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Equipe Jota Cardoso
Volantes Voadores

Imagem a partir de propaganda de época

Coisas da tecnologia: eis que um dia recebo um e-mail proveniente do meu site www.museumaverick.com.br com umas fotos interessantes de um Maverick voando em uma rampa e outras bem interessantes. Era o Maurício de Andrade Silveira, gaúcho de São Leopoldo/RS que mandava as curiosidades e depois de vários e-mails trocados tínhamos muitas informações e tudo o quê foi descoberto é agora dividido com os amigos Antigomobilistas.

O Mavercik voa sobre a rampa

Uma história que se repete ao longo dos últimos 50 anos não pode deixar de ser relatada, ainda mais se é cheia de adrenalina, viagens, família unida e muitos carros! Estamos tratando de uma figura multifacetada que atende belo nome de batismo de José Pedro Gerônimo Cardoso (nascido em Armazém-SC no início dos anos 1930), mas que é conhecido no mundo das artes musicais e espetáculos como Zezinho Brasil ou Zezinho do Acordeom e no mundo dos espetáculos automotores como J. Cardoso, mais tarde “rebatizado” por ninguém menos que Mauro Salles, como JOTA CARDOSO.

Vamos ao começo.

No anos 1950 as Irmãs Castro, um duo de cantoras (Lourdes e Maria), percorriam os clubes com suas vozes marcantes levando os casais enamorados (e os que queriam ficar enamorados) à pista de dança. Eis que certa feita, surge aos 16 anos de idade um rapaz com uma mala e um acordeom (também conhecido como gaita ou sanfona) e se torna o músico da dupla. Lá foi o então músico, Zezinho Brasil acompanhar o duo, tornou-se empresário e casou com Lourdes e, além de cuidar das apresentações delas, cuidou dos destinos nos palcos de outros artistas como, Mazzaropi, Vicente Celestino, Orlando Silva, Carlos Gallardo e Luis Bordon e organizou eventos culturais como o “Show dos Milhões” e “Espetáculo do Séculos”, onde os ingressos vendidos no Brasil inteiro permitiam o acesso a apresentações com 5 e 10 astros (respectivamente) de alta grandeza, além de concorrer a 21 prêmios diversos.

Mas, Zezinho Brasil foi além e, antes das apresentações musicais, pegava seu VW 1200 e saía pela cidade fazendo manobras para chamar a atenção da população e assim, garantir mais público.

Nessa época, existia o Simca Show, mantido pela empresa homônima e que tinha à frente de sua organização e realização o piloto-empresário Euclides Pinheiro e que consistia em manobras de derrapagens controladas e andar em duas rodas. Em determinado momento, em viagem pelo Estado de Minas Gerais, o destino quis que o músico Zezinho Brasil conhecesse essa equipe e o piloto Durval Marino e, ambos se tornaram amigos. Como a “estratégia de marketing” dos shows musicais era muito parecida com o “ritual” do Simca Show a aproximação foi inevitável e o músico recebia aulas e treinamento do piloto. Com o encerramento do Simca Show, a personalidade do músico mudou de vez para se tornar um piloto, e dos melhores! Engana-se quem imagina que a música ficou de lado, foi uma mudança com ênfase em agregar.

O Corcel substituiu o Gordini

Nessa fase da vida, o VW 1200 fora substituído pelo frágil Gordini, mas que mesmo assim, seguia o mesmo caminho: show musical + manobras radicais. A primeira apresentação oficial foi em 1962 na cidade de Guaraci/PR e o já batizado J. Cardoso andou com o seu Gordini em duas rodas. Como o Gordini era um produto Willys e em 1967 esta empresa foi incorporada pela Ford, o contexto começava a mudar e tornaria-se menos amador e bem mais profissional. Até então, quem mantinha tudo era o músico-piloto e com a chegada da Ford na linha de veículos com a fábrica que fora da Willys, Mauro Salles, que cuidava de toda a parte de comunicação da montadora, chamou o piloto J. Cardoso para uma conversa objetiva e entender o quê era aquilo que ele fazia com o Gordini. Saiu dessa reunião com um novo nome: JOTA CARDOSO, afinal “o J. pode ser qualquer coisa!”, segundo o executivo da montadora.

