Antigomobilistas também
amam
E admiram as belas formas
Monovolume é
coisa moderna? Em 1956, a Romi Isetta, o primeiro nacional
já trazia essa carroceria!
Sou baixo e gordo, minhas formas não estão
na moda, mas ainda tem quem goste desse tipo de carroceria.
As formas que compõem a aparência são
importantes, elas podem determinar o sucesso e até
atravessar gerações como ícone de beleza.
No mundo dos automóveis a forma – ou formato
– é um importante fator de conquista. Ela pode
determinar o quanto será longa a vida de um determinado
modelo. Todos os detalhes são importantes, eles determinam
muitas vezes a nomenclatura da carroceria.
Opala, um dos mais representativos
sedans nacionais
Um Sedan todo mundo sabe, é um veículo
de passeio com três volumes distintos (motor, habitáculo
e porta-malas) e quatro portas. Mas nem sempre é assim
e às vezes a regra tem exceções. O nome
verdadeiro do Fusca, por exemplo, é Volkswagen Sedan.
Nesse caso é possível – e preferível
– ignorar o nome oficial e chamar pelo apelido mesmo,
afinal de contas, a carroceria do simpático popular
está longe, bem longe, dessa definição.
Os Monovolumes são a última
moda em compactos modernos, mas a configuração
é uma velha conhecida dos brasileiros. Afinal de contas,
o primeiro carro fabricado em território tupiniquim
tem essa configuração, a Romi Isetta. A cinqüentona
Kombi também tem essa carroceria, prova de que os desenhos
podem atravessar gerações.
Os carros urbanos sempre causaram confusões: existem
os Três Portas, Cinco Portas
e os Hatch-Backs. Na realidade muitas
vezes essas três configurações querem
dizer a mesma coisa. A tampa do porta-malas, nesse tipo de
carroceria, abrange da capota até a linha das lanternas,
em alguns casos até os pára-choques. Trocando
em miúdos, são os carros pequenos, compactos
ou sub compactos. Os saudosistas referem-se a eles como “econoboxes”
devido à semelhança de alguns dos atuais modelos
com pequenas caixas.
A polêmica e quase ignorada
Notch-back, o Corcel II é um belo exemplo dos raros
nacionais com essa configuração
Com aparência bem semelhante os Fast-Back
e Notch-Back também causam suas confusões.
O primeiro modelo tem traseira inclinada e reta, a vigia traseira
é fixa e a tampa do porta-malas fica abaixo, o compartimento
da bagagem, ao contrário do hatch, é próprio.
Os Notch-Backs são bem parecidos e
muita gente confunde, mas existe uma pequena curvatura entre
a vigia e a tampa da mala. O Corcel II, por exemplo, tem essa
carroceria.
Concordo que até agora o texto só teve informações
do tipo “graxa”, ou seja, termos técnicos
e nomenclaturas, mas se a gente pára e pensa, saberá
que a vida é feita pelos nomes dados às formas.
O alto, o baixo ou o magro; loira, morena, ruiva – no
final das contas essas características não importam
muito, pois mesmo que sua preferência seja bem específica,
tem certos modelos que no conjunto da obra te conquistam mesmo
sem que você perceba. Às vezes o que faz a atrai
a atenção da maioria é a simplicidade
e a beleza das formas, que faz com que cada detalhe, por mais
simples que seja, reluza mais do que um cromado bem polido.
A moda dá preferência às formas, mas
só os verdadeiros sentimentos entendem que o moderno
de hoje, nada mais é do que a releitura de tempos passados.
A carroceria nada importa, pois sem o combustível certo
veículo nenhum se move. Os laliques nos coletes de
radiador, as miras, os mascotes e logotipos chamam a atenção,
mas é o motor escondido debaixo do capô que move
a máquina – e isso poucos conhecem.
Portuga Tavares é editor de textos do programa
Auto Esporte da Tv Globo, colaborador de diversas revistas
de veículos entre elas a 4 Rodas e enfrenta
todos os dias o transito caótico da cidade de
São Paulo a bordo de seus carros antigos.