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Na
ponta do lápis
Vale a pena importar um veículo
para restauração?
Em
julho o Portal Maxicar teve a alegria de
ter como seu “Colunista Convidado” o
advogado e jornalista Roberto Nasser. Ele é responsável
por muitos avanços no Brasil em termos de legislação,
quando o assunto é veículos antigos. E entre
esses, está a portaria que permite a importação
de veículos com mais de 30 anos.
Pois bem, num determinado ponto do artigo-entrevista, Nasser
nos lembra que é permitida a importação
de veículos para restauração e não
apenas daqueles impecáveis, aptos a receber placas
pretas. E que além de se gerar empregos e divisas
para o Brasil, a importação de veículos
a restaurar é bastante vantajosa para o comprador.
A explicação é simples: os impostos
são calculados sobre o valor (US$) de venda do veículo.
Portanto, como um veículo para restauração
é bem mais barato, obviamente os impostos também
serão proporcionalmente menores. E a quantia economizada
poderá ser gasta aqui mesmo no Brasil, na restauração,
mas sem a incidência daqueles impostos.
Por outro lado, há os chamados “custos fixos”
que são cobrados independente do valor do automóvel
a ser importado. Valendo US$ 10 mil ou US$ 100 mil, estes
custos serão sempre iguais. Neste caso, os automóveis
mais baratos levam desvantagem.
A revista Classic
Show publicou em seus números 37 e 38 um utilíssimo
especial sobre o assunto, com a consultoria do próprio
Nasser e do despachante aduaneiro Orlando Pido Júnior,
da empresa Fronteiras Comércio Exterior Ltda.
De acordo com Orlando, não existe uma fórmula
exata para se calcular qual seria o custo total para a importação.
Cada caso é um caso e depende de diversos fatores,
como país de origem, distância do automóvel
do porto de embarque e desembarque... Mas, segundo Orlando,
em linhas gerais pode-se chegar a um custo final bastante
aproximado, usando os seguintes critérios:
- Impostos e taxas de importação
– 128% sobre o valor do bem + transporte
- Frete marítimo – cerca de
US$ 800,00 (custo fixo. Independe do valor do veículo.)
- Despesas aduaneiras e portuárias, Denatran
e Renavan (Brasil) – cerca de R$ 10.000 (atenção,
em Reais)
Baseado nestes números, resolvi calcular quanto
custaria trazer um veículo impecável e outro
a restaurar, ambos da mesma marca, modelo e ano, para ver
se vale mesmo a pena a importação de veículos
para restauração.
Para a experiência, pesquisei na própria internet,
em sites de vendas de automóveis no exterior. Acabei
encontrando dois bons exemplos: o primeiro é o (caríssimo!)
inglês Aston Martin DB2 1952, um
super esportivo com apenas cerca de 400 exemplares produzidos
(já imaginou que raridade hoje em dia?).
O segundo é o sonho de uma legião de colecionadores
brasileiros, mas que não representa a melhor opção
de importação, uma vez que já existem
muitos exemplares no Brasil (mas isso já seria assunto
para outro artigo!): o americano Mustang Conversível
1968.
Consegui encontrar dois exemplares quase idênticos
de cada uma das marcas/modelos. Os Aston Martins achei em
um site especializado da Inglaterra. Os Mustangs em um site
americano. Os Astons tinham seus valores anunciados em Euros,
mas converti para dólares para padronizar os cálculos.
Na relação dolar/real usei como base a cotação
de R$ 1,60.
De acordo com os anúncios dos automóveis
a serem restaurados, o Aston Martin já foi todo desmontado,
tendo o chassi restaurado e pintado. A carroceria já
está ponta para ser preparada e pintada. A mecânica
está ok. O interior precisa ser todo refeito e o
carro possui todos os acabamentos: vidros, frisos, grades,
painel, bancos, emblemas...
Já o Mustang está em bom estado, precisando
de pintura geral, retífica de motor, revisão
mecânica e novo interior. O carro é completo
e original.
Então, vamos às contas!
| EXEMPLO
1 - Aston Martin DB2, 1952 |
| •Veículo
pronto |
 |
| Valor:
US$ 219.000 |
| +
Frete: US$ 800 |
| X
128% = US$ 501.144 |
| X
Conversão dolar (R$ 1,60) |
| =
Valor em real: R$ 801.830 |
| +
Tarifas Brasil: R$ 10.000 |
| =
Custo Total: R$ 811.830 |
|
| •Veículo
a restaurar |
 |
| Valor:
US$ 89.000 |
| +
Frete: US$ 800 |
| X
128% = US$ 204.744 |
| X
Conversão dolar (R$ 1,60) |
| =
Valor em real: R$ 327.590 |
| +
Tarifas Brasil: R$ 10.000 |
| =
Custo Total: R$ 337.590 |
|
VALOR
ECONOMIZADO: R$ 474.240,00 |
| EXEMPLO
2 - Mustang Conversível
1968 |
| •Veículo
pronto |
 |
| Valor:
US$ 21.500 |
| +
Frete: US$ 800 |
| X
128% = US$ 50.844 |
| X
Conversão dolar (R$ 1,60) |
| =
Valor em real: R$ 81.350 |
| +
Tarifas Brasil: R$ 10.000 |
| =
Custo Total: R$ 91.350 |
|
| •Veículo
a restaurar |
 |
| Valor:
US$ 8.200 |
| +
Frete: US$ 800 |
| X
128% = US$ 20.520 |
| X
Conversão dolar (R$ 1,60) |
| =
Valor em real: R$ 32.832 |
| +
Tarifas Brasil: R$ 10.000 |
| =
Custo Total: R$ 42.832 |
|
VALOR
ECONOMIZADO: R$ 48.518,00 |
Moral da história: ao se importar, por exemplo
um Aston Martin DB2 para restaurar, ao inves de um carro
pronto e impecável, economiza-se R$ 474.240,00. Se
a opção for um Mustang Conversível,
a economia é de R$ 48.518,00. Em ambos os casos,
quantias muito significativas, proporcionalmente aos valores
dos carros. Mas tudo depende também de se conseguir
fazer uma boa compra, com um valor razoável.
Mas cuidado: o carro a ser importado deve estar dentro
do valor de mercado, senão é barrado na Alfândega
(mas isso também é papo para outra ocasião!).
Não sou um profissional especializado na restauração
de automóveis, mas como leigo, acredito que é
possível, em ambos os casos, fazer restaurações
excelentes, com uma tranquila folga de caixa, usando os
valores economizados. Com a palavra quem entende mesmo do
assunto!
Reprodução
autorizada, desde que citada a fonte: www.maxicar.com.br
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