
Galaxie nas pistas*
Que o FORD Galaxie era um carrão
de luxo aqui no Brasil não é novidade para ninguém!
Contudo, nas terras do Tio Sam, além disso, o Galaxie fez
muito sucesso nas pistas de corrida, antes mesmo de ser sequer,
uma idéia de tê-lo em terras brasileiras.
O Ford Galaxie teve uma importante participação
nas pistas, quase que exclusivamente nos Estados Unidos da América,
pois no Brasil apenas um exemplar preparado pela equipe Automotor
(Luiz Francisco Baptista) e correndo na categoria Turismo 5000
se fez presente. Este modelo, contudo, não está
mais entre nós, pois foi perdido em um acidente fora das
pistas e devidamente parado em uma garagem, repousando após
anos de glória. Glória esta revivida pela Automodelli,
com o lançamento recente de uma miniatura-réplica
do modelo. Vale conferir!
Em terras norte-americanas, basicamente,
as participações mais marcantes do modelo foram
nas provas da NASCAR (National Association of Stock Car Auto Racing)
fundada oficialmente em dezembro de 1947 em Daytona Beach (Florida)
nos salões do Hotel Streamline.
Um dos pioneiros e mais famosos pilotos
da NASCAR, e que também dirigiu Galaxie, foi Robert Junior
Johnson, que de 1953 a 1966 disputou 313 corridas obtendo vitória
em 50 delas além de outras 47 pole positions.
 |
| Junior Johnson, no carro Nº
27 |
Nesta mesma época, surgiu Ned Jarrett,
talvez o mais importante ícone da NASCAR e dos volantes
de Galaxie nas pistas. Em 14 anos de carreira (1953 a 1966), conquistou
também 50 vitórias, mas acabou abandonando as pistas
em virtude de seqüelas de um grave acidente sofrido em 1965.
Sua forma de pilotagem e o acerto do carro eram tão milimetricamente
adequados que, na prova Southern 500 (1965), conseguiu o feito
de receber a bandeirada com uma vantagem confortável de
14 voltas sobre o segundo colocado.
Várias equipes corriam com FORDs
mas uma das mais famosas foi a H&M. Entre os pilotos que defenderam
esta equipe, está Fred Lorenzen (conhecido como Fast Feddie)
que assinou contrato em 1961 (e permaneceu na equipe até
1972) e que foi o responsável por levar a FORD à
vitória de nº 600, ocorrida em 02 de junho de 1963
na Charlotte Motor Speedway. Coube a Fred Lorenzen também
o privilégio de ter sido o primeiro piloto a alcançar
a cifra de US$ 100.000,00 (cem mil dólares) em prêmios
em uma única temporada. Aliás, para ser mais exato,
ganhou US$ 122.588,00 (cento e vinte e dois mil e quinhentos e
oitenta e oito dólares). Talvez tenha sido um dos nomes
mais marcantes de pilotos envolvidos com o Galaxie, pois era um
dos mais capazes e técnicos pilotos da categoria nos anos
1960 e 1970, acumulando estatísticas incríveis,
inclusive esta: venceu 50% das corridas que disputou. O legado
de Fred Lorenzen não será esquecido se depender
de uma equipe que em 2007 preparou um T-bird com o mesmo número
do carro de Fred. Uma importante homenagem.
Além dele, e na mesma época,
fazia parte da equipe ninguém menos que Dan Gurney, exímio
piloto e preparador de carros, que ficou famoso por sua participação
polivalente atuando em equipes de corrida como piloto, como preparador
de motores e também por sua importante participação
em projetos de carros e motores de Fórmula 1 para Jack
Brabham. Estreou na equipe H&M em 1962 na prova Daytona 500
e terminou em quarto lugar deixando o time em 1964, quando correu
algumas provas pela equipe Wood Brothers. Aposentou-se das pistas
em 1970 e foi, sem dúvida, o piloto mais versátil
dos Estados Unidos em virtude de sua participação
em várias categorias, tendo corrido em mais de 20 países,
com 51 marcas de carros diferentes e vencido 51 vezes. Um de seus
legados foi ter introduzido o capacete fechado, protegendo o rosto
inteiro do piloto, equipamento básico em qualquer competição
motorizada na atualidade.
