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Personalidade automotiva

Em 1969 o chegou às telas dos cinemas o filme Se Meu Fusca Falasse, com um carismático Fusquinha cheio bom humor, o Herbie. De tão famoso, basta dizer o nome dele e todos sabem do que, ou melhor “de quem”, se trata.

Acredito que os automóveis têm personalidade. Não tenho vergonha de admitir: batizo os meus carros. O Landau chama-se Loyd e o Polara recebeu o nome de Paul. Achou loucura? Pois posso garantir que eles são diferentes nos nomes, na aparência e também no temperamento.

Loyd, o Landau

O Loyd é do tipo que topa qualquer desafio, passeios, eventos, comboios de carros antigos, supera o trânsito como ninguém e também não se incomoda com frescuras. Se for preciso dorme no tempo, debaixo de árvores ou num gramado de alguma cidade pitoresca.

Uma coisa para a qual ele não está nem ai é a aparência. Mesmo com marcas pela pintura e a falta de brilho ele não desanima. Se for preciso, ultrapassa e continua confortável, talvez até melhor do que qualquer outro carro mais ajeitadinho de pintura reluzente.

Paul, o Polara

Já o Paul tem um jeito de “baixinho invocado”. Seu motor é pequeno, mas já fez caminhão e até carro esportivo comer poeira na estrada. O comportamento rebelde parece que advinha quando vai chover, ele sempre passeia nos dias de chuva. Não tem jeito: é sair com o Polara que chove, nem que seja uma garoa, isso é o suficiente para deixar esse pequeno carro feliz – Parece um garoto brincando na chuva!

Já me condenaram por encontrar traços de personalidade no meio do amontoado de lata, porcas e parafusos que formam os carros. Mas cheguei à conclusão de que não sou louco e para provar isso tenho diversos exemplos de amigos que dão nomes aos seus carros. Alguns são famosos colecionadores, então contarei os nomes dos carros sem revelar a identidade dos seus proprietários.

Mankinho, o Karmann-Ghia

Até hoje se comenta de um saudoso senhor que tinha mais de 50 conversíveis das décadas de 30, 40 e 50 na garagem, mas seu carro de uso diário era um Del Ray quatro portas automático. O nome da máquina era Precioso.

Um outro companheiro de jornadas é Mankinho, um Karmann Ghia 1964. Ele já foi branco, dourado e hoje é vermelho com o teto creme. Esse carro é do tipo que gosta de andar com o seu dono, também pudera, os dois nasceram no mesmo ano.

Tem ainda quem batize a frota inspirado na profissão do antigo proprietário. Contador, Leiloeiro e Empresário, e outros tantos profissionais habitando a mesma garagem.

  Fantasma, o Galaxie

Existem também as piadas que se transformam em nome: o sujeito é medroso, daqueles que não suportam ouvir histórias de assombração. Seu carro, é claro, ganhou o nome de Fantasma – acreditem, é um fato verídico – esse eu tive a sorte de ser o padrinho de batismo.

Não importa muito o método usado para batizar os carros, o que vale mesmo é curtir o carro, usar e abusar. Acompanhá-lo nos eventos, fazer festa junto com as máquinas, confraternizar com a família, os amigos e, claro, o carros. Com certeza seu antigo gostará muito mais das ruas do que da garagem e com o tempo a verdade virá à tona: carro que anda não quebra e fica feliz – aliás, muito feliz.

Portuga Tavares é editor de textos do programa Auto Esporte da Tv Globo, colaborador de diversas revistas de veículos entre elas a 4 Rodas e enfrenta todos os dias o transito caótico da cidade de São Paulo a bordo de seus carros antigos.

Conte-nos qual o carro que ficaria na garagem
dos seus sonhos:
portugatavares@gmail.com

Reprodução autorizada, desde que citada a fonte: www.maxicar.com.br

 

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