
Coleção de
papel
Em meu último artigo nesta coluna,
apresentei a história e garra da Equipe Jota Cardoso,
resultado do incentivo de um pesquisador gaúcho chamado
Maurício de Andrade Silveira, residente em São
Leopoldo. O resultado dessa amizade virtual foi o resgate da
história completa das peripécias da família
Jota Cardoso.
Agora é o momento de homenagear
não um carro ou um modelo ou até mesmo uma marca
ou pessoa, mas é momento de comentar uma outra forma,
muito inteligente diga-se de passagem, de se preservar a história
dos automóveis: colecionar catálogos e fotos originais.
Eis o hobby do Maurício que agora apresento.
Segundo o próprio Maurício,
tudo começou por volta de 1985 ou 1986 quando, ainda
criança, seu pai chegou com um Ford Maverick 4 LDO ano
1977 para alegria geral da família. Em 1994, na esquina
da escola que freqüentava havia uma loja de carros e seu
pai pediu para que, ao passar por lá no dia seguinte,
perguntasse detalhes de um Maverick GT 1974 branco nevasca à
venda, e o Corcel II 1978 da família entrou no negócio
e quando completou 12 anos, já cuidava do carro como
se fosse dele. A paixão pelo modelo crescia e a curiosidade
juvenil idem, e uma ida à biblioteca da cidade revelou
algo muito interessante: a coleção completa de
Quatro Rodas, desde o número 1, que claro foram sendo
copiadas conforme surgiam assuntos sobre o modelo do coração.
Ao completar 18 anos em 2000 ganhou o
Maverick da família e começou efetivamente a cuidar
dele, inclusive usando seu pequeno salário para arcar
com a reforma gradual, fazendo motor (no melhor sistema
do “paitrocínio”) e depois funilaria e pintura
e mecânica em geral, tudo sendo pago em homeopáticas
e suaves prestações, tendo participado de forma
ativa na festa de 15 anos de sua irmã.
Certo dia o Maverick foi vendido mas
a coleta de fotos, revistas e materiais impressos nunca parou.
Em 2001, ao folhear uma revista de Antigomobilismo,
tomou conhecimento do restauro do Maverick Berta, da equipe
Hollywood, e entrou em contato com o museu que o preserva, na
pessoa de Paulo Trevisan. Contato feito, história contada
e mais material para o acervo. Mas isso era pouco. Em visita
a um evento na cidade de São Marcos/RS, deparou-se com
o Maverick Berta e o próprio Trevisan e o momento mágico
estava por acontecer: tirar fotos ao lado do Maverick de corridas
mais famoso do Brasil... contudo, havia mais por acontecer,
o mecânico ligou as bombas elétricas e gritou “acelera”
e lá estava o colecionador de papéis sentado no
banco do piloto e acelerando o motor do bólido!

A começar a frequentar ferros-velhos
das cidades por onde ia foi um salto natural e em certa oportunidade,
ao entrar em um com diversos Mavericks obtidos em leilão
do Departamento de Trânsito do estado do RS, foi andando
por entre eles, morro acima. Quase lá em cima, deparou-se
com dois cães da raça Rottweiller vindo em sua
direção com um certo apetite aparente. Corrida
morro abaixo e é claro que quatro patas correm muito
mais que duas pernas e a salvação foi subir no
primeiro lote de carros à frente.
Em busca por fotos antigas, entrou no
site da Ford e mandou email para todas as concessionárias
do Brasil cadastradas e recebeu apenas uma resposta.

Pois é, o relato de falta de registro
da nossa história automobilística é um
fato lamentável!
Mais recentemente, Maurício começou
a montar um blog (Show Room Imagens do Passado) onde posta as
imagens coletadas trazendo à tona seu trabalho de pesquisa
e coleta de informações e que, hoje, devido aos
contatos feitos, começa a trazer muito mais do que material
sobre a FORD, como os quadros de concessionária Dodge
que conseguiu encontrar.
Como o próprio Maurício
diz, “a cultura no Brasil é algo que muitas
vezes acaba perdendo seu valor, seja pela falta de procura ou
pela falta de interesse das pessoas em preservar.”
Bem, se depender dele, a cultura impressa
será preservada.

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oração de Dino Dragone Junior©Reprodução
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