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IPVA: vem aí o fim da isenção?

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, deu na última segunda-feira, 26 de outubro, uma declaração que caiu como uma bomba sobre as cabeças dos antigomobilistas. Durante um evento em São Paulo, ele defendeu não só o fim da isenção do IPVA para veículos com mais de 20 anos, mas também afirmou que quanto mais antigo, maior deveria ser a alíquota do imposto.
— o Brasil deve ser o único país do mundo que, quanto mais velho, mais poluente e mais inseguro é o veículo, menos se paga de imposto. O aumento do IPVA incentivaria a renovação da frota nacional. — disse Miguel Jorge, ele mesmo proprietário de alguns automóveis antigos.

O fato de você ter visitado o Portal Maxicar e estar lendo este artigo, faz supor que você é um antigomobilista, e a essa altura deve estar bastante indignado com a notícia. A princípio eu também fiquei, afinal estamos no mesmo “barco”.

Mas vamos analisar essa notícia de outro ângulo, sem a visão de quem é apaixonado por automóveis antigos. O que você pensaria sobre o assunto? Cabem algumas reflexões:

- Carros antigos são realmente muitíssimo mais poluentes que os automóveis modernos. Neste ponto não há o que se discutir e o ministro tem toda razão, principalmente num momento em que só se fala na preservação do meio ambiente, em aquecimento global e na defesa de uma Terra mais sadia para as gerações futuras (que é o que todos nós queremos, antigomobilistas ou não).

- A esmagadora maioria dos automóveis com mais de 20 anos que circulam pelas ruas são “velhos” e não antigos. Seus proprietários os têm não por “opção”, mas sim por “falta de opção”. Não são adeptos do antigomobilismo, não têm a menor satisfação em tê-los e sonham com um carro mais novo. São esses os donos de automóveis sem manutenção, que causam acidentes, que quebram no meio do engarrafamento, tornando ainda mais caótico o trânsito nas grandes e médias cidades.

- Os antigomobilistas, aqueles que possuem um, dois, três, dez, cem... automóveis antigos (não velhos) em suas garagens, o fazem por opção, porque curtem o hobby de manter, preservar, dirigir e expor uma máquina do passado. São carros bem conservados, que dificilmente vão deixar seu dono na mão, atrapalhando o trânsito, ou causar acidentes nas estradas.

Por enquanto, essa notícia reflete apenas uma opinião pessoal do ministro. Não significa necessariamente que vai virar lei. Mas sabe como é a política: alguém dá uma declaração, outro gosta da idéia e já apresenta um projeto de lei, o Governo também acha interessante porque vai aumentar os impostos... quando a gente vê, ta aí a lei entrando em vigor.

Qual seria a solução se a cobrança do IPVA para veículos com mais de 20 anos virar mesmo realidade?

Penso que a saída, pelo menos em parte, esteja em fazer uma pequena mudança na portaria que trata dos “Veículos de Coleção”, ou seja, carros com placa preta. Que automóvel tem direito a ela atualmente? Aqueles com mais de 30 anos, em ótimo estado de conservação e com altíssimo índice de originalidade. Ou seja: carros antigos, com manutenção em dia, bem regulados (embora ainda assim bastante poluentes), de pessoas que optaram em tê-los.

Então, porque não manter a isenção de IPVA para os “Veículos de Coleção”?

Quais seriam as vantagens dessa pequena mudança?

- Incentivo para que o antigomobilista mantenha seu automóvel antigo original e em ótimas condições.
- Um motivo a mais para que o proprietário de automóvel antigo queira pôr placas pretas em seu veículo.
- O fortalecimento dos clubes.
- Aquecimento do mercado de autos antigos (pelo menos num primeiro momento), com a consequente redução de preços, já que muita gente vai querer se ver livre de seu "velhinho" com o aumento do imposto.
- Valorização da cultura antigomobilística.

Certamente que essa não é a proposta ideal. Ela não contempla, por exemplo os automóveis modificados (hots, custons e street rods), nem aqueles que tem entre 20 e 29 anos, e que continuariam sobretaxados. Mas pelo menos é o ponta-pé inicial para a discussão. Separa “o joio do trigo” (carro velho de carro antigo). O ideal mesmo seria ficar tudo como está atualmente, e esperamos que isso aconteça. Mas se a mudança vier, temos que estar preparados.


Fernando Barenco é administrador do Portal Maxicar. E-mails para esta coluna: fernando@maxicar.com.br

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