Olá amigos leitores do Portal Maxicar. Esta é minha
primeira colaboração neste site, então
acredito que devo me apresentar antes de qualquer coisa.
Meu nome é Portuga, na realidade esse é meu
apelido, mas é assim que sou chamado desde que me
lembro por gente.
Sou aficionado por carros antigos, lembro-me que aos quatro
anos de idade meu pai parou o Fusca 1300L 1975 num posto
de combustível e eu pulei para fora correndo só para
ver de perto um carro enorme que estava ali estacionado.
Era grande azul marinho e com o interior cinza, o dono do
carro, um velhinho disse-me: - Isto é um Landau!
Voltei para o Fusquinha do meu pai com uma certeza: “-
Um dia terei um Landau!”. Essa foi iniciação
no mundo dos automóveis, percebi um pouco depois que
meu interesse principal não eram os carros comuns,
o sonho da maioria dos jovens da minha idade (Gol GTi ou
Escort XR3), o que eu queria mesmo eram Galaxies, Chargers,
Esplanadas, Aero Willys...
Na adolescência consegui alguma coisa reunindo um
surrado dinheiro ganho entre trabalho no bar do meu pai,
no estágio e com a venda de cartões de zona
azul (estacionamento fiscalizado das ruas de São Paulo).
Naquela época comprar um V8 era fácil, a dificuldade
estava em encher o tanque de combustível.
O carro da balada era meu Landau, equipado com um CD Player
Pioneer e uma Televisão coloria de nove polegadas
(de gaveta) – sim, eu passei por essa fase “ruim” da
juventude – mas hoje me orgulho pela busca da mais
perfeita originalidade – tal qual como saiu de fábrica.
Meu carro está com o Philco Ford original e a televisão
está guardada em casa como uma lembrança de
uma época agitada.
Gosto também de Hot Rods, Street Rods e de qualquer
outra máquina nostálgica criada por uma finalidade,
seja se divertir, criar uma cultura ou um esporte. Mas devo
admitir que os originais ainda estão na vaga privilegiada
desse coração com ferrugem.
Até agora, nesses 6 parágrafos, só falei
de mim mesmo, mas essa é só a forma de apresentar
esta coluna que todos os meses retratará os carros
antigos, por que eles foram criados e para que foram criados
e também da evolução dos modelos. O
Galaxie nacional, por exemplo, o primeiro automóvel
de passeio da Ford fabricado no Brasil, a marca precisava
de um veículo de luxo para oferecer ao mercado (que
na década de 60 era concorrido) e estabelecer um patamar
de qualidade. A produção desse carro se encaixaria
como uma luva na já habituada linha que produzia caminhões
(usaram de inicio até o mesmo motor). Em 1983 ele
foi substituído pelo Del Rey, alguns dirão
sem a mesma pompa e glamour, mas a necessidade da época
era por carros menores e mais econômicos.
Além dos fatores históricos os carros antigos
tem outra coisa que só eles carregam, um porta-malas
cheio de emoções e misturando: emoção,
história de vida e de mercado, contaremos aqui neste
espaço um pouco sobre os carros de nossos sonhos.
Portuga Tavares é editor de textos do programa
Auto Esporte da Tv Globo, colaborador de diversas revistas
de veículos entre elas a 4 Rodas e enfrenta
todos os dias o transito caótico da cidade de
São Paulo a bordo de seus carros antigos.