Até o Galaxie participava das apresentações

Nome novo, o próximo passo foi desenvolver as apresentações com o novo carro: o Ford Corcel. E assim, o Gordini foi aposentado e o novíssimo Ford Corcel entrou na história e para a história. A estratégia era fazer apresentações em frente às concessionárias que se mostrassem interessadas em receber a equipe e assim, motivar os consumidores a conhecerem o novo produto, afinal a loja da cidade que era Willys, agora era FORD e era preciso fazer com que todos soubessem disso e de forma muito rápida. A equipe começou suas apresentações em 1967 mesmo na cidade de Crato/CE, e o esquema era o seguinte: a equipe JOTA CARDOSO ia até a cidade e o concessionário local emprestava carros de seu estoque para que fossem usados nas apresentações. Dessa forma, mostravam ao público que eram carros comuns e os custos com transporte eram mais baixos.

Tecnicamente, todos os produtos FORD podiam participar das apresentações e até mesmo o pesado e luxuoso Galaxie participou de apresentações. Mas, o bom mesmo era usar um carro pequeno e o Corcel era o ideal. Conforme a mudança da linha, os novos carros eram incorporados e o Corcel se tornou o carro oficial do final dos anos 1960 até o meio dos 1970, quando entrou o Maverick. Nessa época, a FORD já havia disponibilizado um certo número de carros exclusivos e identificados com pinturas especiais para a equipe com o apelido de VOLANTES VOADORES.

A equipe Volantes Voadores

Comentário importante: toda vez nesse texto que exista a menção de EQUIPE é válido explicar que se trata de Jota Cardoso, sua esposa (a cantora Lourdes) e seus dois filhos, além do amigo Ivan, todos morando e viajando dentro de um caminhão-trailer. Consta que, aos 16 anos, o garoto Ivan assistiu a apresentação da família-equipe e embarcou com eles. Passados 40 anos, ainda faz parte do time......portanto, pode-se dizer que a família cresceu com a chegada do Ivan.

Aero Willys e Pick-up F-100

A equipe ainda mantinha o mesmo show, composto por derrapagens controladas e andar em duas rodas, mas resolveu inovar, colocando pequenas e baixas rampas para que os carros (sim, mais de um) passassem rapidamente e saltassem com um lado apenas das rodas, sendo seguido bem de perto pelos demais. Claro que aí isso foi pouco, e foi feito o “balé”, onde os carros mudam de lado no momento do breve salto. Nem é preciso dizer que a equipe começou a inovar e uma rampa maior com um vão livre de 7 metros foi planejada e os carros literalmente voavam de um lado para o outro. Outra manobra incorporada foi o pára-choque humano, onde uma pessoa é colocada deitada à frente da grade dianteira do veículo que sai em disparada pela pista sendo seguido por outro veículo. Em determinado momento, o veículo que está atrás, ultrapassa e faz uma derrapagem parando de frente ao outro, com a pessoa no meio de ambos.

Os Fords foram substituidos  depois pelo Fiat 147

As apresentações da equipe JOTA CARDOSO traziam multidões e era marketing certo.

Os anos foram passando e em 1976 surgiu a idéia de fazer o looping ou seja um giro completo em pista. A FORD achou a idéia arriscada demais e a equipe foi incorporada pela estreante ítalo-mineira FIAT, que colocou os novíssimos 147 à disposição. Rampa construída e testes iniciados. Claro que estamos falando de teste no sentido exato da palavra! Foram destruídos 8 carros até que o ângulo, a altura e a velocidade fossem os ideais. O nome era looping mas um expectador da cidade de Araraquara/SP, pasmo com o que seria feito, comentou: “isso é a roda da morte”. Bem, a idéia do nome foi aproveitada embora alguns prefiram ainda chama-la de roda ou simplesmente de looping.

Dois momentos de Jota Cardoso: nos anos 1970 e hoje, ao lado de Paul William Gregson

A equipe permaneceu fazendo as apresentações com o apoio oficial da FIAT até 1993, quando começou a trabalhar de forma independente, diminuindo o ritmo mas nunca parada.

Agora a nova geração está se preparando para retomar e o JOTA CARDOSO faz o coaching da neta Samira, que já está mais do quê preparada para a maioria das manobras. Os equipamentos estão guardados em duas carretas prontas para serem montadas, inclusive a “roda da morte”.

Contatos: equipejotacardoso@hotmail.com

Texto de Paul William Gregson com colaboração de Maurício de Andrade Silveira
Fotos: Equipe Jota Cardoso


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Paul William Gregson é conselheiro do Clube do Ford V8 do Brasil e mantenedor do site www.museumaverick.com.br

oração de Dino Dragone Junior©Reprodução proibida, sem prévia autorização