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Os clássicos e a crise

De repente o mundo inteiro entrou em pânico! Bolsas despencando e causando prejuízo de milhões. Os grandes conglomerados anunciando cortes nos investimentos e demissões em massa. Para o mercado automotivo a situação não é diferente: as três gigantes americanas, GM, Ford e Chrysler recorrendo a ajuda de bilhões de dólares do governo Bush para não fecharem as suas portas. A GM inclusive anunciando a venda de diversos carros antigos do acervo de seu museu histórico para fazer caixa (será que faz alguma diferença?). E as montadores asiáticas também sentindo, pois dependem diretamente das exportações. A Honda, por exemplo, anuncia que não irá participar da Fórmula 1 em 2009, como forma de economizar alguns milhões de dólares.

O Brasil, pelo menos por enquanto, ainda não sentiu profundamente os seus efeitos. Segundo os especialistas, é um dos paises mais bem preparados do mundo para situação. Mas de qualquer forma se houve falar muito em demissões e férias coletivas, produção industrial em queda e previsão de crescimento menor do que o prevista na economia em 2009.

Estamos falando da tal Crise Financeira Mundial que desde setembro não sai das manchetes dos jornais, revistas, TVs e internet, criando em nós, brasileiros, um efeito mais psicológico do que prático (na minha modesta opinião).

Por conta disso, muitas pessoas tem perguntado a nós, do Portal Maxicar, se a crise afetou muito o comércio de veículos antigos. E a resposta é não! Para nós não houve queda significativa no volume de consultas que recebemos todos os dias, nem no número de vendas realizadas mensalmente.

A essa altura você deve estar pensando: “Puxa, que ótimo negócio trabalhar no comércio de veículos antigos! Nem mesmo uma baita crise financeira internacional abalou seu mercado!”.

Não é nada disso! O mercado de veículos antigos é naturalmente complicado! Respondemos a muitas consultas diariamente. É cliente querendo conhecer maiores detalhes, outros solicitando fotos extras. Uns fazendo contra-propostas, outros propondo trocas... Mas o índice de conversão em vendas é baixíssimo. Sempre foi, antes e depois da crise.

E há algumas explicações para isso. O mercado de antigo é bastante diferente de automóveis novos o semi-novos. A começar pela ausência de crédito. Não existe financiamento oficial para veículos fabricados há mais de 15 anos. Para veículos com mais de 10 anos já se encontra dificuldades. As opções são pagar a vista, tentar um pequeno parcelamento junto ao proprietário, ou fazer um empréstimo pessoal, cujos juros são sempre bem acima dos cobrados em financiamentos.

O comprador de automóvel semi-novo ou zero quilômetro se baseia basicamente na razão. Faz comparativos para saber seu o automóvel tem o tamanho ideal para sua família, qual o consumo, o valor de revenda...

Já o de antigos é pura emoção! Sua escolha é baseada no coração: aquele carro que lhe traz recordações da infância, que seu pai ou tio tinham um igualzinho. O primeiro que comprou há 30 anos atrás, a raridade do modelo... e por ai vai. Ele está pouco se lixando se o carro é um V8 e bebe uma barbaridade. Se o valor de mercado compensa ou não a compra ou se aquele modelo é resistente e possui peças ou assistência técnica. Por isso, ele é muito mais cuidadoso na hora de comprar. Pesquisa bastante, procura na internet, nos encontros, através da indicação de amigos, até se decidir em fechar um negócio.

Há ainda um outro ponto a se considerar: se você mora numa média ou grande cidade e busca um semi-novo, é possível encontrar dezenas de automóveis similares ou até mesmo idênticos (geralmente nas cores prata ou preto!) em diversas agências. A compra geralmente é baseada basicamente em preço e financiamento.

Já quando se trata de automóvel antigo, dificilmente você encontra dois iguais. Mesmo os similares sempre apresentam muitas diferenças: estado de conservação, originalidade, acessórios de época, procedência, documentação, distância...

Portanto, a famosa crise ainda não conseguiu abalar as estruturas do mercado de automóveis antigos no Brasil, que vai muito bem, obrigado! Continua difícil e apaixonante como sempre!

Fernando Barenco é administrador do Portal Maxicar.
E-mails para esta coluna: fernando@maxicar.com.br

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