 |
| Dan Gurney, exímio piloto
e preparador |
Para dar mais visibilidade às corridas
e aliar à imagem de veículo resistente, a Ford lançou
uma versão especial “aliviada” onde as partes
móveis, como portas, capô do motor, tampa do porta-malas,
pára-choques e pára-lamas dianteiros foram substituídos
por peças de fibra de vidro e alumínio e o motor
era um “Tri-Power” com nada menos de 405 cv. Apesar
de estarem disponíveis à qualquer um que se dispusesse
a adquirí-lo, somente 11 carros foram produzidos.
A intenção de se mostrar
presente e com interesse crescente nas pistas era mantido e a
FORD repetiu a dose preparando uma nova versão especial
em 1963. À exemplo do realizado em 1962, foram disponibilizados
kits em fibra de vidro reforçado para que os Galaxie pudessem
ser usados em corridas e quando se percebeu, lá estava
o modelo novamente na famosa categoria NASCAR ou em outros tipos
de provas, como as de arrancada, sempre usando o motor 427 e câmbio
de 4 marchas no assoalho.
A equipe H&M ainda era o grande nome
e tinha sempre os melhores carros e pilotos, fórmula esta
que garantia presença no pódio ou no mínimo,
entre os 5 primeiros; além de outras conquistas como volta
mais rápida, maior número de voltas na liderança
entre os principais dados estatísticos. Outro nome que
esteve no volante de Galaxie nas temporadas do início dos
anos 1960 e conquistando vitórias foi Nelson Stacy que
teve sua melhor performance em 1962 (conquistou US$ 25.505,00
em prêmios) e em 1963, quando estreou o novo Galaxie preparado
especialmente pelos engenheiros da FORD para a equipe H&M,
com aerodinâmica muito superior aos modelos anteriores.
Dick Hutcherson foi outro piloto da equipe H&M e venceu 14
vezes em 103 corridas disputadas. Faleceu em 2005 aos 73 anos.
Entrou na equipe em 1964 após mais de uma década
pilotando em outras categorias e participou em 52 provas no ano
de 1965 se tornando Gerente Geral da equipe anos depois.
Mais uma vez a FORD presenteava os pilotos
e fanáticos por velocidade com uma versão especial
do Galaxie que continuava com sua presença marcante nas
pistas, tanto que foi disponibilizado um total de aproximados
50 veículos com peso aliviado e motor preparado, tendo
como base o forte e confiável 427. Basicamente as mudanças
eram a grade com desenho que permitia maior ventilação,
bancos mais leves e quase todos os opcionais de fábrica
como carpete, som entre outros detalhes foram suprimidos para
permitir mais leveza ao conjunto. Chamado de GalaxieA/Stock, vinha
somente na cor branca e interior vermelho.
Outros pilotos que também defenderam
o modelo Galaxie nas pistas durante os anos 1960, foram David
Pearce com 30 vitórias tendo como os seus melhores resultados
em 1968 (16 vitórias) e 1969 (11 vitórias) e E.
Glenn “Fireball” Roberts com 32 vitórias em
15 temporadas até o ano de 1964, quando faleceu em virtude
de seqüelas de um sério acidente.
Outros dignos de menção são
Dewayne “Tiny” Lund, Marvin Panch e A. J. Foyt, este
último, teve nada menos que, em seus 30 anos de pistas,
128 corridas e 7 vitórias de temporadas, acumulando em
prêmios mais de US$ 700.000,00 (setecentos mil dólares).
 |
| Galaxies: grande sucesso nas pistas
norte-americanas |
Como ficou fácil de perceber, pilotos
e Galaxie se misturam e fizeram muito sucesso nas pistas nos Estados
Unidos da América, criando ícones que são
lembrados e homenageados em todas as corridas importantes da categoria.

*Com a colaboração de
Dino Dragone Junior
oração de Dino Dragone Junior©Reprodução
proibida, sem prévia autorização