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Pioneiros esquecidos

No decorrer da história do automóvel, houve marcos da evolução dos conceitos e das técnicas de produção que acabaram dirigindo as tendências ou mesmo revolucionando a maneira do homem se relacionar com a máquina que mudaria a história das civilizações. Entretanto, como muitas vezes acontece, os méritos nem sempre ficaram com quem seria de direito, mas com aqueles que conseguiram se destacar na multidão, muitas vezes apenas copiando ou aperfeiçoando conceitos já testados.

Oldsmobile Curved Dash, o primeiro em série

O primeiro exemplo está ainda nos primórdios do automóvel, quando foi instituída a produção em série nos EUA. Para quem pensa que o criador do conceito foi Henry Ford, com o modelo T, é bom lembrar que, quatro anos antes do lançamento do Tin Lizzie, Ranson Eli Olds colocava no mercado o Oldsmobile Curved Dash, esse sim, o primeiro veículo produzido em série da história. A confusão provavelmente se deve ao fato do Modelo T ter sido produzido em proporções, até então, nunca vistas, alcançando preços muito baratos que derrubavam qualquer concorrência, demonstrando o grande tino comercial de Ford. Mas o primeiro veículo em série foi mesmo da Olds.

Barracuda 1964, o primeiro "pony-car"

Ainda na Ford, outro erro muito comum é achar que foi o Mustang o pioneiro do conceito pony-car, um modelo jovial derivado de compactos de grande produção (no caso do Mustang, o Ford Falcon) com pretensões esportivas e possibilidades quase infinitas de combinações de equipamentos e acessórios. O fato, no entanto, é que o Mustang alcançou tamanho sucesso que eclipsou a primeira geração do Plymouth Barracuda, lançada alguns meses antes. O Barracuda, sim, foi o primeiro pony-car da história, precursor da escola americana de esportivos e muscle-cars que seria cultuada nos anos que precederam a crise do petróleo.

Voltando no tempo, que tal pensarmos no primeiro veículo de tração dianteira? Citroën Traction Avant 1934, diriam alguns, Cord L-29, de 1929, diriam outros. Correto, se não fosse o DKW Front de meados dos anos 20, cujo pioneirismo quase nunca é citado...

Romi-Isetta: inicio da produção meses antes dos DKWs

E, finalmente, no Brasil, temos um exemplo que envolve a própria inauguração do automóvel de passeio feito por aqui: sempre se comemora a data da produção da primeira Vemaguet, em novembro de 1956, como o marco inicial da “nossa” indústria automobilística. Mas, o que dizer da Romi-Isetta, produzida desde agosto do mesmo ano? Nesse caso, fica o argumento de que a Isetta não era reconhecida como carro pelo governo, mas seria justo deixar todas as honras para a perua da Vemag?

Certamente há muito outros exemplos de pioneiros esquecidos, ofuscados por grandes sucessos de mercado dos concorrentes. Mas, como alguém já disse antes, a história é – e sempre será – contada pelos vencedores.

Com essa coluna, faço minha despedida do Portal Maxicar. Agradeço ao Fernando Barenco pela oportunidade e aos leitores pelo carinho e pelos comentários nessas cinco colunas que me trouxeram muita satisfação em escrevê-las.

Um abraço a todos.

Luís Augusto Malta é médico psiquiatra apaixonado por carros antigos e música clássica. Considera que nasceu antigomobilista, já que, em 1977, seu pai tinha um Fusca 69, o qual acabou herdando, em 1995, como o seu primeiro carro - antigo e de uso cotidiano - e conserva até hoje.

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