além disso, inovou em tecnologia, pois os freios eram auto-ajustáveis, os limpadores de pára-brisa conseguiam colocar em ordem de limpeza aquele enorme vidro, o volante era ajustável, ar condicionado embutido no painel, podia rodar 30.000 milhas sem precisar lubrificar o chassi ou 4.000 milhas sem trocar o óleo.

Todas essas qualidades, permitiram ao Galaxie ser um líder nas pistas, conquistando inúmeras vitórias na NASCAR e elevando à categoria de estrelas, pilotos até então desconhecidos.

Em linhas gerais, o Galaxie era até o meio dos anos 1960 um carrão, focado em alta potência de motores e muito espaço. Na segunda metade deste período, começaram a surgir modelos menores e mais simples (chegando a servir de base para o modelo brasileiro e, nos anos 1970, era um sedan, sem muito destaque, mas que mantinha nos padrões Brougham e LTD as opções de alto padrão.

Bem, isso e muito mais é que fez com o que o Galaxie fosse considerado um verdadeiro automóvel!

Ford abraço e até o próximo assunto.

Paul William Gregson é conselheiro do Clube do Ford V8 do Brasil e mantenedor do site www.museumaverick.com.br

*Com a colaboração de Dino Dragone Junior

Reprodução autorizada, desde que citada a fonte: www.maxicar.com.br

 

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