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Dodge - Esportividade e potência

A bíblia do Dodge nacional

Diz um ditado que “o que é bom dura pouco”. Esse é o caso da breve passagem da gigante americana Chrysler pelo Brasil. Aportando por aqui em 1968, quando assumiu o controle acionário da filial nacional da francesa Simca (comprou a matriz em 1963), a Chrysler chegou para dar uma injeção de qualidade e modernidade à nossa industria automobilística, intenção  já demonstrada com o “banho de loja” dado ao Esplanada, então recém lançado e cheio de problemas.

Com o lançamento do Dart Sedan no final de 1969, modelo idêntico ao Americano (coisa rara no Brasil que já estava até acostumado a fabricar automóveis obsoletos e muitas vezes até já fora de linha em seus países de origem) os automóveis da Chrysler do Brasil tornaram-se rapidamente sinônimo de luxo, conforto, esportividade, qualidade e desempenho, este último proporcionado pelos famosos motores V8 318, que em sua configuração básica chegava a 198 hp (Dart), podendo alcançar 215 com o aumento da taxa de compressão, como no caso do Charger R/T, lançado dois anos depois.

Mas justamente em seu melhor predicado estava também seu pecado: desempenho significa alto consumo de combustível. A crise internacional do petróleo em meados da década de 1970, trouxe a queda nas vendas. Natural. Afinal não é fácil manter um automóvel que faz cerca de 5 quilômetros com um litro de gasolina, num momento de forte aumento nos preços dos combustíveis. Neste período, o Brasil não possuía a auto-suficiência que tem hoje, tendo que importar quase todo o petróleo para consumo interno. Rapidamente, os automóveis usados mais “beberrões” caíram em desgraça, e além dos Dodges, era comum ver Galaxies, Mavericks, e outros modelos mais consumistas serem depreciados vendidos a preço de banana com poucos anos de uso, e tornarem-se opção apenas para os que não tinham opção. Quem viveu naquela época, lembra-se bem...

Em setembro de 1969 a revista 4 Rodas anunciava a chegada do Dart

E foi assim, com dificuldades de manter-se no mercado brasileiro, que 11 anos depois de sua chegada, a Chrysler do Brasil passou seu controle acionário para a alemã Volkswagen, que tinha interesse em seu parque industrial, para instalar sua linha de caminhões. A produção da linha Chysler permaneceu ainda por dois anos, tendo sido definitivamente extinta em 1981.

Toda essa saga é agora contada em detalhes no livro “Dodge — Esportividade e potência”, de autoria de Rogério de Simone e Fábio Pagotto. Uma história que começa em 1946 quando a Brasmotor (empresa que hoje detém as marcas de eletrodomésticos Brastemp, Cônsul e Semer) tornou-se representante de toda a linha Chrysler no Brasil, incluindo as marcas Dodge, DeSoto, Plymouth e Fargo.

Um capítulo é dedicado à trajetória do Dodge Dart nos Estados Unidos, cuja origem é um carro conceito aerodinâmico apresentado em 1957. Em seguida veio o lançamento de uma linha de automóveis mais convencionais em 1960, que contava inclusive com uma versão SW, evoluindo depois para o modelo que conhecemos no Brasil. Outro capítulo fala da compra da Simca, das melhorias no Esplanada e na transição para a linha Dodge.

Como não poderia deixar de ser, grande parte da obra é voltada a descrever em detalhes as características de cada modelo fabricado aqui, ano a ano: Dart Sedan e Coupê e SE, Charger, Charger R/T, Gran Sedan, Gran Coupê, Magnum e Lê Baron. Cores, interiores, painéis, faixas frisos, calotas, grades, faróis, lanternas e tudo mais, com muita informação que serve de guia permanente para quem compra, vende, restaura e simplesmente curte esses potentes automóveis.

A grande frustração fica por conta dos apaixonadas pela linha 1800/Polara, já que o modelo é praticamente ignorado, sendo apenas superficialmente citado duas vezes em todo o livro. Um fato compreensível, já que trata-se de um automóvel com características bem distintas dos demais Dodges brasileiros.

Em propaganda de 1979 a Volkswagen prometia manter a linha Dodge

Ricamente ilustrado, “Dodge — Esportividade e potência” traz ainda propagandas de época, a participação do Dodge em filmes nacionais, a relação dos principais testes em revistas especializadas, os números da produção de cada versão, a identificação dos códigos nas plaquetas, tabelas de cores e depoimentos de antigos funcionários da montadora.

Uma publicação que vai trazer horas de deliciosa leitura para os amantes desses eternos “muscle cars” brasileiros, que a cada dia encantam mais e mais antigomobilistas de todas as idades.

Dodge — Esportividade e potência
Rogério de Simone e Fábio Pagotto
200 páginas – Formato 18X25 cm
Editora Alaúde

Os autores:

Rogério de Simone – Biólogo por formação, há mais de 30 anos trabalha na área gráfica e editorial. Na década de 1980 criou a revista Automóveis Históricos. Possui um enorme acervo de fotografias e literatura ligado ao tema automóveis. É autor de outros livros publicados pela Editora Alaúde como “Simca, a história desde as origens” e “Opala, o carro que conquistou o Brasil”.

Fábio Pagotto – Engenheiro mecânico, publicou a revista Collector’s Magazine entre 1996 e 2000. É fundador do Chrysler Clube do Brasil, do qual foi vice-presidente e representante regional da Federação Brasileira de Veículos Antigos, tendo ajudado a implantar a legislação sobre veículos de coleção (placa preta).

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